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quinta-feira, 5 de abril de 2018
quarta-feira, 4 de abril de 2018
Icónicos
Momentos que ficam para a história pic.twitter.com/rKpwCRftVf— Farinha (@CRDB18) 4 de abril de 2018
Na galeria dos melhores de sempre
Não precisou de mais de dois minutos para inaugurar o marcador e estabelecer mais um recorde na sua carreira e, em particular, na Liga dos Campeões. Em relação a esta competição, Cristiano Ronaldo já era o jogador com mais golos, golos em casa, golos fora, golos na fase de grupos, golos em quartos-de-final, golos em meias-finais, golos em finais, golos de livres, golos de penáltis, golos de cabeça, hat-tricks e assistências, e, desde ontem, passou também a ser o primeiro jogador da história a marcar golos em dez jogos seguidos na Liga dos Campeões. No entanto, reservaria para mais tarde um dos maiores momentos da história da competição com um golo absolutamente impressionante.
Não tarda é o melhor jogador português de todos os tempos. pic.twitter.com/0YOVNV4jHk— João Massapina (@zerapaz) 3 de abril de 2018
Não é o gesto técnico que faz deste um dos mais extraordinários golos da história desta competição. É, também, a impulsão que precisou de tomar para apanhar a bola àquela altura - à volta de 2 metros e 20, talvez, Di Sciglio tem 1,82m e está apenas com a ponta da bota no chão - e, claro, a importância do jogo - um golo numa partida rotineira numa competição nacional é bem diferente de um golo idêntico que seja marcado numa fase adiantada da mais importante competição de clubes a nível mundial. Claro que há outros golos fantásticos como a bicleta de Ibrahimovic num particular contra a Inglaterra ou o golo-clone de Maradona que Messi assinou contra o Getafe, ficarão para sempre na memória, mas não é exatamente a mesma coisa.
Há dois golos que coloco acima de todos os outros: aquele em que Maradona passou por meia seleção inglesa no mundial de 86, e o tiro de Van Basten que deixou Dasaev pregado ao chão na final do europeu de 88 contra a União Soviética. O de Ronaldo não ficará muito abaixo destes. De um certo modo, um grande golo pode marcar para sempre uma ocasião que à partida seria banal, mas para mim é precisamente a importância da ocasião que acaba por definir os grandes golos da história.
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
A idade de ouro do futebol português
Portugal qualificou-se para o mundial de 2018. Parabéns a Fernando Santos e aos jogadores que contribuíram para este desfecho. Será a décima participação consecutiva da seleção nacional em finais das grandes competições internacionais. Durante este período, conquistámos um título em 2016, fomos finalistas vencidos em 2004, e semi-finalistas em 2000, 2006 e 2012. Algo que as gerações portuguesas mais novas encaram com naturalidade, foi uma raridade nas décadas que antecederam esta bonança recente. Estamos a viver uma autêntica idade de ouro do futebol português.
Isso deve-se, sobretudo, a dois motivos: os sucessivos alargamentos ao número de participantes nas fases finais facilitou o acesso a muitos países que, noutros tempos, nunca ou raramente se qualificavam, nos quais se inclui Portugal; e ao facto de termos tido o privilégio de contar com dois jogadores que pertencem à elite da história do futebol: Figo e Cristiano Ronaldo. Com esta última afirmação, posso estar a ser um pouco cruel com o magnífico naipe de jogadores que, ao longo dos últimos 20 anos, os rodearam: Vítor Baía, Fernando Couto, Ricardo Carvalho, Pepe, Deco, Rui Costa, Nani ou João Vieira Pinto foram jogadores de classe mundial, mas, a meu ver, o fator que permitiu a Portugal esta série ininterrupta de participações em fases finais e o sucesso em tantas ocasiões recai, em primeiro lugar, na influência e classe das suas figuras máximas.

