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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Balanço de 2016/17: Médios



William Carvalho: **          
2015/16: **
2014/15: **     
2013/14: ***

Esperava-se que William desse sequência às exibições de elevado nível com que terminou a temporada passada, face ao conhecimento já acumulado do sistema de Jesus. No entanto, o médio teve um ano abaixo das expetativas, já que o melhor William poucas vezes apareceu em campo. Fisicamente, pareceu quase sempre a meio gás, e nem como primeiro construtor teve a preponderância de outras épocas. Pior ainda, foram vários os jogos em que cometeu lapsos que só se podem explicar com falta de concentração. Num sistema de jogo que exige imenso dos médios, creio que o fraco rendimento defensivo da equipa se explica parcialmente pela quebra de forma de William.



Adrien Silva: **          
2015/16: ***
2014/15: **     
2013/14: ***

Peça fulcral do onze de Jesus, Adrien começou a época em excelente forma. A sua importância ficou à vista de todos não tanto pelo que mostrou enquanto esteve em campo, mas principalmente pelo que aconteceu quando deixou de estar - a equipa ressentiu-se profundamente da sua lesão na 1ª volta. Regressou ao onze em dezembro, mas a partir daí nunca mais se viu o melhor Adrien - que viria a lesionar-se uma segunda vez já durante a 2ª volta. Disponibilidade física nunca lhe faltou para o trabalho defensivo, mas esteve uns furos abaixo do que era necessário em tarefas ofensivas: 2 golos (excluindo penáltis) e 2 assistências é muito pouco para um jogador que faz aquela posição. Será que essa quebra de rendimento terá tido alguma coisa a ver com insatisfação por não ter sido transferido no início da época? Não sei, mas ficou-lhe muito mal ter recorrido à comunicação social para fazer pressão para sair.


Bryan Ruiz: *          
2015/16: ***

Ao arrancar para 2016/17, seria impossível imaginar que Bryan Ruiz se transformaria no oposto do jogador influente da época passada. Quem sabe se vítima de mais um ano sem férias, o facto é que o costa-riquenho fez uma época paupérrima, que se tornou insuportável face à insistência de Jesus em colocá-lo em campo, fosse a ala esquerdo, a médio centro ou a segundo avançado. Frequentemente esgotado a partir dos 60 minutos, quase sempre incapaz de fazer a diferença, sem capacidade de explosão ou esclarecimento. Após uma época destas, com apenas mais um ano de contrato e sendo um dos jogadores mais bem pagos do clube, a saída é o desfecho mais lógico. Veremos se a direção o conseguirá vender a outro clube.



Bruno César: **
2015/16: **

A polivalência de Bruno César faz dele, indiscutivelmente, um dos jogadores mais úteis do plantel. Foi utilizado por Jesus em quatro posições diferentes: ala esquerdo, segundo avançado, médio centro e lateral esquerdo. Tirando a posição de lateral esquerdo, em que sentiu dificuldades perante adversários rápidos (e não ajudou o apoio que frequentemente lhe faltou do ala esquerdo), fez as restantes posições com grande competência. Para além disso, é um dos melhores marcadores de bolas paradas do plantel. O facto de ter participado em 42 jogos esta época (só Gelson, com 44, e Coates e William, com 43, tiveram mais presenças) acaba por ser um indicador da falta de profundidade do plantel - para um clube que quer ser campeão, não é bom sinal que um jogador polivalente como Bruno César acabe por ser tão utilizado. De qualquer forma, isso não é responsabilidade sua, e teve uma época bastante positiva.



Elias: *

Regressou ao Sporting para ser a alternativa a Adrien que o clube não tinha. Foi uma contratação que me entusiasmou, porque teoricamente tinha tudo para dar certo. O problema foi a passagem da teoria à prática. Elias nunca foi capaz de dar à equipa o que dava Adrien. Posicionalmente foi um desastre (quase sempre muito recuado a defender e muito adiantado a atacar), parecia que fazia de propósito para estar longe da bola. Sendo um jogador bem pago e com pouco rendimento, o Sporting acabou por vendê-lo em janeiro. Deu para recuperar o investimento, e isso é o melhor que se pode dizer desta época de Elias.


