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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

A venda de Naldo

O Sporting comunicou há pouco a venda de Naldo ao Krasnodar: o clube recebe €4,5M do clube russo, e mantém 20% dos direitos económicos.

Recorde-se que o jogador foi comprado há pouco mais de um ano por €3M (pelos 100% do passe), tendo na altura sido paga uma comissão de €10.000 pela transferência.

É, portanto, uma venda bastante interessante, considerando que falamos de um jogador que não entrava nas contas de Jorge Jesus para esta época e que representou um investimento considerável - foi a 2ª contratação mais cara do Sporting em 2015/16. Não se pode dizer que a sua contratação foi um sucesso completo dos pontos de vista desportivo e financeiro - quanto mais caro é um jogador, maior é o rendimento em campo que se espera dele -, mas Naldo fez uma boa primeira metade de temporada, teve um comportamento exemplar a partir do momento em que deixou de ser titular, e ainda acabou por dar algum retorno financeiro ao clube. Fosse sempre assim no caso dos jogadores que não pegam de estaca no onze.

Boa sorte, Naldo!


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

As quatro movimentações de mercado de ontem

O dia de ontem foi bastante agitado em Alvalade, com duas contratações e duas saídas:

A contratação de André

Conforme escrevi há alguns dias, não me parece prudente estar a contratar um jogador que tem um passado com episódios pouco recomendáveis para um profissional de futebol - ainda para mais quando acabámos de deixar sair outro jogador bastante complicado. Mas a partir do momento em que André assinou contrato connosco, passa a ser um dos nossos. Merece, por isso, o mesmo apoio e paciência que todos os outros jogadores recém-chegados ao plantel. 

André é um 9, ou seja, vem para segunda opção na posição de ponta-de-lança. Pessoas cuja opinião prezo, e que estão muito mais atentas do que eu ao que se vai passando na liga brasileira, dizem-me que André é um jogador de área inteligente, com boa capacidade de definição na área, mas que não teve no Corinthians um sistema de jogo que favorecesse as suas características. Dizem-me também que a fama de mau profissional vem sobretudo de um episódio ocorrido há dois anos, mas que daí para cá não voltou a ter quaisquer problemas nesse capítulo.

Fica assim fechada mais uma lacuna do plantel. Que André consiga revelar as qualidades que levaram o Sporting a contratá-lo, ficarei muito feliz se me obrigar a retirar as palavras que escrevi sobre ele. Força, André!


A contratação de Douglas e a venda de Naldo

Duas transferências cujos valores ainda não foram divulgados - o que não é um problema, pois em setembro teremos acesso, no jornal Sporting, ao quadro com todos os detalhes das transferências realizadas desde que o mercado reabriu -, mas que vêm ao encontro do desejo que há muito Jorge Jesus tinha de contar com Douglas. Um desejo que, face às cinco alternativas que já existiam no plantel, apenas se podia concretizar caso se conseguisse vender um dos centrais. 

O Krasnodar avançou por Naldo, um jogador que foi contratado há um ano por €3M, e que fez uma boa época, tendo sido bastante importante até à janela de transferências de verão. Não creio que se possa fala de uma contratação fracassada, mas para se fazer um balanço final é necessário saber se o Sporting conseguiu ou não recuperar o investimento.

Contra Naldo terá pesado a pouca qualidade com bola nos pés, o que prejudicava a 1ª fase de construção tal como Jesus a idealiza para o seu sistema de jogo, coisa em que Douglas é mais forte.


A saída de Aquilani

Um jogador que acabou por desiludir, mas que foi prejudicado pela incrível época que Adrien fez. Aquilani esteve num nível razoável nos primeiros meses da temporada passada, enquanto ainda era utilizado com frequência, mas entrou num círculo vicioso de pouca utilização / fraco rendimento à medida que Jesus foi encontrando soluções que emprestavam à dinâmica da equipa uma maior intensidade. 

Acaba por ser uma saída conveniente para o Sporting, pois o italiano tinha um dos maiores salários do plantel. O dinheiro que se poupa no ano de contrato que ainda faltava cumprir, poderá ser uma folga importante num eventual reforço de última hora que ainda possa surgir.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

O grande desafio do defeso

Considerando que, este ano, os custos com pessoal do Sporting praticamente duplicaram em relação à época anterior, é muito pouco provável que a SAD esteja a equacionar um novo crescimento dos gastos com salários para 2016/17. Isto, no entanto, não quer dizer que não será possível reforçar a competitividade do plantel na próxima época: dependerá muito da capacidade que direção e equipa técnica tiverem de aplicar os recursos existentes de uma forma mais eficiente.

Segundo a edição de ontem do Record, a SAD quererá aliviar a folha salarial através da venda de jogadores que auferem vencimentos demasiado elevados para o rendimento desportivo que deram ao Sporting. Esses jogadores serão, mais concretamente, Naldo, Ewerton, Jefferson, Aquilani e Teo.

Ewerton e Jefferson são dois jogadores  de valia indiscutível, mas com problemas recorrentes de lesões que os tornam opções pouco fiáveis para as exigências de uma época inteira. A questão de Teo, Aquilani e Naldo é outra: são três dos atletas mais bem pagos do plantel e que, por isso, deveriam ter demonstrado uma influência superior na equipa ao longo da época.

