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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Doumbia, Viviano, dilema na baliza e um plantel por arrumar

A rescisão com Doumbia

Foi ontem oficializada a contratação de Doumbia pelo Girona. O avançado costa-marfinense rescindiu com o Sporting antes de assinar, o que significa que não receberemos qualquer verba pelo jogador.

Fico, no entanto, com a dúvida em relação ao prémio de assinatura que o Sporting se comprometeu a pagar ao jogador: 3 milhões no total a pagar ao longo de dois anos. Será que ficámos dispensados de pagar alguma parte desse valor? Poderá estar aqui a diferença entre um negócio aceitável e um não negócio.

Ainda assim, era fundamental livrar o clube da carga salarial do jogador - que cria uma grande folga para um eventual último reforço de ataque.


O caso Viviano


Não consigo entender a vontade que a Comissão de Gestão parece ter em mandar embora Viviano. É um guarda-redes que dá garantias pela experiência que tem. Saindo, supõe-se que a titularidade irá parar mais cedo ou mais tarde a Renan, que, aos 28 anos, apenas jogou regularmente em três épocas (Atlético Mineiro, São Paulo e Estoril). Mostrou valor na época passada, mas parece-me haver aqui algum risco em confiar uma época inteira a um guarda-redes com este historial.

Viviano pode ser um jogador com um salário elevado, mas o Sporting não poderá aspirar à vitória no campeonato sem um guarda-redes que dê segurança a toda a equipa durante uma época que será muito longa.


Dilema na baliza

Considerando a excelente exibição de Salin na Luz, suponho que fique adiada a titularidade de Renan. A meu ver, Peseiro fará o seguinte: Salin jogará contra o Feirense e, depois da pausa para as seleções, colocará Renan no jogo da Taça da Liga contra o Marítimo. Se tiver uma exibição positiva, o brasileiro agarrará a titularidade daí para a frente.


Um plantel por arrumar

É muito importante reduzir o plantel nos três dias de mercado que restam. Temos atualmente 32 jogadores, incluindo vários que ou não têm qualidade para representarem o Sporting ou que são claramente cartas fora do baralho para o treinador. Petrovic, Mattheus Oliveira, Jefferson, Castaignos, Carlos Mané, Bruno César e um guarda-redes (temos quatro de momento) têm de ser vendidos ou emprestados para tornar o grupo de trabalho gerível e aliviar ainda mais os custos com pessoal.  

Conseguindo colocar os jogadores acima referidos, ficaríamos com um plantel de 25 jogadores:

GR: Viviano/Salin; Renan; Max
DD: Ristovski / Bruno Gaspar
DE: Lumor / (fala-se de Coentrão)
DC: Coates / Mathieu / André Pinto / Marcelo
MC: Gudelj / Battaglia / Sturaro / Wendel / Misic 
MD: Matheus / Jovane
MO: Nani / Bruno Fernandes
ME: Raphinha / Acuña
PL: Dost / Montero / Diaby

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

A venda de Doumbia

Seydou Doumbia foi contratado no início da época passada à Roma. Vinha de uma boa época na Suiça e parecia ser uma excelente alternativa a Dost, podendo eventualmente até jogar em dupla com holandês. Veio inicialmente por empréstimo, com uma opção de compra que seria exercida pouco tempo depois. Custou 3,5 milhões, aos quais se juntaram 0,7 milhões de comissão e um prémio de assinatura de 3 milhões a pagar ao longo de dois anos. No total, o investimento do Sporting foi de 7,2 milhões de euros, ficando o jogador, ao que se diz, a auferir um salário algures entre os 3 e 4 milhões de euros em cada um dos três anos de contrato. Sendo verdade o salário, isso faria de Doumbia um dos jogadores mais bem pagos do plantel.