João Palhinha: *

Foi o primeiro jogador a ser chamado de volta do empréstimo face à incapacidade de Petrovic em fazer a posição de médio defensivo na ausência de William. Palhinha foi lançado de imediato às feras e as coisas não lhe correram bem na Madeira e no Porto. De qualquer forma, Jesus continuou a dar-lhe minutos de forma consistente durante cerca de 10 jornadas. Depois esteve vários jogos sem ser utilizado e regressou à titularidade na última jornada. Mostrou algumas qualidades, nomeadamente pela forma (aparentemente) fácil como se impõe fisicamente em relação aos adversários. Não demonstrou, no entanto, grande confiança para sair a jogar - coisa que sabe fazer e que só o tempo lhe poderá dar. Ainda não está pronto para ser titular do Sporting, mas tem todas as condições para fazer parte do plantel na próxima época.



Francisco Geraldes: -

Infelizmente, a única conclusão que se pode retirar da época que Francisco Geraldes fez no Sporting é que foi uma decisão precipitada fazê-lo regressar do Moreirense. O Chico ganhou a Taça da Liga, regressou, e só teve oportunidade de fazer 54 minutos na equipa principal do Sporting, distribuídos por 4 jogos. Demasiado pouco para alguém que demonstrou imensa capacidade como organizador de jogo - coisa que faltou ao futebol do Sporting esta época. Não estou a dizer que Geraldes já está pronto para ser titular - não me parece que esteja -, mas devia ter tido muito mais minutos para ir ganhando experiência. Não me parece que Jesus goste de Geraldes, pelo que me parece que voltará a ser emprestado na próxima época. Espero estar enganado.



Radosav Petrovic: -

Veio para ser backup de William, mas rapidamente se percebeu que não contava para o totobola. A péssima pré-época e o péssimo jogo de estreia em Famalicão retiraram-lhe espaço para ser aposta séria. Ainda jogou contra o Arouca para a Taça da Liga, e aí até nem esteve mal. Foi emprestado ao Rio Ave, onde demonstrou qualidades que andaram escondidas enquanto esteve no Sporting - sinal de que houve ali algum tipo de bloqueio (físico? psicológico?) a impedi-lo de render. De qualquer forma, não me parece que venha a ter espaço no plantel da próxima época.


Bruno Paulista: -

Foi utilizado nas três primeiras partidas oficiais da época, incluindo 22 minutos contra o Porto. Depois saiu das convocatórias e nunca mais foi utilizado. O rapaz tem qualidade. Deve haver uma explicação lógica para o percurso de Bruno Paulista no Sporting, e que seguramente nada terá a ver com questões desportivas. Talvez um dia se venha a descobrir.


Marcelo Meli: -

Quem?

sábado, 28 de janeiro de 2017

Arrumando a casa

Nos últimos dias, o Sporting resolveu três situações de jogadores que tinham pouco ou nenhum espaço no plantel. A sua saída era uma necessidade óbvia, não só para abrir vaga para outros jogadores que poderão ter um papel importante no futuro do Sporting, mas também para reduzir custos.



Elias

Dos reforços chegados esta época, Elias foi, para mim, a maior desilusão. Tinha a convicção de que poderia ser uma alternativa real a Adrien, com possibilidades de, inclusivamente, disputar a titularidade com o capitão. O tempo veio demonstrar que não podia estar mais enganado, pois o rendimento do brasileiro foi quase sempre medíocre, nunca tendo sido capaz de substituir Adrien enquanto este esteve lesionado.

Creio, no entanto, que o sistema de jogo de Jorge Jesus acabou por prejudicar Elias. O treinador precisava de um jogador que pegasse na bola no meio-campo do Sporting e a conduzisse para o ataque, e que fosse o primeiro tampão para as iniciativas de contra-ataque adversárias. Infelizmente, o médio nunca demonstrou grande apetência para essas tarefas. Olhando para Elias em campo, via-se um jogador que raramente dava linhas de passe aos companheiros nas saídas para o ataque, e que preferia encostar-se aos dois homens mais avançados. Esse adiantamento tirava-lhe significativo espaço de ação na reação à perda de bola, e tornava-o inútil no início de construção. Provavelmente, em 4-3-3, como médio mais adiantado, poderia ter sido muito mais útil. Em 4-4-2, num meio-campo a 2, foi sempre um risco tremendo, contribuindo para a abertura de imensas clareiras que davam todo o espaço do mundo para os adversários explorarem.

