Mostrar mensagens com a etiqueta M*rdas que só mesmo connosco. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta M*rdas que só mesmo connosco. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

M*rdas que só mesmo connosco, nº 18: Como se diz 'paródia' em macedónio?

30 de janeiro de 2018. O Sporting deslocava-se a Setúbal para disputar um jogo que antecedia um duplo confronto com o Benfica para campeonato e taça. Perder pontos não era uma opção, sob pena de perder em definitivo o comboio da luta pelo 2º lugar e consequente qualificação para as pré-eliminatórias da Liga dos Campeões. O jogo do Bonfim não poderia, no entanto, ter começado de pior forma: o V. Setúbal adiantou-se relativamente cedo no marcador e levou a vantagem para o intervalo, e o Sporting, até então a ralizar uma exibição muito pobre, via-se obrigado a virar o resultado na segunda parte. Uma tarefa que ficaria mais difícil a partir dos 55', por causa deste lance:


Mendy dá uma cotovelada em Ristovski que deixa o lateral do Sporting mais desfigurado que um pugilista após um combate de 12 rounds, mas nem Hélder Malheiro, o apitadeiro de serviço, nem nenhum dos seus auxiliares, vislumbraram qualquer irregularidade e mandaram seguir jogo. Ristovski ficou compreensivelmente incrédulo pela decisão e protestou contra o árbitro em bom português, dando a Hélder Malheiro a oportunidade por que esperava: em vez de se questionar como foi provocado o volumoso inchaço que o macedónio ostentava, o árbitro preferiu arrumar a questão com um cartão vermelho ao jogador por palavras que, mais tarde se soube no relatório, são ditas em todos os jogos que se disputam por cá. E assim ficou o Sporting em inferioridade numérica e em inferioridade no resultado.

O Sporting dominou o resto da partida e ainda chegaria a o empate, apesar de jogar com menos um jogador e apesar da desastrosa atuação de Hélder Malheiro, que também não conseguiu ver um penálti sobre Raphinha e usou um critério disciplinar completamente absurdo: o Sporting cometeu 18 faltas e levou 6 amarelos e 1 vermelho; o V. Setúbal cometeu 20 faltas, levou apenas 4 amarelos e foi poupado em várias situações exatamente iguais às que serviram para punir jogadores do Sporting, incluindo numa situação de segundo amarelo.

A sanção do Conselho de Disciplina seria conhecida dois dias depois. O órgão liderado pelo Dr. Meirim não encontrou qualquer tipo de atenuante na pancada violenta que Ristovski sofreu e suspendeu-o, muito convenientemente, por dois jogos... deixando-o de fora de ambos os dérbis que se disputariam de seguida.


Portanto: de um lance em que o V. Setúbal poderia ter ficado em inferioridade numérica (Mendy pode não ter feito de propósito, mas a pancada não teria deixado as marcas que deixou se não fosse violenta), ficou o Sporting em desvantagem numérica e ficou ainda privado da única opção viável para a posição de lateral direito para os dois jogos importantíssimos que se seguiriam. Mas a paródia não ficaria por aqui.

Como não poderia deixar de ser, o Sporting recorreu da suspensão no dia útil seguinte... e foi-lhe dada razão. O Conselho de Disciplina reduziu o castigo a Ristovski para um jogo e comunicou a decisão ao Sporting... a apenas três horas do início da partida da 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal com o Benfica, ou seja, numa altura em que a equipa já se estava a deslocar para o estádio. 


Ou seja, Ristovski acabou mesmo por cumprir o segundo jogo de suspensão graças à conveniente inoperância do Conselho de Disciplina. Como se diz 'paródia' em macedónio?

Outras m*rdas que só mesmo connosco: LINK.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

M*rdas que só mesmo connosco, nº 17: Not so fast, dutch boy

O jogo do passado domingo entre Belenenses e Sporting foi particularmente rico em casos polémicos e situações invulgares. Por exemplo, apesar de o VAR ter sido pouco utilizado até agora para esclarecer confusões em molhadas de jogadores na área, só neste jogo houve direito a dois penáltis assinalados neste tipo de situações. Mas o momento da noite - no que a acontecimentos bizarros diz respeito - foi outro. Não sigo de perto todos os campeonatos que já adotaram o VAR, mas arrisco a dizer que foi uma situação inédita no futebol mundial.

Aos 72 minutos, na sequência de uma marcação de um canto, Bas Dost é atingido numa disputa de bola com Yebda e cai ao relvado enquanto o jogo prosseguia. A bola é bombeada para fora das quatro linhas e André Moreira, guarda-redes adversário, chama a atenção para a necessidade de o holandês ser assistido. A equipa médica assiste Dost e leva-o para fora do relvado para a partida poder prosseguir.

Acontece que o jogo não seria imediatamente reatado. O árbitro é alertado pelo VAR para uma possibilidade de existência de falta na área, analisa as imagens, vê que a carga de Yebda foi com o cotovelo e assinala penálti a favor do Sporting. Mostra também cartão amarelo ao jogador do Belenenses pela falta dura, que era o seu segundo na partida e, consequentemente, dá-lhe ordem de expulsão.

Dost reentra no relvado, pega na bola para marcar penálti... mas Bruno Paixão mostra-lhe amarelo por não ter tido autorização para regressar para dentro das quatro linhas e ordena que saia de campo até o jogo ser reatado. Acontece que Dost é o marcador dos penáltis... e não podendo entrar antes de o jogo ser reatado, então não podia bater o penálti que o árbitro acabara de assinalar.


A decisão de Bruno Paixão é defensável segundo o que estipulam as regras, de acordo com o que disse o ex-árbitro Pedro Henriques. Um jogador que sai para ser assistido com a partida parada só pode reentrar depois do recomeço do jogo, mas, neste caso, há um outro pormenor que complica a situação: segundo as regras que entraram em vigor na temporada passada, um jogador que sofre uma falta que vale amarelo ou vermelho ao adversário que a cometeu, não precisa de sair após ser assistido. Ou seja, Dost não precisava de sair de campo receber assistência médica.

Acredito que não existam indicações específicas para como os árbitros deverão proceder em situações destas, mas parece-me claro que, segundo o espírito que está por detrás da implementação do VAR e da regra que permite a um jogador assistido manter-se em campo caso tenha sofrido uma falta merecedora de cartão, Dost deveria ter podido manter-se no relvado. Creio que terá havido aqui excesso de zelo por parte do árbitro.

Dost foi penalizado por sofrer uma pancada dura à margem das leis, foi duplamente penalizado quando foi obrigado a ficar de fora no reatamento do jogo, foi triplamente penalizado por ter visto cartão amarelo por regressar sem uma autorização do árbitro de que não deveria necessitar, foi quadruplamente penalizado por não poder assumir a sua função de principal marcador de penáltis da equipa, e foi quintuplamente penalizado por não ter tido a oportunidade de se aproximar de Jonas na lista de melhores marcadores. 

Mais uma daquelas coisas que só nos acontece a nós. Neste caso, foi apenas um episódio curioso que não chegou a ganhar dimensões trágicas... porque, felizmente para o Sporting, Bruno Fernandes é também um marcador de penáltis bastante jeitoso. Imaginem se tem falhado...