Infelizmente, o jogador não conseguiu corresponder em campo às expetativas criadas com a sua contratação. Começou bem, marcando dois golos importantíssimos contra o Steaua e contra o Olympiacos, mas depois disso foi perdendo gradualmente influência na equipa. Acabaria a época como 4ª opção para Jesus, marcando um total de 8 golos: para além dos golos na Liga dos Campeões, fez o 3-1 em Astana, bisou no 6-0 ao União da Madeira para a Taça da Liga e marcou 3 contra o Vilaverdense para a Taça.

Como atenuantes, deve referir-se a utilização espaçada que Jesus lhe foi dando (mal calçou no campeonato) e o "azar" de lhe terem anulado um par de golos limpos (o golo que o VAR lhe anulou contra o Feirense foi o maior escândalo do ano), mas o que é facto é que, aos 30 anos (segundo o que diz o seu BI), já perdeu a aceleração e velocidade que o distinguiam, sobrando apenas um ponta-de-lança banal que não tem lugar no Sporting.

Poderão alegar que não foram poucos golos considerando a sua utilização, mas um ponta-de-lança que custou e recebe ao nível de Doumbia tem a obrigação, nas competições nacionais, de render muito mais. Há que pensar também no custo de oportunidade que foi gastar este dinheiro todo que, se bem aplicado, poderia ter ajudado o Sporting a obter outros resultados na época passada.

Sendo um ponta-de-lança banal e caro, a ter de receber entre 6 e 8 milhões nos dois anos de contrato que lhe restavam, a saída tornava-se obrigatória. Recuperar o valor investido era simplesmente irrealista face à época que realizou.

Segundo as notícias, o Sporting estará em vias de vender Doumbia ao Bursaspor por 1 milhão de euros. Não sendo a venda que todos gostaríamos que fosse, acaba por ser uma boa notícia - no sentido em que é o negócio possível e livra o Sporting de um dos seus salários mais elevados, aumentando a margem orçamental que temos para contratar um suplente/concorrente para Dost que efetivamente faça a diferença.

Mesmo não tendo tido o rendimento que desejávamos, Doumbia foi um bom profissional que fez um bom balneário. Merece melhor sorte nesta nova fase da sua carreira.

P.S.: para quem diz que foi "mais um mau negócio da CG" e que uma venda destas não aconteceria com Bruno de Carvalho, convém relembrar que:

1. O mau negócio aconteceu na contratação, já que o jogador esteve longe de justificar os 7,2 milhões investidos e o salário que auferia. Não foi a CG que contratou o jogador.

2. Convém lembrar que Bruno de Carvalho, quando chegou ao Sporting, fez (e muito bem) inúmeras vendas, cedências e empréstimos por valores irrisórios de jogadores caros, independentemente do seu valor desportivo (Schaars, Arias, Viola, Labyad, Jeffren, Gelson Fernandes, Miguel Lopes, Rinaudo ou Onyewu). Por vezes é melhor aceitar algumas perdas do que manter entulho caro no clube.

Critique-se a CG quando houver motivos para isso (e tem havido muitos). Neste caso, estarão apenas a fazer aquilo que tem mesmo de ser feito.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Balanço de 2017/18: Avançados



Bas Dost: *** 
2016/17: *** 

Mais uma época recheada de golos e de uma taxa de eficácia de aproveitamento assombrosa. Sobre Bas Dost não há muito mais a dizer, a não ser isto: como seria se o Sporting tivesse alas e laterais que soubessem cruzar, se houvesse médios e segundos avançados que dessem maior presença de área ao ataque do Sporting, se se organizasse de forma menos mastigada que permitisse ao holandês ter mais do que as 2 oportunidades de golo da praxe em cada jogo? No fundo... como seria se o Sporting tivesse um modelo de jogo que realmente tirasse proveito das características de Dost? Quantos golos poderia valer?