A saída destes jogadores pode representar uma poupança em salários na ordem dos 10 milhões de euros. Ou seja, estamos a falar de mais de 20% dos gastos com pessoal num conjunto de jogadores que, com exceção de um, nem sequer são as primeiras opções para substituir os habituais titulares: Paulo Oliveira está à frente de Naldo e Ewerton na hierarquia dos centrais; Bruno César e Zeegelaar dividiram entre si praticamente todos os minutos da segunda volta na lateral esquerda; e Aquilani não foi opção na última jornada perante a ausência de Adrien, pois Jesus preferiu deslocar João Mário para o centro e colocar Gelson na direita.

O aumento de competitividade do plantel da próxima época dependerá, portanto, de dois fatores fundamentais. Por um lado, há que tentar evitar a saída dos jogadores mais influentes (que, na minha opinião, são Rui Patrício, Coates, William, Adrien, João Mário, Ruiz e Slimani) - o que, infelizmente, será difícil de conseguir a 100%, em função do mercado que os jogadores têm e das obrigações financeiras da SAD. Por outro, otimizar a utilização do orçamento existente. E, para isso, não bastará definir bem os elementos do plantel a dispensar: a parte mais difícil será não falhar na contratação de novos jogadores que efetivamente representem um aumento de qualidade em relação ao que tivemos esta época.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Balanço de 2015/16: GRs e Defesas


Rui Patrício: ***          2014/15: ***     2013/14: ***

Aos 28 anos, Rui Patrício é a prova viva de que os melhores anos dos guarda-redes ficam guardados para uma idade mais avançada. Creio que será consensual que terá efetuado a melhor época da sua carreira, fazendo uso das qualidades que já lhe eram reconhecidas, mas desta vez com uma consistência e regularidade inéditas. Para além disso, mostrou progressos em duas vertentes em que revelava demasiadas dificuldades: no controlo da profundidade e, principalmente, a sair dos postes. Os momentos baixos da época de Rui Patrício terão sido as duas expulsões (uma injusta, contra o Tondela, que nos viria a custar dois pontos, e na Albânia contra o Skenderbeu), mas foram imensos os pontos altos, que valeram muitos pontos ao clube. Grande, grande época.


Marcelo Boeck: *          2014/15: *     2013/14: *

Vinha de uma época pouco feliz, em que tinha comprometido demasiadas vezes para o tempo que jogou. Infelizmente, esta temporada foi ainda pior. A forma física com que apareceu após as férias era um indício para aquilo que viria a acontecer. Dos 6 jogos em que participou, comprometeu em 4 (Skenderbeu, Paços de Ferreira, Tondela e Portimonense). Não se compreende o motivo pelo qual o Sporting lhe renovou o contrato em dezembro, quando já se via que não fazia qualquer sentido a sua continuidade. Quinze dias depois, acabou por sair para o Brasil. Não há sportinguista que não goste da forma como Marcelo sentia o clube, pelo que ficam, ainda assim, boas memórias da sua passagem por Alvalade.


Azbe Jug: -

Considerando a péssima forma de Marcelo, o facto de Jug ser a terceira opção não era propriamente um bom cartão de visita. No entanto, no único jogo que fez (em Arouca, para a Taça da Liga), esteve bastante bem. Não é suficiente para ficarmos com uma ideia do seu real valor, mas deixou-me com curiosidade para o ver jogar mais vezes. Será que fica no plantel na próxima época? 


João Pereira: **

O péssimo início de temporada que fez levava a crer que a sua contratação teria sido um erro. Teve o momento mais complicado com o penálti desnecessário e expulsão frente ao Paços, na segunda jornada, que nos fez desperdiçar dois pontos. No entanto, com o passar das jornadas o seu rendimento foi evoluindo positivamente e chegou ao inverno numa excelente forma. Acabou por ser surpreendente a perda da titularidade para Schelotto - não só João Pereira estava a convencer, como as primeiras exibições do italiano deixavam muito a desejar. Considerando que é um jogador que já tem 32 anos e que, à partida, não será titular, fica a dúvida se continuará no Sporting na próxima época.


Ricardo Esgaio: *          2014/15: *

No primeiro terço da época ainda foi dividindo a titularidade com João Pereira, mas quando este começou a subir de rendimento, Esgaio foi perdendo minutos. Nas oportunidades que teve, cumpriu sem grande brilho, o que é curto para um jogador que está numa fase decisiva da sua carreira. Na última jornada, no entanto, Jesus surpreendeu e lançou-o no meio-campo. Ontem, renovou contrato. Será que há algum plano de adaptação em curso para fazer de Esgaio um box-to-box?


Ezequiel Schelotto: **

Reforço de inverno, não convenceu nos primeiros jogos, ao ponto de muita gente questionar a insistência de Jesus em utilizá-lo em detrimento de João Pereira. Com o tempo foi-se percebendo o motivo da insistência: o poder de aceleração e velocidade de Schelotto permite-lhe aproveitar como poucos o espaço nas alas que João Mário cria quando procurar espaços interiores. À medida que o entendimento de Schelotto com os companheiros foi melhorando, a sua influência na manobra ofensiva aumentou significativamente, mostrando também ser bastante decente nos cruzamentos. Para além disso, é um jogador raçudo, e cuja altura o torna bastante útil nas bolas paradas defensivas. Parece-me que fez o suficiente para justificar a sua contratação em definitivo.


