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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O negócio Carrillo

A contratação de André Carrillo por parte do Benfica teve, compreensivelmente, um grande destaque mediático que, no entanto acabou por não ter sequência do ponto de vista do rendimento do jogador em campo. A temporada do peruano foi discreta, tendo somado apenas 1250 minutos, metade dos quais na Taça de Portugal e na Taça da Liga, divididos por um total de 32 partidas.

Creio que é pacífico considerar-se que o Benfica fez questão de assegurar o jogador mais como resposta à contratação de Jorge Jesus pelo Sporting do que pela necessidade que tinham em adicionar um extremo aos seus quadros - onde iria encontrar a concorrência de nomes como os de Gaitán, Salvio, Pizzi, Guedes ou Cervi (já contratado) - e aos quais ainda se iriam juntar Zivkovic e Rafa.


A proposta do Sporting

Antes de avançarmos para as condições que o Benfica lhe ofereceu, creio que é pertinente recuperar o processo falhado de renovação com o Sporting. O Football Leaks divulgou, na altura, os contratos propostos pelo Sporting a Carrillo: o clube ofereceu 1,3 milhões líquidos por época (equivalente a cerca de 2,6 milhões brutos) - que o tornaria um dos elementos mais bem pagos do plantel -, e uma comissão de 1,5 milhões a Elio Casareto, o empresário do jogador. No caso de uma futura transferência para o estrangeiro, o empresário teria direito a 1,5 milhões adicionais. Perante a hesitação do jogador e empresário em aceitar uma melhoria significativa do salário, por, aparentemente, preferir sair para o estrangeiro, o Sporting fez um aditamento à proposta: comprometeu-se a vender o atleta caso aparecesse uma proposta igual ou superior a 15 milhões de euros de um clube estrangeiro, ou uma proposta de 40 milhões de um clube português.

Ainda assim, o jogador, sem nunca recusar explicitamente, preferiu manter o impasse. Desconfiados das suas reais intenções, o Sporting decidiu tirar as teimas em definitivo e colocou em cima da mesa um contrato que defendia por completo o interesse do jogador numa futura saída para o estrangeiro: caso o clube recusasse uma proposta de 15 milhões de euros de um clube estrangeiro, então o salário de Carrillo seria automaticamente atualizado para 2 milhões limpos na 1ª época, 3 milhões limpos na 2ª época, 4 milhões limpos na 3ª época e 5 milhões limpos na 4ª época. Conforme esperavam os responsáveis sportinguistas, nem assim o jogador assinou. Tiradas as dúvidas de que havia alguém por trás deste impasse, Carrillo foi afastado de imediato do plantel. Quatro meses mais tarde, percebeu-se o motivo da recusa.

Avancemos agora até janeiro, altura em que Carrillo assinou com o Benfica.


A proposta do Benfica

O contrato, com data de 29 de janeiro de 2016, é bastante simples ao nível das condições:


Contrato de 5 anos, recebendo 2,9 milhões brutos por época. Ou seja, Carrillo ficou com um salário ao nível dos jogadores mais bem pagos do plantel, que eram Luisão, Salvio e Jimenez (pelo menos de acordo com os documentos que têm sido revelados). O empresário também não se saiu mal no acordo: teve direito a uma comissão de 4 milhões de euros.


Isto significaria que Carrillo aceitou assinar pelo Benfica por apenas mais 300.000 euros brutos em relação ao que o Sporting lhe oferecera meses antes, e Elio Casareto conseguiu mais 2,5 milhões. No entanto, o negócio não se ficou por aqui. No mesmo dia, Benfica e Carrillo assinaram um aditamento ao contrato que garantia ao jogador...


... um prémio de assinatura de 2,5 milhões de euros e ainda... 


... uma componente variável dependente do número de jogos disputados como titular pela equipa principal em qualquer uma das competições em que o Benfica participava: 510.000 euros ao fim de 15 jogos, mais 510.000 euros ao fim de 30 jogos, podendo atingir, portanto, um total de 1,02 milhões de euros.

Ou seja, o salário de Carrillo poderia chegar aos 4 milhões de euros, mais 33% do que Luisão e Jimenez (que não têm nenhuma componente variável) e mais 10% do que Salvio (que tem uma componente variável que lhe permite ganhar um máximo de 600.000 euros em função do número de jogos disputados como titular).

Como se sabe, a época de Carrillo não correu particularmente bem, tendo disputado apenas 13 jogos como titular...


... o que significa que não atingiu os objetivos mínimos para receber sequer o primeiro patamar do prémio variável (510.000 euros por 15 jogos a titular). Não atingiu, certo? Errado. Carrillo atingiu o último patamar do prémio (1.020.000 euros por 30 jogos a titular porque, nesse mesmo dia, foi assinado um segundo aditamento ao contrato que estipula que...


... não é preciso Carrillo ser titular para se contar o jogo para efeitos de prémio. E nem sequer precisa de ser convocado. Jogue - seja como titular ou como suplente - ou não jogue - seja por opção técnica, lesão ou suspensão (desde que não seja por doping) -, todos os jogos oficiais do Benfica contam para atingir ambos os patamares do prémio.

Ora, como o Benfica tem sempre mais de 30 jogos oficiais, Carrillo terá sempre direito a este milhão adicional. O salário de Carrillo é de 4 milhões anuais, independentemente do seu rendimento desportivo.

Resumindo:
  • prémio de assinatura de 2,5 milhões;
  • comissão de 4 milhões para o empresário;
  • salário anual de 4 milhões.

Não admira que não quisesse aceitar os 2,6 milhões (mais 1,5 milhões para o empresário) oferecidos pelo Sporting. E ainda dizem que o Midas é o outro...


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Obrigadinho, Carrillo

Novo texto do 3295C.


Isto parece começar mal, mas vai acabar bem. Muito bem.