Para ler ou reler as restantes M*rdas que só mesmo connosco, carregar aqui: LINK.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

M*rdas que só mesmo connosco, nº 16: Crie o seu próprio protocolo

O ano de estreia de VAR no campeonato tem sido um processo de aprendizagem para todos aqueles que estão direta ou indiretamente envolvidos no fenómeno futebolístico: dirigentes, árbitros, treinadores, jogadores, jornalistas e adeptos. Em função da experiência que se foi adquirindo ao longo dos primeiros meses, foram surgindo novos esclarecimentos públicos sobre o âmbito de atuação do videoárbitro: o chamado protocolo.

O protocolo VAR é uma espécie de manual que estipula em que circunstâncias e em que termos pode haver recurso à tecnologia durante um jogo de futebol.

Sendo este um ano experimental, pode e deve haver tolerância para a existência de determinados tipos de lapsos que decorram de uma interpretação em circunstâncias mais complexas. Mas há limites para essa tolerância. Um erro grosseiro, não sujeito a interpretação, com VAR, significa apenas uma de duas coisas: ou o árbitro é incompetente ou o árbitro é desonesto. 

É por isso que o VAR é um pau de dois bicos para os árbitros. Para aqueles que querem fazer um bom trabalho, é uma ferramenta preciosa que permite uma tomada de decisão mais sustentada. Para aqueles que  estão na arbitragem com outros objetivos que não o cumprimento das regras, o VAR acaba por lhes roubar alguma liberdade para vislumbrarem o que não existiu ou fecharem os olhos ao que aconteceu. Uma má decisão tomada em tempo real podia sempre escudar-se na necessidade de julgar um lance no imediato e na capacidade de julgamento limitada ao campo de visão dos elementos da equipa de arbitragem (que podiam não estar no ângulo e distância ideais em relação ao local onde o caso aconteceu). Mas a existência de 7 ou 8 câmaras para consulta e a possibilidade de ter mais tempo para tomar uma decisão aniquila as desculpas que tantas vezes foram utilizadas pelos árbitros para justificar erros grosseiros.

Infelizmente, erros grosseiros continuam a acontecer, com mais frequência do que seria expectável. E de todos esses erros, o mais descarado aconteceu no Sporting - Feirense que se disputou este mês, quando o VAR Manuel Oliveira decidiu anular um golo limpo a Doumbia.



O protocolo do VAR sofreu uma certa evolução no que diz respeito ao ponto até que se deve recuar na análise da existência de alguma irregularidade num lance de golo: primeiro dizia-se que devia recuar até ao momento em que a equipa que marcou recuperou a bola; mais tarde passou a dizer-se que só deve recuar até ao início da vaga de ataque - entendendo-se por vaga de ataque a progressão continuada da equipa com posse de bola na direção da baliza adversária.

Num caso ou noutro, não existe qualquer justificação possível para que Manuel Oliveira tomasse a decisão que tomou, pois mandou anular um golo por causa de uma falta ocorrida antes da última posse de bola do Feirense. Em jeito de brincadeira, Manuel Oliveira decidiu, naquele momento, criar o seu próprio protocolo, mas a crua realidade é que cometeu um erro de tal forma escandaloso, que deveria ser suficiente para ser afastado da arbitragem em definitivo. Numa qualquer atividade que não o futebol, seria o suficiente para que os seus responsáveis nunca mais confiassem na sua competência ou boa vontade. Mas no futebol português, como é habitual em relação aos erros de arbitragem, a culpa morre solteira e é como se nada tivesse acontecido: Manuel Oliveira descansou uma semana e regressou aos relvados no fim-de-semana passado para arbitrar o Santa Clara - Gil Vicente. Afinal ainda há bons empregos...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

M*rdas que só mesmo connosco, nº 15: O sermão do padre Capela na catedral

João Capela pode não ser um dos padres elencados por Adão Mendes no famoso mail enviado a Pedro Guerra, mas não há sacerdote vivo ou por nascer que possa ousar sequer desafiar o árbitro de Lisboa relativamente à qualidade com que se conduzem as celebrações na catedral. 

A celebração conduzida por João Capela no Benfica - Sporting de 2012/13 é das mais memoráveis da história do futebol português, tantos e tão bons foram os momentos espiritualmente avassaladores que proporcionou a todos os fiéis e infiéis que assistiam à missa.

Obviamente que os penáltis não assinalados por João Capela sobre Van Wolfswinkel, Capel e Viola são aqueles que saltam logo à memória, mas houve uma outra situação que conseguiu ser ainda mais pecaminosamente deliciosa. Refiro-me a este lance:


Matic teve uma entrada bárbara sobre Bruma, que bem pode acender uma velinha no santuário de Fátima a agradecer o facto de não ter contraído nenhuma lesão nesse lance. Para Capela, porém, foi uma ocorrência quase normal: assinalou a falta, mas deixou o sérvio escapar apenas com uma penitência de 3 Pais-Nossos e 2 Avé-Marias, sem qualquer cartão (!). 

Por pouco que Bruma não teve pior sorte... ao contrário de Matic, teve direito a sermão.

(via Cantinho do Morais)

Amén.

M*rdas que só mesmo connosco, nº 14: Regras à la carte

O caso mais polémico do Sporting - Feirense de domingo passado terá direito a episódio próprio desta série daqui a uns tempos, mas o jogo teve um outro acontecimento que não merece passar despercebido.

Perto do final da primeira parte, ou seja, já depois de ter acontecido o grave erro a prejudicar o Sporting, e numa altura em que o jogo estava empatado, Fredy Montero faz um remate descaído para a esquerda na área do adversário que é intercetado por um defesa com a cabeça. No entanto, a velocidade da jogada e a abordagem do defesa com os braços abertos enganam o árbitro Luís Ferreira, que pensa ter havido corte com a mão e assinala grande penalidade. O VAR viria, e bem, a dar a indicação de que o corte foi limpo, pelo que o jogo teve que prosseguir com uma bola ao solo. No entanto, a bola ao solo foi efetuada... sem que nenhum jogador do Sporting estivesse por perto para a disputar. Desta forma se transformou uma jogada de ataque do Sporting numa posse de bola para o Feirense.


--- INTERLÚDIO ---

Não deixa de ser engraçado observar a vitalidade com que o defesa do Feirense que levou com a bola na cara protestou a decisão do árbitro... mas que, depois de o VAR ter revertido a decisão, tenha precisado de ser assistido durante vários minutos em pleno relvado, sem que o árbitro tivesse pulso para o pôr fora de campo. Os 6 minutos de descontos que o árbitro acabaria por dar foram uma anedota, face ao tempo que o jogo esteve parado: só aqui foram 4 minutos e meio, mais 3 minutos e meio no golo anulado a Doumbia, fora as outras interrupções para consulta do VAR e persistente anti-jogo do Feirense.

--- FIM DO INTERLÚDIO ---

Tudo isto é estranhamente familiar, pois há pouco mais de dois anos, no Sporting - Tondela (que teve também um erro de arbitragem gravíssimo (penálti e expulsão de Rui Patrício que deu o 0-1 para o Tondela), aconteceu um episódio praticamente idêntico... em que o árbitro era também Luís Ferreira. De tal forma idêntico, que vou reaproveitar o parágrafo escrito mais acima para o descrever, fazendo apenas os ajustes necessários.