O Sporting gastou 2,5 milhões de euros em 50% do passe de Elias (os outros 50% já pertenciam ao clube), mais 250.000 euros em comissões. Ontem, foi anunciado que o Sporting receberá 2,5 milhões de euros por 70% do passe, com a possibilidade de receber mais 1 milhão por objetivos. No global, acabou por ser um mau negócio para o Sporting. Nas circunstâncias atuais, considerando o rendimento desportivo e o elevadíssimo salário que auferia, acaba por ser um mal menor a sua saída a partir do momento em que se conseguiu reaver a maior parte do valor investido.


Meli

O argentino veio para o Sporting a título de empréstimo. Também ontem, o Sporting anunciou a revogação do empréstimo.

É difícil comentar a passagem de Meli por Alvalade. Chegou no final de julho, mas acabou por ser utilizado durante apenas 47 minutos na pré-temporada. Nas competições oficiais, somou 7 minutos contra o Praiense (TP) e 9 minutos contra o Arouca (TL). Pouco, muito pouco, para podermos perceber se foi uma questão de falta de qualidade ou de dificuldades na adaptação.

O Sporting pagou 130.000 euros pelo empréstimo que, obviamente, não foram recuperados.


Markovic

Não fiquei louco de alegria quando Markovic foi anunciado como reforço, mas pensei que poderia ser, no mínimo, um elemento útil ao plantel. Enganei-me. Na sua estreia, frente ao Moreirense, falhou um golo quando ia completamente isolado frente ao guarda-redes, o que acabou por ser uma espécie de antevisão do que seriam o resto dos seus jogos de leão ao peito. Ainda marcou dois golos (um dos quais valeu a passagem na eliminatória da Taça de Portugal em Famalicão), mas, de uma forma geral, as suas exibições foram sofríveis. Claro que também não ajudou em nada ser alvo de assobios por parte dos sportinguistas ao fim de alguns jogos mal conseguidos.

Considerando que era um jogador emprestado, sem rendimento desportivo, e mal-amado com os adeptos, fazia todo o sentido terminar a sua ligação com o clube. O seu empréstimo custou 1,5 milhões ao Sporting.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Exibição q.b. para fechar 2016

Foi com uma vitória e uma exibição q.b. que o Sporting fechou o ano de 2016, frente a uma equipa de escalão inferior que se apresentou em Alvalade bem arrumada e com vontade de fazer uma gracinha no contra-ataque. O jogo foi pouco interessante e a (pouca) história que teve resume-se às oportunidades que o Sporting foi criando, em número suficiente para golear, mas, ainda assim, escassas para o domínio territorial registado durante os 90 minutos.

Foto: Global Imagens / Gerardo Santos



Jogo levado a sério - Jorge Jesus não facilitou, e colocou o melhor onze que tinha disponível. A dupla Castaignos - Dost teve uma nova oportunidade, depois das boas indicações deixadas no Restelo. Não se pode dizer que a equipa tenha correspondido com a qualidade desejada, mas, de uma forma geral, houve vontade e empenho por parte dos jogadores, que criaram oportunidades suficientes para vencer confortavelmente. Sem ter havido exibições de encher o olho, destacaria (obviamente) Gelson, mas também Campbell, Castaignos - esteve perto de marcar por duas ocasiões -, Coates e Esgaio - o lateral fez a assistência para o golo de Gelson e teve duas importantes intervenções defensivas a matar situações de potencial perigo para a baliza de Beto. 

A entrada de Elias - o brasileiro substituiu o lesionado Adrien, e aproveitou bem os minutos que teve. Procurou ter bola e foi dos mais esclarecidos na sua distribuição. Fez um par de passes de rotura muito bem medidos, um dos quais devia ter sido melhor concretizado por Gelson. Defensivamente também esteve bem, demonstrando vontade em recuperar a bola quando esta estava na posse de jogadores do Varzim.

O ambiente no estádio - foi surpreendente, pela positiva, a atmosfera que se viveu durante a partida. Considerando que era um jogo para a fase de grupos da Taça da Liga contra uma equipa de um escalão inferior, a afluência dos sportinguistas foi bastante interessante: com as bancadas B fechadas, todas as bancadas inferiores registaram uma taxa de ocupação considerável. Mas também há que assinalar a presença de cerca de 800 ruidosos adeptos do Varzim, que não se pouparam no apoio à sua equipa até ao final. Belo ambiente para despedida de 2016.