Apesar de considerar André Carrillo um jogador talentoso, admito que a sua saída do Sporting não me custou. Foi até com um sorriso que o vi assinar do outro lado. O Clube, leia-se Bruno de Carvalho, fez tudo para que o peruano renovasse. Todos acreditavam no potencial do La Culebra e, apesar da instabilidade com que tem pontuado a sua carreira até agora, o próprio Jorge Jesus sabia que era um extremo à sua medida. Rápido na execução, bom no passe e alguma inteligência no jogo. Tudo isto quando está nos seus dias. Todos nós temos os nossos, mas os do Carrillo coincidiam algumas vezes com os dias do jogo. Escondia o talento só ele sabia onde – ou nem ele… – e tornava-se vulgar. Banal. Por vezes com erros infantis. Até arrancar de novo um jogo ou um par de jogadas dos diabos e fazer um estádio inteiro perguntar: “Porque não é sempre assim?" 

Não vou recordar o processo completo. Apenas lembrar que Bruno de Carvalho chegou a proporcionar a Carrillo um contrato com os valores que o peruano exigia e nem assim houve renovação. Faz lembrar Ortega y Gasset: “As circunstâncias são o dilema sempre novo, ante o qual temos de nos decidir. Mas quem decide é o nosso carácter”.

Foi melhor assim. Deveria dizer-se que para ambas as partes, mas apenas uma parece estar melhor sem a outra. O contrário já é difícil de provar.

Não desejo mal a Carrillo, mas deixei de lhe querer bem no dia que deixou de ser jogador do Sporting. E lamento muito que o possa ter feito antes mesmo de ter deixado de competir de leão ao peito. Se não contratualmente, na sua cabeça. Não desejo bem ou mal. Quero apenas que seja ele próprio. Como adversário, é o que me interessa.

“Não é defeito, filho. É feitio”, dizia-me algumas vezes a minha tia Muriel.

Que terá aprendido Carrillo nos cinco anos que passou na Academia a trabalhar? Que experiência levou do Clube? O que guarda dos companheiros? Melhor: que recordações terão de Carrillo os jogadores que foram seus companheiros no Sporting?

O episódio com Luisão, logo no início de Agosto, nem entra para estas contas. Foi relatado pelo Correio da Manhã e 90 por cento deste tipo de notícias que dão é fruto de má informação e seria coincidência a mais esta história estar nos outros 10 por cento.

Para terminar este tópico: não dou para o peditório dos empresários. Os jogadores são maiores e, por isso, responsáveis pelos seus actos, incluindo delegar os seus interesses num agente. Desportivo ou qualquer outro.

Acredito que já nem se lembrassem de Carrillo. Que foi fácil de o esquecer. Esse esquecimento deve-se, precisamente, a alguém que já é difícil de esquecer. Sobretudo para os adversários. Se conseguirem dar uma palavrinha ao Marcelo, ele conta-vos a história bem melhor do que aquela que eu contaria. Certamente.

Mas coloque-se Madrid de lado e concentremo-nos na Liga NOS. Até para dar vantagem a Carrillo, que foi suplente não utilizado com o Besiktas. Tal como já havia sido com o Tondela e na Supertaça.



É cedo para estas comparações? Talvez. Mas o futuro é promissor. É só ver o caminho já percorrido.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A opinião de Joaquim Evangelista sobre o caso Carrillo

Mais um bom exemplo de como certos dirigentes do futebol português atuam (ou deixam de atuar) em função do emblema em causa.

(In)Coerência Evangélica, do blogue Cantinho do Morais (LINK).

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O epílogo da novela Carrillo

Acabaram ontem as dúvidas em relação ao destino de Carrillo. O peruano assinou pelo Benfica por um período de 5 anos, confirmando aquilo de que se suspeitava há meses: irá prosseguir a carreira em Portugal, num clube rival.

Carrillo é um excelente jogador. Depois de 3 anos iniciais com um nível exibicional muito irregular, o jogador estabilizou e fez uma grande época com Marco Silva, tendo sido, a meu ver, um dos melhores do plantel - a par de Patrício, Paulo Oliveira e Slimani. Com Jorge Jesus também estava a fazer uma temporada bastante positiva. Como tal, é evidente que não gosto da ideia de o ver a envergar a camisola do Benfica na próxima época. 

No entanto, o momento que realmente me custou não foi a confirmação de ontem, nem sequer os fortes rumores que surgiram na sexta-feira. Para mim, Carrillo passou a ser um assunto encerrado a partir do momento em que se recusou a renovar com o Sporting.

A verdadeira derrota do Sporting, neste processo, já tinha ocorrido em setembro, quando se deu a rutura total entre as partes, impossibilitando que o clube tirasse proveito desportivo e financeiro de um jogador que desenvolveu durante mais de 4 anos. Mas, há que dizê-lo, não consigo responsabilizar a direção por este fracasso (é fácil dizer agora que se poderia ter renovado há dois anos, mas na altura o rendimento do jogador não o justificava), pois parece-me que tudo foi feito - dentro das capacidades financeiras do clube - para que a renovação se concretizasse.

Carrillo recusou €1,3M líquidos anuais, que ascenderiam a €2M, €3M e €4M nas épocas seguintes caso o Sporting recusasse vendê-lo por propostas iguais ou superiores a €15M. O empresário, Elio Casareto, recusou €1,5M a pronto, mais €1,5M caso o jogador não fosse vendido nesta janela de transferências, e ainda 10% de uma transferência superior a €15M. O Sporting deu o que podia e ainda incluiu cláusulas que abriam as portas ao jogador para prosseguir a carreira no estrangeiro quando quisesse. Carrillo recusou. A partir daí, ficou para mim evidente que já teria um destino em mente, onde lhe iriam dar condições financeiras muito mais favoráveis. Sabemos agora que destino é esse.

