terça-feira, 27 de março de 2018

23 para o mundial

O Euro 2016 demonstrou que existem três condições fundamentais para podermos ambicionar uma longa participação no mundial que se avizinha: a primeira é um onze sólido, construído em função das funções defensivas da maior parte dos jogadores; a segunda é ter Cristiano Ronaldo saudável e não demasiado desgastado; e a terceira é o fator sorte, em especial na obtenção de emparelhamentos favoráveis na fase a eliminar. Tudo o resto é opcional, nomeadamente no que diz respeito à existência de processos ofensivos oleados.

Considerando o que aconteceu nos jogos disputados pela seleção, podemos dizer que este duplo compromisso foi um semi-sucesso, já que Cristiano Ronaldo demonstrou que, sendo servido em condições, não deixará de meter umas batatas nas redes adversárias. Confirmou-se também que, com a bola nos pés, a seleção continua a mostrar pouco ou nenhum fio de jogo e que Fernando Santos parece ser incapaz de oferecer ao nosso jogo ofensivo mais do que a soma das individualidades que estão em campo. O que correu mal foi a vertente defensiva, pois a seleção apresentou-se muito mais frágil do que se esperaria, apesar de haver as (importantes) atenuantes de nunca ter podido contar com Pepe e de a metade mais recuada do onze nada ter a ver com aquela que será utilizada quando começarem os jogos a doer.

No jogo de sexta, Fernando Santos teve oportunidade para verificar que a estrelinha está em forma, mas ontem esticou demasiado a corda, pois não há fada madrinha que consiga sacar um encantamento que resista ao onze escalado contra a Holanda: uma linha defensiva totalmente nova (Mário Rui em estreia, Cancelo é um lateral que é mais extremo do que defesa) e um meio-campo composto por jogadores redundantes - um onze que se preze não pode utilizar em simultâneo mais do que dois jogadores de um grupo formado por Adrien, Manuel Fernandes, André Gomes e Bruno Fernandes, quanto mais os quatro em simultâneo.

Acredito que, mesmo assim, Fernando Santos tenha conseguido retirar algumas conclusões sobre com quem pode contar e sobre quem deve descartar no momento de escolher os 23 que irão à Rússia.

Aqui ficam os meus dois centavos sobre quem escolheria para o mundial. Separo os 23 em indiscutíveis (aqueles que TÊM de ser selecionados) e abertos a discussão (eu levaria, mas admito que possa haver uma decisão diferente da minha). Nas alternativas estão aqueles que podem ser considerados.


GR: os três guarda-redes parecem-me completamente definidos. Nem sequer existe a necessidade de abrir o grupo a um elemento mais jovem, já que quer Rui Patrício quer Anthony Lopes têm ainda muitos anos de carreira pela frente - e não existe nenhum guarda-redes jovem que me pareça justificar essa prova de confiança.

Laterais: na direita, Cédric e Nélson Semedo parecem seguros. Cancelo não tem as características necessárias e creio que, com a exibição de ontem, deverá ter hipotecado as suas hipóteses. Aliás, creio que Ricardo Pereira deveria ser estar à frente de Cancelo na hierarquia de laterais. Na esquerda, admito que Coentrão não seja indiscutível devido à inconsistência da sua condição física.

Centrais: o setor em que temos mais problemas. Pepe é o único central de qualidade indiscutível. Fonte já provou formar uma boa dupla com Pepe, pelo que também deverá constar da lista final. Bruno Alves, na minha opinião, poderá ir... por falta de alternativas. Para mim, Rúben Dias seria também chamado, porque é urgente rejuvenescer esta posição, já com um olho no Euro 2020.

Médios defensivos: não me parece que existam grandes dúvidas aqui. Rúben Neves, a fazer uma boa época (no Championship, convém sempre lembrar), até poderá ser considerado, mas creio que só será chamado em caso de indisponibilidade de William e Danilo.

Médios de transporte: é, provavelmente, a posição em que mais concorrência existe. Considerando o momento de forma atual, só um jogador estará certo: Bruno Fernandes. João Mário, que é um dos elementos do núcleo duro da seleção, não deixará de fazer parte da convocatória se tiver um ritmo competitivo minimamente aceitável. Adrien, se continuar a ter poucos minutos, poderá ter problemas. André Gomes, para mim, já nem deveria ser hipótese. Moutinho garante melhor rendimento (ainda que também há muito não faça exibições verdadeiramente convincentes), e mesmo Manuel Fernandes e Pizzi deveriam ser considerados à frente do jogador do Barcelona.

Extremos / alas: Nani, com uma época pouco conseguida, não deverá conseguir fazer parte dos 23. Quaresma, Bernardo, Gelson e Guedes não só oferecem qualidades que poderão ser importantes em diferentes cenários de jogo, como também estão a fazer excelentes épocas nos seus clubes.

Pontas de lança: Cristiano Ronaldo e André Silva estão muito acima da concorrência. Não estou a ver Eder, o talismã de França, a fazer parte do grupo do mundial.