Baixa definição - mais uma vez, o Sporting teve muita facilidade em chegar à área adversária, mas foram inúmeros os lances que se perderam por um passe mal medido ou por se demorar demasiado tempo a decidir. É um problema que afeta a equipa no geral, mas no topo da má definição esteve Gelson. Não deixa de ser irónico que tenha marcado num lance em que (pelo menos, é o que me parece) tentou cruzar. A facilidade com que consegue encontrar espaço é inversamente proporcional à capacidade que tem em meter a bola no sítio certo. Quando conseguir melhorar este aspeto do seu jogo, será imparável.

Motores gripados - William e Adrien, principalmente o segundo, estiveram muitos furos abaixo do seu melhor. Estiveram, sobretudo, lentos e ineficazes na distribuição de jogo, o que acabou por condicionar (bastante) a qualidade da exibição da equipa.



Uma vitória por dois golos daria uma tranquilidade adicional para o jogo de Setúbal, que precisaria de nos vencer por dois golos para nos ultrapassar na classificação do grupo. Assim, se os setubalenses vencerem o Sporting por um golo na última jornada, o vencedor será a equipa que tiver a média inferior de idades de jogadores utilizadores na competição. E, na eventualidade de uma derrota do Sporting, o Varzim ainda tem possibilidades de se apurar - precisando de vencer em Arouca por vários golos. De qualquer forma, será um cenário extremo que temos obrigação de evitar. No dia 4, às 20h15, o Sporting tem de ir - e irá - a Setúbal para vencer.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Noite de Taça e de Chuta-chuta-passa-passa-fura-fura

Como se esperava, Jorge Jesus fez bastantes mexidas para a partida de ontem, colocando um onze formado maioritariamente por jogadores pouco utilizados: Beto, Esgaio, Paulo Oliveira, Douglas e Matheus ainda não têm qualquer minuto para o campeonato, enquanto que Castaignos, Jefferson, Elias, André e Alan Ruiz têm sido opções irregulares. Dos onze que iniciaram a partida contra o Praiense, apenas Adrien e Bruno César são titulares habituais. Confirmando o fatalismo que ultimamente tem atingido a equipa, o jogo não podia ter começado de pior forma: o Praiense adiantou-se no marcador logo aos 2'. No entanto, a equipa soube reagir da melhor forma, encarando o adversário de forma séria, arrancando para uma exibição bastante agradável e conseguindo uma vitória confortável.

Foto: Global Imagens / Gustavo Bom



A atitude demonstrada - contra o Famalicão, o Sporting marcou cedo e registou, depois disso, oitenta minutos sofríveis, sendo notória a falta de empenho de grande parte dos jogadores em campo. Contra o Praiense, foi precisamente o inverso. A equipa viu-se a perder aos 2', e reagiu da melhor forma: impôs um ritmo elevado durante praticamente durante todo o tempo, chegando com facilidade à área adversária e criando bastantes oportunidades de golo. A bola teimou em não entrar, mas era visível que seria apenas uma questão de tempo - quanto mais não fosse, por ser pouco provável que o Praiense aguentasse o ritmo durante os 90 minutos. Nem todos os jogadores do Sporting tiveram exibições felizes, mas não se acusar ninguém de falta de atitude. E quando assim é, as vitórias ficam mais próximas - seja contra adversários do CNS, seja contra adversários da I Liga.

Chuta-chuta-passa-passa-fura-fura - que grande jogo de Bruno César. Foi, durante quase toda a partida, o jogador mais esclarecido e que mais perigo criou. Marcou um golo numa bela combinação com Adrien, sofreu o penálti que Adrien converteu, fez duas assistências (tiradas a papel químico) para os golos de André, e ainda fez um remate ao poste naquele que poderia ter sido o golo da noite. Começa a ser um jogador imprescindível neste Sporting, pela qualidade que consegue dar à equipa nas mais diversas posições.

Oportunidade aproveitada - em apenas 12 minutos, André marcou dois golos muito parecidos, com belas finalizações de primeira (já o golo contra o Estoril também foi marcado de primeira). Esta apetência para marcar golos sem grande preparação aconselha a sua utilização como primeiro ponta-de-lança, coisa que nem sempre tem sido possível. Paulo Oliveira e Douglas não tiveram muito trabalho na defesa, mas estiveram bem sempre que chamados a intervir. Acabaram por ser mais úteis nas bolas paradas: Paulo Oliveira marcou o golo do empate, e Douglas conseguiu várias antecipações na área, tendo, inclusivamente, sofrido um penálti não assinalado. Elias jogou a 6 e teve uma exibição competente.