Perto do final da primeira parteNo princípio da segunda parte, ou seja, já depois de ter acontecido o grave erro a prejudicar o Sporting, e numa altura em que o jogo estava empatado, Fredy MonteroBryan Ruiz faz um remate descaído para a esquerda na área do adversário que é intercetado por um defesa com a cabeça. No entanto, a velocidade da jogada e a abordagem do defesa com os braços abertos enganam o árbitro Luís Ferreira, que pensa ter havido corte com a mão e assinala grande penalidade. O VARfiscal-de-linha viria, e bem, a dar a indicação de que o corte foi limpo, pelo que o jogo teve que prosseguir com uma bola ao solo. No entanto, a bola ao solo foi efetuada... sem que nenhum jogador do Sporting estivesse por perto para a disputar. Desta forma se transformou uma jogada de ataque do Sporting numa posse de bola para o FeirenseTondela.



Mas neste caso ainda foi pior, pois Adrien Silva tentou disputar a bola ao solo, e foi impedido de o fazer pelo árbitro, o que vai contra o que as regras estipulam:


Como podem ver na imagem acima, o árbitro não pode decidir quem toma ou não toma parte na disputa de bola ao solo. Isto não é mais do que uma migalha na enxurrada de erros cometidos, mas é outro exemplo de como se vão inclinando os campos contra o Sporting. Vale tudo, mesmo mudar as regras... seja ao nível do que está estipulado no protocolo do VAR, seja numa simples bola ao solo.

(obrigado, Cantinho do Morais!)

Link para todos os posts desta série: AQUI.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

M*rdas que só mesmo connosco, nº 13: O erro faz parte do futebol

"O futebol é um jogo de erro. E um erro é possível. E o erro serve de discussão para semanas, meses e anos." - Ribeiro Cristóvão, 22 de julho de 2017, criticando o VAR após a (correta) anulação do golo de Rony Lopes no Sporting - Monaco

Um dos argumentos mais fascinantes que os detratores do VAR utilizam é o de que o erro faz parte do futebol. A constatação é digna de La Palice: se errar é humano e se o futebol é interpretado por seres humanos, então é inevitável que existam erros no futebol.

No entanto, também faz parte da natureza humana tentar reduzir o erro, quer em quantidade, quer no impacto que têm. Os seres humanos aprendem com a experiência e procuram aperfeiçoar técnicas, metodologias e sistemas que reduzam as probabilidades de voltarem a cometer os mesmos erros. É por aí que deve ser visto a implementação do VAR: é um sistema que não vai acabar com o erro e com a polémica, nem tem pretensões de acabar com o erro e com a polémica, mas que quer (e vai) reduzir a ocorrência de erros grosseiros no futebol.

Dizer que o futebol é um jogo de erro é a desculpa mais preguiçosa que existe. Se o futebol é um jogo de erro, por que razão as equipas treinam todos os dias? Por que razão procuram os melhores jogadores que os seus orçamentos permitem? Por que razão montam estruturas que potenciem o rendimento dos seus profissionais? 

Mas uma coisa são os erros de jogadores e treinadores, no confronto direto contra outros jogadores e treinadores - a melhor equipa também se define pela capacidade de evitar erros e de forçar o adversário a cometer erros. Outra coisa são os erros dos árbitros, que, supostamente, devem ser elementos neutros na equação do jogo.

Numa altura em que a tecnologia nos deixou perceber que o erro dos árbitros é muito mais frequente e muito mais impactante do que se desejaria, é normal que se tire proveito dessa tecnologia para ajudar os juízes a tomarem melhores decisões.

Isto tudo vem a propósito da frase de Ribeiro Cristóvão, que me fez lembrar, numa interpretação mais literal, que nem sempre o futebol é um jogo de erro, no singular: às vezes é um jogo de dois erros, de três erros, ou até de quatro erros... na mesma jogada.

Na jornada inaugural da época 2015/16, o Sporting defrontou o Tondela em Aveiro, casa emprestada da equipa recém-promovida à I Liga. Numa altura em que vencia por 1-0, o Tondela empatou numa jogada em que foram cometidos não um, não dois, não três, mas quatro (!) erros de arbitragem:



Os quatro erros cometidos pela equipa de Carlos Xistra foram:

1. O livre surge de uma falta não existente

2. No momento em que Bruno Nascimento desvia a bola, Luís Alberto (o marcador do golo) está em posição irregular (como se pode ver na imagem ao lado)

3. Luís Alberto ajeita a bola com o braço

4. Antes de a bola cruzar a linha, Luís Alberto dá um segundo toque na bola com o braço

De todas as coisas estranhas que têm acontecido ao clube, esta é daquelas que mais facilmente se digerem: o Sporting conseguiria vencer o jogo nos descontos. Mas esteve muito, muito perto de perder dois pontos por causa de um lance aberrante que, com o recurso à tecnologia, seria anulado com enorme rapidez.

O erro faz parte do futebol, sim. E às vezes dá muito jeito... para alguns.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

M*rdas que só mesmo connosco, nº 12: Suplentes que resolvem jogos

Alcochete, 14 de maio de 2017. O Sporting B recebe a Académica, numa partida a contar para a penúltima jornada da II Liga. Separadas por apenas 3 pontos na tabela, quer uma quer outra equipa jogavam apenas para cumprir calendário. Se na maioria dos casos em que já não há objetivos a atingir, os jogadores têm alguma tendência para demonstrar algum desinteresse em estar dentro de campo, neste jogo houve um suplente que não conseguiu esperar para poder ir lá para dentro.

Decorria a segunda parte quando o azeri Budag Nasyrov fazia exercícios de aquecimento junto à baliza de Azbe Jug, precisamente no momento em que a Académica desenvolvia uma jogada de ataque completamente inofensiva... mas que acabou por ser fatal, pela mais improvável das causas:


Nasyrov, numa atitude insólta e reveladora de completa falta de atenção, queria apenas devolver o esférico para dentro de campo para poupar trabalho aos apanha-bolas. O problema é que tocou na bola quando esta ainda não tinha saído completamente pela linha de fundo. O árbitro - e bem - aplicou o que dizem as regras: quando um elemento constante da ficha de jogo que não está em campo toca na bola, assinala-se livre direto contra a sua equipa. Como foi dentro da área, marcou penálti.

A Académica aproveitou a dádiva, empatou, e a partir daí controlou o jogo, acabando por chegar à vitória através de outra oferta da nossa defesa.

Não é possível imaginar um final mais condizente do que este para um fim-de-semana absolutamente horrível.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

M*rdas que só mesmo connosco, nº 11: Um fora-de-jogo cósmico

O futebol português é pródigo em casos polémicos. A qualidade das arbitragens é a que se sabe, e os erros vão-se sucedendo a um ritmo galopante. Umas vezes por responsabilidade dos árbitros, outras vezes por responsabilidade dos fiscais-de-linha, e outras até por responsabilidade do quarto árbitro. Mas o que não é definitivamente usual - nem sequer no futebol português - é um fiscal-de-linha tomar uma decisão correta num fora-de-jogo e, à vista de todos, ser convencido pelo árbitro de que esse fora-de-jogo não existiu.

Refiro-me, como todos já devem ter percebido, a um dos maiores escândalos de arbitragem da época passada: a decisão de Cosme Machado em validar um golo ilegal à Académica em Alvalade.