Jefferson: *          2014/15: **     2013/14: **

Mais uma época muito irregular, mas desta vez - e ao contrário dos dois anos anteriores - nivelada por baixo. O primeiro terço de temporada foi bom, sobretudo do ponto de vista ofensivo, mas revelando com demasiada frequência as dificuldades para defender que já eram conhecidas. As frequentes lesões prejudicaram nitidamente o rendimento de Jefferson, tornando-o mais num risco do que numa arma. Acredito que tenha mercado para que o clube faça uma venda interessante.


Jonathan Silva: *          2014/15: *

Foi alternando no onze com Jefferson até novembro, mas nunca conseguiu afirmar-se. A saída por empréstimo acabou por não surpreender. Duvido que tenha lugar no plantel na próxima época.


Marvin Zeegelaar: *

Sendo um extremo de origem, havia a expetativa de que tivesse, como lateral, capacidade de criar desequilíbrios pela faixa esquerda, arrancando de trás. No entanto, as suas exibições mostraram precisamente o contrário do que se esperava. Pareceu demasiado receoso em subir no seu flanco, e relativamente certo a defender. Jorge Jesus certamente esperava mais do ponto de vista ofensivo, tanto que acabou por entregar o lugar a Bruno César em jogos em que o adversário não exigisse grandes preocupações defensivas. Talvez uma pré-época completa ajude Marvin a soltar-se. No entanto, se não conseguir subir de nível, provavelmente acabará emprestado ou vendido.


Paulo Oliveira: **          2014/15: ***

Início de temporada dentro da linha que se esperava, revelando um bom entendimento com Naldo e Ewerton. Uma lesão acabou por fazer com que perdesse a titularidade para Coates e Semedo, acabando por ficar sem jogar praticamente durante toda a época. Voltou a ter bastantes minutos na última jornada, e esteve em bom plano. Em relação ao futuro, o facto de não ser um jogador rápido e ter dificuldades em sair a jogar, fazem dele o potencial 3º central para a próxima época. Se assim for, o Sporting ficará muito bem servido.


Naldo: **

Impôs-se com facilidade no onze (a lesão de Ewerton ajudou) e fez uma dupla sólida com Paulo Oliveira até ao regresso de Ewerton. A partir desse momento, foi desaparecendo gradualmente. Pouco jogou na segunda volta. Tendo sido um jogador relativamente caro, e considerando que não deverá ser mais que uma 3ª / 4ª opção, é provável que o clube pense em recuperar o investimento já neste defeso.


Tobias Figueiredo: *          2014/15: **

Começando como quarto central, não teve muitos minutos para mostrar o que vale. Quando teve oportunidades, as exibições não foram convincentes - mas há que reconhecer que a utilização pouco regular e o facto de ter tido sempre parceiros diferentes no centro da defesa não o ajudaram. Precisa de jogar com frequência para atingir o próximo nível, pelo que só ganhará em ser emprestado a outro clube na próxima época.


Ewerton: *          2014/15: ***

Ninguém coloca em causa a classe de Ewerton. De todos os centrais do Sporting, seria, na minha opinião, o parceiro ideal de Coates no onze. No entanto, as lesões tornam o brasileiro um jogador pouco fiável, pelo que é complicado que continue no plantel na próxima época.


Sebastián Coates: ***

Chegou, viu e venceu. Foi uma grande contratação de inverno, impondo-se de imediato como o patrão na defesa. Fisicamente dominante, fortíssimo no jogo aéreo, velocidade q.b., excelente leitura de jogo e muito competente com a bola nos pés. Para o ano, será Coates e mais dez.


Rúben Semedo: ***

Jesus surpreendeu tudo e todos ao entregar a titularidade a Rúben Semedo, poucos dias depois de ter regressado do V. Setúbal. A verdade é que, agora que passaram quatro meses, todos conseguimos perceber o que Jesus viu no jogador. A sua velocidade, capacidade de antecipação e competência para sair a jogar permitiram a Jesus avançar a linha defensiva uns bons metros, que ajudam a sufocar os adversários no seu meio-campo. Havia receios em relação à sua imaturidade - que, na realidade, acabaram por lhe valer uma expulsão desnecessária frente ao Leverkusen, e cometeu um ou outro erro que um jogador mais experiente dificilmente cometeria -, mas o balanço global é tremendamente positivo. Quem diria que se iria impor tão cedo a este nível?

terça-feira, 12 de abril de 2016

Resumo do Sporting B 2 - 0 Gil Vicente

Golos de Naldo e Daniel Podence, com Francisco Geraldes a passear classe.

(via Grande Artista e Goleador)

Boa ponta final da equipa B. Com esta vitória, ascendeu à 9ª posição, 11 pontos acima dos lugares de despromoção. A manutenção ainda não está garantida matematicamente, mas seria necessário haver uma conjugação altamente improvável de resultados para a colocar em risco.