Seydou Doumbia: *

Quando foi anunciada a sua contratação, tinha muitas expectativas em relação ao que Doumbia poderia fazer ao lado de Dost num campeonato como o português. No entanto, não foi preciso muito tempo para perceber que Jesus nunca tencionou utilizar os dois em simultâneo, pois a ideia do técnico passava por utilizar Doumbia no lugar de Dost em jogos onde existisse maior possibilidade de aproveitamento do contra-ataque. Doumbia até começou bem, com dois golos fundamentais para a Liga dos Campeões (que abriram o marcador em Bucareste e Atenas) mas a partir daí foi sempre a descer de rendimento. Há que dizer que lhe faltou alguma sorte - para além de a forma de Dost o ter condenado a uma utilização irregular, também não foi feliz com as arbitragens - que lhe anularam golos limpos e não lhe assinalaram dois penáltis em jogos e momentos cruciais (Moreira de Cónegos e Porto) -, mas é perfeitamente evidente que Doumbia já não tem as mesmas características de há uns anos. Acima de tudo, o facto de ter perdido o poder de aceleração e a velocidade de ponta de outros tempos faz com que seja um jogador banal. Com um salário elevado e dois anos de contrato para cumprir, é um dos jogadores que urge transferir neste defeso.


Fredy Montero: **
2015/16: *
2014/15: **
2013/14: **

Foi uma contratação de inverno que não me entusiasmou. Não que não reconheça qualidade ao jogador (tem técnica e é matador), mas a sua inconsistência faz com que a sua contribuição para o jogo seja constantemente uma incógnita. No geral acabou por corresponder às expetativas, tendo um rácio interessante de golos por minuto. Vai entrar na sua última época de contrato (o Sporting tem opção para estender por mais dois anos), e parece-me uma boa opção para ter no banco caso consiga manter o rendimento dos últimos meses.


Rafael Leão: -

As suas prestações surpreendentes na II Liga e na Youth League valeram-lhe a confiança de Jorge Jesus. Fez por merecê-la: em 134 minutos de utilização marcou um golo contra o Oleiros, fez uma assistência para Gelson naquele jogo surreal contra o Moreirense e apontou um excelente golo no Dragão. Parecia estar pronto a explodir, mas infelizmente acabou por ser vítima de lesões que o deixaram fora dos relvados até ao final da época. É, evidentemente, um jogador com lugar reservado no plantel de 2018/19 e, caso não tenha a mesma infelicidade com questões físicas, vai certamente valer muitos golos à equipa.


Gelson Martins: ***     
2016/17: ***
2015/16: ** 

Os números dizem que o seu rendimento se traduziu em 13 golos, 11 assistências e inúmeras ocasiões de golo criadas, mas convém não ignorar os intangíveis: a magia de Gelson justifica sempre o preço do bilhete e a sua disponibilidade para trabalhar em prol da equipa - nomeadamente no constante apoio defensivo que dá ao seu lateral - deveria justificar sempre a admiração de todos os sportinguistas. O esforço que foi exigido dele e a utilização quase ininterrupta num calendário ultra-preenchido acabaram por deixá-lo arrasado fisicamente, e isso acabou por ter influência na quebra de rendimento registada nos últimos jogos. De qualquer forma, isso não apaga aquilo que para mim é uma evidência: foi mais uma grande época de Gelson.


Marcos Acuña: **     

Bem sei que é mais médio ou defesa do que extremo, mas coloquei-o aqui por causa do papel que deveria ter tido e que o trouxe até ao Sporting. Acuña aproveitou bem o embalo do ritmo competitivo que trouxe da Argentina e iniciou a época de forma brilhante. Com o passar do tempo a sua influência ofensiva começou a desvanecer-se e acabou como uma solução mais credível para lateral do que para extremo. É um jogador raçudo, tecnicamente evoluído, mas o Sporting sentiu falta de um desequilibrador no flanco esquerdo. Se continuar, é bem provável que passe a ser lateral a tempo inteiro.