Contextualizando o lance: depois de um golo madrugador da Académica, o Sporting conseguiu dar a reviravolta no resultado por Adrien e Bryan Ruiz, colocando-se numa vantagem de 2-1. Pelo meio, Cosme já tinha perdoado um penálti cometido sobre Carlos Mané (quando a Académica vencia por 0-1) e tinha expulsado Jorge Jesus por este ter protestado um amarelo mostrado a Adrien Silva por... ter tentado marcar rapidamente um livre (quando o resultado estava em 1-1).

Continuava o Sporting em vantagem no marcador quando, aos 59', há um livre a favor da Académica a meio do meio-campo do Sporting. A bola é batida para a área, Rui Patrício sai dos postes e soca a bola, que vai cair no local onde estava um jogador da Académica. Este cabeceia, na direção da baliza, mas Ewerton, o homem mais recuado, estava em posição de a aliviar. Não consegue aliviá-la em condições, no entanto, porque João Real o pressiona, partindo de uma posição de fora-de-jogo. Ewerton acaba por cabecear para trás, a bola entra na baliza e estava feito o empate.

Na realidade, não estava feito o empate, pois o fiscal-de-linha apercebeu-se da irregularidade e, de imediato, assinalou fora-de-jogo ao avançado da Académica. Alvalade suspira de alívio mas, passados uns segundos, assiste, incrédulo, a uma conferência entre Cosme Machado e o seu árbitro-assistente junto à linha lateral, ambos rodeados por vários jogadores da Académica. E, perante o espanto geral, após uma longa conversa... o árbitro aponta para o círculo central e valida o golo.

O árbitro convenceu o fiscal-de-linha a mudar a sua decisão. Surreal.

Aqui fica o lance, para refrescar a memória:


Uma decisão grotesca que não tem qualquer base lógica de sustentação, ainda para mais porque, como se pode ver na sequência de imagens abaixo, o árbitro não estava numa posição minimamente favorável para avaliar a existência ou não de fora-de-jogo.


Como é evidente, os jogadores e adeptos sportinguistas ficaram em estado de choque perante o roubo à mão armada que ali ocorria - menos de um mês depois da Xistralhada do Guimarães - Benfica (esse, sim, o maior escândalo de arbitragem da época, com 3 penáltis e 2 cartões vermelhos perdoados ao Benfica, para além de outras decisões ridículas - LINK - e um empurrão de Xistra a um jogador do V. Guimarães que sofreu uma falta clara - LINK), que manteve a equipa de Rui Vitória na luta pelo campeonato.

Felizmente, acabaria por ser reposta a justiça no resultado, com um golo de Montero marcado aos 84'. O Sporting venceu por 3-2.

Mas a história não acabaria aqui. Numa atitude raríssima, Cosme Machado deu, com a benção de Vítor Pereira, uma entrevista à SIC no dia seguinte ao jogo. Admitiu o erro, deu umas explicações mal amanhadas que não encontram correspondência com aquilo que todos puderam ver, mas também não pediu desculpa. Uma pobre tentativa de limpeza de imagem de um ato mal-intencionado que acabou por não surtir o efeito final desejado.


No final da época, Cosme Machado foi despromovido à 2ª categoria de árbitros, e decidiu terminar a carreira. No entanto, o seu fraco talento para o apito foi suficiente para não o deixar descalço: no dia seguinte a ter abandonado a carreira, foi contratado pelo Braga de António Salvador para as funções de conselheiro de arbitragem.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

M*rdas que só mesmo connosco, nº 10: Como tirar meia equipa do caminho do golo

O facto de a arbitragem ter estado em destaque pelos piores motivos ao longo da última semana - para o prejuízo dos de sempre -, acaba por ter um ponto positivo: as situações surreais acabam por parecer um bocadinho normais.

No sábado, o Sporting B recebeu o Braga B. Não me lembro de alguma ter visto aquilo que esteve na origem do primeiro golo dos bracarenses. O Sporting marca um golo legal, por Pedro Delgado. Os jogadores começam a festejar o golo, o fiscal-de-linha começa a correr no sentido do meio-campo. No entanto, enquanto tudo isto decorre, o árbitro Miguel Libório começa a falar com o fiscal-de-linha e... o fiscal-de-linha volta para trás, e anula o golo, aparentemente por fora-de-jogo. Para piorar, os jogadores do Sporting não se apercebem, visto que já se tinham passado vários segundos desde que o golo tinha sido marcado. O Braga acelera a reposição da bola, ainda com 7 jogadores do Sporting reunidos junto à linha de fundo e iniciam um contra-ataque em óbvia vantagem numérica... que termina em golo na baliza de Pedro Silva.

Podem ver aqui todo o lance.


E aqui, em câmara lenta, podem ver, com maior detalhe o árbitro a comunicar com o fiscal-de-linha e a forma como os jogadores do Braga repõem a bola em jogo, sem que a equipa de arbitragem desse hipótese aos jogadores do Sporting de se reposicionarem no terreno.


Aqui pode ver-se que Pedro Delgado (o 2º jogador do Sporting a contar da direita) não estava em fora-de-jogo. O que terá ocorrido para se anular este lance tanto tempo depois? Só os árbitros saberão...

(vídeos e imagem via @captomente)

O que é facto é que fica para a história mais um roubo inacreditável ao Sporting. O Braga B acabaria por vencer por 2-1. Considerando que o Sporting deveria ter ficado a ganhar por 1-0 em vez de perder por 1-0, a influência no resultado é óbvia. Claro que para todos aqueles que dizem que o erro do árbitro faz parte do jogo, a culpa deve ter sido do Sporting por se ter posto a jeito, como é hábito dizerem nestas situações. Pelo sim pelo não, é melhor começarmos a festejar os nossos golos mais perto do meio-campo, just in case.


Outra m*rdas que só mesmo connosco (com links):

Nº 1: A bota de Montero: Amarelo mostrado a Montero por... um adversário lhe ter tirado a bota
Nº 2: O atraso para Stojkovic: O famoso livre indireto marcado no Dragão por atraso a Stojkovic
Nº 3: A inexperiência de Schmeichel: Duarte Gomes assinala um livre indireto surreal contra o Sporting
Nº 4: O boicote: A recusa dos árbitros em comparecer em jogos do Sporting
Nº 5: A paixão de Bruno: Arbitragem surreal de Bruno Paixão que, entre outros erros gritantes, expulsa Pedro Barbosa por este tentar marcar depressa um livre
Nº 6: O apagão de Chaves: Falha na iluminação a dois minutos do fim, e a tendência de jogar em Chaves no inverno
Nº 7: Uma questão de saliva: Três cuspidelas de três jogadores dos grandes, três castigos diferentes
Nº 8: Santos de outras casas também fazem milagres: Labyad é empurrado duas vezes... e é expulso
Nº 9: Já que falamos em repetições de jogos: A decisão da FPF em repetir um dérbi por causa da expulsão de Caniggia

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

M*rdas que só mesmo connosco, nº 9: Já que falamos em repetições de jogos...

Num fim-de-semana em que existiram erros nos jogos dos três grandes, é curioso que aquele de que se fala mais seja o dos dois toques de William que estiveram na origem do lance que deu o primeiro golo ao Sporting. "Erro técnico", dizem uns, "repetição do jogo", exigem outros.