Foi, portanto, bem sacado pelo Benfica, apesar de não ir sair barato a Vieira. O prémio de assinatura e as comissões são principescas, e o salário ficará ao nível dos jogadores mais bem pagos no plantel. Uma vez esgotado o efeito da bicada, logo se verá se este investimento compensará ao Benfica. Se o rendimento do jogador for o esperado pelos benfiquistas, seguramente que compensará pelo que receberão numa venda futura. Não rendendo, será difícil desfazerem-se do seu contrato de €20M a pagar em 5 anos (dando como bons os valores avançados por A Bola, apesar de os valores adiantados por Pedro Sousa no fim-de-semana - €4,5M brutos de salário, €2M limpos de prémio de assinatura e entre €3M e €4M para o empresário - me parecerem mais credíveis). Um mercenário ingrato não deixará de ser mercenário só porque trocou de camisola.

via @SportingCPBr

Quanto ao Sporting, a vida continuou. Apesar da importância de Carrillo, o jogador foi afastado do onze, e a verdade é que o rendimento desportivo da equipa não se ressentiu. E, sabendo o que sei hoje, se fosse possível repetir a época desde o final de setembro com Carrillo, eu não quereria. Carrillo, por exemplo, não impediu a eliminação da Champions e o empate com o Paços. O Sporting encontrou novas soluções, está a desenvolver Gelson e Matheus que, não estando ainda no mesmo patamar do peruano, estão num nível superior ao de Carrillo quando este tinha a idade deles. João Mário ocupou o lugar que à partida seria de Carrillo e está a ser muito mais influente do que o peruano alguma vez foi. O Sporting foi ganhar à Luz sem Carrillo, ganhou em Alvalade ao Benfica e ao Porto sem Carrillo. O Sporting é líder isolado do campeonato. Sim, a vida continuou, e não se pode dizer que esteja a correr mal.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Para memória futura

O programa Trio de Ataque de ontem foi mais curto que o normal, tendo durado apenas 43 minutos.

Em fim-de-semana de seleções, os temas discutidos foram:
  • Os atentados em França: 26 minutos
  • O futuro de Carrillo: 17 minutos

Não se falou sobre a seleção portuguesa - que jogou no dia anterior ao programa - , a não ser numa reportagem que incluiu as reações aos atentados de alguns elementos da comitiva.

A questão Carrillo foi o único assunto abordado relativo ao futebol português, isto apesar de não ter havido nenhum desenvolvimento relevante sobre o futuro do peruano nas últimas semanas. Em contrapartida, optaram por não falar sobre os últimos desenvolvimentos da questão das caixas  e vouchers oferecidas pelo Benfica ou pela expulsão de Bilal do estágio da seleção holandesa (ai se fosse com Shikabala...).

Mais um exemplo que mostra a ânsia deste tipo de programas em inundar as emissões com temas polémicos que afetem o Sporting.


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A renovação de Carrillo: as novas revelações feitas pelo Football Leaks

Após semanas em silêncio, o Football Leaks voltou a publicar documentos esta madrugada. O site foi entretanto bloqueado, mas ainda há forma de aceder aos links de alojamento dos novos documentos.

Desta vez, foi divulgado o contrato do Porto e Doyen por Brahimi, empréstimos concedidos pela Doyen ao ex-presidente do Sevilha (um de €500.000 a título pessoal, outro de €1,4M ao clube para financiar a compra de Diawara ao Marítimo), e também quatro documentos relativos a Carrillo: dois contratos de representação e intermediação com Elio Casareto, e duas propostas de renovação de contrato feitas pelo Sporting a Carrillo.

Se há conclusões a tirar a partir da leitura destas propostas de renovação, são estas:
1. O Sporting fez tudo para renovar com Carrillo, na minha opinião indo além daquilo que a prudência recomendaria considerando a realidade financeira do clube e do futebol português;
2. Carrillo recusou uma proposta que lhe era tremendamente favorável, o que demonstra que nunca teve qualquer intenção em renovar pelo Sporting.

A primeira proposta previa um salário anual de €1,3M líquidos, ou seja, limpos de impostos, com validade até ao final da época 2018/19, com cláusula de rescisão de €60M.


A segunda proposta teve moldes completamente diferentes.


Caso o Sporting não aceitasse vender Carrillo por uma proposta igual ou superior a €15M, então o salário de €1,3M líquidos anuais do peruano seria ajustado para €2M líquidos em 2016/17, €3M líquidos em 2017/18 e €4M líquidos em 2018/19.

Estes valores seriam a melhor das garantias para Carrillo de que poderia prosseguir a sua carreira noutro clube, contribuindo em simultâneo para salvaguardar os interesses do Sporting. 

O empresário também não ficaria mal servido: para além de receber €1,5M se a renovação se concretizasse, Casareto tinha garantidos ainda mais €1,5M caso o Sporting não vendesse Carrillo na janela de transferências de inverno de 2015/16. Adicionalmente, ainda teria direito a uma comissão de 10% numa transferência de valor igual ou superior a €15M. 

O argumento de que o jogador não renovou por ser maltratado pela direção não pega. Ambas as propostas de renovação têm data de 15 de setembro, ou seja, dois dias depois de Carrillo ter sido titular na vitória de 2-1 sobre o Rio Ave. Apenas perante esta recusa é que Carrillo deixou de poder fazer parte das escolhas de Jorge Jesus. Carrillo ficou de fora do onze pela primeira vez no dia 17 de setembro, contra o Lokomotiv de Moscovo.

Perante isto, parece-me claro que tanto jogador e empresário já tinham as mãos bem besuntadas para recusarem toda e qualquer proposta feita pelo Sporting. Quem estará por trás de tudo isto, é algo que talvez se descubra em janeiro, ou o mais tardar no final da época.

(obrigado, Hélio e @parvodavida!)

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

SportingLeaks & PortoLeaks: Carrillo e Imbula

Esta madrugada o site Football Leaks trouxe a público mais documentos, desta vez a envolverem os três grandes. A maior parte não traz grandes novidades em relação ao que já era conhecido. Há no entanto 3 exceções.