Podem ver os resumos das vitórias em juniores e juvenis aqui: LINK.

quarta-feira, 16 de março de 2016

As duplas de centrais

O centro da defesa do Sporting, esta época, tem sido provavelmente a posição mais instável da equipa - fruto das lesões e das mexidas no plantel na janela de transferências de janeiro. Se no início até havia alguma estabilidade - Ewerton estava lesionado, com Paulo Oliveira e Naldo a serem titulares crónicos -, com o avançar da temporada começou a haver mais mexidas. Essas mexidas deveram-se, em primeiro lugar, a uma opção de Jesus em rodar a equipa na Liga Europa e na Taça da Liga. Depois, houve a lesão de Paulo Oliveira e, finalmente, a entrada de Rúben Semedo e Sebastian Coates no plantel.

Ao todo, Jorge Jesus já utilizou 12 (!) duplas de centrais diferentes, uma das quais pode-se considerar uma intrusa, quando William foi obrigado a baixar para o lado de Ewerton contra o Bayer Leverkusen (devido à expulsão de Semedo, um minuto depois de Ewerton ter entrado para o lugar de Coates).

Segundo a imprensa, Jorge Jesus está satisfeito com a dupla formada por Coates e Rúben Semedo, sendo provável a sua utilização no próximo sábado frente ao Arouca.

Mais por uma questão de curiosidade do que para tirar conclusões sobre a prestação dos nossos centrais, fiz um apanhado das duplas de centrais utilizadas ao longo da época, com os minutos de utilização e os golos sofridos. Como é evidente, estes números por si só não significam grande coisa. Os golos sofridos podem ter outros jogadores como principais responsáveis, o nível de dificuldade dos jogos varia, as incidências das partidas colocam um fator de variabilidade não desprezável, a falta de rotinas pode ser determinante, e para não falar nos vários golos sofridos que foram validados devido a más decisões das equipas de arbitragem. Para além disso, apesar de a primeira tarefa dos centrais ser manter a sua baliza inviolada, a sua utilidade e importância pode ser avaliada em diversos parâmetros muito mais difíceis (se não impossíveis) de medir.

Aqui ficam esses números, organizados em três quadros: primeiro com o detalhe jogo a jogo, e depois com os dados agregados por dupla de central e por jogador.




segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Trilogia com desfecho épico

Pegando na analogia das trilogias que utilizei no lançamento do jogo de ontem, ficou guardado para o terceiro capítulo, se não o melhor bocado, seguramente o mais emocionante e épico da saga desta semana. Como em qualquer boa história, as adversidades foram muitas, mas a vontade e capacidade para as ultrapassar foram superiores e determinaram o final feliz que os protagonistas tanto fizeram por merecer. Mas a crónica deste final de trilogia não ficaria completo se não fosse dado o justo reconhecimento dos figurantes que, das bancadas, foram os primeiros a fazer ouvir a sua crença quando o panorama era tão negro como o dos piores dos dramas. Uma vitória de uma vasta equipa que vai muito para além dos 14 jogadores que estiveram em campo. Se há jogos em que as bancadas ajudam a ganhar jogos, este foi de certeza um deles.



Positivo

Exibição de alto nível, durante 90 minutos - quem ouvisse pela rádio os comentários à primeira parte, ficaria a pensar que o Sporting não fez o suficiente para ter um resultado menos desfavorável. Pelo contrário. Excluindo as duas desatenções que valeram os golos de Wilson e Rafa, a exibição do Sporting na primeira parte foi, na minha opinião, melhor que a da segunda. Infelizmente há muito bom comentador que forma as suas opiniões em função da bola que entra ou não entra na baliza. O Sporting jogou 90 minutos de futebol de elevada intensidade e qualidade, com destaque para os inevitáveis João Mário, Adrien Silva e Bryan Ruiz. João Pereira e Naldo também estiveram em muito bom nível. Slimani foi Slimani. O Sporting merecia estar a ganhar ao intervalo e mereceu inteiramente a vitória no final dos 90 minutos.

Confiança num sistema - durante a segunda parte, o Sporting demonstrou urgência em ganhar, mas nunca deixou de o tentar fazer segundo os princípios de jogo que Jesus implementou. Fê-lo evitando bolas bombeadas ao acaso, procurando sempre a melhor solução possível para aproximar a equipa da baliza adversária. Essa paciência foi particularmente visível no segundo golo: entre a recuperação de bola e o golo de Montero, o Sporting trocou a bola no meio-campo do Braga durante 58 segundos, com várias tentativas de aproximação à área, e sem que os arsenalistas conseguissem sequer tocar no esférico. A paciência compensou.

A entrada de Gelson - ao tentar mandar na partida com uma linha defensiva alta contra uma equipa tão perigosa no contra-ataque como o Braga, Jesus assumiu alguns riscos. Mas ao intervalo, com uma desvantagem de dois golos, o treinador decidiu jogar no limite do risco, abdicando de William para colocar Gelson Martins. Nem podia ser de outra forma, pois perder por 2 ou por 3 vai dar ao mesmo. A aposta resultou em pleno. Gelson esteve na origem do penálti que deu início à recuperação e teve várias iniciativas que causaram desequilíbrios na defesa do Braga. Bom jogo do miúdo.

Uma defesa que valeu três pontos - teoricamente é impossível que uma defesa valha três pontos, mas aquela defesa de Patrício com a perna a remate de Rafa evitou o 2-3 e, muito provavelmente a derrota. Patrício é indiscutivelmente um dos melhores do mundo em situações de um-contra-um. Mais uma vez, decisivo.

