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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Discursos sonolentos

Uma pessoa tenta não embarcar em teorias da conspiração sobre o paradeiro do Vieira e o seu conveniente estado de enfermidade (problemas de sono, segundo o que saiu na imprensa) face aos atuais problemas judiciais em que está envolvido, mas quando se vê que o próprio Seara disse em junho "não vou gostar de discursos sonolentos" com um ar... conspirativo, a situação muda um bocado de figura.

(vídeo via Baluarte Dragão)


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Foi você que falou em negócios ruinosos para a banca?

Nem de propósito, José Gomes Ferreira esteve ontem na SIC Notícias a falar sobre a lista dos maiores devedores à banca. Antes de continuarem a rasgar as vestes sobre o recente anúncio de Bruno de Carvalho sobre a recompra das VMOCs e a clamar pelos (legítimos) direitos dos lesados do BES, vale a pena ouvir o que foi aqui dito, para podermos contextualizar a dimensão do acordo que o Sporting alcançou (convém relembrar que o valor dilui-se por dois bancos distintos) quando comparado com os montantes que outros - e, em particular, um certo presidente de um clube português - têm em dívida (neste caso só com o antigo BES).



terça-feira, 17 de abril de 2018

"Queremos bons e fortes rivais"

No passado sábado, em visita a Alcácer do Sal, o estadista que lidera os nossos vizinhos da segunda circular fez mais um discurso banhado de descaramento e hipocrisia. No seu estilo habitual, Vieira referiu que quer rivais "bons e fortes", que valorizem as vitórias do Benfica:


A oportunidade destas palavras é uma pequena maravilha, considerando que estamos a falar do presidente que inventou os acordos de cavalheiros que afastam jogadores dos adversários das partidas com o seu clube, como todos nos lembramos das exclusões sucessivas de Miguel Rosa e Deyverson. Uma violação descarada dos regulamentos que continua a ser prática corrente nos jogos do Benfica, olhando para aquilo que tem acontecido nas últimas partidas do campeonato.

Comecemos pelo que se passou na 28ª jornada:


Hurtado

O Benfica recebeu o V. Guimarães em jogo a contar para a 28ª jornada. Os visitantes não utilizaram um dos seus habituais titulares: Paulo Hurtado. O motivo da ausência do peruano foi a suspensão de um jogo que lhe foi aplicada por ter visto o 5º amarelo na partida anterior, ao tirar a camisola ao festejar um golo.


Sendo uma exclusão completamente desnecessária, não deixa de ser uma situação que vai acontecendo nos relvados portugueses com alguma frequência. Podemos lembrar-nos, por exemplo, de uma atitude idêntica de Gelson Martins, que ficou de fora do jogo com o Porto quando retirou a camisola após marcar o golo da vitória contra o Moreirense. 

O que não é tão normal é que Hurtado tenha conseguido, desta forma, ver-se excluído de um jogo com o Benfica... pela segunda vez nesta época. É que já na primeira volta também ficou de fora contra o Benfica porque iria ter um jogo da seleção... seis dias depois.


O V. Guimarães recebeu o Benfica no dia 5 de novembro. Hurtado tinha um jogo no Perú contra a Nova Zelândia no dia 11. Sendo uma partida importante para o apuramento para o mundial, não era propriamente um intervalo de tempo proibitivo que o impedisse de estar presente nas duas partidas. Já vi jogadores a ficarem de fora por chegarem aos clubes em cima da hora após compromissos internacionais disputados dois ou três dias antes. Jogadores a ficarem de fora de um compromisso importante dos seus clubes porque daí a seis dias vão ter um compromisso internacional... já não me parece uma coisa normal.


Amaral

Considerado por muitos o mais importante jogador do V. Setúbal, João Amaral também ficou de fora da receção ao Benfica, referente à 29ª jornada. Neste caso não houve qualquer explicação oficial por parte dos vitorianos, mas as notícias que foram veiculadas revelam um esquema bastante rebuscado.


Sendo uma notícia CM, vale o que vale, mas é factual que João Amaral foi utilizado na 28ª jornada e na 30ª jornada. Na realidade, o jogo com o Benfica foi a primeira e única partida da época em que o jogador não foi utilizado.

A ser verdade que o jogador tem um vínculo com o Benfica, este ainda não pode estar em vigor. O jogador não é emprestado pelo clube encarnado, e, como tal, o Benfica não podia forçar a sua ausência.

O que é facto é que, mais uma vez, o Benfica defrontou uma equipa estranhamente desfalcada.


Victor Andrade

O jogador Victor Andrade já foi atleta do Benfica, que continuam em posse de uma parte dos seus direitos económicos. Estranhamente ou talvez não, Victor Andrade estará de fora na 31ª jornada na receção do Estoril ao Benfica por ter sido expulso quando estava no banco de suplentes. O brasileiro foi titular em Portimão, tendo sido substituído aos 59 minutos. Um quarto de hora depois, foi expulso por protestos.