Proposta de acordo para que Carrillo pudesse continuar a jogar sem renovar contrato

Nesta proposta, o Sporting comprometia-se a continuar utilizar Carrillo ao longo desta época mesmo que o jogador não aceitasse renovar o contrato, e a vendê-lo no mercado de inverno caso aparecesse uma proposta de €15M de um clube estrangeiro (ou seja, na prática o Sporting estava a reduzir o valor da cláusula de rescisão). As contrapartidas pedidas a Carrillo eram unicamente uma claúsula de salvaguarda de €25M caso o peruano assinasse por um clube português (válida até 2021).

Ficou-se também a saber que o Sporting ofereceu a Carrillo um contrato até 2019 com um salário anual líquido de €1,3M, ao qual se juntariam outras remunerações variáveis não especificadas.

Se este documento for autêntico, creio que fica comprovado que a direção foi bastante razoável na proposta salarial oferecida ao jogador, e naquilo que pediu a Carrillo para continuar a jogar sem renovar contrato. 


Pagamentos em atraso na transferência de Imbula

O primeiro é uma carta assinada e enviada pelo Marselha ao Porto sobre pagamentos em atraso de Imbula. A carta foi escrita a 15 de setembro, data em que expirava o pagamento da 2ª tranche de €5M. À data, segundo a carta, o Porto ainda não tinha pago qualquer verba, o que implicaria um total de €10M em atraso. A carta tem o carimbo de receção e o aviso de receção com data de 22 de setembro, o que significa que a fuga não terá partido do Marselha.


Minuta de acordo de colaboração entre Porto / Doyen / Investidor no negócio Imbula

Este documento não passa de uma minuta, com certos dados ainda por preencher. Basicamente revela os termos do negócio Imbula: o Porto compra 100% dos direitos económicos ao Marselha por 20M, recebendo metade desse valor da Doyen, que por sua vez recebe 5M de um investidor não especificado. A contrapartida é esta:


Não se tratando de um caso puro de TPO, visto que os direitos económicos de Imbula permanecem na totalidade na posse do Porto, na prática os efeitos são os mesmos: as receitas da venda de Imbula serão distribuídas por três entidades em função das respetivas parcelas de investimento para a aquisição do jogador.

Os metadados do documento revelam outras coisas interessantes. Indicam que o documento foi alterado por Alfredo Garzón, que trabalha na Senn Ferrero, Asociados, uma empresa de assessoria legal que trabalha com Nélio Lucas.


A referência à empresa ASPAR TEAM também é curiosa. Trata-se de uma equipa de Moto GP que tem como patrocinador o Valencia CF. Descascando ainda mais a análise aos metadados com um software específico, chega-se ainda à seguinte informação adicional (as duas imagens referem-se ao mesmo documento):



Percebe-se que o documento estava alojado numa ferramenta de partilha de ficheiros (Sharepoint) da mesma Senn Ferrero.


Outra curiosidade: nas linhas Tikit (que é uma ferramenta de produtividade para a criação de templates em Word) há a referência à Polaris Sports. A Polaris Sports é uma empresa do universo Gestifute, de Jorge Mendes, e da Creative Artists Agency. Esta última foi a empresa para quem Nélio Lucas trabalhou antes de formar a Doyen.

Novamente, esta análise parte do princípio que os documentos são legítimos e que não foram manipulados de alguma forma por quem os disponibilizou no site, mas há que ter sempre presente que a sua autenticidade não está comprovada.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A novela peruana

Começando pelo óbvio: no meio de toda esta novela à volta de Carrillo, o Sporting sairá sempre mal da história caso a renovação não se concretize. O peruano chegou muito novo ao Sporting, foi sendo trabalhado e valorizado ao longo de quatro temporadas, trabalho esse que se arrisca a dar um retorno financeiro nulo caso o clube não consiga chegar a acordo com o jogador para prolongar o contrato.

Aqui ficam algumas reflexões sobre a novela peruana que está a bater recordes de audiências em Portugal.


O pecado de adiar a renovação 

Neste momento é fácil criticar a direção por ter deixado arrastar as negociações até um período perigosamente próximo da data em que o jogador passará a ser livre de assinar por outro clube. No entanto, convém que não haja memória curta em relação a este tema. Há apenas um ano e quatro meses, Carrillo foi alvo de uma das maiores assobiadelas coletivas que me lembro de terem sido dirigidas a um jogador nosso. E isto não aconteceu nem no Dragão nem na Luz. Foi em Alvalade, no último jogo da temporada 2013/14, quando Leonardo Jardim o retirou a poucos minutos do intervalo quando perdíamos com o Estoril de Marco Silva.

Eu não consigo entender os adeptos que assobiam a própria equipa durante um jogo - porque têm o final para "dizer" de sua justiça -, mas acho particularmente degradante quando o fazem dirigindo-se a um jogador em particular. Parece óbvio que Carrillo era um dos jogadores menos populares para o universo sportinguista, e faltavam nessa altura dois anos para o final do seu contrato. Será que encarariam a renovação Carrillo como uma prioridade na altura?

Só com Marco Silva é que o peruano aliou ao seu inegável talento a consistência que lhe permitiria assumir o estatuto de titular indiscutível. Ou seja, apenas por volta de outubro / novembro de 2014 é que Carrillo começou a sobressair como um jogador imprescindível à equipa, altura em que começaram também as notícias da intenção do clube renovar com o jogador.

Pode-se alegar que a direção teria a obrigação de antecipar a explosão do jogador. Isso até pode ser verdade, mas eu diria que a esmagadora maioria dos sportinguistas não ajudou em nada o processo pela forma como tratava Carrillo até este se assumir definitivamente como um dos jogadores mais importantes do plantel.


As complicações da renovação

É difícil perceber o que é verdade no meio de tantas informações contraditórias que vão saindo diariamente. Há quem diga que Carrillo quer renovar mas que está preso ao seu contrato com Casareto, que prefere enviá-lo para outras paragens. Há quem diga que o peruano quer experimentar outros campeonatos. E há ainda quem diga que encara com bons olhos uma mudança para Porto ou Benfica.