A força vinda das bancadas - primeiro golo sofrido: incentivo imediato das bancadas. Segundo golo sofrido: incentivo imediatos das bancadas. Apito para o intervalo: zero assobios. Regresso dos balneários: receção entusiasta à equipa. Dos 0 aos 94 minutos: apoio permanente e ruidoso. Antes do jogo começar: mais um arrepiante O Mundo Sabe Que, cantado também por Jorge Jesus, e aplaudido efusivamente por Adrien Silva. Maravilhoso.



Negativo

Apatia e erros individuais nos golos do Braga - o pontapé certeiro de Wilson Eduardo e o fantástico trabalho de Rafa merecem todos os elogios, mas a verdade é que ambas as jogadas foram bastante consentidas pela nossa defesa e por erros individuais que entregaram o ouro ao bandido. No caso dos erros, falo concretamente do mau alívio de William no primeiro golo e do passe errado de Paulo Olivera que deu inicío à jogada do segundo golo.

Dia não na finalização - num jogo em que marcámos três golos, queixarmo-nos da falta de eficácia de finalização pode parecer algo exagerado. No entanto, foram variadíssimas as situações em que faltou só um bocadinho para marcarmos. Entre as oportunidades isoladas desperdiçadas por Slimani e João Mário, o cabeceamento de Paulo Oliveira que bateu duas vezes no poste - com uma defesa de Kritciuk pelo meio -, vários cruzamentos que não foram emendados por centímetros, o Sporting poderia perfeitamente ter marcado seis ou sete golos. Do outro lado, a finalização foi bem mais eficaz, mas acabou por falhar precisamente naquele momento em que não podia falhar - quando um isolado Rafa permitiu, perto do fim, aquela soberba defesa de Rui Patrício com a perna.

A campanha para criação do estigma-Slimani - o argelino é um jogador extremamente impetuoso. Faz parte da sua forma de estar em campo. É verdade que teve uma atitude condenável quando agrediu Samaris no jogo da Taça. Mas desde então tem sido alvo de uma campanha dos adversários, que tentam aproveitar qualquer contacto para encenar uma tragédia grega na tentativa de forçar uma expulsão. Mas não só. Ontem, quem lesse ou visse as reações dos benfiquistas e portistas nas redes sociais e nos programas de TV, ficaria a pensar que Slimani tentou arrancar a cabeça do jogador do Braga com uma cotovelada. Na realidade, acertou-lhe ao de leve com a mão enquanto tentava fugir em corrida ao adversário - não se tratando, de forma alguma, de uma agressão.



Final da primeira volta com quatro pontos de avanço sobre o segundo classificado, e com excelentes perspetivas para o que ainda está para vir. A qualidade das exibições está a crescer, as opções para o treinador também. Nota-se uma enorme confiança na equipa e nos adeptos. Sexta-feira há mais.

domingo, 3 de janeiro de 2016

O mundo soube que mora um verdadeiro candidato em Alvalade

Foi um jogo com duas partes distintas. Os primeiros 45 minutos foram pautados por grande equilíbrio, e há que reconhecer que tivemos a sorte do nosso lado: marcámos de bola parada - com Slimani a aproveitar uma falha de marcação - e o Porto teve duas ou três ocasiões em que causou enorme aflição na nossa área. Bastava que o desfecho de qualquer um desses lances fosse diferente para que a história do jogo tivesse sido outra.

A segunda parte, no entanto, não deixou dúvidas a ninguém. O Sporting foi claramente superior e dispôs de imensas ocasiões de golo: duas bolas nos ferros, remates mal direcionados que tinham condições para ir parar ao fundo das redes, e outros que colocaram Casillas à prova. Do outro lado do campo, a linha defensiva do Sporting esteve sempre concentrada e não concedeu qualquer oportunidade ao Porto. Lopetegui acabou por ajudar ao retirar Aboubakar de campo, e nenhuma das alterações que fez alterou a dinâmica da partida. Adivinhava-se o segundo golo do Sporting, que chegava com facilidade à área adversária. Teimosamente, o golo da tranquilidade foi-se adiando, até que Adrien, Ruiz e Slimani protagonizaram uma transição rápida e mataram definitivamente a partida, já perto do fim. 



Positivo

Adrien e João Mário - Slimani pode ser o destaque mais óbvio da partida pelos golos que marcou, mas na minha opinião os melhores em campo foram Adrien e João Mário. Estiveram, autenticamente, em todo o lado. Foi incrível o trabalho defensivo de ambos e o esclarecimento e criatividade demonstrados com a bola nos pés, criando inúmeras situações prometedoras no ataque. Adrien esteve muito perto do golo ao fazer um remate ao poste, e já na primeira parte tinha feito outro para defesa difícil de Casillas. E quantas recuperações de bola fez o capitão em todo o jogo? Perdi a conta. Resumindo: duas enormes exibições.

Slimani - O argelino foi mais uma vez decisivo com dois golos à matador. Podia ter faturado um terceiro mas o cabeceamento saiu demasiado picado e ressaltou para a barra. De resto, foi o o avançado batalhador e participativo de sempre.