Cristiano Ronaldo tem 32 anos. Se nenhum azar suceder, fará o mundial de 2018 e, havendo vontade, o europeu de 2020, mas já numa fase descendente - pelo menos em teoria - da carreira. Quando este Ronaldo acabar, voltaremos a ser apenas o pequeno retângulo situado na ponta da Europa com uns escassos 10 milhões de habitantes, mas que uma anormalidade estatística disfarçou de forma gloriosa nos últimos 20 anos. Infelizmente, há quem continue a desvalorizar a sua importância. Deviam apreciá-lo enquanto podem. Quando se retirar, vai levar com ele a bonança que o futebol português tem vivido.
quinta-feira, 28 de setembro de 2017
Na casa do inimigo
Um pequeno vídeo com a forma como se viu em Espanha a extensão da rivalidade Ronaldo-Messi que aconteceu à margem do jogo de ontem. "Na casa do inimigo", foi o título que lhe deram (convém ressalvar que vem de uma espécie de CMTV lá do sítio...).
¡IMPERDIBLE! Este aficionado SALTÓ al CÉSPED para BESAR la zurda de Messi. IMAGEN #JUGONES pic.twitter.com/hkiwamv6m4— El Chiringuito TV (@elchiringuitotv) 28 de setembro de 2017
segunda-feira, 18 de setembro de 2017
Assim festejou o melhor do mundo em Alvalade
Foi assim que Cristiano Ronaldo festejou, no sábado passado, o grande golo de Mathieu:
Cristiano Ronaldo festeja golo do Mathieu em Alvalade! 😎 ⚽️ 🔝🔝🔝#CristianoEmAlvalade #SportingCP pic.twitter.com/yDuPJrm4vb— fukkyousporttv (@fukkyousporttv) 17 de setembro de 2017
(via @captomente)
sábado, 3 de junho de 2017
O melhor momento da final da Champions
O golo de Mandzukic? Não.
O bis de Ronaldo? Também não.
O facto de um clube ter finalmente ganho duas vezes consecutivas a competição no formato atual? Também não foi isso.
O melhor momento aconteceu depois de o jogo acabar: quando...
... Jorge Baptista ficou de mão estendida ao tentar cumprimentar Cristiano Ronaldo no final do jogo. <3
Ronaldo que se ponha a pau. O outro é menino para fazer queixa disto no relatório. Ainda apanha 2 jogos de suspensão, como JJ...
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
E vão quatro!
Justa consagração para Cristiano Ronaldo: num ano em que venceu a sua terceira champions e o europeu pela seleção portuguesa, não poderia deixar de receber o prémio de melhor jogador do mundo, o que aconteceu pela quarta vez na sua carreira. Indiscutivelmente, o melhor jogador português de sempre, e um dos melhores da história do futebol mundial.
Com esta distinção, sobe para cinco o número de prémios de melhor do mundo recebidos por jogadores formados pelo Sporting. Um grande motivo de orgulho para todos nós.
Parabéns, Cristiano!
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
Grande Ruuuuuuuuuuuuiiii!
Rui Patrício foi ontem eleito pela France Football como o 12º melhor jogador do ano. O prémio foi ganho, conforme se esperava, pelo melhor jogador português da história.
Se, no caso de Cristiano Ronaldo, este prémio era esperado, a posição de Rui Patrício foi surpreendente. Surpreendente, mas justíssima. O facto de ter sido nomeado para o top 30 já era uma honra, mas ficar à frente de nomes como Neuer, Ibrahimovic, Iniesta, Pogba, Kroos e Modric é um feito que não está ao alcance de qualquer um.
Parabéns, Rui!
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
O regresso do Football Leaks
E eis que, de forma algo surpreendente, o Football Leaks voltou a dar sinais de vida. No princípio de maio deste ano, o responsável pelo site (que se identificou como John), deu uma entrevista ao Der Spiegel (LINK), onde anunciou que iria fazer uma pausa na divulgação de documentos.