Ou seja, fica complicado fazer juízos de valor quando há tantas vontades em jogo: a do jogador, a do empresário, e ainda de Pini Zahavi, que detém 50% do passe. A questão do empresário israelita é provavelmente a mais complexa de todas, pois à primeira vista também não tem nada a ganhar com a expiração do contrato - já que perde em definitivo os direitos económicos que detém.

Se é verdade que a direção do Sporting está disposta a pagar a Carrillo um valor acima do que paga a Rui Patrício e Adrien, diria que estão no limite daquilo que pode ser feito. No entanto, esta minha compreensão desapareceria se o entrave nas negociações estiver no valor da cláusula de rescisão - que atualmente está nos €30M. Se o Sporting conseguisse renovar e vender o jogador por €25M seria um grande negócio do ponto de vista financeiro. Será portanto um capricho tentar forçar o aumento da cláusula para os 45 ou 60 milhões da praxe. Havendo abertura dos jogadores para isso, ótimo. Não havendo, não é motivo suficientemente importante para ser um deal-breaker.


E se Carrillo não quiser renovar?

As duas hipóteses em cima da mesa são manter o jogador no plantel e continuar a utilizá-lo normalmente, ou então colocá-lo a treinar com a equipa B. A primeira opção tem a vantagem óbvia de estarmos a aproveitar até ao fim o rendimento desportivo do atleta, que seguramente será muito importante para ficarmos mais perto de alcançar os nossos objetivos para esta época. A segunda opção tem o mérito de abrir espaço a outros jogadores como Mané, Gelson ou Matheus - que sabemos que farão parte do futuro do clube - e de dar um recado da forma de agir para futuros casos de renovações que fiquem num impasse.

Se fosse eu a decidir, com base no que sei (ou seja, aquilo que é público), mantinha Carrillo no plantel até ao fim. Não me parece que faça sentido estarmos a abdicar do seu talento na época em que decidimos apostar forte na conquista do título. Se achámos boa ideia pagar salários altos a jogadores como Teo, Ruiz e Aquilani - que nunca renderão valores significativos numa venda futura -, então parece-me lógico que se olhe para esta última época de Carrillo como um custo de oportunidade e não pelo lado do investimento que nunca terá retorno.

Mas isto é com base no que sei. Se eu estivesse na posse de todos os factos relevantes deste processo, provavelmente decidiria em função do comportamento do jogador para com o clube. Carrillo sempre disse de forma clara o que queria? As suas exigências são razoáveis? A dificuldade em renovar deve-se ao empresário ou ao facto de o Sporting não ter capacidade para igualar essas exigências? Então se dependesse de mim Carrillo continuaria no plantel às ordens do treinador. Carrillo teve comportamentos dúbios e erráticos nas negociações apenas para ganhar tempo e ir mantendo-se a jogar, não tendo qualquer intenção de renovar com o Sporting? Equipa B, nem podia ser de outra forma.

sábado, 22 de agosto de 2015

Um filme já muito antigo

O jogo de hoje tem que ser obrigatoriamente analisado segundo dois aspetos, cada qual ajuda a explicar o resultado final e em que nenhum pode anular o outro. 

Primeiro, o exibicional. A exibição foi frouxa, notou-se que a equipa jogou umas rotações abaixo daquilo que consegue, adormecendo à sombra de uma vantagem mínima. O Sporting podia ter ido atrás do segundo golo para resolver em definitivo o resultado? Podia e devia. 

Segundo, a arbitragem. Manuel de Oliveira é nome de cineasta, e este Manuel Oliveira deu vida a um guião que lhe foi colocado nas mãos, tendo feito os possíveis para criar uma obra de ficção que agradasse aos produtores que o nomearam. Desde coisas tão pequenas como a gestão dos descontos (0' na 1ª parte e 3' na 2ª parte é absolutamente ridículo), passando pela forma como foi deixando os amarelos no bolso para jogadores do Paços (só começam a sair a 10 minutos do fim, numa altura em que já nós jogávamos com 10), inúmeras faltas a favor do Sporting por marcar (algumas das quais de grande perigo), e coroada com a absurda expulsão de João Pereira. O Sporting teria tido menos dificuldades para ganhar se o árbitro tivesse feito o seu trabalho de forma competente? Seguramente.

Ou seja, podíamos ter jogado melhor, mas é bastante possível que com uma arbitragem decente tivesse sido suficiente para assegurar os três pontos.



Positivo

O lance do golo - excelente a visão de Ruiz a fazer a bola atravessar a área colada ao relvado para um belo remate de primeira de Carrillo, a despachar a bola para o canto da baliza com grande classe. Aliás, o peruano fez mais uma exibição de grande categoria.

A entrada de Gelson - boa exibição do miúdo que, por duas vezes, esteve perto do golo e deliciou o estádio com requintes técnicos de encher o olho. Nunca se esconde, assume a responsabilidade quando lhe põem a bola nos pés, e vai para cima dos adversários. Vai chegar longe.

A atenção de Rui Patrício - não defendeu o penálti, mas Rui Patrício esteve muito bem no punhado de vezes que foi obrigado a intervir, uma delas de grande dificuldade. Está em grande forma. 

O apoio à equipa - mais uma excelente assistência no estádio, a ultrapassar as 40.000 pessoas, que nunca deixou de tentar empurrar os jogadores para a vitória, mesmo a poucos minutos do fim quando o Paços já tinha empatado e estávamos a jogar com 10. Indiscutivelmente, os melhores adeptos em Portugal.


Negativo

A expulsão de João Pereira - não vou discutir aqui se foi ou não falta - vou deixar isso para mais tarde, tal como os lances de possível penálti sobre Slimani - mas não estavam encontrados todos requisitos para a expulsão do defesa direito sportinguista. Nestas situações para que haja lugar a expulsão é necessário que o avançado tenha a bola controlada no momento da falta. Ora, o jogador do Paços não tinha quaisquer hipóteses de chegar à bola. Penálti, 1-1 e o Sporting a jogar com menos um no tempo que restava, o que definitivamente não ajudou a nossa tarefa.