Vasculhando a minha memória, são raros os casos de jogos que são repetidos na totalidade por causa de uma idiotice destas. Lembro-me de jogos com bolas que não entraram na baliza e que foram validadas como golos, outros com jogadores que viram dois cartões amarelos e permaneceram em campo, o situações persistentes de lançamentos laterais mal marcados, livres executados muito longe do local da falta ou sem que a bola chegue a ficar imobilizada, e nenhum acabou por ser repetido. Mas enfim, de exceções pela negativa está a vida do Sporting cheia.

O único jogo que me lembro que tenha sido mandado repetir foi precisamente do Sporting, por causa deste lance:


No Benfica - Sporting da 30ª jornada do campeonato de 1994/95, Jorge Coroado exibe de seguida o cartão amarelo e o vermelho a Caniggia, que ainda não tinha visto nenhum cartão até esse momento. O Benfica protestou o jogo por erro técnico do árbitro. Jorge Coroado explicou no relatório que se trataram de cartões independentes: o amarelo pelos empurrões mútuos com Sá Pinto, o vermelho por insultos dirigidos a si pelo argentino. No entanto, por uma vez na vida, as instâncias da justiça federativa preferiram ignorar o relatório do árbitro e tomar como bom o protesto do Benfica, obrigando à repetição da partida.

É preciso que se diga que o Sporting venceu o jogo por 2-1 e a classificação ficava assim ordenada:


Numa altura em que as vitórias apenas valiam dois pontos, o Benfica tentava agarrar-se ao que podia para segurar o 3º posto, e com isto beneficiava indiretamente o Porto, já que o Sporting era a única equipa que ainda discutia o título. Amizades que já vêm de longe...

As persistentes diligências de um dos membros do Conselho de Justiça - Sampaio Nora (que mais tarde faria parte das listas de Vale e Azevedo para a presidência do Benfica) - acabariam por surtir efeito e a FPF anulou o jogo, obrigando a uma repetição da partida que se disputaria depois do final do campeonato, sem que o resultado acabasse por ter algum relevância na classificação. O Benfica venceria a repetição por 2-0.

Mais tarde a FIFA acabaria por intervir e dar razão a Jorge Coroado, confirmando a legalidade do jogo original e repondo a vitória do Sporting, demonstrando que em Portugal as leis do futebol são demasiado moldáveis à vontade de determinados interesses. 20 anos se passaram e continua tudo praticamente na mesma.

(obrigado, Brandão e Soleber)

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

M*rdas que só mesmo connosco, nº 8: Santos de outras casas também fazem milagres

Qualquer jogador estrangeiro que chega a Alvalade deveria levar um curso intensivo para conhecer as particularidades do futebol português em geral, e do tratamento "privilegiado" que determinados árbitros dispensam ao Sporting em particular.

Quem alinha de verde e branco deveria saber que nunca pode facilitar: quando comete uma falta a menos de um metro da área está a convidar os homens do apito a assinalar penálti, quem mete o peito à bola arrisca-se a que um árbitro assistente "veja" antes um braço, e quem já tem um cartão amarelo deve pensar duas vezes antes de fazer uma falta pois a tolerância nos segundos amarelos não costuma abundar.

Mas não posso criticar a estrutura do Sporting por não se ter lembrado de instruir Labyad a evitar a situação que aconteceu num Sporting - Gil Vicente, na 4ª jornada da época de 2012/13:


Inadmissível a atitude do marroquino. É empurrado uma vez, e não reage. É empurrado uma segunda vez e... volta a não reagir! Vai à sua vida e... leva amarelo, que por acaso era o segundo, e vai para a rua. Toma lá que já aprendeste!

A surpresa que uma decisão destas poderá causar reduz-se significativamente quando nos apercebemos que o juiz da partida era Vasco Santos, o homem que nos ofereceu maravilhosas arbitragens como a do Olhanense - Benfica e V. Setúbal - Sporting da época passada, ou a do Estoril - Benfica deste ano. Santos de outra casa que vão fazendo milagres que os devotos fiéis agradecem.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

M*rdas que só mesmo connosco, nº 7: Uma questão de saliva

Costuma dizer-se que a justiça é cega, no sentido em que deve ser imparcial e não olhar para quem são as partes em disputa no momento em que se toma a decisão em julgamento.

Em Portugal, a justiça desportiva devia ser cega, mas não é. Faz-se de cega. Às vezes. Dependendo de quem são as partes afetadas. Uma coisa é certa: não é daltónica. Sabe distinguir bem as cores umas das outras.


Em janeiro de 2013 Insúa cuspiu num jogador do Rio Ave, num jogo para a Taça da Liga. O árbitro não se apercebeu deste facto durante o jogo, e o Conselho de Disciplina aplicou um sumaríssimo ao jogador argentino recorrendo às imagens televisivas, suspendendo o argentino por dois jogos.


Três meses mais tarde, em abril, Enzo Pérez cuspiu num jogador do Paços de Ferreira. Tal como no caso de Insúa, o árbitro não se apercebeu do que se passou no momento. No entanto, apesar de também existirem imagens do ato praticado, desta vez o Conselho de Disciplina optou por não instaurar um sumaríssimo ao jogador. Ou seja, não houve suspensão para o jogador, que assim pôde alinhar no encontro seguinte, que por acaso era contra o... Sporting (no famoso jogo arbitrado por João Capela).


Seis meses mais tarde, em outubro, Josué cuspiu num jogador do Arouca. Mais uma vez o árbitro também não se apercebeu do sucedido. Desta vez, o CD decidiu recuperar os sumaríssimos por cuspidelas com base nas imagens disponíveis e castigou Josué por um jogo. Assim, o médio foi obrigado a cumprir o castigo num jogo da Taça de Portugal contra o Trofense. Pode-se dizer que foi uma "sorte" não ter sido suspenso por dois jogos como Insúa. Se tivesse sido castigado com dois jogos, não poderia ser utilizado no jogo seguinte ao do Trofense, que por acaso era contra o... Sporting. E curiosamente Josué até marcou de penálti nesse jogo.

Para a justiça do futebol português, Insúa escarrou, Josué cuspiu e Enzo fez uma transfusão de saliva que pode ter salvo a vida ao jogador do Paços. Só faltou um louvor ao jogador do Benfica. Como se costuma dizer, todas as cuspidelas são iguais, mas há cuspidelas que são mais iguais que outras.

(obrigado, Feadin)

terça-feira, 18 de novembro de 2014

M*rdas que só mesmo connosco, nº 6: O apagão de Chaves

Chaves sempre funcionou como uma espécie de triângulo das bermudas do futebol português para o Sporting. Apesar de o clube não ser dos que têm mais participações na primeira divisão, são vários os acontecimentos bizarros que lá ocorreram envolvendo o Sporting.

Por exemplo, foi uma deslocação do Sporting a Chaves que esteve na origem da célebre frase da azia de Jorge Coroado. Em 1998/99, o árbitro reconheceu erros que influenciaram decisivamente o resultado, pois não assinalou dois penáltis a favor do Sporting e anulou um golo limpo a Beto, num jogo que terminaria empatado 2-2.