Daniel Podence: **
2016/17: **

Uma época reduzida a quatro meses devido a duas lesões. Não desperdiçou o tempo de jogo que teve, conseguindo somar 7 assistências em pouco mais de 1000 minutos de utilização. Podence é um desequilibrador que joga de forma inteligente e é bastante eficaz no último passe, e poderia ter sido muito útil na segunda metade da época. Está, no entanto, mais que provado que não é solução para segundo avançado: depois de 4 épocas de utilização pela equipa principal do Sporting (apesar de ter feito efetivamente parte do plantel em apenas época e meia) não conseguiu marcar qualquer golo. Lamento a decisão de ter rescindido com o clube, visto que tinha espaço para continuar a evoluir e ser um jogador útil no Sporting.


Iuri Medeiros: *     

Um talento que tanto o Sporting como o próprio jogador não conseguiram aproveitar. Entre agosto e o início de outubro teve oportunidades suficientes para demonstrar qualquer coisa que justificasse a continuidade da aposta, mas nunca conseguiu fazê-lo. É verdade que não foram as condições ideais para um jogador das suas características se afirmar, mas um clube como o Sporting não se pode dar ao luxo de estar à espera ad eternum por alguns sinais de utilidade. Bem sei que, ao contrário de Iuri, outros jogadores tiveram essa paciência por parte do treinador... mas isso é outra conversa.


Rúben Ribeiro: *

Contratado em janeiro, foi imediatamente a jogo como titular com o Aves. Começou muito bem com uma assistência no jogo de estreia, mas rapidamente perdeu a simpatia das bancadas, pois é um jogador excessivamente complicativo, que demora demasiado tempo a definir mesmo quando o resultado não é favorável e o tempo escasseia. Não justificou a contratação e considerando a sua idade, creio que não deveria permanecer no plantel em 2018/19. Mais vale investir num dos muitos talentos para as alas que academia produziu, como Matheus Pereira ou mesmo Elves Baldé.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Bom proveito da carne colocada na grelha

Demasiada carne no assador. Foi assim que encarei o onze escolhido por Jorge Jesus para o jogo desta tarde contra o Astana. Não vejo a Liga Europa como uma prioridade, havia a questão do relvado sintético, e, para além disso, sendo uma eliminatória a duas mãos, podíamos perfeitamente gerir esta primeira parte - que antecede uma deslocação complicada a Tondela - para depois resolvermos na segunda - em nossa casa, num jogo que antecede uma receção teoricamente mais fácil ao Moreirense.

A meu ver, fazia mais sentido: poupar neste, carne toda no assador em Tondela, carne necessária no assador na segunda mão, e gerir o jogo do Moreirense em função do desgaste entretanto acumulado e os riscos de suspensão para a partida seguinte, no Dragão.

Não foi isto que Jesus decidiu, pelo que, ao menos, ficasse a eliminatória já resolvida ou bem encaminhada. Mas as coisas não começaram bem: de pouco serve pôr a carne toda no assador se o aparelho não estiver a ser operado com a temperatura adequada. A intensidade colocada na primeira parte esteve abaixo das exigências, e foi preciso algum tempo de adaptação ao terreno e ao adversário até o Sporting entrar no ritmo necessário para fazer valer a diferença de nível em relação ao adversário.




Dez minutos para matar - Acuña acordou de uma primeira parte apática, e juntou-se a Gelson e Bruno Fernandes na criação de desequilíbrios, conseguindo uma entrada arrasadora na segunda parte que se traduziu em três golos que mataram o jogo e deixaram a eliminatória na nossa mão.  

À terceira foi de vez - no espaço de quatro dias, Doumbia viu-lhe serem anulados dois golos limpos, o que é um golpe profundo num ponta-de-lança que está a seco há demasiado tempo. Felizmente à terceira foi de vez. Foi só encostar, e lá voltou a meter o seu nome na lista de marcadores. Merecia. Para além disso, esteve envolvido na jogada que deu origem ao penálti.

Magia de Acuña no segundo golo - é só isto.