Na altura, pensei que essa atitude se devesse ao facto de ser um homem perseguido por inimigos muito poderosos. A Doyen acusava-o de extorsão e, segundo o próprio John, Jorge Mendes tinha contratado detetives para o identificar - o que dava a entender que também teria em sua posse documentos relacionados com a Gestifute, apesar de não os ter publicado até então.
Pelos vistos, essa entrevista ao Der Spiegel trazia brinde: apesar de ter anunciado uma pausa nos leaks por 6 meses, aproveitou para passar ao jornal alemão os documentos que recolhera. O Der Spiegel, perante a imensidão da informação que lhe foi colocada à disposição, entendeu ser aconselhável convocar uma série de jornais de outros países para colaborarem na análise dos milhares e milhares de documentos. Esta semana, cerca de seis meses depois da tal entrevista, os vários jornais começaram a publicar o resultado dessa análise.
As acusações feitas à Gestifute, a Jorge Mendes e aos seus clientes são muito, muito graves. Não me parece que irão abanar a indústria do futebol propriamente dita - as alegadas irregularidades apontam para um esquema usado por atletas multimilionários para escapar aos impostos, e nada têm a ver com o jogo em si -, mas põem em causa algumas das principais figuras do futebol mundial.
Já todos sabiam que Jorge Mendes era mais do que um simples empresário. Aliás, era mais do que um super-empresário. As áreas de atuação do comendador há muito que tinham ultrapassado as competências de um típico representante de jogadores. Sim, Jorge Mendes representava jogadores, mas também intermediava transferências, aconselhava proprietários de clubes, apostava forte na exploração de novos mercados - como o chinês - e, inclusivamente, já começava a meter o pé noutro tipo de atividades, como a indústria do entretenimento, com parcerias estabelecidas com poderosos grupos económicos que nada tinham a ver com o futebol.
No caso de todos os documentos analisados serem verídicos e as conclusões dos jornais estarem corretas, então fica à vista de todos aquilo que muitos já suspeitavam sobre Jorge Mendes.
No caso denunciado pelo Der Spiegel, Expresso, e outros órgãos de comunicação social europeus, Mendes montou um esquema que permitiu aos seus clientes pagar muito menos impostos do que deveriam. Os clientes de Jorge Mendes declaravam apenas uma pequena parte dos rendimentos provenientes de direitos de imagem (no caso de Cristiano Ronaldo, apenas 20% do total). A principal fatia era canalizada através de empresas de Mendes para contas offshore dos jogadores. Ou seja, em vez de amealhar cerca de 50% dos rendimentos em impostos, o fisco tributava apenas cerca de 10% do total (ou seja, metade dos 20% declarados). Como contrapartida pelo serviço prestado, as duas empresas de Mendes usadas para canalizar o dinheiro não declarado ao fisco, chamadas MIM e Polaris, retinham, respetivamente, 10% e 15% em comissões.
Ou seja, todos ficavam a ganhar. Todos, menos o Estado, claro. Os atletas pagavam muito menos impostos, e o empresário era recompensado com a sua habitual comissão. Segundo as notícias que foram sendo divulgadas ao longo dos últimos dias, outros atletas usufruiram deste esquema, como Ricardo Carvalho, Fábio Coentrão, James Rodriguez, Pepe e Özil.
Nada disto é uma originalidade. Infelizmente, são vários os esquemas semelhantes que permitem a muitas outras pessoas, do futebol ou de outras áreas de atividade, fugir aos impostos. Messi, como seguramente todos se recordam, foi recentemente condenado a 21 meses de prisão, com pena suspensa, por fraude fiscal. No entanto, confirmando-se tudo isto, ficamos a saber que Jorge Mendes se disponibiliza a enveredar por atividades ilegais para benefício próprio e dos seus clientes.