Naldo - tinha uma das missões de maior risco, ao ser obrigado a marcar Aboubakar a 40 metros da baliza. Sabia que não podia deixar o camaronês arrancar e ganhar velocidade, pelo que foi uma autêntica carraça. Sempre que o avançado do Porto era solicitado, lá estava Naldo a antecipar-se nas costas - algumas vezes até teve que subir a meio do meio-campo do Porto para impedir Aboubakar de receber. Para além disso esteve muito bem nas dobras a Jefferson, e foi decisivo ao antecipar-se a Corona na pequena área ainda na primeira parte com o resultado a zero.

Rui Patrício - estaria certamente à espera de mais trabalho, mas no pouco que teve foi importantíssimo. Refiro-me, em particular, a uma saída da área em que se antecipou a Aboubakar e à defesa com o corpo perante o isolado camaronês.

Uma vitória do coletivo - seria injusto, num jogo em que a equipa demonstrou um empenhamento total e uma disciplina tática quase exemplar, não destacar a grande exibição coletiva que os nossos jogadores nos proporcionaram. João Pereira a fazer um bom trabalho a conter Brahimi, mesmo em muitas situações em que não tinha apoios próximos, e a recuperar a bola que daria origem ao lance do 2º golo. Jefferson fez mais uma assistência, para o suspeito do costume. Paulo Oliveira eficaz, como é habitual. William, enquanto esteve fresco, sempre rapidíssimo a soltar a bola com qualidade. Matheus a entrar no onze com grande personalidade. Ruiz com uma assistência e outras pinceladas de classe. E Gelson a ser extremamente útil, nunca facilitando nas tarefas defensivas. Um conjunto de boas exibições individuais sempre ao serviço do coletivo. Foi uma equipa no sentido total da palavra, que levou a lição bem estudada e a pôs em prática com enorme competência.

Um vulcão verde e branco em erupção - os 49.362 espectadores estabeleceram um novo recorde de assistência no novo Alvalade. Ficará na memória a entoação coletiva de O Mundo Sabe Que, no início da partida. Não tenho dúvidas que foi nessa arrepiante manifestação de amor ao clube que a vitória começou a ser construída. Agora imaginem se for sempre assim até ao final da época. Depende de cada um dos sportinguistas a recriação deste ambiente daqui para a frente. Não é aceitável que, depois de todas as provas dadas por esta equipa, que se repitam assistências abaixo dos 40.000 / 45.000 espectadores.


Negativo

A última meia hora de William - coloco-o no negativo, apenas porque se trata de Sir William. Não é de todo normal vermos o número 14 cometer tantas falhas como as que fez na última meia-hora: acumulou passes errados, más abordagens a bolas divididas e perdas de bola. Provavelmente ressentiu-se de alguma forma da lesão que o afetou durante a semana.

O problema não é meu, mas... - que desperdício ver jogadores como Brahimi e Corona completamente abandonados no seu flanco... o que não fariam nas mãos de Jesus.



Grande jogo, grande vitória, grande ambiente, liderança recuperada. Uma exibição que de certeza que convenceu os mais céticos que mora em Alvalade um verdadeiro candidato ao título. Se somos o principal candidato, isso é outra conversa. Temos todos os motivos para nos sentirmos confiantes com o progressivo entrosamento desta equipa, mas não há espaço para haver qualquer tipo de euforia: há muito campeonato pela frente, temos apenas dois pontos de vantagem e em qualquer momento pode aparecer-nos pela frente um novo União da Madeira.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Mais um exemplo gritante de dois pesos e duas medidas

Naldo empurrou um treinador que o tinha provocou dentro de campo, pelas costas, com contacto físico. O treinador leva 40€ de multa. O jogador leva dois jogos de castigo e está sujeito a uma pena de suspensão entre dois meses e dois anos.

Há dois anos e meio um jogador do Benfica viu o cartão vermelho por dar um pontapé num adversário (neste LINK vê-se melhor), e na sequência da expulsão puxou o árbitro Pedro Proença...


... mas essa atitude valeu-lhe apenas uma repreensão.


Isto não é apenas uma questão de regulamentos ineficazes e desatualizados. É sobretudo uma questão de má-fé de quem os interpreta e aplica.

(obrigado, @FDesempregado)

O futebol português a dar novos fundos ao mundo


Quando se castiga com uma multa de 40 euros um treinador que entra pelo relvado adentro, dá uma pancada num jogador e causa toda uma situação de caos com o único objetivo de ajudar a queimar os poucos minutos de jogo que restam, e o jogador que reage a essa provocação - tão improvável quando condenável - com um empurrão - nada de palmadas, socos ou agarrões - fica automaticamente suspenso por dois jogos e arrisca uma pena que poderá variar entre os 2 meses e os 2 anos, é um sinal inequívoco que o futebol português continua a ser um santuário da pouca vergonha. Não de forma tão descarada como há duas décadas atrás,  a pouca vergonha está agora mais refinada e escuda-se em interpretações absurdas dos regulamentos no conforto dos gabinetes.

Esclarecendo o que acontecerá a Naldo: para já é garantido que ficará de fora nos jogos com o Benfica e Belenenses. Entretanto a Liga abrirá um processo disciplinar, que automaticamente suspende preventivamente o jogador até um período de 2 meses. Se, num cenário ideal, a Liga conseguir concluir o processo no espaço destes dois jogos e decidir não penalizar o jogador com um castigo adicional, então não haverá nenhum dano adicional. O problema é que estamos a falar das instâncias disciplinares do futebol português.