O aniversariante - em dia de 30º aniversário, Rui Patrício merece uma referência, quanto mais não seja por causa da excelente intervenção a dois tempos que impediu o Astana de aumentar o resultado para 2-0.



A entrada no jogo - considerando a aposta num onze muito próximo do melhor que temos para apresentar, esperava-se muito mais da primeira parte do Sporting. O início de jogo foi demasiado mau, com o meio-campo a jogar com défice de agressividade e com a defesa à deriva. Sofrer um golo absurdo em que praticamente toda a equipa foi apanhada a dormir numa reposição de bola junto à área adversária é a melhor ilustração possível para o desleixo com que a equipa entrou em campo.

O golo anulado a Doumbia - decisão escandalosa do fiscal-de-linha, já . O futebol sem VAR parece cada vez mais uma aberração.

Bryan - Foi menos um na primeira parte, mas não foi o único. Mais confusão me fez a sua segunda parte: com mais espaço, voltou a demonstrar aquela exasperante aversão à baliza adversária. Pior do que o remate ao lado, foram as oportunidades em que pareceu fazer questão de não rematar.

Gestão dos amarelos - tínhamos quatro jogadores em risco de exclusão: Coentrão, Gelson, Acuña e Bruno Fernandes. Com o resultado em 3-1, a eliminatória estava suficientemente bem encaminhada para aproveitar para limpar esses amarelos na 2ª mão. No entanto, nem um jogador o fez. Esperava um pouco de mais atenção a este tipo de pormenores por parte da estrutura e da equipa técnica.



Não houve lesões e eliminatória muito bem encaminhada. Ou seja, tirou-se o devido proveito de toda a carne posta na grelha.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Good vibrations

Do ponto de vista técnico-tático, a goleada imposta ontem ao União da Madeira pouco significa, considerando as fragilidades naturais de um adversário do escalão interior que passa por uma crise bastante complicada - que já vai em rescisões por justa causa por salários em atraso -, mas há outro tipo de sinais positivos que se podem retirar desta partida.

A ideia de Jesus em levar a jogo uma equipa bastante aproximada da titular - apenas Salin e Doumbia não fazem parte do grupo de 13 jogadores que têm composto o núcleo duro do treinador - é facilmente compreensível, apesar de não estarmos a falar de uma competição prioritária: mantém a equipa com algum ritmo competitivo num período de paragem do campeonato de duas semanas e meia, não corre grandes riscos do ponto de vista físico (a equipa levou o jogo a sério, mas nunca necessitou de impor uma intensidade elevada) ou disciplinar (uma eventual expulsão limparia no jogo com o Belenenses), ao mesmo que tempo que, goleando, colocaria o Sporting numa posição privilegiada para garantir as meias-finais da Taça da Liga na terceira e última jornada desta fase de grupos.

Nesse sentido, parece-me que o investimento na partida de ontem deu o retorno de que Jesus estaria à espera. Analisando do ponto de vista individual, foi importante ver Doumbia a colocar novamente o seu nome na lista de marcadores: apesar de revelar ainda alguma ferrugem - o que é natural face à sua curta e irregular utilização - é fundamental que o costamarfinense comece a ganhar embalagem para dar o contributo que dele se espera na ultra-intensiva fase de jogos que (desejavelmente) teremos no primeiro trimestre de 2018. E Iuri deu finalmente um ar de sua graça, veremos se terá oportunidade de lhe dar continuidade frente ao Belenenses e mostrar ao treinador que pode contar com ele até ao final da época.

O resto do retorno mede-se na forma séria como a equipa encarou a partida, que denota compromisso com os objetivos do clube. Todos tiveram vontade de contribuir para o avolumar do resultado - basta ver como os centrais, à falta de desafios defensivos, faziam questão de se integrar ofensivamente, ou como, após os golos, Dost ia buscar a bola à baliza para a levar para o círculo central para acelerar o reatamento da partida -, e é visível o bom ambiente pela forma como se congratulavam mutuamente nos festejos e por outras pequenas interações que foram acontecendo.