Agora pensem num determinado carrossel de jogadores, em que um certo conjunto de clubes compra e vende, de forma rotativa e num ritmo elevado, uma série de jogadores sobreavaliados, muitas vezes sem que haja uma explicação desportiva aparente. Estão também envolvidas figuras e fundos com fortunas de proveniência duvidosa. E no centro de tudo, está quem vocês sabem. Alguém se admiraria se os jornais descobrissem que se trata de uma esquema que vai muito para além da simples transação de jogadores?
terça-feira, 22 de novembro de 2016
"Made in Sporting": a reportagem do New York Times sobre a formação do Sporting
Vale a pena ler esta deliciosa reportagem de Rory Smith (@RorySmith) para o New York Times sobre a formação do Sporting. O artigo original, em inglês, pode ser lido aqui (LINK).
"Made in Sporting: a Academia do clube de Lisboa mostra como se destaca
Jovens jogadores de futebol treinam na produtiva Academia do Sporting em Alcochete, Portugal |
Segundo a forma como a história é contada no Sporting, nem sequer foi preciso ver Cristiano Ronaldo jogar para perceberem que ele era especial. Foi suficiente vê-lo com a bola nos pés, e à demonstração do magistral controlo em cada toque dado pelo sossegado e lingrinhas rapaz de 12 anos.
Basicamente, toda a gente do Sporting conhece a história, que hoje faz parte do folclore do clube; basicamente, toda a gente conta a história da mesma forma, com uma cadência e um elenco de personagens que parece saído do Natal. Uma história em que até entram três homens sábios.
Em 1997, o presidente de um núcleo do Sporting na ilha da Madeira entrou em contacto com Aurélio Pereira, o diretor de recrutamento de jovens do clube de Lisboa. Havia, dizia ele, um rapaz prodigiosamente talentoso nas equipas jovens do Nacional, um dos três clubes profissionais da capital da ilha, Funchal.
Pereira, astuto e bigodudo, rapidamente enviou um olheiro para avaliar o que lhe tinham transmitido. O prodígio em questão iria participar num torneio pelo Nacional. Quando o emissário do Sporting chegou, no entanto, descobriu que o seu alvo não iria ser utilizado. Encontrou-o, ao invés, fora de campo, junto à linha lateral, sozinho com uma bola, absorvido a praticar o seu repertório de toques e fintas. Observou-o durante um bocado.
Ele não sabia na altura, claro, que Ronaldo viria a tornar-se num dos melhores jogadores da históra, vencedor de três Bolas de Ouro, vencedor de três Ligas dos Campeões, campeão da Europa por Portugal e, durante algum tempo, o jogador mais caro do mundo. Mas sabia o suficiente. O olheiro avisou Pereira e disse-lhe para convidar Ronaldo a deslocar-se imediatamente a Lisboa para um teste.
Quase 20 anos após a chegada de Ronaldo - e 13 após a sua partida -, o Sporting continua tremendamente orgulhoso de tudo o que Ronaldo alcançou. A sua imagem está estampada num mural junto aos balneários, no interior do Estádio José Alvalade, e os adeptos do clube irão proporcionar-lhe uma generosa receção quando ele entrar em campo pelo Real Madrid, contra o Sporting, na Liga dos Campeões, na terça-feira. Ele não terá quaisquer dúvidas sobre o quanto significa para eles.
A uma hora de distância, no gabinete de Aurélio Pereira na Academia de Alcochete, a reverência é semelhante. As paredes estão cheias de imagens de Ronaldo, e duas camisolas assinadas, dos seus tempos no Manchester United, estão penduradas atrás da secretária do diretor. Pereira ainda vasculha as suas memórias com alegria.
Ele lembra-se de dar uma palestra à equipa, e olhar para o seu lado e reparar em Ronaldo, aborrecido e impaciente, a fazer malabarismos com uma garrafa de água com os seus pés. Lembra-se das noites em que Ronaldo e o seu amigo José Semedo saltavam o muro e entravam no ginásio para fazer uns improvisados - e estritamente proibidos - treinos de pesos.