O Praiense - pode não ter havido Taça, no sentido em que o resultado não acabou numa vitória da equipa teoricamente mais fraca, mas houve Taça, no sentido em que uma equipa com recursos muito modestos aproveitou, da melhor forma, a oportunidade para mostrar a sua capacidade. Marcou cedo, tentou defender o resultado enquanto não estava em desvantagem, mas, quando se viu a perder, teve a personalidade de subir as linhas e tentar (dentro daquilo que as pernas ainda permitiam), efetivamente, jogar futebol. Relembro, por exemplo, o que aconteceu na última partida disputada em Alvalade: o Arouca meteu o autocarro com 0-0, e manteve o autocarro a perder por 1-0, 2-0 e 3-0, praticando anti-jogo permanente e risco zero. Parabéns ao Praiense e a Agatão, espero que continuem a ter sucesso no CNS.



A utilização de Matheus, Esgaio e Meli - os dois primeiros foram titulares e cumpriram sem deslumbrar. O argentino estreou-se em jogos oficiais, entrando a poucos minutos no fim, numa altura em que o jogo estava resolvido.



Cada tiro, cada melro - ainda na manhã de ontem coloquei aqui um texto sobre a elevada percentagem de golos sofridos em relação ao número de remates enquadrados que consentimos. Ontem, primeiro remate do Praiense, golo. Foi, aliás, o único remate enquadrado de todo o jogo. Podia ter sido evitado, se Jefferson não tivesse facilitado, ou se Beto tivesse mais 10 centímetros ou estivesse um pouco melhor colocado - apesar de terem a atenuante de não ser expectável que Filipe Andrade rematasse logo dali. Mais um golo a reforçar uma estatística pouco abonatória para a equipa.

Oportunidade não aproveitada - Alan Ruiz teve alguns bons pormenores - com destaque para o forte remate de fora da área ao poste - e mostrou-se combativo, mas continua, na minha opinião, a não ter características para ser um segundo avançado - para além de Castaignos, foi mais frequente ver Matheus, Adrien e Bruno César na área do que o argentino, que prefere, claramente, pisar terrenos mais recuados; poderá, no entanto, ser muito útil quando encontrar a sua posição em campo no atual sistema de jogo do Sporting; Jefferson fez a assistência para o golo de Paulo Oliveira, mas nem contra uma equipa do CNS consegue dar segurança defensiva; Castaignos trabalhou bastante na frente, mas falhou na finalização, incluindo uma embaraçosa tentativa falhada de trivela na cara do guarda-redes. 

O pior em campo - Luís Ferreira não consegue evitar: quando arbitra o Sporting, é um desastre. No entanto, é daqueles desastres que não se podem imputar ao azar, porque os erros prejudicam sempre os mesmos. Ontem, não apitou dois penáltis claros (sobre Douglas e Castaignos) e assinalou incorretamente três foras-de-jogo que davam oportunidades flagrantes de golo (uma das quais chegou a ser concretizada por Castaignos). Apitou bem o penálti sobre Bruno César (mal seria se não visse aquele abalroamento) e anulou bem um golo a Matheus, pois Castaignos parte em fora-de-jogo e interfere na jogada.



É óbvio que não seria de esperar um resultado que não fosse uma vitória confortável, mas o que não falta, na história da Taça, são episódios de grandes a sofrerem perante equipas teoricamente muito mais fracas - e até já tivemos alguns exemplos esta temporada. O Sporting, demonstrando uma atitude competitiva irrepreensível, dignificou a competição e honrou o adversário, conseguindo ainda dar minutos a jogadores que tiveram pouca utilização durante a paragem para as seleções. Foi uma boa noite de Taça.

domingo, 23 de outubro de 2016

Mau demais para um suposto candidato ao título

Este foi, tanto quanto me lembro, o pior jogo que o Sporting fez na era de Jorge Jesus. O resultado é um castigo justo, não pelo que o Tondela fez para conseguir o pontinho que alcançou - antijogo miserável com a conivência da equipa de arbitragem -, mas pela falta de atitude revelada pelos jogadores e pelo total deserto de ideias para ultrapassar o autocarro dos visitantes. Como é evidente, as culpas por este resultado não se limitam apenas aos jogadores, porque estes apenas executam a estratégia que Jesus idealizou. Mas, a desfavor da equipa técnica, há ainda equívocos, cada vez mais evidentes, na forma como certos jogadores são utilizados, e na incapacidade para mudar o chip de que Jesus tanto fala: conseguimos não ganhar nenhum dos três jogos pós-Champions. Foi mau, mau demais para uma equipa que quer ser campeã.