Boa gestão e bom aproveitamento de um jogo que, à partida, nem teria muito para oferecer.





quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Não era dia para tragédias gregas

Num jogo que teve duas partes completamente distintas, com um nível exibicional que começou num registo sublime e terminou de forma displicente e quase descontrolada, é normal que surjam sentimentos contraditórios em relação a como devemos encarar uma vitória tangencial frente ao Olympiacos. Para mim, este é um caso em que a parte boa da exibição (e que boa que foi!, e que durou praticamente todo o jogo) pode e deve ser elogiada bem para além das críticas que possam ser feitas ao que aconteceu nos minutos finais. Assustámo-nos todos, muitos de nós certamente praguejaram ferozmente quando os gregos marcaram o segundo golo - God knows I was one of them - mas, analisando a frio, a vitória do Sporting nunca esteve em causa. Acredito que, noutros tempos, poderia ter ocorrido uma singularidade cósmica que levasse a que o jogo acabasse empatado, mas o Sporting desta época já desafiou, por diversas vezes - e sempre com sucesso! -, aquela fatalidade que é tão própria do clube. Convém não abusar da sorte, claro, mas para já merece ir sendo desfrutado.




Primeira parte avassaladora - os primeiros 45 minutos estiveram, seguramente, ao nível do melhor que já vi o Sporting fazer nas competições europeias. Não poderíamos desejar melhor começo: aos dois minutos, Acuña faz um cruzamento açucarado para Doumbia - os mesmos dois jogadores já tinham desenhado o primeiro golo em Bucareste -, e estava lançado o mote para o que seria o jogo até ao intervalo. Para além dos golos de Gelson e Bruno Fernandes, o Sporting dispôs de mais quatro ocasiões flagrantíssimas para marcar: bolas ao ferro dos mesmos Gelson e Bruno Fernandes e duas oportunidades negadas a Doumbia e Coates por Kapino. Um festival de bem defender e bem contra-atacar que poderia (e merecia) ter gerado números históricos ao intervalo.

Excelente começo de Champions - para além dos 3 pontos e do milhão e meio de euros que caem na conta (o que eleva para 16,2 milhões + bilheteira com o Steaua os ganhos na competição, que antecipa um recorde no Sporting), o Sporting conseguiu colocar-se em excelente posição para garantir o terceiro lugar do grupo e poder continuar na Liga Europa na segunda metade da época. Mas essa não deve ser a bitola por onde alinhar: o terceiro lugar pode ser o lugar natural no final da fase de grupos, mas há condições para ambicionar surpreender Barcelona e Juventus nas partidas que se seguem. Estes três pontos poderão dar alguma tranquilidade extra, que será bastante necessária contra adversários que estão, obviamente, noutro patamar. 

Ameaças múltiplas - longe parecem ir os tempos em que Dost era o único abono de família da equipa. Doumbia foi titular pela segunda vez, e pela segunda vez correspondeu com o sempre importante golo inaugural da partida - e ainda fez a assistência para Gelson. Bruno Fernandes voltou a fazer o gosto ao pé, e já leva cinco golos marcados, os mesmos que Dost e Gelson. Acuña tem sido o municiador de serviço, contando já com cinco assistências. Falamos de cinco jogadores que têm colocado com enorme frequência (em função da sua utilização) a sua marca nos jogos em que participam. Junte-se a isto a possibilidade que, agora, Jesus tem para abordar os jogos em função das características dos adversários: Doumbia é alternativa para jogos com mais espaço nas costas da defesa adversária, enquanto Gelson e Acuña parecem cada vez mais confortáveis a jogar no flanco oposto. E a versatilidade e imprevisibilidade de Bruno Fernandes é uma adição de que o Sporting muito precisava. Tudo somado, o Sporting fica uma equipa bem mais difícil de ser contrariada. Esperemos que a equipa continue a evoluir como até aqui.