Não é novidade: na 1ª volta, Victor Andrade foi ininterruptamente titular no Estoril entre a 10ª e 17ª jornada... com exceção da 14ª jornada, quando o Estoril se deslocou à Luz. Nesse jogo, o brasileiro nem sequer foi convocado. Mais uma coincidência daquelas.

Certamente que terão existido outros exemplos idênticos ao longo da época, pois acordos de cavalheiros há muitos. Já nem entro pela legião de jogadores que a estrutura de Vieira contrata para emprestar, sabendo que poderão defrontar os seus rivais diretos mas não o próprio Benfica, nem sequer nos Tondelas da vida que jogam de pé na chapa contra Sporting e Porto mas se comportam que nem carneiros mansos quando jogam contra o Benfica.

É assim a Liga Portuguesa. Não bastam as influências na arbitragem e na disciplina, promiscuidade a rodos com clubes amigos, há também estes expedientes para enfraquecer os adversários. Isto é que é jogar forte em todos os tabuleiros.

E diz Vieira que gosta de adversários fortes. Deixa-me rir...

quarta-feira, 14 de março de 2018

A inigualável capacidade transformadora do futebol português

Convidada esta terça-feira por um deputado do PSD a comentar as recentes declarações de Luís Filipe Vieira que prometiam "agir criminalmente" contra jornalistas que coloquem "em causa o nome do Benfica", a presidente do Sindicato dos Jornalistas, Sofia Branco, respondeu que as mesmas não merecem particulares motivos de preocupação.

Em audiência na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, que teve lugar na Assembleia da República, em Lisboa, a propósito das recentes declarações de Bruno de Carvalho contra os jornalistas, a líder sindical estabeleceu uma distinção clara entre o conteúdo das frases de Luís Filipe Vieira e as do presidente leonino.

"As declarações [de Bruno de Carvalho] tiveram logo consequências", começou por responder Sofia Branco, aludindo às tentativas de agressão a jornalistas que se seguiram, no exterior do Pavilhão João Rocha. "O conteúdo foi também diferente. [Luís Filipe Vieira] Disse que vai recorrer à justiça e tem toda a liberdade para o fazer. Não disse para se deixar de comprar jornais", explicou ainda a sindicalista, acrescentando que o sindicato apenas se irá pronunciar em situações extremas e não a cada intervenção dos clubes.



Ora, vamos lá fazer um ponto de situação.

Bruno de Carvalho apela aos sócios do clube que dirige a não consumirem determinado tipo de jornalismo - numa decisão que, em última análise, cabe sempre a cada indivíduo de forma completamente livre, e que de forma alguma condiciona o trabalho dos jornalistas.

O Sindicato dos Jornalistas reage da seguinte forma: 

"tentativa de limitar a liberdade de imprensa"

"declarações antidemocráticas"

"Bruno de Carvalho revela não conviver bem com a comunicação social e, consequentemente, com a liberdade de imprensa"

"é fundamental que as direcções dos órgãos de comunicação social adoptem uma resposta firme e colectiva"

Menos de um mês depois, Luís Filipe Vieira ameaça os jornalistas que publiquem notícias que prejudiquem a marca do Benfica - sejam factuais ou não - com processos judiciais imediatos.


A presidente do Sindicato dos Jornalistas reage da seguinte forma:

"Disse que vai recorrer à justiça e tem toda a liberdade para o fazer. Não disse para se deixar de comprar jornais."

Isto entra facilmente para o top das declarações mais absurdas que já se ouviram de um representante de uma classe profissional. Não há problema se os jornalistas forem entupidos com processos judiciais por um clube com imensos recursos jurídicos. Grave, grave, é se alguém disser algo que coloque em causa o dinheiro que entra nos bolsos dos seus patrões.

A cada dia que passa vou ficando mais surpreendido pela capacidade transformadora do futebol português: já se sabia que tem o condão de converter aldrabões em estadistas, mas pelos vistos também tem a capacidade de converter sindicalistas em paladinos do liberalismo económico. Suponho que se o Gandhi fosse vivo e fundasse um clube por cá, seria uma questão de pouco tempo até o transformar numa cópia do Canelas...

segunda-feira, 12 de março de 2018

Vieira contra-ataca

No último sábado, após o final do Benfica - Aves, Luís Filipe Vieira dirigiu-se à sala de imprensa do Estádio da Luz para fazer as suas primeiras declarações sobre os casos judiciais que envolvem o seu clube. Uma declaração que, por um lado, pecava por tardia, mas que, por outro, seria sempre completamente inútil, pois sabia-se à partida que de nada serviria para alterar a perceção dos adeptos que acompanham toda esta situação. A partir do momento em que Vieira e a administração do Benfica afirmaram manter a confiança total em Paulo Gonçalves, quaisquer palavras que pudessem proferir sobre o assunto seriam escusadas.