Foto: Global Imagens



Está aí o teu segundo avançado, Jesus! - Jorge Jesus já testou, como segundo avançado, Alan Ruiz André, Markovic, Bruno César, Bryan Ruiz e até Castaignos, mas parece fazer questão de ignorar aquilo que muita gente já percebeu: Joel Campbell, pela sua capacidade de desmarcação e espontaneidade de remate, deveria ser opção para o lugar - como já o tinha demonstrado contra o Moreirense. Colocá-lo junto a uma faixa e obrigá-lo a estar a maior parte do tempo de costas para a baliza, em trocas de bolas com os colegas mais próximos, é tentar fazer dele o jogador que não é e desperdiçar as suas melhores qualidades.

No meio do marasmo, foi havendo Gelson e Coates - o extremo não teve uma noite particularmente inspirada, mas foi o único jogador que foi conseguindo fazer alguma coisa para causar desequilíbrios - acabando por somar mais uma assistência ao seu pecúlio. Coates fez tudo o que podia - limpou o que podia limpar atrás, e ainda tentou explicar aos médios o que era preciso fazer para empurrar a equipa para a frente.



Falta de atitude, esclarecimento e de um plano B - todas as equipas têm direito a jogos menos conseguidos, mas, havendo atitude, existe sempre uma boa possibilidade de se ultrapassarem os obstáculos colocados pelos adversários de menor valia teórica. Ontem foi evidente, desde muito cedo, que a estratégia não estava a resultar. A concentração de jogadores na faixa central era enorme e o Tondela estava perfeitamente confortável com as débeis tentativas do Sporting em furar a sua defesa. Muitas vezes, o Sporting colocava em simultâneo ambos os alas / extremos em posições interiores, ficando as duas faixas laterais desertas de jogadores das duas equipas. Sem rapidez e inspiração na execução, constantemente a bola voltava para os homens mais recuados do Sporting para iniciar uma nova vaga, mas qualquer tentativa de variação era feita de forma ainda mais lenta e denunciada. Compreendo que a equipa tente jogar com critério, mas em situações em que a estratégia não está claramente a funcionar, não fará sentido dar indicações aos jogadores para terem menos cerimónia e colocarem rapidamente a bola na área, de forma a que Dost, André, Castaignos ou Campbell, possam fazer pela vida? As poucas ocasiões que construímos, perto do fim, surgiram assim. Falta sentido prático a esta equipa. Se os jogadores estiverem inspirados, coisas boas podem acontecer. Não estando inspirados, há que pressionar o adversário colocando a bola na área tantas vezes quanto se conseguir, esperando que a categoria dos nossos avançados possa fazer a diferença em uma ou duas dessas situações. No fundo, um plano B.

Jogadores a precisar de banco / descanso / exílio - no meio de várias exibições para esquecer, houve, no entanto, três casos particularmente gritantes. Elias foi, mais uma vez, um jogador inútil em campo. Ou se posicionava entre os centrais para fazer passes curtos para o lado; ou se posicionava em cima de William quando este tinha a bola, estorvando mais do que arranjando linhas de passe; ou posicionava-se perto dos centrais adversários, esperando receber a bola quase como um pivot. O que a equipa precisava era de um médio transportador, mas Elias nunca quis assumir esse papel. Bryan Ruiz está nitidamente em má forma. Raramente as suas iniciativas correram bem e perdeu inúmeras bolas. Zeegelaar está com 0 de confiança. Não consegue ter qualquer tipo de iniciativa decidida a atacar. A defender, deixou-se antecipar numa ocasião que quase deu golo ao Tondela. Três jogadores que, na minha opinião, neste momento não têm lugar no onze.