Seria injusto não referir - excelentes exibições de William (que supostamente devia estar desmotivado e cabisbaixo) e Battaglia. E a assistência de Coates para o golo de Bruno Fernandes? Minha nossa...



Novamente, dificuldades em gerir um resultado tranquilo - o Sporting jogou praticamente toda a segunda parte sem grandes pressas, dando poucos espaços no seu meio-campo e parecendo - compreensivelmente - pouco interessado em esticar o jogo. Parecia estar a gerir o resultado de forma bastante competente e tranquila... até que começaram a aparecer os erros individuais não forçados que podiam ter deitado tudo a perder. É certo que, nesse mesmo período, Dost ainda atirou a terceira bola ao ferro e Bruno César teve um golo incompreensivelmente anulado, mas... não devíamos ter sofrido tanto. O mais preocupante é que não é a primeira nem a segunda vez em que o Sporting quase desperdiça vantagens confortáveis: é o terceiro jogo consecutivo em que acabamos de credo na boca após termos estado a vencer por dois ou mais golos. Não se pode atribuir ao acaso e às incidências de jogo algo que se tem repetido com tanta frequência. Cansaço físico? Falta de concentração? Seja o que for, é um problema que tem de ser tratado urgentemente.



Vitória importantíssima que pode ajudar a lançar uma participação interessante nesta edição da Liga dos Campeões, mas que ainda não garantiu nada. Apesar do susto final, pela qualidade demonstrada durante a maior parte do tempo, devemos desfrutar desta vitória e não desatar a anunciar um apocalipse iminente. No entanto, alerta máximo para a receção ao Tondela, uma equipa a quem nunca ganhámos em Alvalade.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Contragolpefest

Pode dizer-se que o jogo de ontem foi o inverso da partida da primeira mão: depois de, em Lisboa, termos assistido a 90 minutos maioritariamente apáticos, sensaborões, e de sentido único, em Bucareste dificilmente se poderia desejar melhor entrada - com um golo que escancarou as portas da qualificação -, mas em que o panorama se acabou por complicar após uma oferta da nossa defesa. Início de segundo tempo de nervos, com o Sporting a ser incapaz de assentar jogo perante um Steaua que tinha mais bola e corria mais riscos, mas a ousadia acabaria por sair cara aos romenos - dando espaço que o Sporting soube aproveitar com uma eficácia inédita em lances de contra-ataque.

O 5-1, no conjunto das duas mãos, espelha a diferença teórica que pensava existir entre as duas equipas antes do pontapé de saída em Lisboa... mas o caminho até lá chegar foi muito mais tortuoso do que inicialmente imaginava.





Contragolpefest - considerando a pobreza franciscana que tem sido o aproveitamento de lances de contra-ataque ao longo das últimas épocas, bem pode dizer-se que o sportinguista tirou a barriga da miséria nos últimos dias. Só ontem, em Bucareste, foram quatro golos em contra-ataque. Ajuda muito, como é óbvio, ter jogadores que sabem o que fazer à bola nestes momentos: Bruno Fernandes acima dos outros neste departamento, claro, mas há que dizer que Gelson também esteve muito, muito bem. Valeu uma qualificação para a Liga dos Campeões e os respetivos (ver ponto seguinte)...

Dezasseis milhões + variáveis - 2 milhões pelo apuramento no playoff, mais 12,7 milhões de participação na fase de grupos, mais 1 ou 2 milhões (ou algures no meio) do marketpool dos direitos televisivos + bilheteira adicional dos 3 jogos em Alvalade + prémio dos pontos conquistados na fase de grupos. E ainda há a potencial valorização na maior montra do futebol europeu. Do ponto de vista financeiro, o mundo não acabaria se falhássemos a qualificação... mas que dá muito jeito esta importante almofada, lá isso dá.