A decisão da SAD em solidarizar-se com o seu assessor jurídico não foi minimamente surpreendente. As mesmas notícias que, a serem verdadeiras, não deixam qualquer margem de dúvida de que Paulo Gonçalves terá mesmo feito aquilo de que é suspeito - cópias de documentos em segredo de justiça encontrados nas buscas, fotografias que o colocam junto à toupeira numa zona VIP do Estádio da Luz, escutas que confirmam que o mesmo Paulo Gonçalves terá levado a toupeira até Vieira -, também levam a crer que, na melhor das hipóteses, é improvável que Vieira não tivesse conhecimento da natureza das ações de Paulo Gonçalves. Na pior das hipóteses, Vieira poderia não só ter conhecimento da natureza de tais atividades, como também as poderia ter instigado e as conheceria pormenorizadamente. 

Como tal, Vieira não disse nada de novo ou surpreendente no sábado - nem poderia ter dito. Só com muita boa vontade se pode catalogar as suas palavras como esclarecimentos. Nada foi esclarecido, porque não apresentou nenhum dado novo e, estando a falar em causa própria, bizarro seria se admitisse alguma conduta imprópria ou ilegal. Quem quer acreditar na sua inocência e na inocência de Paulo Gonçalves e da SAD, verá nestas palavras a resposta que se impunha. Quem não quer acreditar na sua inocência e na inocência de Paulo Gonçalves e da SAD, não ouviu nada que possa contrariar as suas suspeitas.

Pessoalmente, como acho que os indícios tornados públicos são demasiado concludentes, vi nestas palavras de Vieira uma mera manobra populista e demagógica. Andar a carpir mágoas por causa do estado do segredo de justiça e estar a exigir justiça sem clubite, quando um seu funcionário é suspeito de violar o segredo de justiça e quando é sabido que o seu clube tem por hábito fazer operações de charme à justiça através de uma série de cortesias que se aproveitam precisamente da clubite - como poderão observar nos documentos seguintes -, é um exercício de completa hipocrisia.

Documento Word publicado no blogue Mercado de Benfica, com uma lista de nomes e moradas de juízes (LINK)

Documento carta.juizes, publicado no blogue Mercado de Benfica,
com a minuta da carta enviada aos juízes com o convite para assistirem ao jogo
Benfica - Basileia no camarote presidencial do Estádio da Luz

Documento publicado no blogue Mercado de Benfica, com a lista dos 25 juízes para quem foram enviados convites; 23 aceitaram

Documento publicado no blogue Mercado de Benfica, com a lista dos juízes convidados para o Benfica - Sporting disputado em novembro de 2011

Vieira apelou também à união dos benfiquistas contra os inimigos externos - resta saber se considera a justiça como inimiga -, mandando mais uma série de sound bites à volta da obra feita, como o património construído, os títulos conquistados, o facto de ser o único clube que tem futuro (yeah, right...), e que nunca deixou de pagar aos seus profissionais (Talisca - LINK - e Bernardo Silva - LINK - riram-se).

Vieira defendeu-se ao seu estilo, e passou depois para o ataque, prometendo agir criminalmente contra todos aqueles que mancharem a marca do Benfica, sejam eles administradores (?), jornalistas ou marcas. Curioso que um arguido do processo Lex por corrupção a um juiz esteja tão preocupado com os danos provocados à marca por terceiros, quando ele próprio é, neste momento, o maior fator de ameaça à marca que diz querer defender.

Também aqui será curioso ver como reagirá a classe dos jornalistas e a ERC. Se Bruno de Carvalho foi alvo de críticas públicas imediatas por ter apelado a que não se consumisse determinado jornalismo - sem nunca apelar a algum tipo de condicionamento do trabalho da comunicação social -, o que farão agora que um outro presidente que está a ameaçar jornalistas com ações judiciais se fizerem aquele que é precisamente o seu trabalho?

sexta-feira, 9 de março de 2018

Escutas implicam Vieira

O Correio da Manhã revela que existem escutas que provam que Luís Filipe Vieira conheceu pessoalmente a toupeira José Silva. Segundo o jornal, José Silva foi fotografado pela PJ na companhia de Paulo Gonçalves na zona VIP do Estádio da Luz, e, nesse mesmo dia, terá sido levado pelo assessor jurídico do Benfica até Vieira. Esse encontro não terá sido fotografado, mas escutas ao telemóvel de José Silva comprovam que esse encontro terá mesmo acontecido. 

Se dúvidas existissem, esta revelação torna ainda mais evidente que o presidente do Benfica tinha conhecimento das ações praticadas por Paulo Gonçalves e pelo técnico de informática em benefício do clube. Ou seja, Vieira não sabe apenas das coisas pelos jornais...

Aqui fica o resumo feito pela CMTV...


... e a notícia completa do CM.