A sua memória predileta é, no entanto, aquela que envolve um semáforo na Praça do Marquês de Pombal. "Foi perto do sítio onde os jogadores mais novos costumavam viver," disse Pereira numa entrevista na sexta-feira. "Ronaldo ia para o semáforo. Havia uma estrada inclinada logo ao lado. Ronaldo atava pesos às suas pernas, e esperava que o sinal passasse para verde. Depois ele fazia corridas contra os carros pela estrada acima."
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No escritório de Pereira, na Academia do Sporting em Alcochete, está pendurado um quadro que contém fotografias de jogadores com quem trabalhou ao longo dos anos |
Mas se Ronaldo pode ter um destaque significativo aqui, não é o único jogador cuja fotografia está presente nas paredes do escritório. Dúzias de outros jogadores estão presentes, também: fotos amarelecidas de Paulo Futre e Luís Figo, imagens mais recentes de Nani e Simão Sabrosa, bem como impressões frescas da vitoriosa equipa portuguesa no Euro 2016, a maioria dos jogadores a cores, e um punhado em tons de cinzento.
Todos no Sporting sabem o motivo, também: dos 14 jogadores que Portugal usou na final contra França, 10 são "made in Sporting".
Ronaldo é o maior achado de Aurélio Pereira, mas está longe de ser o único. Alcochete, como é conhecida a Academia do Sporting, é considerada, pelo International Center for Sports Studies, como uma academia mais produtiva que as do Barcelona, Real Madrid e Manchester United.
Numa métrica, apenas três clubes (Ajax, Partizan Belgrado e Dinamo Zagreb) têm mais jogadores formados a alinhar nos principais escalões de futebol na Europa que o Sporting. A história de como Ronaldo foi para Lisboa pode ser contada como um conto de fadas, mas lê-se melhor como um case study daquilo que, exatamente, faz o Sporting distinguir-se.
"Não temos quaisquer segredos," disse Virgílio Lopes, o diretor da Academia. Os seus atos sustentam as suas palavras: clubes de todo o mundo visitam regularmente o Sporting para descobrir o que está por trás da sua taxa de sucesso. São recebidos por Lopes, Pereira e Luís Martins, o coordenador técnico de Alcochete.
"Dizemos-lhes tudo o que podemos," disse Virgílio Lopes. "Bem, nós dizemos-lhes quase tudo o que podemos."
Detalham, por exemplo, a atmosfera que tentam criar: jogadores com liberdade, não enjaulados, segundo uma analogia de criação de frangos de Aurélio Pereira. "Eles são jovens que jogam futebol; não são apenas pequenos futebolistas,", acrescentou Lopes. "Não queremos que sejam profissionais aos 14 anos. Queremos que ainda sejam profissionais aos 29."
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Jogadores começam, a juntar-se para uma sessão de treino na Academia do Sporting em Alcochete. |
Eles dizem-lhes para se manterem fiéis ao que fazem, ao que sempre fizeram, em vez de mudarem. E também mostram os seus modelos de treino, explicando como tudo é adaptado ao indivíduo. "Identificamos os pontos fortes e fracos de cada jogador", disse Martins. "Cada jogador necessita de coisas diferentes, por isso mudamos os planos de treino para refletir isso."
Isso aplica-se ao ginásio, onde cada jogador tem um plano físico, e no campo. "Se um jogador está a ter dificuldades em fazer bons passes, nós alteramos o seu treino," disse Martins. Os técnicos do Sporting também incorporam elementos menos tradicionais. "Jogamos futebol-squash e foot-vólei usando as paredes," disse Martins. "Ajuda-os com a tomada de decisão."
Não existe um template ao estilo do Barcelona para um determinado sistema ou forma de jogar. "Não achamos isso importante," disse Martins. "As coisas vão ficando mais complexas à medida que crescem. Necessitam de saber jogar em diferentes cenários porque é isso o que os profissionais têm de fazer."
Há apenas uma coisa que eles não contam aos seus visitantes, a coisa que toda a gente no clube identifica como a sua principal vantagem, a sua maior arma. "O recrutamento é o primeiro passo," disse Martins. E ninguém, como ele sabe, é melhor no recrutamento do que o Sporting, tal como a parábola de Cristiano Ronaldo demonstra, porque ninguém mais pode telefonar a Pereira.