Na prática, isto promete ser um caso muito semelhante ao do túnel da Luz, em que Hulk e Sapunaru estiveram suspensos durante 4 e 6 meses, respetivamente, para no final verem a pena ser reduzida para apenas três e quatro de jogos de castigo.

Tão vergonhosa quanto a interpretação da atitude de Naldo é a interpretação da atitude de Lito Vidigal. Note-se que a multa é de 40 euros porque Lito é reincidente (!!!) - já tinha sido expulso esta época. Se não fosse reincidente suponho que a penalização seria a proibição de comer chupa-chupas durante uma semana.

Perante isto, está aberto o precedente para que qualquer clube se sinta legitimado a colocar em todas as partidas um delegado ao jogo cuja principal função seja provocar ou até agredir os jogadores adversários em momentos de maior tensão. Qualquer expulsão que consiga provocar representa um retorno de 10000% do custo da multa.

Adicionalmente podemos dar um curso intensivo de trash talk a todos os apanha-bolas, prometendo um prémio de 1000 euros a quem conseguir levar um jogador adversário a aplicar-lhe uma lambada ou um empurrão em pleno jogo.

Parabéns, Conselho de Disciplina da FPF: esta decisão consegue entrar para o top dos episódios mais ridículos do dirigismo do futebol português. Desde o episódio do "dolo sem intenção" da Taça da Liga que não tínhamos direito a uma palhaçada deste calibre.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O que se passou imediatamente antes do empurrão de Naldo a Lito Vidigal

É inadmissível a atitude de Lito Vidigal. E com isto Naldo ficará de fora do jogo da Taça contra o Benfica.

Justiça poética a castigar o de(lito)

Como se esperava, o jogo não foi bonito. O Sporting defrontou um Arouca bem organizado, que soube tirar o melhor proveito de um relvado impraticável que tornava qualquer tentativa de combinação de ataque dos nossos jogadores uma missão praticamente impossível. Mas também houve demérito nosso, pois perante a sólida muralha amarela que enfrentávamos talvez se aconselhasse a partir de certa altura a colocação de mais jogadores na área e um futebol mais direto. E numa altura em que já se adivinhava o 0-0 final, Lito Vidigal decidiu mexer com o jogo de forma inadvertida ao expulsar Naldo e baralhou a estratégia da sua equipa: o Arouca, perante a recém-conseguida superioridade numérica, esticou-se mais no terreno e colocou mais jogadores em pressão mais adiantada, o que acabou por ser decisivo para que Ruiz, Montero e Slimani tivessem o espaço necessário para construir o golo da vitória.



Positivo

O golo - pelas circunstâncias em que aconteceu, é um daqueles momentos que também fazem parte da construção de um campeão. A tal estrelinha, se preferirem. Aos 90 minutos, Ruiz vê Montero a desmarcar-se e pica a bola por cima da defesa. O colombiano controla-a de forma perfeita e tenta o remate, que é bloqueado por Velasquez. Mas a felicidade acompanhou-nos nesse momento, pois a bola faz um segundo ressalto em Hugo Basto e acaba por ficar mesmo à frente de Slimani, que vinha em corrida de trás e deu o pontapé que nos assegurou três pontos preciosíssimos.

João Mário e William - João Mário foi sempre o jogador mais esclarecido na construção de lances de ataque. Teve que desempenhar várias funções durante os 90 minutos, esteve incansável no apoio à defesa e foi . William teve uma primeira parte pouco feliz ao nível do passe, mas na segunda parte arrancou para uma exibição seguríssima que foi decisiva para matar a maior parte das iniciativas atacantes do Arouca.

A gestão do plantel - sim, é verdade que o golo apareceu de uma forma algo fortuita, mas será que jogadores como Bryan Ruiz e Slimani teriam tido a mesma disponibilidade física ao fim destes 90 minutos se tivessem jogado na Albânia? Nunca saberemos a resposta, mas acredito que 180 minutos de competição em dois batatais separados por 3.000 kms no espaço de dois dias poderiam deixar algumas marcas - marcas essas, que poderiam ser suficientes para que não tivesse existido este bocadinho suplementar de força, resistência e esclarecimento que nos ofereceu os três pontos ao cair do pano.


Negativo

Lito Vidigal - reconheço-lhe mérito na forma como organiza as suas equipas - que são sempre um osso duro de roer (no ano passado não lhe ganhámos nenhuma vez em três ocasiões) -, mas teve uma atitude absolutamente vergonhosa ao provocar Naldo, atitude que acabaria por estar na origem da expulsão do brasileiro. Exige-se um castigo exemplar por parte da FPF, caso contrário qualquer elemento que esteja no banco pode começar a achar que compensa tentar provocar a expulsão de um jogador que esteja em campo. Pelo de(lito) cometido, a forma como acabou por perder o jogo soa a justiça poética.

Adrien - o capitão não teve um jogo feliz, cometendo demasiadas perdas de bola em lugares "proibidos" que poderiam ter causado problemas à nossa defesa.