(clicar na imagem para ampliar)

De referir também que, apesar de o Benfica ter negado que o sobrinho de José Silva alguma vez tenha trabalhado no Museu Cosme Damião, a Polícia Judiciária encontrou o seu CV no escritório de Paulo Gonçalves, o que indicia que, pelo menos, terá mesmo havido oferta de emprego. Como se sabe, não é necessário haver uma oferta consumada para que seja considerado corrupção - basta a simples promessa de oferta.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Generalizando o que não é generalizável


Este lapso do jornalista da RTP aconteceu em direto na edição de ontem do Telejornal, e tem a sua piada. É um engano que pode acontecer a qualquer pessoa, e que é também perfeitamente inócuo: toda a gente sabe que Vieira é presidente do Benfica, e não do Sporting. No entanto, o mesmo não se pode dizer de outras peças em que tem havido pouco rigor na forma como se refere o envolvimento dos clubes na Operação Lex. Por exemplo, na manhã de ontem, a RTP fez uma peça em que é referido o seguinte:



Referir que Rui Rangel é acusado de ter recebido vantagens patrimoniais para influenciar diversos processos, e depois listar, sem qualquer explicação adicional, os nomes de Luís Filipe Vieira, do Sporting e de José Veiga, pode levar telespectadores ao engano. Enquanto Vieira e Veiga são acusados de terem recorrido a Rui Rangel para influenciar processos, o Sporting é vítima: José Viega pediu a Rangel para influenciar o processo que opunha o Sporting a Pedro Sousa, de forma a que houvesse uma decisão contra o clube.

Também ontem, a SIC prestou um mau serviço informativo, ao trazer à baila os processos em que o presidente do Benfica e também os presidentes de Porto e Sporting estão ou estiveram envolvidos:



É um pouco discutível estar-se a recuperar os processos de outros presidentes quando, atualmente, nenhum outro é arguido em qualquer caso. Mas, no caso de Bruno de Carvalho, o termo "suspeito" é bastante infeliz, pois parece-me demasiado forte para descrever investigações que surgem como consequência de denúncias de gente com pouca ou nenhuma credibilidade.

Numa altura em que há que há muita gente a tentar generalizar o que não é generalizável, nomeadamente com a narrativa de que "isto toca a todos", seria bom que se procurasse informar com o maior rigor possível. Está mais que comprovado que não são todos iguais.


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A star in the making

Depois dessa grande frase que ficará gravada para a posteridade na nossa memória - quem não é arguido não é bom chefe de família -, o advogado (de Vieira? do Benfica?) João Correia proporcionou-nos, esta tarde, mais um grande momento. Quando confrontado pelos jornalistas se mantinha a sua versão de que Luís Filipe Vieira não é arguido agora que a Procuradoria Geral da República já o confirmou, João Correia respondeu assim:






Em dois dias, duas grandes pérolas. Tudo indica que estaremos perante uma grande promessa do anedotário nacional.


Escutas revelam promessas de Vieira a Rangel

Notícia do CM. As partes a negrito são da minha responsabilidade: 



CINCO DETIDOS E JUÍZES E PRESIDENTE DO BENFICA CONSTITUÍDOS ARGUIDOS 

Luís Filipe Vieira é arguido, suspeito de tráfico de influências, apesar dos desmentidos do Benfica. E em causa está, para já, uma cunha que o líder dos encarnados meteu ao juiz Rui Rangel para que este intercedesse junto de outros magistrados, a favor do filho Tiago, que tinha uma decisão pendente no Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra. Queria resolver uma dívida fiscal de 1,5 milhões de euros. E, à troca, Vieira prometia a Rangel cargos remunerados no universo encarnado: presidir à Fundação Benfica e ser responsável da universidade a criar pelo clube no Seixal. 

Tudo isto foi revelado à investigação por escutas telefónicas. Os dois, que foram concorrentes na luta à presidência do Benfica mas que depois se aproximaram, têm um amigo em comum – que ontem foi preso: o advogado Jorge Barroso, que trata de questões dos negócios de Vieira ligadas ao imobiliário. 

A par de Barroso foram detidos o advogado Santos Martins e o filho – testas de ferro de Rangel para que o juiz possa receber subornos por decisões judiciais que toma; uma ex-mulher de Rangel e um oficial de justiça, Octávio Correia, que viciava os sorteios no Tribunal da Relação para atribuir determinados processos a Rangel. 

A PJ fez buscas às casas de Vieira e Rangel – vizinhos num condomínio no Dafundo, Algés – e da ex-mulher do juiz Fátima Galante também desembargadora e suspeita de favorecer arguidos e de fazer os acórdãos do ex-marido (ver caixa) . Galante e Rangel não podem ser presos – pelo estatuto dos juízes. E, suspeitos de corrupção, branqueamento ou fraude fiscal, continuam em funções.