Um veterano há 50 anos no Sporting - como jogador, treinador e agora olheiro - Pereira foi o homem responsável por criar o departamento de recrutamento jovem do clube, em 1987. Construiu uma base de dados com os mais talentosos jovens jogadores em Portugal, ao escrever a cada um dos sócios do Sporting no país, todos os 96.000, e pedindo-lhes para recomendarem talentos existentes na sua zona.
Uma vez reunidas as respostas, começou por tentar obter mais informação. "Falei com treinadores, árbitros, bombeiros, polícias, sobre os mais promissores," disse. "Trouxemos os melhores a Lisboa para treinar. Foi assim que nos tornámos o primeiro clube do país a organizar scouting de jovens a um nível nacional."
Também tem a ver, claro, com a construção de uma rede tão fiável que, ao ouvir falar de um prometedor jovem de 12 anos de uma ilha mais próxima da costa africana do que de Lisboa, o presidente de um núcleo pôde escrever ao quartel-general aconselhando-os que o observassem. Tem a ver com a forma como apurou a identificação de jogadores, que permitiu que um olheiro nem precisasse de o ver jogar para perceber que valia a pena acompanhá-lo. E tem a ver como construiu um sistema que descobriu não só Ronaldo, mas todos aqueles que o antecederam, e todos aqueles que continuaram a aparecer depois.
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Ronaldo, o nosso Eusébio?
A propósito do artigo escrito ontem no Expresso por Pedro Candeias...
... onde se escreve:
"Portanto, quando parti para este texto com a ideia de comparar dois jogadores diferentes e de tempos diferentes, sabia que o faria numa base que não estava errada mas pelo menos condicionada pelo ponto de vista de alguém que só viu um jogar e que construiu a imagem do outro a partir do que lhe foi dito, do que foi lendo, dos VHS dos anos 80 e 90, dos DVD dos anos 2000 e do YouTube. E se ainda não posso dizer que o Ronaldo é melhor do que o Eusébio porque estaria a ser pouco responsável e precipitado, diriam os antigos, posso então dizer que o Ronaldo é o meu Eusébio, o Eusébio da minha geração e da que se segue. Mas quase que aposto que daqui a uns anos estaremos todos a refletir sobre a cobardia e a irresponsabilidade de não termos assumido logo que o Ronaldo é o melhor futebolista português de sempre, um dos três ou quatro melhores da história deste desporto depois do Pelé e do Maradona e de outro qualquer à escolha, todos elevados à categoria de mitos porque ganharam o que havia para ganhar carregando o país e o clube deles às costas. O Ronaldo já fez tudo isso; o Eusébio quase que fez. Ponto."
Existem duas formas de abordar a temática de qual será o melhor jogador português de todos os tempos: ou se recusa a validade desse tipo de análises com o argumento de que não existe nenhuma base fiável para comparar a qualidade de jogadores separados por décadas; ou assumem-se alguns pressupostos que reduzam o campo de análise ao que pode ser comparável.
O futebol que se pratica hoje, enquanto indústria (e também jogo), pouco tem a ver com aquele que existia há meio século. Se, por um lado, os atletas de hoje beneficiam de condições de treino e jogo imensamente superiores - que vão desde as infraestruturas à qualidade dos equipamentos, passando pelo acompanhamento médico, tecnologia e outros conhecimentos entretanto adquiridos que contribuem decisivamente para o seu desenvolvimento físico, técnico e tático - por outro, a exigência física e mental que se exige a um jogador de topo é, atualmente, completamente diferente.