A arbitragem de Rui Costa - uma autêntica miséria: inúmeras decisões mal tomadas, com prejuízo quase exclusivo do Sporting - cantos transformados em pontapés de baliza, lançamentos decididos ao contrário, um fora-de-jogo incompreensivelmente assinalado a Campbell, que estava 3 metros atrás da linha defensiva adversária, e, acima de tudo, uma total complacência perante as entradas duras e antijogo dos jogadores do Tondela. Os 6 minutos de descontos deveriam ter sido 8 ou 9, tantas foram as entradas da equipa médica dos visitantes, e nem sequer levou em consideração o tempo que o jogo esteve parado depois de ter anunciado os tais 6 minutos. Uma arbitragem à antiga: manhosa e deliberada. Há que dizer, no entanto, que podia ter mostrado o cartão vermelho a William Carvalho já nos descontos.



Não se consegue compreender: onde está aquela equipa que esteve tão bem durante 80 minutos no Bernabéu, que conseguiu um domínio avassalador em Guimarães durante 75 minutos? Falta Adrien, mas não é aceitável que a ausência de um jogador explique tamanha diferença de rendimento. A bem das nossas aspirações, é fundamental que a equipa se reencontre rapidamente.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Serviços mínimos

Não estando propriamente à espera que, num jogo contra uma equipa de um escalão inferior e alinhando com um onze alternativo que pouco ou nada está rotinado, o Sporting fizesse uma exibição de encher o olho, mas sou obrigado a confessar que as (poucas) expetativas que tinha, conseguiram, mesmo assim, sair defraudadas.

Na primeira parte, a equipa foi incapaz de definir os ritmos de jogo e passou por dificuldades na construção de jogo perante a pressão exercída pelo Famalicão, que conseguiu estabelecer algum domínio territorial e não merecia chegar a perder ao intervalo. Na segunda parte, a entrada de William foi fundamental para o Sporting conseguir controlar um pouco mais os acontecimentos do jogo, poderia ter alargado a vantagem, mas há que dizer que, perto do fim, o Famalicão dispôs de duas oportunidades que poderiam ter levado o jogo para prolongamento. Teria sido um prémio justo para a equipa da casa, é preciso reconhecê-lo.



A estreia de Beto - dos onze jogadores que iniciaram a partida, Beto foi o único que correspondeu totalmente às expetativas. Teve um volume de trabalho considerável, mais em quantidade do que em dificuldade - certamente que mais exigente do que estaria à espera -, mas fez uma exibição muito segura. Deixa os sportinguistas com a certeza de que a posição de guarda-redes está muito bem preenchida.

A entrada de William - perante a incapacidade de Petrovic em pegar na bola, foi visível, desde o primeiro minuto após a sua entrada ao intervalo, a diferença de qualidade que William oferece à organização ofensiva do Sporting. À sua volta, todos os jogadores sobem automaticamente de rendimento.

Alguns pormenores - Paulo Oliveira e Douglas conseguiram um jogo globalmente positivo, apesar de terem revelado dificuldades na primeira fase de construção. Alan Ruiz esteve apagado, mais uma vez, mas conseguiu fazer dois passes para golo. Sem bola é que é pior, pois só conhece dois tipos de ação defensiva: ficar parado, ou correr atrás do adversário e usar o corpo com força excessiva, levando à marcação de faltas desnecessárias. Markovic marcou o golo decisivo, que foi o segundo em dois jogos, mas falta-lhe sentido prático em muitas das suas iniciativas. André teve pouca bola para mostrar o que vale, mas continuo a ter boas sensações em relação ao que poderá oferecer ao Sporting no futuro. Elias fez o passe para o golo de Markovic e revelou, mais uma vez, propensão para causar desequilíbrios em progressão com a bola, sabendo tirar partido dos apoios que os colegas lhe dão.




A exibição - muito pobre. O Sporting até se colocou cedo em vantagem, mas alcançou-a na primeira jogada em que chegou à baliza do Famalicão. Durante os 90 minutos, as oportunidades de golo foram escassas, fruto de falta capacidade de ligação entre os setores e de carências no entrosamento entre jogadores, particularmente visível na capacidade nula que Paulo Oliveira, Douglas e Petrovic tinham em iniciar os lances de ataque. Mas isso não explica tudo. Houve falta de vontade e os níveis de concentração estiveram pelas ruas da amargura. A falta de vontade notou-se na ausência de pressão no meio-campo do Famalicão e na baixa percentagem de bolas divididas ganhas, e os baixos níveis de concentração saltaram à vista no elevadíssimo número de passes mal direcionados, cruzamentos para zonas desertas, e outras bolas perdidas desnecessariamente.