Para já, deixo apenas umas notas curtas sobre isto:
Fica mais claro agora o interesse estratégico que Vieira sempre apontou ao centro de estágios do Seixal. A obsessão em delinear planos de expansão que ultrapassam completamente o plano desportivo e derivam para coisas perfeitamente acessórias - como polos universitários, liceus ou aumentos sucessivos de capacidade hoteleira - fica melhor explicada: mais tachos para distribuir - no caso de Rangel, falamos num cargo de topo, mas quantas outras posições - de altos e médios quadros - ficariam à disposição para serem oferecidos a outros rangéis, meninos queridos e respetivas famílias? E ainda há a questão do dinheiro que se poderá eventualmente pagar a construtoras, que, via empreitadas e subempreitas, pode sempre chegar a gente ligada ao futebol - ver, por exemplo, o caso da Britalar.

Sendo verdade a existência de escutas que comprovam esta oferta de Vieira e Rangel, fica perfeitamente claro, em conjugação com a forma como os interesses estratégicos são estabelecidos, que os recursos do clube/SAD estão a ser direcionados e utilizados em atos criminosos para proveito exclusivo do presidente.

Perante isto, fico curioso para perceber como reagirão os sócios benfiquistas. Primeiro, se haverá alguma tentativa para afastar Vieira da presidência. Segundo, existindo essa tentativa, até que ponto a blindagem de estatutos e toda a estrutura montada por Vieira conseguirá resistir à vontade dos sócios.

Já se tinha percebido de que os dirigentes benfiquistas se julgam acima da lei. A promiscuidade com o poder político, económico (e mesmo judicial, como se comprova agora com Rangel) passou, efetivamente essa imagem - não só aos próprios, mas também a todas as pessoas que os rodeiam. Não deve ser possível medir a quantidade de favores (incluindo desportivos) que terão conseguido atrair só através dessa aura de invulnerabilidade, fora os incentivos que poderão ter sido oferecidos. Até que ponto é que o processo que rebentou ontem será um golpe profundo no escudo que existia em torno do presidente do Benfica e de toda a organização? Provavelmente, terá um impacto grande. Fico curioso, por exemplo, por saber quando voltará a haver um almoço de Vieira com os deputados benfiquistas...

Reações à constituição de Vieira como arguido

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.





















terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Vieira arguido

A TVI24 e a CMTV noticiaram que Luís Filipe Vieira foi constituído arguido no âmbito das investigações feitas a Rui Rangel. João Correia, o advogado de Vieira, diz que o presidente do Benfica ainda não é arguido, restando saber se é apenas alguma tecnicalidade em falta, ou se a notícia, afinal, não tem razão de ser.

Aqui fica a notícia.


Para a posteridade, pelo menos, ficará esta frase de João Correia, que promete decorar muitos pratos de porcelana pendurados nas paredes dos lares dos benfiquistas.



quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O estádio mais seguro do mundo

Chefe Afonso, da esquadra de Benfica. Chefe Cruz. Carlos Elias, da PJ. Chefe Simões, do DIAP. Agente Barreira, da PSP de Alcântara. Correia, também da PSP de Alcântara. Chefe Luís, do DIAP. E ainda João Polícia, do aeroporto, ficando a dúvida se não será apenas João, da polícia do aeroporto. Perante tal conjunto de agentes da lei, poderíamos muito bem estar perante alguma task force formada no âmbito da segurança pública, mas, na realidade, não é nada disso que se trata: são apenas os convidados de Luís Filipe Vieira para o Benfica - Sporting e/ou Benfica - Galatasaray de outubro de 2015.


Repare-se no título do quadro: está escrito, explicitamente, que são convidados do presidente.

Os convites não são para o camarote presidencial, normalmente reservado a figuras de maior relevo, mas de qualquer forma, havendo o dedo do presidente, acaba por ser um prémio de consolação bastante interessante. Como será que o protocolo do clube caracteriza este tipo de convites? Segundo um dos documentos ontem divulgados, um convite para o camarote presidencial significa o seguinte:

Guidelines do Protocolo (formerly known as Relações Públicas), via @Jangmeister

É bonito ver que, depois de incluir vários inspetores e juízes na sua Comissão de Honra para as eleições de 2012, o presidente benfiquista continua a demonstrar apreço por quem assegura a lei e ordem em Portugal: no total, foram 28 bilhetes oferecidos a agentes da autoridade, certamente escolhidos aleatoriamente de entre milhares de profissionais, como forma de agradecimento desinteressado de Luís Filipe Vieira pelo trabalho diário que fazem em prol da segurança dos cidadãos.

Felizmente que o Benfica é um clube que nunca aparece envolvido em casos de polícia, caso contrário talvez houvesse motivos para ficarmos preocupados perante este nível de proximidade. 

De qualquer forma, entre os agentes destacados para garantir a segurança do jogo, entre os stewards e os spotters, e entre os múltiplos convidados presidenciais na bancada, dificilmente terá alguma vez existido estádio mais seguro do que a Luz nesse final de tarde de outubro de 2015...

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Dissecando a entrevista de Vieira, parte 4: Nuno Gaioso na linha de sucessão?

