sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Há hábitos piores para se ter

É verdade que o Qarabag é tudo menos um colosso europeu, é um adversário contra quem tínhamos obrigação de vencer em casa, mas pode ser uma equipa chata - como se pode avaliar pela sua participação na Liga dos Campeões em 2017/18, quando empataram por duas vezes com o Atlético Madrid e venderam caras as derrotas tangenciais contra a Roma. Ontem, foi precisamente isso: uma equipa chata com qualidade suficiente para segurar um Sporting que não entrou particularmente preocupado em resolver rapidamente o jogo: a primeira parte foi bastante pobre, com sinais de melhoria nos últimos dez minutos que depois teriam sequência na segunda parte.

Na realidade, aquilo que se passou ontem para a Liga Europa não foi diferente do que tem sido a tendência neste início de época: mais uma vez, o Sporting fez uma exibição globalmente pouco entusiasmante; mas no final saiu com um resultado positivo. Jogar pouco e ganhar. Há hábitos piores para se ter.



As jogadas dos golos - a verticalidade do primeiro golo (com uma maravilhosa assistência de Nani) e a raça do segundo (com o bónus da maldade de Montero) valeram bem o custo do bilhete.

Valores emergentes - Raphinha foi mais uma vez fundamental, com um golo e uma assistência, e não há dúvidas de que ganhou um lugar no onze. Jovane, entrando apenas a cinco minutos do fim, parecia condenado a ter o seu primeiro jogo sem ter um impacto importante no resultado (penálti sofrido contra o Moreirense, assistência contra o V. Setúbal, Golo contra o Feirense, penálti sofrido contra o Marítimo), mas fez bom uso do tempo que lhe deram com mais um golo. Dois valores emergentes que, para além da posição, partilham uma característica fundamental: gostam de aparecer em zonas de finalização.

Acuña na lateral - é um upgrade claro em relação a Jefferson, muito mais fiável a defender e muito mais agressivo no um contra um. Apesar de ter jogado a lateral, parece-me que apareceu mais vezes em funções ofensivas do que nas ocasiões em que jogou a extremo. Espero que seja para se manter ali.



A lesão de Mathieu - depois de uma ausência de várias semanas, voltou a lesionar-se ontem. Que não seja grave.

Distrações a mais - houve demasiados momentos de desconcentração que, felizmente, não tiveram consequências graves. Defensivamente, as únicas oportunidades do Qarabag nasceram de ofertas nossas (Coates e Gudelj). Ofensivamente, tivemos ocasiões soberanas para marcar que não foram aproveitadas por falhas de entendimento que não deviam acontecer.



Missão cumprida no arranque da Liga Europa. Na próxima jornada espera-nos uma viagem à Ucrânia onde poderemos dar um passo gigante para o apuramento para a fase seguinte.

5 comentários:

  1. Bom dia.

    Desta vez, não concordo consigo, Mestre. O Sporting ainda tem muito para melhorar, sobretudo na assertividade defensiva, mas ontem fez um jogo competente. Na verdade, no plano do ataque, tirando o facto de a zona de finalização ficar um pouco macia com o Montero, este Sporting está bem melhor que o da era Chiclas. Há mais soculções, mais criatividade, mais dinâmica e até mais golo. Raphinha está a revelar-se um grande reforço, e é um exemplo da mais valia que é ter um jogador com mais golo do que ginga.

    Em quase todo o jogo, tirando a fase a seguir ao 1º golo em que eles tiveram mais inciativa, estivemos quase sempre em cima deles, mesmo que daí pouco tenha resultado.

    Um dado estatístico interessante: o Sporting fez menos passes que o Qarabag. Alguém deu conta? Pois é. Se calhar, é por aqui que se começam a notar pequenas grandes diferenças.

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  2. Convenhamos que ter um Qaralhabag no grupo ajuda e muito.
    Quando começarem a vir as derrotas e os empates até os autistas deste blogue vão suspirar pelo destituído

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    1. Um lampião piolhoso a suspirar pelo destituído?! Imaginem a minha surpresa...

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  3. A lesão do Mathieu foi sem dúvida uma coisa muito negativa, mas que salvou o Sporting de ter levado com o Petrovic quando ainda faltavam mais de 20 minutos para o final da partida. Defender a magra vantagem de um golo, é coisa de equipa pequena quando joga com um grande e é uma substituição muito perigosa, mas nestes casos compreensível e mesmo necessária. Só que o Sporting não é uma equipa pequena e estava a jogar em casa e o Qarabag está longe de ser uma equipa grande. O problema é que Pezero não sabe mais.

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  4. Quando vou a Alvalade ver o Sporting jogar, fico com a estranha sensação que estou a visitar um doente com uma doença grave e com pouca esperança de vida. Saio de lá satisfeito porque sobreviveu mais uma semana, mas ao mesmo tempo angustiado por saber que o fim está próximo caso não se encontre um médico competente capaz de medicá-lo convenientemente, pois tenho plena consciência que não resistirá por muito mais tempo entregue a esta equipa de curandeiros que o Mendes nos impingiu.

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