Para além disso, existe o enquadramento competitivo: hoje o futebol é uma indústria global, que permite que determinados clubes açambarquem o melhor talento disponível, em claro contraste com as restrições de movimentação de jogadores que existiam no tempo de Eusébio. Seria possível que Ronaldo fosse campeão europeu se continuasse a jogar no Sporting? Pouco provável, por causa do desequilíbrio de forças que existe hoje entre um clube português e os mais ricos da Europa: a única restrição que os tubarões europeus têm na formação das suas equipas é a concorrência de outros tubarões. Se Eusébio jogasse hoje, nunca teria ficado em Portugal mais do que dois ou três anos, e até é possível que vencesse mais troféus europeus do que aquele que conquistou na sua primeira época no Benfica. Ao nível das seleções, no entanto, já é possível estabelecer paralelismos mais fiáveis: Portugal nunca deixou de ser um país mais pobre e com uma base de recrutamento mais pequena do que as outras potências futebolísticas europeias.
Qualquer comparação terá que ser reduzida, portanto, ao palmarés de cada um dos jogadores, aos números que conseguiram, e ao quão dominantes foram no panorama mundial enquanto jogaram.
No dia 9 de julho de 2016, Ronaldo já não ficava atrás de Eusébio em nenhum destes parâmetros. Pelo contrário, Ronaldo tinha para apresentar:
- 3 Bolas de Ouro (contra 1 de Eusébio, usando-se o prémio equivalente que existia na altura, que no entanto excluia Pelé por não jogar na Europa);
- 3 Ligas dos Campeões contra 1 de Eusébio;
- 4 Botas de Ouro contra 2 de Eusébio (como o prémio foi instituído a partir de 1967/68, eventualmente poderia ter ganho uma 3ª);
- foi considerado por 8 vezes um dos dois melhores jogadores do mundo (três 1ºs e cinco 2ºs), enquanto Eusébio foi considerado como um dos dois melhores jogadores europeus (só nos anos 90 a votação foi alargada a jogadores de outros continentes) por duas vezes (um 1º e um 2º lugar);
- ao nível das seleções, Ronaldo chegou a uma final e a duas meias-finais de grandes torneios de seleções no seu currículo, mas em apenas numa delas era o líder da equipa (em 2012, porque em 2004 e 2006 "colou-se" à melhor geração da história do futebol português, liderada por Figo); Eusébio foi a uma meia-final de um mundial.
Ou seja, Ronaldo superou Eusébio nos mais significativos prémios individuais e triunfos coletivos, e é um jogador de top mundial há um período de tempo muito mais prolongado do que Eusébio o foi no seu tempo.
No passado domingo, ao vencer o Euro 2016, Ronaldo conseguiu o troféu que termina em definitivo com todas as discussões. Deixaram de existir quaisquer bases objetivas para se continuar a considerar Eusébio como o melhor jogador português de todos os tempos. Pode ser difícil para muita gente aceitar esta mudança de paradigma - que atravessou várias gerações inteiras -, mas considerar Cristiano Ronaldo como o melhor jogador português de sempre já não é, como diz o texto do Expresso, uma questão de coragem ou cobardia, nem de responsabilidade ou irresponsabilidade. É uma evidência, que tem de ser assumida sempre que se fizerem exercícios deste género, e que em nada belisca o tremendo jogador que Eusébio foi.
Mas a verdade é que já não se pode dizer ou escrever algo como "Ronaldo é o Eusébio da nossa geração". O paradigma mudou. Quanto muito, pode-se dizer ou escrever que Eusébio foi o Ronaldo das gerações mais antigas.
terça-feira, 12 de julho de 2016
Mas há dúvidas sobre qual é a melhor formação em Portugal?
Sporting Clube de Portugal. O único clube do mundo que formou dois jogadores vencedores da Bola de Ouro. O clube que formou 10 dos 14 jogadores que participaram na final de Paris e conquistaram para o nosso país o primeiro título internacional sénior ao nível de seleções. Não pode haver melhor atestado de grandeza para uma Escola que tem, de forma ininterrupta, oferecido ao futebol português os seus melhores valores nos últimos 30 anos. Bem podem copiar metodologias ou injetar milhões atrás de milhões em infraestruturas, mas será bem mais complicado criarem uma cultura formadora ao nível da que existe no Sporting.