A (falta?) de João Pereira - no estádio não vi nada porque estava a olhar para a bola. Vi uma repetição ao chegar a casa e não fiquei convencido de que tenha havido falta: João Pereira está em contacto com o jogador do Paços mas não parece puxar ou empurrar o adversário. Terei que ver mais algumas vezes o lance, e de outros ângulos, para formar uma opinião. Mas independentemente disso - e por isso coloco esta questão como negativa - foi de uma enorme falta da inteligência de João Pereira pôr-se a jeito numa situação daquelas para que o jogador do Paços pudesse cavar o penálti. A cereja azeda no topo do bolo sem sabor que foi a generalidade da sua exibição.

Jogo em poupança - não me refiro às alterações no onze inicial - Aquilani fez um jogo satisfatório, Montero nem por isso, mas não foi por aí que empatámos o jogo -, mas sim ao ritmo imposto pela equipa em geral. Nem sequer às substituições: eu teria tirado Ruiz em vez de Jefferson, mas também não foi por aí. Apesar de ter estado sempre por cima do jogo, notou-se que o Sporting jogou uns níveis abaixo daquilo que já mostrou - muito provavelmente por causa do ultra-decisivo jogo de quarta-feira. Ou seja, foi um aspeto negativo porque a equipa sabe fazer melhor, mas se calhar até devia ter sido suficiente para vencer.



À hora que escrevo este texto, já o Porto fez o favor de empatar na Madeira e prosseguir a sua seca de vitórias na ilha, o que torna este empate um bocadinho menos doloroso. De qualquer forma, não apaga o amargo de boca do que se passou hoje em Alvalade: foi (mais) um aviso sério de que temos que ser muito melhores do que os adversários se queremos ganhar. Infelizmente, este aviso custou-nos dois pontos.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

André Carrillo vs CSKA


Momentos do Sporting - CSKA

Grande ambiente em Alvalade


Saída para o ataque, ainda com o resultado em 0-0


1-0, grande passe de Carrillo



O golo de Teo de outro ângulo


Rui Patrício a defender o penálti


Um dos penáltis perdoados ao CSKA

via @Old_Mans_Beard

Passe de Aquilani


Golo de Slimani, com assistência de Carrillo

Apesar de tudo, ganhámos

Foi um Sporting de contrastes que se apresentou ontem em Alvalade. A equipa de Jorge Jesus entrou de forma personalizada e ofereceu aos mais de 40.000 espectadores uns primeiros vinte minutos de excelente futebol, período em que acabaria por colocar-se em vantagem no marcador. No entanto, depois do golo de Teo, o CSKA pegou no jogo e começou a chegar à nossa área com demasiada facilidade. É certo que parar Musa e Doumbia não é fácil para nenhum jogador, mas foi o próprio Sporting que se colocou a jeito ao não conseguir evitar as inúmeras situações de 1 contra 1 que começaram a semear o pânico na nossa defesa. A jogada do penálti que Rui Patrício defenderia foi um aviso sério ao qual o resto da equipa não soube reagir da melhor forma, e há que reconhecer que foi graças ao nosso guarda-redes que acabámos por não sair ao intervalo em desvantagem. Até com bola o Sporting parecia uma equipa presa pelo medo de a perder, evitando esticar o jogo - mesmo em situações de contra-ataque em igualdade numérica.

Na segunda parte tudo mudou. As pilhas de Musa esgotaram-se e o Sporting ganhou confiança para partir para cima dos russos, realizando uma segunda parte de enorme qualidade. Não só graças ao génio peruano que esteve em praticamente todas as jogadas de perigo, mas também muito por causa da ajuda que veio do banco. O ascendente traduziu-se em oportunidades de golo, ora desperdiçadas por nós, ora defendidas por Akinfeev, ora evitadas por uma arbitragem tendenciosa com demasiadas semelhanças ao roubo russo de Gelsenkirchen. Valeu Slimani com um golo a fazer lembrar aquele que marcou no Jamor e que relançou o Sporting na conquista da Taça de Portugal. Esperemos que este tenha uma importância idêntica para o sucesso da equipa nesta eliminatória.



Positivo

Apesar de tudo, ganhámos - para além da óbvia importância da vitória, o golo de Slimani que nos colocou em vantagem na eliminatória obrigará o CSKA a sair da sua zona de conforto e assumir o jogo. Não quero dizer que devemos ir para Moscovo defender o resultado, mas é sempre melhor quando são os adversários a terem que assumir a maior fatia do risco do jogo.

Rui Patrício, who else? - mais uma enorme exibição. Alvalade festejou a defesa do penálti como se de um golo nosso se tratasse, mas viu também o seu guarda-redes a fazer mais um punhado de defesas importantíssimas. Mesmo no golo de Doumbia fez a mancha de forma exemplar, quase o suficiente para que Naldo conseguisse evitar o remate do jogador africano.


Apesar das intermitências, Carrillo - há muito para dizer sobre a exibição do peruano. Foi ele que assumiu quase sempre as despesas de levar a equipa para a frente, mas infelizmente parecia estar com o complicómetro ligado e foi um jogador menos esclarecido do que é habitual. Mas a verdade é que Carrillo esteve em praticamente todos os lances de perigo do Sporting: fez um passe de génio para Ruiz a rasgar a defesa do CSKA no primeiro golo, fez uma assistência deliciosa para o golo de Slimani, e até foi ele que fez o cruzamento teleguiado para a cabeça de Slimani que acabaria por encontrar a mão do defesa russo. All in all, nada mau para um dia de trabalho.

A diferença de atitude da segunda parte - ofensivamente foi um Sporting bem mais autoritário que regressou dos balneários; defensivamente foi um Sporting bem mais solidário, com níveis de entreajuda muito superiores quando comparados com os primeiros 45 minutos. Carrillo e Ruiz (e depois Mané e Gelson) garantiram um apoio aos laterais bem mais efetivo e as situações de 1 contra 1 - e consequentemente as jogadas de perigo para a nossa baliza - praticamente desapareceram.