Noutro tipo de situações - e entrando no domínio do sobrenatural -, é impossível não arregalar os olhos perante a coincidência de o Sporting ter que ir jogar a Chaves quase sempre em meses com um clima mais adverso:

1985/86 - 19 de janeiro de 1986
1986/87 - 4 de janeiro de 1987
1987/88 - 17 de janeiro de 1988
1988/89 - 29 de janeiro de 1989
1989/90 - 29 de outubro de 1989
1990/91 - 14 de novembro de 1990
1991/92 - 17 de maio de 1992 (um jogo na primavera? que se terá passado no sorteio?)
1992/93 - 8 de novembro de 1992
1994/95 - 7 de janeiro de 1995
1995/96 Taça de Portugal - 2 de dezembro de 1995
1995/96 - 30 de dezembro de 1995 e 11 de janeiro de 1996
1996/97 - 20 de dezembro de 1996
1997/98 - 30 de janeiro de 1998
1998/99 - 23 de janeiro de 1999
2016/17 - 15 de janeiro de 2017 e 18 de janeiro de 2017 (*)

Em 16 ocasiões que o Sporting teve que realizar a longa deslocação a Chaves, 9 foram em janeiro, 3 em dezembro, 2 em novembro, 1 no final de outubro e 1 em maio (!).

Só por curiosidade (obrigado, Peyroteo), o Porto jogou 2 em setembro, 1 em outubro, 2 em dezembro, 2 em janeiro, 2 em fevereiro, 2 em abril e 2 em maio. O Benfica jogou 3 em outubro, 3 em novembro, 1 em dezembro, 2 em março, 3 em abril e 1 em maio. Uma distribuição de jogos bem mais simpática e equilibrada.

O cúmulo dos acontecimentos transcendentais deu-se na época de 1995/96, na célebre ocasião em que as luzes do estádio se apagaram a 2 minutos do fim, numa altura em que o Sporting pressionava o Chaves à procura da vitória.


O jogo foi interrompido e não foi possível reatá-lo no próprio dia. A FPF tomou então a iniciativa de o reagendar para 2 semanas depois, no dia 11 de janeiro de 1996, quinta-feira - por coincidência, 2 dias antes do Sporting - Porto referente à 18ª jornada.

Os 10 jogadores, treinador e presidente lá se meteram no autocarro para visitarem Chaves pela terceira vez no espaço de pouco mais de um mês. Juvenal Silvestre demonstraria pouco rigor no cumprimento dos dois minutos que restavam, dando 25 segundos de descontos que ficaram muito longe de compensar a demora nas reposições dos jogadores do Chaves. Em 2'25'' de jogo, o tempo útil foi de 50 segundos.

Fica a reportagem da RTP, que inclui a transmissão dos 2 minutos em falta, para quem quiser refrescar a memória.




* Dados referentes à época 2016/17 atualizados a 20 de dezembro de 2016

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

M*rdas que só mesmo connosco, nº 5: A Paixão de Bruno

Creio que estaremos todos de acordo em como arbitrar um jogo de futebol não será uma atividade fácil. Por vezes há lances críticos de difícil juízo, em que as movimentações de jogadores e bola podem complicar a tomada de decisão por parte do árbitro. Este tipo de erros merecem alguma compreensão por parte dos adeptos do clube prejudicado.

Outras vezes há jogos em que um caso muito polémico define uma partida. Situações daquelas em que todos no estádio percebem logo no momento que a equipa de arbitragem errou. Aquele tipo de enganos que são suficientemente graves para nos levar a questionar a boa fé e integridade do árbitro ou fiscal-de-linha que os cometem.

Mas depois ainda existe um outro nível: o de Bruno Paixão.



Época de 2003/04, 31ª jornada. Com apenas 4 jogos por disputar, o Porto segue na frente com 75 pontos, seguido do Sporting com 70 e do Benfica com 64. Nesse ano, apenas os dois primeiros classificados se apurariam para a Liga dos Campeões.

O Sporting deslocou-se ao Bessa, e acaba por sair derrotado por 2-1, num dos maiores assaltos à mão armada que alguma vez ocorreu num campo de futebol em Portugal.

Árbitro: Bruno Paixão, quem mais poderia ser?


Quatro (4) erros claríssimos, daqueles que isoladamente seriam motivo suficiente para pôr o árbitro na jarra durante umas boas semanas:

  • Penálti descarado de Paulo Turra sobre Liedson
  • Fora-de-jogo assinalado a Liedson ainda no meio-campo do Sporting (!)
  • Expulsão injusta de Rui Jorge (o vídeo não mostra, mas ao que se diz também o primeiro amarelo foi mal mostrado)
  • Pedro Barbosa expulso por tentar marcar um livre rapidamente quando o Sporting perdia e o jogo entrava em tempo de descontos

Valeu a pena que a paixão de Paixão tenha sido exposta publicamente desta forma tão evidente: o Benfica acabaria por conseguir terminar em 2º, com um ponto a mais do que o Sporting, e qualificar-se para a Liga dos Campeões.

Quanto a Bruno Paixão, continuou (e continua ainda hoje) a desvirtuar a verdade desportiva sem qualquer tipo de penalização. Parece que o crime compensa mesmo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

M*rdas que só mesmo connosco, nº 4: O boicote

Setembro de 2010

Na sequência de uma derrota em Guimarães em que se consideraram prejudicados pela arbitragem de Olegário Benquerença, o Estado-Maior benfiquista (direção, outros órgãos sociais, e figuras ilustres como António Pedro Vasconcelos e o jornalista de A Bola Fernando Guerra) reuniu, deliberou e comunicou o seguinte:

(vou apenas colocar as partes do comunicado mais sumarentas)
Há momentos que exigem ponderação de análise e firmeza na acção.(...) Perante a evidência de tantos erros em tão pouco tempo, a esperança de um campeonato sério ainda não morreu, mas foi fortemente atingida. Aceitar com ligeireza o que se tem passado neste início de campeonato é negar o obvio e pactuar com a mentira. (...)
Da reunião do plenário dos órgãos sociais do Sport Lisboa e Benfica foram assumidas as seguintes orientações:
a) ... A falta de credibilidade que está a atingir a arbitragem enfraquece o futebol e só quem não está preocupado com o futebol pode estar satisfeito com a presente situação. Não é ilibando, nem protegendo aqueles que reiteradamente erram que se protege o futebol. Há quem veja e queira fazer-se de cego. A esses, essa cegueira tem de custar-lhes caro. (...) O futebol não é viável sem verdade e sem acções. O senhor Vítor Pereira deve pronunciar-se sobre o que se passou, sobre o que pensa fazer para o futuro e sobre o entendimento que tem – na forma e no tempo - sobre a homenagem promovida no dia 5 de Setembro, pela Associação de Futebol do Porto, ao senhor Olegário Benquerença.
Citando o Presidente da UEFA, Michel Platini “os árbitros incompetentes devem ser varridos do futebol”. Pela nossa parte, acabou a tolerância com árbitros incompetentes ou habilidosos.
Cada um deve assumir as suas responsabilidades e o senhor Vítor Pereira tem a obrigação de garantir condições de igualdade nos critérios e na acção dos árbitros a todos os clubes em Portugal. Algo que até aqui não aconteceu.

Decretaram o boicote dos benfiquistas aos jogos fora, consideraram um secretário de Estado persona non grata, dispararam contra a comunicação social - enfim, ninguém escapou à fúria de Vieira, Nazaré e associados.

Perante isto, todo o setor de arbitragem cerrou fileiras perante o violento ataque de que foi alvo e...


... pediu desculpas ao Benfica pelo sucedido.