Teo - depois de três jogos consecutivos a marcar, ficou em branco. Apesar dos golos que vai acumulando, continuo a não estar convencido em relação ao seu estatuto de titular: complica frequentemente e hoje esteve particularmente infeliz nas poucas ocasiões que teve para rematar.

A expulsão de Naldo - é verdade que foi provocado, mas não podia reagir daquela forma. Para além disso, podia ter comprometido quando derrubou perto do fim um adversário na área após se desequilibrar.



Uma vitória importantíssima que permite atravessar a pausa das seleções e a preparação do jogo com o Benfica com tranquilidade e confiança. Não é difícil imaginar a avalanche de críticas que cairia sobre a equipa e sobre Jesus caso não saíssemos de Arouca com a vitória...

terça-feira, 11 de agosto de 2015

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

O leão adormecido começou a espreguiçar-se

Não podia haver melhor forma de começar a temporada. Conquistar o segundo título no espaço de pouco mais de dois meses é a melhor terapia possível para despertar em definitivo o leão outrora adormecido. O lema que o Sporting escolheu para esta época começa a ser uma realidade e o melhor, para além da magnífica sensação de rechearmos o museu com um troféu que nos fugia há sete anos, é olharmos para os progressos registados pela equipa em tão pouco tempo e ficarmos a imaginar até que nível poderá evoluir.


Se no Sporting o onze lançado foi mais ou menos o esperado (Jesus voltou a apostar novamente em Teo em vez de Montero), no Benfica existiram várias surpresas: em primeiro lugar, a lesão de Luisão era mesmo real, e depois a aposta no miúdo Nélson Semedo, em Sílvio e em Ola John, no lugar dos mais rotinados André Almeida, Eliseu e Pizzi. E aqui fica a primeira dúvida da final: até que ponto o mind game de Jesus na conferência de imprensa poderá ter tido alguma influência nas escolhas de Rui Vitória?

Após o apito inicial, o Sporting entrou fortíssimo, semeando por diversas vezes o pânico na área adversária, com o Benfica a revelar grandes dificuldades sequer para sair do seu meio-campo com a bola controlada. Esse domínio territorial foi sendo esbatido a partir dos 10/15 minutos e é necessário reconhecer que o Benfica respondeu com algumas boas oportunidades à superioridade do Sporting, mas foi quase sempre a equipa de Jorge Jesus a demonstrar as melhores ideias e a parecer mais perto do golo. Golo esse que apenas não aconteceu aos 22' devido a um extraordinário corte de Jardel num cruzamento de Bryan Ruiz para Teo Gutierrez - eu já estava a levantar os braços para festejar. Golo evitado, mas que acabaria mesmo por acontecer um minuto depois através do colombiano, tendo sido no entanto incorretamente anulado devido a um fora-de-jogo inexistente assinalado no momento da assistência de Naldo. 

O intervalo chegou ao fim com um intenso travo a injustiça. A melhor equipa em campo não estava a ganhar apenas e só devido a um erro de arbitragem. Época nova, polémicas antigas.

Na segunda parte o Sporting voltou a ser a equipa autoritária do início do jogo. Sucedem-se as oportunidades junto à baliza do Benfica, Jorge Sousa volta a dar uma ajuda aos campeões nacionais ao perdoar um segundo amarelo mais que evidente a Sílvio, até que aos 53' fomos bafejados pela sorte: um remate de Carrillo embate nas costas de Teo Gutierrez e trai Júlio César, colocando finalmente justiça no marcador.

O Benfica respondeu ao golo com o seu melhor período da partida - sobretudo graças a Gaitan -, tendo razões de queixa de Jorge Sousa por não ter sido assinalado um penálti de Carrillo sobre o argentino. Mas foi sol de pouca dura. Jesus mexe e faz entrar Mané para o lugar de Ruiz (eu teria tirado Carrillo, que estava visivelmente desgastado e a revelar alguma falta de discernimento), e o Sporting voltou a controlar o jogo com João Mário no volante.

Até ao final do jogo ainda houve mais algumas oportunidades para o Sporting, com o Benfica a apostar exclusivamente nos lançamentos longos para a área à procura do recém-entrado Mitroglou. Mas desta vez, ao contrário do que se passou no jogo do campeonato em Alvalade, o Sporting foi muito inteligente na gestão do relógio e assegurou uma vitória tão justa quanto saborosa e importantíssima para a sua afirmação como uma equipa a levar em conta para todas as competições nacionais.

Individualmente, praticamente todos estiveram à altura das exigências, mas se tivesse que destacar três escolheria João Mário, Bryan Ruiz e Slimani. No entanto, há também que realçar o enorme jogo dos centrais. Começam a faltar os adjetivos para elogiar Paulo Oliveira, e Naldo está a revelar-se uma surpresa muito agradável. E não é demais referir que foram utilizados 6 jogadores da formação: Rui Patrício, Adrien, João Mário, Carlos Mané, Rúben Semedo e Gélson Martins. Os últimos dois entraram a poucos minutos do fim, é certo, mas o desenvolvimento de um jogador também se faz com a participação em momentos desta magnitude.

Festejámos ontem, desfrutaremos hoje e nos próximos dias, mas começando já a pensar no próximo desafio com o Tondela - com a tranquilidade e confiança de quem tem a certeza de que está no caminho. O leão adormecido começou a espreguiçar-se.