Quais seriam as vossas opções?

9 comentários:

  1. Considero O Rúben Dias indiscutível para os 23 e talvez para os 11. E até talvez o outro Rúben, o Semedo poderia ser alternativa ao Bruno Alves se não tivesse vindo com maus hábitos de Alvalade.
    Não compreendo como o André Almeida a fazer uma excelente época e um polivalente não é seleccionado nem equacionado.
    Não concordo com a possibilidade de Pizzi pois está a fazer uma época miserável, principalmente comparando com a anterior.
    Fábio Coentro de fora é o expectável, pois com as lesões permanentes teríamos só 22 disponíveis e não queremos nenhum chorão a dar moral às tropas.
    João Mário não deveria estar na coluna dos indiscutíveis mas sim das alternativas.
    Como existe sempre uma surpresa em todas as convocatórias, deixo o nome: Rafa

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    1. Quando o Ricardo Pereira e os outros 30 melhores laterais que ele se mandarem de um penhasco, o André Almeida pode ser equacionado. Lá fora é com árbitros internacionais.

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  2. Os meus 2 centavos:

    Ruben Vezo devia ser equacionado e estar à frente de Rolando e Neto ,é jovem e tem jogado com alguma regularidade num Valência em forma e mais experiente que Dias.(se bem que por mim até iam os 2 e não ia o Bruno Alves.

    De resto concordo com tudo, mas parece-me que Nani será carta fora do baralho, a haver dúvidas ,seria com Bruma.

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  3. A selecção portuguesa precisa de algo, imprescindível a qualquer equipa que se chama humildade. Quando se joga ostentando o estatuto de "campeão europeu" esquece-se rapidamente que, no fundo, são onze contra onze e os outros também treinam e jogam para ganhar. Quanto à equipa que jogou ontem, o meu destaque vai para 2 jogadores: Bruno Fernandes e Gelson. Para além da sua enorme qualidade, nota-se neles a humildade, o empenho e a vontade de fazer sempre um pouco mais que terá faltado ao resto da equipa. Creio que Ruben Dias (e há mais), a par de Bruno Fernandes e Gelson, devem ser seleccionados em detrimento de alguns que se comportam como quem tem lugar cativo porque... é campeão europeu.

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  4. Dependendo das condições físicas de Adrien, Coentrão, Nélson Semedo. Caso não estivessem, levaria Manuel Fernandes, R. Pereira e Mário Rui...
    Apenas teria a dúvida de Neto, ou Ruben Dias...
    O resto parece-me o mais indicado.

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    1. Bruno Fernandes e João Mário (este principalmente) como indiscutíveis à frente do Moutinho é uma excelente piada.

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  5. Bruno Fernandes é de longe o médio português a fazer a melhor época, no entanto, acho o Moutinho mais indiscutível que o João Mário. Estes dois jogos que fez mostraram que apesar de não ter o pulmão de outra época trás experiência e qualidade no passe. O José Fonte parece estar acabado, e a ida para a China ainda fez pior. Rolando é titular indiscutível no Marselha o que por si só já o põe à frente de qualquer outro central não chamado Pepe. O Quaresma só se for para entrar porque também já não dá nada. Bruma é o jogador mais esquecido pelos portugueses e não percebo porquê. De resto acho que está lá. Mais ou menos mexida os convocados serão esses também a meu ver

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  6. Ena, ena!

    O Orelhudo Guedes já se tornou um "indiscutível" da Selecção!

    Agora é que vai explodir a Orelhuda Cotação!

    Deve ter sido pela sua "Fabulosa exibição" contra a Holanda!

    Ou então contra o Egipto!

    Ou então contra os Estados Unidos!

    Ou se calhar não...

    Então só pode ter sido aquela fabulosa exibição no "amigável" contra a Arábia Saudita, em que meteu o único golo em 7 jogos, e mostrou a toda a gente que era sem dúvida o "Novo CR7 do Xeixal", “hiperpolivalente” a jogar mal na faixa ou na zona central, com lugar indiscutível no próximo Mundial!

    O Mais Perfeito Exemplar da Melhor Formação do Mundubai do Xeixal!

    Até está a fazer uma “excelente época” no seu clube (depois daquela meia dúzia de primeiros jogos a bombar tem sido sempre a decrescer, mas tudo bem, quem é que está a ver?)...

    Ainda mais Perfeito que aquele outro exemplar também muito apreciado aqui pelo artista do dia, aquele quisto rei cuja “cólidade” com tanto arreganho defendia, não sei se se recorda, mas tinha assim umas tranças e dava umas “sancholadas” na bola muito engraçadas...

    Mas não falemos de recordações desagradáveis, até porque não restam dúvidas que, com este Orelhudo “Indiscutível” Guedes, será nosso o próximo Mundial!

    (é nesta parte que o público se deve rir, só para o caso de não terem percebido)

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  7. Metia o Ruben Dias nos indiscutiveis
    Trocava ali o Adrien pelo Manuel Fernandes
    Acrescentava o Bruma e o Rafa às alternativas

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