Agosto de 2011, 11 meses depois

No dia 13, na 1ª jornada do campeonato, o Sporting recebe em casa o Olhanense e empata 1-1, num jogo que ficou marcado por uma péssima arbitragem de Carlos Xistra, que não assinalou um penálti a favor do Sporting e anulou mal um golo a Hélder Postiga.

No dia 19, o Sporting apresentou em conferência de imprensa um conjunto de propostas para o setor da arbitragem. Na altura, o Expresso escreveu:
O presidente do Sporting admitiu hoje que tem havido "falta de respeito" pelo clube em arbitragens no Estádio de Alvalade, mas recusou-se a falar de premeditação dos juízes de futebol, preferindo classificar esses "erros sistemáticos" como "incompetência".
"Não posso falar em premeditação. Posso provar erros sistemáticos e isso é incompetência. A forma como somos tratados em Alvalade revela falta de respeito", disse Godinho Lopes, em conferência de imprensa, para apresentação do documento: "Arbitragem como charneira da atividade do futebol profissional -- Linhas gerais de uma programa de ação".
O responsável pelos "leões" considerou ainda que "o resultado do trabalho da equipa de arbitragem" no Sporting-Olhanense, da primeira jornada (1-1), "foi incompetente".

Em termos de violência, não se pode dizer que se tenha aproximado sequer do comunicado do Benfica 11 meses antes. No entanto, foi o suficiente para que João "pode ser" Ferreira , nomeado para arbitrar o Beira-Mar - Sporting no dia 21, alegando falta de condições psicológicas. Vítor Pereira nomeou então Paulo Baptista, que também recusou arbitrar o jogo. Depois disso, todos os árbitros se mostraram indisponíveis.

Foi necessário recorrer a um árbitro presente na bancada. Fernando Martins, árbitro de Aveiro dos escalões distritais, voluntariou-se e dirigiu a partida. Genericamente esteve bem, mas falhou ao não marcar um penálti existente a favor do Sporting.

O boicote acabaria dias depois. Pedro Proença foi o escolhido para arbitrar o Sporting - Marítimo, que acabou com a vitória dos insulares por 3-2. Mais uma vez foi uma arbitragem "infeliz": no princípio do jogo foi anulado um golo regular a Evaldo.

Meses mais tarde, quer João Ferreira quer Paulo Baptista foram castigados pela recusa em arbitrar o Beira-Mar - Sporting, sendo também penalizados na classificação. Como medida de solidariedade, todos os outros árbitros chumbaram um teste físico para que os dois não fossem prejudicados.

O historial do futebol português está cheio de casos de declarações contundentes e violentas que abrem a suspeição sobre a honra e isenção de árbitros. Nenhum dos grandes pode afirmar que nunca se envolveu em episódios deste tipo. Mas por algum motivo só as declarações do Sporting (que até podem ser consideradas como moderadas, comparando com outras coisas antes ditas ou escritas) levaram a uma atitude corporativa desta dimensão por parte dos árbitros.

Seria interessante saber por que motivo os árbitros nunca se sentem tão incomodados quando as acusações vêm de outras bandas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

M*rdas que só mesmo connosco, nº 3: A inexperiência de Schmeichel

Época 1999/2000, 8ª jornada, Sporting - Braga. O Sporting, com um início complicado de campeonato que já tinha causado a troca de liderança técnica de Materazzi por Inácio, era 4º classificado a 7 pontos do líder Benfica, a 3 pontos do Porto e a 2 do Guimarães.

Num lance de ataque do Braga, há um remate fraco que é amortecido com o peito / barriga por Schmeichel (uma das suas imagens de marca), que de seguida apanha a bola com as mãos. O árbitro entendeu (incorretamente) que Schmeichel já tinha dominado antes a bola com as mãos, e assinalou livre indireto contra o Sporting.

A partida foi dirigida por uma jovem promessa da arbitragem, que fazia a sua estreia em jogos dos grandes. Vejam lá se adivinham quem era:


Exatamente, Duarte Gomes. A espalhar o perfume da sua incompetência seletiva desde 1999.

Tentem lembrar-se quantas ocasiões destas aconteceram em alta competição (e já nem falo só dos "grandes" portugueses) nos últimos quinze anos. Quem se lembrar de mais 2 ou 3 casos destes passará a ser para mim considerado como uma enciclopédia viva do futebol.

Tendo isso em consideração, quais são as probabilidades de uma coisa destas acontecer num jogo em que está em campo um dos melhores guarda-redes da história do futebol? Grandes, se o árbitro da partida for Duarte Gomes e se uma das equipas em campo for o Sporting.

Resta dizer que Schmeichel defenderia o livre indireto, avançando destemidamente contra o remate de Barroso, e o Sporting venceria o jogo por 2-0. A desvantagem pontual acabaria por ser totalmente anulada à 26ª jornada, quando o Sporting recebeu e venceu o Porto por 2-0 e saltou para a liderança isolada do campeonato. Do resto da história certamente que todos se lembrarão.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

M*rdas que só mesmo connosco, nº 2: O atraso para Stojkovic

Época 2007/08, 2ª jornada, Porto - Sporting. No princípio da 2ª parte, com o resultado ainda em 0-0, Anderson Polga faz um corte em carrinho, atirando a bola na direção da área. Pressionado por Postiga, Stojkovic apanha a bola com as mãos.

Apesar de ser evidente que Polga não tinha feito um passe intencional para o seu guarda-redes, Pedro Proença decidiu assinalar livre indireto a favor do Porto. Na sequência desse lance, Raúl Meireles marcou o único golo da partida, que garantiu os 3 pontos para a equipa da casa.


Mas a história não ficou por aqui. Na jornada seguinte, o Sporting recebeu o Belenenses. A certa altura do jogo, um jogador do Belenenses atrasa a bola na direção da linha de fundo (não na direção do guarda-redes). Costinha, guarda-redes do Belenenses, consegue chegar a tempo de evitar o canto e agarra a bola. Carlos Xistra decidiu não assinalar livre indireto a favor do Sporting.

Esta sequência de casos aumentou os níveis da polémica e o Conselho de Arbitragem sentiu-se na necessidade de prestar um extraordinário esclarecimento em que consegue dar simultaneamente razão aos dois árbitros:

(as partes a negrito não são da minha responsabilidade)

O requinte deste comunicado do CA está no facto de dar um ênfase desmedido à interpretação do árbitro, dando assim carta branca aos juízes para decidirem coisas diferentes em lances semelhantes. No entanto, o texto original do International Board não se perde em considerações sobre a interpretação do árbitro - pelo contrário, refere insistentemente os termos "intencional" e "deliberado" precisamente para diminuir a subjetividade da decisão dos árbitros.


Duas situações semelhantes, neste texto do IB, devem ter uma única decisão e não, como sugere o CA, uma decisão em aberto em função da perceção do árbitro. Aliás, segundo esta linha de pensamento do CA, seria impossível um árbitro errar, pois tem tudo a ver com a interpretação do árbitro e não com o facto em si. Ridículo.

Voltando ao esclarecimento técnico do Conselho de Arbitragem da Liga, há uma contradição evidente: ao escreverem "Um defesa entra em tackle por detrás sobre um adversário que conduz a bola, conseguindo desarmar o adversário, indo a bola na direção do guarda-redes", estão de imediato a excluir que haja intencionalidade, pois um corte de carrinho (conforme o descrito e conforme o que fez Polga) pressupõe uma intervenção de recurso e em esforço, já que em momento algum o defesa tem a bola controlada.