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segunda-feira, 11 de julho de 2016
Ronaldo a sofrer (e a fazer sofrer) no banco
A sofrer...
... e a fazer sofrer.
When Ronaldo went from player to manager for Portugal 😅 pic.twitter.com/qkjJK1wxjY— Football Fights (@footbalIfights) 11 de julho de 2016
... e a fazer sofrer.
Cristiano Ronaldo on the bench 😂😂😂pic.twitter.com/yfvnQYyLFz— Football Trolls (@Footballltrolls) 10 de julho de 2016
A noite histórica dos underdogs
Se, há um par de meses, um argumentista decidisse escrever o guião do jogo de ontem tal como acabou por acontecer, provavelmente não o conseguiria vender a nenhum estúdio. Toda a gente tolera um pouco de fantasia nas histórias em que um underdog luta para ultrapassar todas as adversídades que se atravessam no seu caminho, mas idealizar uma final em que Portugal venceria a seleção anfitriã sem Cristiano Ronaldo desde os dez minutos e com um fenomenal golo de Éder, seria demasiada ficção para ser levada a sério.
No entanto, para nossa imensa felicidade, foi isso mesmo que aconteceu. Perante a lesão do jogador em que se depositava toda a fé de um país, os onze bravos que ficaram em campo souberam carregar a responsabilidade acrescida que lhes caiu nos ombros: nomeadamente Rui Patrício, que fez uma exibição memorável com quatro ou cinco defesas que nos mantiveram a um golo do sonho; Pepe e Fonte, que estiveram irrepreensíveis como sempre; William e João Mário, que não foram menos gigantes que os gigantes que defrontaram; e, claro, Éder, o herói improvável que, com o seu golo, calou, no melhor momento possível, todos aqueles (eu incluído) que achavam que não tinha lugar na convocatória,
O golo de Éder, aliás, passou a ser o mais importante da história do futebol português, e o mais provável é que passem várias décadas até ser destronado ou igualado. Alguém imaginava que isto viria a acontecer?
E, evidentemente, há que dar o devido mérito a Fernando Santos, pelo facto de ter conseguido vender a sua ideia de jogo ultra-conservadora ao grupo de trabalho com aquela vitória à Croácia. O selecionador sabia que seria impossível Portugal ser a melhor seleção do Euro, mas também sabia que bastava sermos apenas um pouco melhores do que todos adversários que nos calhassem em sorte. Fernando Santos correu imensos riscos por essa opção, tantos quanto os riscos que não correu dentro de campo, pois seria responsabilizado por todos se a aposta não desse frutos.
A maior ironia é que ao assumir uma estratégia predominantemente defensiva, tornou a seleção menos dependente de Ronaldo do que alguma vez tinha sido nos últimos oito anos - e isso acabou por dar um jeito imenso ontem, quando a equipa ficou orfã do seu super-craque.
Desfrutemos do melhor momento de sempre do futebol português. Parabéns a Fernando Santos, parabéns a todos os jogadores, parabéns a todos nós!
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Soltas do Portugal - Gales
Ronaldo durante a meia-final
"Eu fico com estes, tratem vocês dos outros"
A razão por detrás dos árbitros com meias azuis claras e de Portugal e Gales terem jogado com o equipamento alternativo
YES!! #WALPOR Portugal in away kit too - thanks @UEFA for listening to us #EURO2016 :) pic.twitter.com/CxC8ba3oQy— ColourBlindAwareness (@colourblindorg) 6 de julho de 2016
O holograma de Adrien
Adrien na televisão francesa a representar Portugal em todo o seu esplendor: chinelos e meias brancas. Tudo impec. pic.twitter.com/al8lX88B8G— Bruno Nogueira (@Corpodormente) 6 de julho de 2016
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Don't make Ronaldo angry
Don't make Ronaldo angry 😂pic.twitter.com/FkugSnO4iM— Euros 2016 France (@EurosRelated) 6 de julho de 2016
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