Os posts anteriores sobre a entrevista de Vieira limitam-se a apontar algumas mentiras e incoerências do presidente do Benfica, que têm o condão de passar sempre ao lado das análises da nossa atenta comunicação social, mas nada disso é particularmente relevante ou novo - tal como não é particularmente novo ou relevante o manancial de potenciais pérolas que poderão vir a ser relembradas num futuro mais ou menos próximo.

Uma das questões realmente interessantes que a entrevista abordou é a da sucessão de Vieira.

Acredito que Vieira, caso não tenha nenhum problema grave de saúde, não terá qualquer intenção de abandonar o cargo a curto ou médio prazo. Com as delicadas questões de índole particular das dívidas à banca e com o lastro de problemas (passados ou potencialmente futuros) com a lei, deixar de ser presidente do Benfica seria abdicar de um dos melhores escudos que este país tem para oferecer. Vale e Azevedo que o diga.

No entanto, Vieira nunca teve grandes problemas em falar da sua sucessão, e percebe-se porquê: é uma forma relativamente eficaz de não parecer demasiado agarrado ao lugar.

O episódio mais memorável nesta matéria aconteceu há cerca de 10 anos, quando Vieira anunciou, com toda a pompa e circunstância, que iria preparar Rui Costa para ser o seu sucessor:



Não foi preciso esperar muito para perceber que este anúncio de intenções não passava de uma forma de se aproveitar da popularidade do ainda então jogador - convém lembrar que Vieira, na altura, estava longe de ter a mesma segurança no cargo que tem atualmente. Rui Costa nunca teve perfil para ser um presidente à imagem de Vieira.

Na entrevista da semana passada, o presidente do Benfica voltou a abordar o tema:


As palavras finais de Vieira no vídeo acima são curiosas. Basicamente está a dizer que quem se quiser candidatar ao Benfica terá de pensar duas vezes porque os profissionais que ele colocou são insubstituíveis. Ou os meus, ou o caos. O desejo de dar continuidade à dinastia vieirista é clara, o que até é compreensível: nunca se sabe os problemas que poderiam aparecer caso uma pessoa não alinhada lhe sucedesse na direção do clube.

No período que antecedeu as últimas eleições, a imprensa avançava com dois candidatos a nº 2 de Vieira: José Eduardo Moniz e Nuno Gaioso. Acredito que a pessoa que Vieira tem em mente seja o último, porque a ligação com Moniz sempre pareceu uma espécie de casamento de conveniência.

Vieira e Gaioso na assinatura do protocolo com o Millonarios
Já a ligação a Nuno Gaioso, que é bastante mais jovem que Moniz, parece apresentar um potencial bem superior.  Para além de aparecer cada vez mais junto ao presidente e de estar a ganhar protagonismo nas AG's, é uma pessoa que vem do mundo da política e tem ainda um bónus nada negligenciável: é sócio do filho de Vieira na empresa Capital Criativo. Melhor que isto, do ponto de vista do atual presidente, é impossível.

Hoje, com os estatutos totalmente armadilhados, só um cataclismo impedirá que Vieira continue a ser eleito caso se apresente a votos - independentemente da oposição que lhe faça frente. E mesmo no caso de não se recandidatar, isto também se aplicará ao candidato que tiver a sua benção. É, por isso, bastante provável que Nuno Gaioso seja o próximo presidente do Benfica. Mais do que o desejo dos sócios, será o desejo de Vieira a determiná-lo. A principal dúvida que fica é quando é que isso acontecerá.

Dissecando a entrevista de Vieira, parte 3: Os consultores de arbitragem




segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Dissecando a entrevista de Vieira, parte 2: "Devo ser a única pessoa que foi campeão e não deu nenhuma entrevista"


Vindo de um homem que é especialista em esconder-se nos momentos maus e em aparecer quando as coisas correm bem, esta afirmação só pode ser encarada com uma enorme gargalhada.

Segundo Vieira, o facto de não ter dado nenhuma entrevista é uma forma de demonstrar que a conquista da época passada foi devido ao coletivo. Más línguas poderiam dizer que não as deu para evitar perguntas incómodas sobre as revelações dos emails, que na altura andavam a sair em suaves prestações semanais - e nunca se sabe se não poderia ser desmentido logo na terça-feira seguinte. 

De qualquer forma, Vieira parece ter memória curta, porque há apenas dois anos foi protagonista de uma das mais escandalosas peças propagandistas que Portugal já teve ocasião de assistir nas últimas décadas: a mega-reportagem da SIC, dividida em três episódios, na sequência do título de 2014/15, que teve como grande protagonista... o presidente do Benfica.


As declarações de Vieira são de uma falsa humildade e só podem enganar os Serpas e os Delgados da vida, ou seja, aqueles que fazem questão de viverem enganados. E utilizando o argumento de Vieira, então em 2014/15 não terá havido mérito do coletivo... o que é uma tremenda injustiça para pessoas como Paulo Gonçalves, Nuno Cabral e Adão Mendes.