O roubo do ano - considerando o historial recente do Sporting com arbitragens polémicas em jogos cruciais na Liga dos Campeões, roubo do ano poderia bem ser uma referência a mais uma triste ocorrência dessa natureza... mas não, felizmente, desta vez, roubo do ano tem um significado completamente diferente. Refiro-me a Bruno Fernandes. Como é possível que o Sporting o tenha conseguido contratar por 8,5 milhões + 0,5 milhões em variáveis? Ou melhor: como é possível que alguém o tenha vendido por uma verba dessas? Depois das bombas de Guimarães, teve outro jogo memorável: não fez o gosto ao pé, mas esteve envolvido diretamente nos quatro golos marcados na segunda parte (assistências para Acuña e Gelson + passe para assistência de Gelson + passe para Coentrão no lance do 5º golo). Não que tivesse grandes dúvidas de que temos ali um craque, simplesmente não esperava que se afirmasse de forma tão clara ao fim de tão pouco tempo.

Os números de Acuña - ontem não fez uma exibição espetacular, mas foi fundamental com a assistência e golo nos dois primeiros tentos da equipa. Os números que tem acumulado são fantásticos: em cinco jogos oficiais, já leva um golo e três assistências.

A importância de se ter dois pontas-de-lança a sério - Doumbia foi a única mexida no onze em relação a Guimarães. Fazia sentido, perante a necessidade de o Steaua correr riscos e deixar mais espaços nas costas da sua linha defensiva. O costamarfinense não teve um jogo particularmente inspirado, mas soube aproveitar a primeira oportunidade que teve para colocar o Sporting em boa posição. Dost entraria depois... e foi Dost.

Coentrão a reencontrar os pulmões - ver Coentrão a passo aos 70' foi das coisas que mais me deixou apreensivo no jogo da primeira mão. Entretanto foi titular em Guimarães, onde fez um bom jogo (tendo sido substituído a poucos minutos do fim) e voltou ontem a fazer um bom jogo. Mas desta vez, não só durou os 90 minutos, como ainda encontrou energia para aparecer na área adversária em sprint e arranjar discernimento para arranjar espaço perante o defesa para meter a bola no sítio certo. Esse lance daria o quinto e último golo do Sporting, e também alimenta a esperança de que Coentrão se possa conseguir reencontrar com a sua melhor versão.



Demasiado sofrido para o adversário que é - 180 minutos a ver o Steaua dá para perceber as enormes lacunas técnicas da equipa em geral. Seria uma humilhação sermos afastados por uma equipa deste nível, e seria um agoniante complemento a essa humilhação vermos os romenos na fase de grupos da Champions a serem violados semana sim, semana não, pelas felizardas equipas que os apanhassem no sorteio. Aos 150' da eliminatória, estávamos a um mero deslize de sermos despachados para a fase de grupos da Liga Europa. O essencial é que nos qualificámos, mas devia ter ocorrido de uma forma mais tranquila.

Os centrais no golo do Steaua - dois homens que têm sido sinónimos de segurança e eficiência, Coates e Mathieu, comprometeram no golo do Steaua, lançando a incerteza no desfecho da eliminatória. Felizmente, sem consequências.




Mais logo teremos sorteio. O Sporting está colocado no pote 4, o que significa que nada de bom poderá vir daquilo que as bolinhas nos reservam. Mas o importante é lá estarmos, não só pelo prémio financeiro, mas também para podermos inverter as más prestações europeias das últimas épocas.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Já está Doumbia

O Sporting fechou finalmente a contratação de Doumbia. O jogador vem por empréstimo, tendo o Sporting direito à opção de compra caso determinados objetivos sejam atingidos.

Na época passada viu-se a importância de não termos um substituto à altura de Bas Dost. Doumbia, pela carreira que fez na liga russa e na liga suiça (no último caso, que foi onde jogou na época passada), tem tudo para se adaptar bem ao futebol português.




Chega assim, portanto, uma mininovela que durou cerca de uma semana, mas que nem por isso teve a sua quota-parte de peripécias...