O facto é que o tempo veio dar razão ao Sporting. Apesar de a regra continuar a ser a mesma, hoje nenhum árbitro assinalaria o livre indireto que Proença marcou no Dragão. Aliás, a decisão de Pedro Proença nem sequer fez escola durante muito tempo, pois no ano seguinte, num Guimarães - Benfica, aconteceu um lance exatamente igual ao de Polga e nada foi assinalado:


Isto resume bem a relação entre o Sporting e a arbitragem. Para além do prejuízo evidente no resultado da partida, o CA sentiu-se na necessidade de deturpar o que dizem as regras para justificar uma decisão errada. Se a realidade não se encaixa na narrativa, molde-se antes a realidade.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

M*rdas que só mesmo connosco, nº 1: A bota de Montero


Este vídeo refere-se a um jogo do campeonato irlandês realizado este fim-de-semana, em que o Linfield, de azul, conseguiu uma vitória de 4-0 o Dungannon. O insólito está no facto de o jogador que fez a assistência para golo o ter feito... descalço, já que perdeu ambas as botas uns momentos antes. O golo, diga-se, não foi anulado.

E o que é que isto tem a ver com as coisas que só acontecem ao Sporting, perguntam vocês? Pois bem, à 7ª jornada o Sporting visitou o Penafiel e aconteceu isto:


Montero, em corrida com a bola, é perseguido por um adversário junto à linha, é agarrado e pisado por trás. Como resultado da pisadela, o colombiano perde a bota e tenta jogar a bola de imediato para um colega, perante a pressão de outro adversário que se aproxima de outra direção. O árbitro interrompe a partida, mostra amarelo a Montero e marca livre indireto contra o Sporting.

Toda uma sequência de decisões extremamente curiosa.

Em primeiro lugar, assume-se que o árbitro assinalou a falta por jogo perigoso passivo de Montero - o que parece ser aceitável. No entanto, as próprias leis do jogo são um pouco dúbias, pois há a seguinte referência:


Montero jogou a bola imediatamente - não tentou agarrar-se a ela e fintar meio mundo com a meia à mostra. Pronto, tudo bem, até se pode admitir que os lances de falta têm precedência, mas já que falamos em precedências, por que razão o árbitro não assinalou falta sobre Montero em primeiro lugar? Ou por algum milagre aquela bota ganhou vida e saltou do pé por iniciativa própria?

Olhando pela perspetiva do árbitro, poderíamos dizer que preferiu dar a lei da vantagem. Mas por que motivo deu a lei da vantagem se o jogador depois não pode jogar a bola?

Para não falar no cartão amarelo: vemos constantemente pés levantados ao nível da cara que ficam a poucos centímetros de furar um olho, e raramente se vê um árbitro a mostrar um cartão por jogo perigoso. Por que motivo terá visto Montero um cartão neste caso?

Não foi um lance minimamente importante para o jogo. A "infração" foi a meio-campo e o resultado estava mais que definido. Mas desafio-os a encontrarem um caso semelhante a este a envolver outra equipa. Aproveitem agora: a dificuldade dos próximos posts vai ser superior.

M*rdas que só mesmo connosco, nº 0

Na sequência da pouca vergonha que foram as arbitragens deste fim-de-semana, não tardaram a aparecer as reações do costume que procuram desvalorizar o sucedido. Os argumentos utilizados são já bem conhecidos:
  • O árbitro faz parte do jogo e o erro é algo natural que pouca influência tem no desfecho das partidas
  • No final dos campeonatos a contabilização de erros acaba sempre por se equilibrar entre benefícios e prejuízos
  • Os grandes (Sporting, Benfica e Porto) são sempre os mais beneficiados, nomeadamente em relação aos clubes mais pequenos, pelo que é uma hipocrisia queixarem-se quando são beneficiados
  • As reclamações que os adeptos, jogadores, treinadores e dirigentes dos clubes fazem é apenas uma forma de encapotar a falta de competência que os queixosos apresentam dentro das quatro linhas

O engraçado é que quem costuma usar esta argumentação são os mesmos que dizem que é idiota fazer-se a contabilização dos erros. Esses puristas do futebol (que se recusam a acreditar que existem interesses fora das quatro linhas que de alguma forma tentam influenciar o desfecho de jogos e competições) acabam por não se aperceberem do paradoxo em que se metem: dizem que as contas no final ficam equilibradas, mas por outro lado recusam-se a fazer uma contabilização séria dos erros cometidos. 

Ao mesmo tempo, essas mesmas pessoas preferem assobiar para o lado enquanto assistem às persistentes lutas de poder que sempre existiram (e continuam a existir) para ocupar os cargos mais influentes na Federação e na Liga (com o Conselho de Arbitragem à cabeça de todos, mesmo à frente do cargo de presidente da FPF). Certamente acreditam que essa luta de poder é disputada apenas por figuras impolutas cujas únicas motivações são puramente benignas, em que o bem do futebol português é colocado acima de qualquer interesse clubista ou associativo.

Também é interessante assistir ao crescimento galopante do número de benfiquistas que alinham com este discurso. É o que se chama falar de barriga cheia - e não me estou a referir a títulos.

Sou obviamente suspeito, mas tenho dúvidas que exista alguma equipa em Portugal (grande ou pequena) que tenha um historial de prejuízos de erros de arbitragem tão profundo e diversificado como o Sporting.

Para o provar, vou fazer esta série de posts, intitulada M*rdas que só mesmo connosco, que vão demonstrar a inacreditável quantidade de decisões insólitas que têm acontecido em jogos do Sporting nos últimos anos. Algumas muito graves, com influência no resultado ou mesmo em competições, outras que só dão para dar uma gargalhada perante um jogo que já tem um resultado decidido - mas todas elas com uma coisa em comum: o evidente desrespeito que o setor da arbitragem tem para com o Sporting

Não vou sequer entrar nos típicos de lance de penáltis por assinalar ou foras-de-jogo mal tirados (a não ser em casos muito especiais) - isso seria fácil demais, e não tenciono que esta série de posts chegue à casa das centenas de capítulos. Quero que seja curta, mas original.

Por isso, caros leitores de outros clubes, amigos puristas para quem não existem arbitragens mal intencionadas, prezados jornalistas que eventualmente venham a ouvir falar desta iniciativa, aqui fica o desafio: no final indiquem-me que equipa, grande ou pequena, sofreu na pele tantos e tão diversificados tipo de decisões absurdas como os que aconteceram ao Sporting e que vou apresentar daqui em diante. Uma. Só uma. Não peço mais.

Aos sportinguistas fica outro desafio: se se lembrarem de situações insólitas ocorridas com o Sporting, indiquem-nas na caixa de comentários - se possível com a informação do jogo em que sucedeu, para facilitar a pesquisa. Se vier acompanhado de um link para um vídeo, perfeito!

Já tenho um bom punhado de situações identificadas com a ajuda inestimável do @baavin (que apanhou o caso que me levou a pensar nesta série de posts), @captomente, @zecarlos_sa, @vmatos76, @dioogo91, @sportingloewe, @TiagoMartinsPT e @skhimji1 (se por acaso me esqueci de alguém peço desculpa).

O primeiro número da série vai ser um dos casos mais ligeirinhos - seria incorreto da minha parte começar com um de nível de dificuldade elevada. Será publicado no final desta manhã.