Dissecando a entrevista de Vieira, parte 1: "O Benfica nunca fez nenhuma antecipação de receitas"


A afirmação do presidente do Benfica em como o Benfica nunca fez antecipação de receitas é tão falsa como demagógica.

É falsa porque está provado que o Benfica, há não muito tempo, antecipou receitas. Refiro-me aos valores da transferência de Bernardo Silva para o Mónaco: o Benfica recorreu à sociedade financeira XXIII Capital para receber antecipadamente os valores que o Monaco tinha ficado de pagar em várias tranches.

O documento que prova que o Benfica antecipou o recebimento desses valores foi divulgado pelo Football Leaks em janeiro de 2016.




Na altura, o Benfica reagiu em comunicado dizendo que a antecipação de receitas de transferências de jogadores era "uma vulgar operação financeira à semelhança de outras já feitas por esta e muitas outras sociedades desportivas". Ou seja, o Benfica reconheceu, em comunicado, que já tinha feito outras antecipações de receitas de transferências de jogadores, desmentindo, portanto, aquilo que o presidente do Benfica disse a todos os sócios e adeptos na entrevista da semana passada.

Para piorar, Vieira também mentiu ao dizer que qualquer antecipação de receita que houvesse seria para o pagamento de dívida. A antecipação de receita que o documento revelado pelo Football Leaks refere-se a tranches referentes ao período compreendido entre julho de 2015 e julho de 2016. Nesse período, a dívida abatida pelo Benfica foi marginal, muito inferior ao valor oficial da transferência de Bernardo Silva para o Monaco. Isto significa que o valor antecipado não foi destinado ao abatimento de dívida.

É fácil percebe a razão que levou o presidente do Benfica a fazer esta afirmação: distinguir-se positivamente em relação aos rivais. Segundo o último R&C, o Benfica não tem qualquer dívida referente a factoring (o que quer dizer pouco, porque os vários R&C's trimestrais de 2014/15 omitiram a antecipação de receitas da transferência de Bernardo Silva), em oposição a Sporting e Porto, que reportaram nas suas contas a existência de receitas antecipadas.

A afirmação de Vieira na entrevista é, portanto, falsa. Mas mesmo que fosse verdadeira, não passaria de demagogia barata destinada a enganar os benfiquistas. A antecipação de receitas não é mais do que uma forma alternativa de endividamento. Qual é a diferença entre pedir uma antecipação de uma receita de 15,75 milhões referente a uma transferência em relação a contrair um empréstimo obrigacionista do mesmo valor? No fim do dia, vai dar ao mesmo: quem antecipa receitas, fica com o dinheiro disponível mais cedo e perde o direito de as receber quando a prestação vencer, pagando, como contrapartida, uma comissão à sociedade financeira a que recorreu; quem contrai um empréstimo obrigacionista (ou outro tipo de financiamento) fica com esse dinheiro disponível de imediato e terá um dia de o pagar com juros - recorrendo, obviamente, ao dinheiro de outras receitas que entretanto for obtendo. E, como se sabe, não há clube em Portugal que tenha contraído mais empréstimos obrigacionistas do que o Benfica.


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Falemos do salário de Bruno de Carvalho

A propósito das horas de debate que as nossas televisões dedicaram ao salário de Bruno de Carvalho aquando da divulgação das contas do Sporting, agora que os relatórios e contas dos três grandes foram publicados, podemos finalmente fazer uma análise comparativa dos vencimentos dos administradores das SAD's de Sporting, Benfica e Porto.

Os dados apresentados não são surpreendentes:


Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, ganha menos do que qualquer administrador remunerado das SAD's de Benfica e Porto. Não é um salário baixo para os valores que se praticam em Portugal, é certo, mas parecem-me valores razoavelmente enquadrados para a responsabilidade que tem. De qualquer forma, seria interessante que as CMTV's e MaisTabacos da vida analisassem de forma igualmente zelosa os vencimentos dos administradores das outras SAD's.

Luís Filipe Vieira, como se sabe, tem dedicado os últimos 14 anos da sua vida. Esperemos que o seu altruismo não leva a que ele e a família passem fome. O facto de Rui Costa não ter tido direito a prémio num ano de excelentes resultados desportivos e financeiros também permite questões interessantes. Sabendo-se que está há quase 10 anos a ser preparado por Vieira para ser o próximo presidente (yeah, right), poucas dúvidas restarão que as suas funções são pouco mais que decorativas: servirá, sobretudo, para apertar a mão aos convidados de Vieira no camarote presidencial e para levar com a responsabilidade dos Taarabts e dos Djuricics...