As substituições - Jorge Jesus conseguiu agitar o jogo com as três substituições. Primeiro ao dar a estreia a Aquilani: sem bola, o italiano pareceu um elemento estranho à equipa, mas com a redondinha nos pés passeou classe. Sempre de olhos nos colegas mais adiantados, acrescentou verticalidade no passe, acabando por estar no princípio da jogada do 2º golo ao solicitar Slimani na quina da área. Mané e Gelson acrescentaram capacidade de explosão e desequilíbrio nas faixas e no centro. Uma palavra adicional sobre Gelson Martins: ninguém diria que se estava a estrear nestas andanças, atendendo à personalidade demonstrada na forma como quis pegar no jogo.


Negativo

O golo sofrido e os últimos 20 minutos da primeira parte - o golo que sofremos não foi uma surpresa, olhando para a facilidade com que o CSKA chegou à nossa área a partir dos 25 minutos da primeira parte. Infelizmente para nós, é um golo que nos deixa sem margem para errar na segunda mão. Provavelmente vai obrigar-nos a marcar um golo em Moscovo.

Alguém explica para que servem os árbitros de baliza? - como é possível não ter visto aquela mão do defesa russo na área? Penálti por assinalar, que se junta a uma falta sobre Brian Ruiz por volta dos 60 minutos que também poderia ter dado direito a um castigo máximo. Esperemos que estes erros não acabem por ter consequências nefastas no conjunto das duas mãos.



Os russos foram o adversário mais complicado que defrontámos esta época e confirmaram que são um autêntico adversário de Champions. Vão causar-nos imensas dificuldades perante o seu público, ao qual se junta o problema adicional de o jogo se disputar num relvado sintético. Mas, apesar de tudo isto, ficou amplamente demonstrado que temos equipa para eles. Está tudo em aberto para a segunda volta.

sábado, 15 de agosto de 2015

Escreveu-se direito por linhas muito tortas

Não foi preciso esperar mais que dez minutos para que o Sporting cumprisse aquilo que prometia em função das exibições registadas nos últimos jogos. Depois de uma entrada personalizada do Tondela, os jogadores de Jorge Jesus pegaram no jogo e impuseram um ritmo de jogo sufocante que gerou ocasiões de perigo consecutivas junto à baliza dos recém-promovidos. Adivinhava-se o golo a qualquer momento que acabaria por não tardar graças a um remate de João Mário, mas desperdiçámos neste período a oportunidade de matar em definitivo a partida.

O Tondela conseguiu estancar a avalanche ofensiva dos leões e tentou aproveitar os lances de bola parada para recuperar da desvantagem, acabando por consegui-lo graças à maior concentração de más decisões que uma equipa de arbitragem cometeu num único lance. E acabaria por ser outra má decisão da equipa de Carlos Xistra a ajudar o Sporting a alcançar uma vitória que parecia irremediavelmente desperdiçada, a meias com uma ação de um herói improvável que tinha saltado do banco minutos antes e com um batedor de penáltis com gelo nas veias.



Positivo
  • Ganhámos, #@£@[%*! - segundo jogo oficial nos últimos três em que a estrelinha nos sorriu na altura certa. Uma tendência que seria melhor evitar assegurando as vitórias de forma mais confortável, mas que é sempre bem-vinda quando tal não é possível. Três pontos essenciais que permitem manter os níveis de confiança intactos nesta fase tão fundamental da época.
  • Vinte minutos de luxo - aquele período entre os 10 e os 30 minutos foi um deleite para os olhos de qualquer sportinguista. Um dinamismo ofensivo diabólico que tornava impossível ao Tondela perceber de onde viria a investida seguinte. As ameaças são demasiadas e imprevisíveis: a qualquer momento pode sair um passe em profundidade a rasgar a defesa adversária ou, quando há espaço para isso, aproveita-se o espaço para as subidas dos laterais. O golo surge numa jogada de envolvimento com duas desmarcações e em que participou meia equipa: lançamento de Carrillo - desmarcação de Teo - novo lançamento de Carrillo - desmarcação de Ruiz - cruzamento para Slimani - e João Mário a marcar na 2ª bola. Podíamos e devíamos ter acabado com o jogo neste período, tantas foram as ocasiões de que dispusémos para marcar novamente.
  • #RenovaCarrillo - o peruano foi na minha opinião o homem do jogo, o único jogador que foi uma dor de cabeça para o Tondela ao longo dos 90 minutos. Carrillo lançou em profundidade, procurou desmarcações, driblou, rematou, fez de tudo. Grande exibição.
  • A fezada em Gélson - perto dos 90 minutos, Jorge Jesus lançou Gelson Martins para o lugar do desgastado João Mário. O miúdo tentou pegar no jogo mas as coisas não lhe correram bem, até que apareceu no momento e no lugar certo a sofrer o penálti que nos daria a vitória. Foi o talismã da noite.
  • A onda verde - impressionante a invasão sportinguista a Aveiro. Está visto que será mais uma época em que vamos jogar em casa muito para além dos 17 jogos agendados para Alvalade.

Negativo
  • 4 erros de arbitragem na origem do golo do Tondela - surgiu de um livre marcado ao contrário, pois Naldo não só não fez qualquer falta como também foi puxado pelo adversário; livre batido, há um primeiro toque de Bruno Nascimento com o pé a adiantar a bola para Luís Alberto que, em posição de fora-de-jogo, controla a bola com o braço (até pode ter sido um movimento inadvertido, mas tirou proveito direto dessa ação) e num 2º momento com o cotovelo. Admito que o lance foi muito rápido e difícil de ajuizar, mas foram infrações a mais a passarem impunes.