O momento de Jefferson - já ando a dizer isto há algum tempo, mas hoje terá ficado evidente para todos que o brasileiro já não tem condições para jogar no Sporting. É com muita pena que o digo, pois, como os sportinguistas sabem, tem qualidades que poderiam torná-lo muito útil à equipa. O problema é que está metido num profundo abismo psicológico e não parece ter capacidade para sair de lá - e não tem sido por falta de oportunidades. Erros atrás de erros, com bola, sem bola, ou em bolas divididas. O seu corredor é um autêntico passador e todos os adversários percebem que é por ali que devem carregar para ameaçar a baliza do Sporting.

O regresso de Mighty Mota - pode parecer incrível, mas o trabalho de Manuel Mota conseguiu estar num nível inferior à da exibição do Sporting. Dou-lhe o benefício da dúvida num eventual penálti sobre Alan Ruiz, mas não assinalou um penálti (de mão na bola) escandaloso na segunda parte, não expulsou (nem sequer mostrou amarelo) um jogador do Famalicão por um pisão em Alan Ruiz com o jogo parado, e fechou os olhos a uma cotovelada em cheio no nariz de Gelson Martins. Some-se, a esses três erros graves, uma série de faltas claras sobre jogadores do Sporting que ficaram por assinalar. Do outro lado do campo, as coisas correram-lhe melhor: nunca lhe faltou o fôlego para apitar sempre que um jogador da casa caía ao chão, mesmo que as cargas fossem cometidas com a mesma intensidade que as outras que não assinalava a favor do Sporting. Podem ver um vídeo com alguns exemplos aqui: LINK.



Numa noite de serviços mínimos, o fundamental foi alcançado: a vitória e consequente apuramento para a fase seguinte, sem um dispêndio exagerado de esforço físico. Aguardemos agora pelo sorteio, onde seguramente nos calhará uma deslocação ao campo de uma equipa nunca inferior a um V. Guimarães.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Comunicados sobre Slimani, Dost e Elias à CMVM




As primeiras declarações de Elias

As primeiras declarações de Elias, há poucos minutos, à chegada ao aeroporto de Lisboa.

O regresso de Elias

Em primeiro lugar, dirijo-me aos leitores que ontem foram para a cama antes das 23h30 e acordaram há pouco:

Sim, é mesmo verdade, Elias (sim, esse Elias) vai voltar ao Sporting.

Fiquei chocado, como qualquer sportinguista que na altura tomou contacto com a novidade. Após a novela da saída de Elias, ainda hoje na memória de todos pelas discussões na praça pública entre Bruno de Carvalho e o pai do jogador e pelo afastamento do brasileiro para a equipa B, nunca pensei possível que alguma vez regressasse ao Sporting.

No entanto, vou ser sincero: se ambas as partes enterraram o machado da guerra e souberem ultrapassar as divergências passadas, penso que a contratação de Elias pode ser uma excelente manobra de mercado. Falamos de um jogador que tem muita qualidade. Demonstrou-a a espaços na primeira época em Alvalade e nas épocas em que esteve no Corinthians - ao contrário de André, os adeptos do clube brasileiro reagiram em fúria ao anúncio da sua partida para Lisboa -, e se vier de cabeça limpa, pode efetivamente ser uma mais-valia desportiva, pois tem características que encaixam bem no sistema de Jesus e que podem ser bem aproveitadas pelo treinador.

Sim, é verdade que a segunda época de Elias foi miserável, mas a conjuntura na altura era a pior possível: plantel sem qualidade, existência de salários em atraso, e um clube à deriva e sem liderança. Elias encontrará agora um Sporting muito diferente, que terá muito mais condições para tirar proveito das suas qualidades. Esperemos que o Sporting também encontre um Elias mais maduro, disposto a aplicar-se a 100% para se afirmar no clube.

Precisávamos de um 8 que fosse uma alternativa real a Adrien Silva. Se o capitão ficar, ficaremos com a posição muito bem preenchida. Se houver uma proposta irrecusável por Adrien, então, pelo menos, já não seremos apanhados de calças na mão. 

Em teoria, é uma boa jogada de mercado do Sporting. Ainda estão por conhecer os valores envolvidos, mas é preciso lembrar que o Sporting tinha ainda 50% dos direitos económicos (partilhados com a QFIL). O último dia de agosto promete ser diabólico.