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Geração rasca vs Geração de estadistas

Ao longo da última semana, foi bastante interessante observar a forma natural como a generalidade dos comentadores encarou o palavreado que Vieira utilizou no seu discurso na AG do Benfica. De notar que não vejo grandes problemas no uso do calão - são estilos, e que atire a primeira pedra aquele que nunca recorreu a esse tipo de linguagem -, mas não deixa de ser (mais uma vez) revelador que os mesmos indíviduos, supostamente isentos, que se mostraram chocados com uma gravação off-the-record de Bruno de Carvalho ou com as liberdades que o presidente do Sporting tomou na última entrevista na Sporting TV, não tenham dedicado uma única palavra à forma como Vieira se expressou perante os sócios que o elegeram.

O nível da análise dos experts da bola nacional ao discurso do presidente benfiquista foi de uma pobreza franciscana. Nem mantiveram os padrões de exigência em relação à forma, nem se preocuparam em pegar nas muitas polémicas do conteúdo: Vieira mentiu na cara dos sócios benfiquistas - desde quando é que Jorge Mendes não é representante de jogadores do plantel sénior do Benfica? (perguntem ao Filipe Augusto e ao Pizzi quem é o seu agente) -, Vieira entrou em contradição com mentiras anteriores - no ano passado disse que tinha vendido Renato Sanches a pronto (o que o R&C demonstrou ser mentira) e na AG disse que nenhum clube paga a pronto -, empurrou a responsabilidade de determinadas contratações polémicas para cima de Rui Vitória, não esclareceu totalmente a questão da venda Jimenez/Mitroglou, voltou a fazer promessas relativamente à descida substancial do passivo... ou seja, não faltou sumo para ser analisado pormenorizadamente, mas desta vez os comentadores não aparentaram ter muita sede.

Viu-se apenas uma falta de coerência no momento de procurar a polémica em função do clube, que, na realidade, não é nada a que não estejamos já acostumados. Uns representam uma geração rasca de dirigentes, apesar de terem um trabalho de qualidade mais que comprovada, enquanto outros, com passados muito duvidosos e protagonistas de escutas e emails que indiciam práticas de corrupção e tráfico de influência, são os estadistas de que o futebol português precisa.

De qualquer forma, aqui fica mais um registo para memória futura dos comentários do homem da batuta da propaganda encarnada, o mestre cartilheiro e das notas soltas (e ainda analista isento da CMTV nos tempos livres) Carlos Janela. Apesar de tudo o que já se sabe, continua a enojar-me a suprema lata com que este sujeito se tenta fazer passar por sério, e como é que ainda há quem lhe continue a dar pouso. Enjoy!



domingo, 3 de setembro de 2017

Capas que não fizeram história, nº 57: Os frustados e os que ficam de corpo e alma

Tem sido interessante a evolução dos comentários de boa parte dos comentadores à situação de William Carvalho. Na última quinzena de agosto, a maior parte esqueceu-se dos defeitos que lhe apontavam insistentemente e descobriu que o médio defensivo do Sporting é, efetivamente, um grande jogador, e que a sua saída seria complicada de resolver.

O problema é que a sua saída não se concretizou, o que deixou certos comentadores e jornalistas com um problema em mãos: como evitar dizer que o Sporting, afinal, não ficará mais fraco pela sua saída? 

A resposta era óbvia: desviar a conversa para ângulos que fossem mais convenientes.

O primeiro é que o jogador fica frustrado por não ter saído, e que isso terá implicações desportivas graves. Como se William recebesse o salário mínimo. Como se William não fosse sportinguista. Como se William não fosse um profissional que sabe que a melhor forma de se promover é jogando o melhor que sabe. Como se William não soubesse, por exemplo, que terá um grupo de Champions que lhe permitirá demonstrar, mais uma vez, as suas capacidades ao mais alto nível.

O segundo ângulo é a tentativa de virar o jogador e os próprios adeptos sportinguistas contra o seu presidente. Que Bruno de Carvalho está a cortar as pernas a um dos meninos de Alvalade. Que os adeptos estão indignados com o tratamento dado a William - sim, houve quem dissesse e escrevesse mesmo isto. Não é possível fazer-se uma argumentação mais absurda, pois não há adepto sportinguista que não fique contente por poder continuar a ter William no plantel. E não há adepto sportinguista (daqueles que não têm o cérebro toldado pelo ódio a Bruno de Carvalho) que ache que o clube devesse vender o jogador à melhor oferta existente, mesmo que essa oferta ficasse aquém do que era pretendido.

Falamos da mesma gente que, perante situações idênticas noutros clubes, optam por abordar a questão de forma completamente diferente. Dois bons exemplos podem ser encontrados no início de setembro de 2015 - quando ainda se fazia o rescaldo do fecho do mercado -, de dois jogadores que, segundo a imprensa, estiveram com um pé fora do seu clube mas que, à última hora, acabaram por não ser transferidos: Gaitán e Luisão.

Rapidamente ficámos a saber que o argentino ficava de corpo e alma no Benfica...


... enquanto que no caso de Luisão, Vieira segurou-o. Ao contrário de Bruno de Carvalho, não cortou as pernas a ninguém.


Há dois dias, A Bola deu-nos isto... estranho seria se fosse de outra forma.