segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Noite de surrealismo

Como se não bastasse todo o momento futebolístico que temos vivido nos últimos meses, a série de acontecimentos que antecederam a partida de ontem encarregaram-se de dar uma nota de surrealismo à noite que se viveu em Alvalade.

Começou pela chuva torrencial que caiu durante quase todo o dia e que afastou muitos sportinguistas do estádio, continuou com as buscas relacionadas com o ataque de Alcochete e que deixaram deserto um setor normalmente preenchido e ruidoso, e terminou em mais uma exibição pouco conseguida que ia comprometendo o resultado pela forma negligente como nos deixámos empatar em superioridade numérica, que foi salva, de forma não menos incrível, por um penálti caído do céu.



O resultado - se havia coisa de que o Sporting não precisava, considerando tudo o que se tem passado, era de passar as próximas três semanas a levar com o carimbo de crise também por causa dos resultados e do afastamento à liderança. Seria ainda pior se tivéssemos empatado por termos sofrido um golo em superioridade numérica. Numa altura em que entra o novo treinador, era fundamental ter a tranquilidade de um resultado positivo para esta espécie de pré-época relâmpago que acontecerá nesta pausa no campeonato.

Uma primeira parte razoável - o ritmo imposto esteve uns furos abaixo do desejável, mas ainda assim houve bons momentos de futebol durante a primeira parte. O melhor foi, obviamente, a jogada do golo: a receção orientada de Acuña é uma delícia, o cruzamento faz um arco perfeito e o cabeceamento de Dost ao canto inferior esquerdo da baliza é indefensável.

A reação do público ao golo sofrido - depois de alguns segundos de silêncio com o choque do golo (e que golo) sofrido, seguiu-se de imediato um forte apoio à equipa. Foram poucos os adeptos presentes em Alvalade, mas naquele momento foram muito bons.



Postura negligente - a segunda parte foi paupérrima. Em vez de se tentar acelerar o ritmo de forma a alcançar o golo da tranquilidade, a qualidade de jogo do Sporting voltou ao marasmo que tem sido regra ao longo desta época. Pode-se alegar que o desgaste do jogo de Londres servia de atenuante, mas esse argumento cai por terra quando vimos o adversário trocar a bola como queria quando já estava em inferioridade numérica, nomeadamente tirando partido da auto-estrada que se abriu constantemente no flanco esquerdo do Sporting. Uma postura negligente que nos poderia ter custado muito caro. Claro que seria injusto termos empatado - considerando as oportunidades de golo de que o Chaves (não) dispôs -, mas todos têm a obrigação de saber que no final apenas contam as bolas que entram na baliza.

Exibições - não me parece que Nani renda tanto estando encostado no flanco direito. Diaby entrou e foi incapaz de agitar o jogo, mostrando pormenores que me levam a estar muito pouco otimista em relação ao seu futuro no clube. Jovane continua a parecer-me muito mais útil saindo do banco do que como titular. Gudelj parece incapaz de assumir o transporte de bola e de fazer um remate em condições, mas desta vez esteve bem no passe (particularmente nos passes longos) e nos duelos defensivos. Bruno Fernandes continua muitos furos abaixo do que sabe.



MVP - Bas Dost

Nota artística - 2 

Arbitragem - há dois momentos muito polémicos. A expulsão de Bruno Gallo pareceu-me justa no estádio, mas ao ver mais tarde a repetição creio que houve rigor a mais e que, sendo uma daquelas situações alaranjadas, podia ter-se resolvido com um cartão amarelo. O penálti é polémico por causa da questão do critério, pois agarrões daqueles há muitos em cada jogo. Eu não teria marcado. A questão é que Tiago Martins tinha mandado parar a marcação do canto para avisar William que não podia usar os braços daquela coisa para envolver Dost... e depois William voltou a fazer exatamente isso sem sequer olhar para bola, mesmo nas barbas do árbitro. É muito pouco comum haver penáltis apitados nestas circunstâncias, mas o jogador não lhe deu grande alternativa.

(via @VPoursain)



Segundo lugar isolado, a dois pontos do Porto. Candidatos ao título? Dost disse tudo em relação a isto na flash interview: primeiro temos de jogar mais futebol, só depois é que se poderá falar em títulos. Tem a palavra Marcel Keizer.

9 comentários:

  1. "Jovane continua a parecer-me muito mais útil saindo do banco do que como titular"
    Há alguém para quem isto não seja óbvio?

    ResponderEliminar
  2. Se tiverem sempre o Tiago Martins a apitar, o sonho não tem limites..... e a falta de vergonha também não!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. A avaliar pelo teu registo de vergonha, sou gajo para dizer que tu, então, nem de casa sais, tal é a vergonha q tens das arbitragens q te têm vindo, há anos, a facilitar os jogos e, consequentemente, a vidinha.
      És, portanto, um "com-vergonha". Ainda bem.

      Eliminar
    2. Vergonha teria se o ministério público descrevesse atividades do meu clube como "criminalidade muito organizada" ou se um acusado de 78 crimes ao serviço do meu clube continuasse a ir a reuniões tratar de assuntos do meu clube com o presidente depois de o clube fingir que ele tinha saído.

      Eliminar
    3. O único erro do jogo foi a expulsão injusta e nem essa foi da responsabilidade do árbitro. O VAR tinha obrigação de o avisar, porque do ponto de vista dele ( e da imagem que primeiro deu na TV ) pareceu de facto de entrada para vermelho directo. Mas a falta de vergonha lampiã realmente é pouco limitada, ao contrário da inteligência.

      Eliminar
  3. O Tiago Martins já tinha parado o jogo para avisar o jogador do Chaves que não queria marcações ao Bas Dost e o tipo, desrespeitando-o, não só não saiu da grande área como persistiu na marcação ao avançado do sporting, por isso...
    Penalti bem asinalado e quem tiver dúvidas (não só neste lance como na expulsão...) que vá ver o veredito da carroça do Juízo Final com um cromo que substituiu o Henriques na SporTV.

    O Mostovoi de Viatodos é um aprendiz ao pé deste Martins.
    Surreal...

    ResponderEliminar