  • O lançamento de João Pereira que antecede o penálti - não precisei de qualquer repetição para perceber que o lançamento foi efetuado de forma irregular, tão gritante foi a invasão daquele pé direito no momento em que o lateral soltou a bola. O penálti de Murillo (ironicamente um jogador cedido pelo Benfica) sobre Gelson Martins é, no entanto, tão indiscutível quanto desnecessário.
  • A finalização - desperdiçámos demasiadas ocasiões de golo. Podíamos ter marcado 3 ou 4 golos sem grande favor, mas houve sempre um pé providencial dos jogadores do Tondela ou simplesmente má pontaria dos nossos jogadores - com Slimani a ser o mais perdulário. Há que melhorar a eficácia nas ocasiões de golo de que dispomos para não ter que ouvir o pior chavão que existe no futebol: quem não marca arrisca-se a sofrer.
  • Rui Patrício e os cruzamentos - se é verdade que o golo do Tondela foi irregular, não é menos verdade que a bola apenas chega a Bruno Nascimento porque Patrício - mais uma vez - optou por ficar entre os postes numa bola bombeada para a pequena área. É o ponto fraco de um enorme guarda-redes, que infelizmente de tempos a tempos permite que se marquem golos numa área de ação que deveria ser sua.
  • A exibição na segunda parte - muito distante daquilo que fizemos na primeira, com vários jogadores a estarem furos abaixo do que tinham conseguido nos primeiros 45 minutos. Jefferson raramente conseguiu um cruzamento (ou mesmo marcar cantos de forma competente), Ruiz foi uma sombra do desequilibrador que semeou o pânico na defesa adversária na primeira parte, Teo desapareceu, João Mário pareceu muito desgastado. Como é óbvio, há também que dar mérito ao Tondela por ter conseguido conter de forma bastante mais eficiente as nossas iniciativas de ataque. 
  • Descuidos que nos podem sair caros - a evolução defensiva da equipa em relação ao ano passado é provavelmente o aspeto mais positivo do trabalho de Jorge Jesus até ao momento. As equipas que defrontámos até hoje tiveram imensas dificuldades em chegar à nossa área com perigo, conseguindo-o sobretudo através de bolas paradas e no aproveitamento de desequilíbrios causados por maus passes ou perdas de bola dos nossos jogadores. Há por isso que ter mais inteligência e evitar faltas desnecessárias no nosso meio-campo (foram várias as situações em que fizemos faltas junto à linha com o adversário de costas para o campo) e ter mais cuidado nos passes. É claro que impossível que isso deixe de acontecer por completo, mas é claramente um ponto em que temos que melhorar.
  • Aviso à navegação - isto é válido tanto para os jogadores como para nós, adeptos: por muito que a equipa prometa serão imensos os obstáculos que teremos que superar. Alguns naturais e outros nem tanto. Felizmente que hoje tivemos uma lição de borla, mas que por pouco não teve custos muito desagradáveis para todos nós.



O fundamental era ganhar e acabámos por consegui-lo de forma dramática, mas justa. Venha o CSKA.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Balanço de 2014/15: Avançados



Fredy Montero (**)

Época intermitente em que acabou por conseguir uma média de golos interessante. Confirmou-se que não é homem para ser o ponta-de-lança num sistema de 4-3-3, por gostar de participar demasiado na construção e menos na finalização. Promete encaixar bem melhor num eventual sistema 4-4-2 de Jorge Jesus, onde a sua inteligência e capacidade de remate de meia-distância serão seguramente mais-valias melhor aproveitadas.


Islam Slimani (***)

A época começou da pior forma com a birra que o afastou do onze nas primeiras duas jornadas. Depois de resolvido esse assunto esteve em excelente plano. Podem apontar-lhe vários defeitos, mas mesmo estando numa fase mais desinspirada consegue ser sempre útil à equipa. Um autêntico mouro de trabalho que nunca dá um lance por perdido e desgasta as defesas adversárias, e que está sempre disponível para recuar no apoio à construção e disparar de imediato na direção da área para finalizar. A conquista da Taça de Portugal deveu-se muito à sua raça e vontade. Não fosse a longa lesão contraída na CAN e poderia ter tido números fantásticos.


Junya Tanaka (*)

Tirando aquele golo em Braga, não conseguiu deixar a sua marca. O facto de ter tido uma utilização irregular não ajudou, mas a verdade é que não é o ponta-de-lança (que não é a sua posição, na realidade) de que o Sporting precisa, apesar do seu bom pontapé. Mesmo assim é justo referir que conseguiu uma boa média de golos.


André Carrillo (***)

Ao fim de 3 épocas no Sporting, esta foi a da total afirmação do peruano. Conseguiu finalmente aliar a genialidade à regularidade, e foi confortavelmente o líder das assistências. Se renovar será um enorme reforço para a próxima temporada.


Nani (**)

A sua vinda para o Sporting foi a grande surpresa da época e não demorou muito tempo para corresponder às nossas melhores expetativas. Conseguiu ser o principal desequilibrador da equipa mais pela forma como pensava o jogo do que pela explosividade das ações, elevando claramente o patamar exibicional coletivo para outro nível. Passeou classe até à sua lesão no Bessa. Infelizmente, o Nani que regressou algumas semanas depois não foi o mesmo. Apesar de ter conseguido marcar a diferença em vários jogos, esteve muito longe do brilhantismo que revelou antes. De qualquer forma deixará saudades.

 
Carlos Mané (**)

Apesar de não ter tido a evolução que se esperava do ponto de vista exibicional, Mané teve números muito interessantes (9 golos e 4 assistências). Parece atravessar uma fase de indefinição em relação à posição que deve ocupar em campo, mas justifica que se continue a apostar nele. Teve o seu momento mais alto ao marcar o golo do empate na Choupana, na 1ª mão das meias-finais da Taça, numa altura em que jogávamos em inferioridade numérica, abrindo-nos as portas para as finais. E na final da Taça esteve também em muito bom nível desempenhando um papel mais defensivo.



Diego Capel (*)

Mais uma época dececionante. O salário elevado que aufere aconselha que se encontre outro clube para prosseguir a carreira. 

Heldon (-)

Fez a primeira jornada como titular mas teve uma exibição desastrada que o retirou das opções de Marco Silva. Pode ser um jogador muito útil para equipas que procurem explorar o contra-ataque, mas não encaixa bem em equipas obrigadas a jogar contra adversários muito fechados.