Terminada a época desportiva, em que contabilizámos dois títulos (Taça de Portugal e Taça da Liga), um 3º lugar no campeonato e a eliminação nos 1/16 de final da Liga Europa, as opiniões dividem-se em relação à avaliação geral do desempenho em 2018/19. O presidente Frederico Varandas disse, no seu discurso na Câmara de Lisboa, que foi a melhor época dos últimos 17 anos, ou seja, foi a melhor época desde que o Sporting venceu o campeonato pela última vez. Muitos sportinguistas concordarão, mas outros sportinguistas têm uma opinião distinta - a de que nunca se poderá considerar uma época de sucesso a partir do momento em que não alcançámos o objetivo primordial: o título de campeão nacional que há tanto tempo nos escapa. Entre as duas correntes, aproximo-me mais da posição de Frederico Varandas - ainda que não concorde totalmente com o que disse.
Na minha opinião, quando avaliamos o sucesso/insucesso da época temos de levar em consideração as expetativas que existiam a 31 de agosto, dia em que a janela de transferências encerrou e o plantel ficou definitivamente fechado. Nessa altura, só um louco (ou Sousa Cintra) poderia pensar que o Sporting tinha condições para lutar pelo título.
Começo pela escolha do treinador. Como se não bastassem todas as dificuldades causadas pelo estado de calamidade que o clube viveu entre maio e setembro de 2018, a contratação de José Peseiro foi uma aberração: não tinha a capacidade técnica necessária, é um fraco líder e, segundo o que se disse na altura, contribuiu decisivamente para o desequilíbrio do plantel com as suas indecisões numa altura em que o tempo urgia.
Depois, o desequilíbrio do plantel. As inúmeras lacunas que estavam por resolver não foram devidamente abordadas. Bruno Gaspar, Marcelo, Diaby e Sturaro foram contratações fracassadas. Não se contratou nenhum médio defensivo para suprir a saída de William Carvalho. O único lateral esquerdo de raiz com que ficámos foi... Jefferson, recusando-se o regresso de Fábio Coentrão. Não contratámos um médio defensivo (Gudelj fez a posição mas não é o seu lugar) nem um ponta-de-lança puro que pudesse substituir Dost (Montero tem características bem diferentes e Castaignos... bem, é Castaignos). Renan foi contratado a pedido de Peseiro e valeu dois títulos mas, convenhamos, a posição da baliza não era uma prioridade havendo Viviano, Salin e Max. Mantivemos no plantel um conjunto de jogadores que se via claramente serem demasiado caros para o que poderiam render, como André Pinto, Marcelo, Jefferson, Petrovic, Misic ou Castaignos. Bruno César ficou mas não contou para o totobola (mais valia ter saído logo). Considerando as lacunas, as dispensas de Demiral (um crime, nas condições em que saiu), Matheus Pereira, João Palhinha e Gelson Dala são incompreensíveis. Resultado: tivemos de atacar a época com um plantel caríssimo e carente de soluções.
Junte-se a isto o facto de Benfica e Porto terem acesso às dezenas de milhões da Liga dos Campeões, e não é difícil perceber que ninguém poderia realisticamente acreditar na conquista do campeonato. Se no dia 1 de setembro me tivessem perguntado se ficaria satisfeito vencendo a Taça de Portugal e a Taça da Liga, obviamente que responderia afirmativamente.
A prestação no campeonato acabou por estar na linha do que se previa. Ficámos fora da corrida muito cedo e o terceiro lugar alcançado, tão longe dos rivais, não é nenhuma proeza. A boa ponta final acabou por corrigir um percurso que foi demasiado irregular entre novembro e fevereiro e, a determinada altura, chegou a cheirar a humilhação. Por muito mal que o clube tenha iniciado a época, não seria tolerável terminar abaixo do Braga.
A boa ponta final no campeonato, a partir de março, e o sucesso nas taças abre algum otimismo para o futuro. Para vencer a Taça de Portugal foi preciso bater tanto Benfica como Porto. A Taça da Liga, sendo um troféu de importância secundária, foi conquistada numa final four disputada pelas quatro equipas mais fortes do país - incluindo o Braga, que jogava em casa - e que tudo fizeram para a conquistar. Não existiram quaisquer facilidades pelo caminho, pelo que o mérito do Sporting é absolutamente incontestável.
Não concordo com Frederico Varandas quando afirmou que esta foi a melhor temporada dos últimos 17 anos. Pensando exclusivamente em títulos, até poderá ter razão... mas, porque o acesso à Liga dos Campeões é agora mais fundamental do que nunca devido aos prémios que distribui, preferia um 2º lugar no campeonato à Taça da Liga - algo que Paulo Bento alcançou em 2007/08: 2º lugar, Taça de Portugal e ainda a Supertaça. Esta sim, foi a melhor época dos últimos 17 anos. Mas considerando as expetativas com que partimos e aquilo que foi alcançado, sou de opinião de que podemos considerar 2018/19 como uma época de sucesso, seguramente a de maior sucesso desta década. Para além disso, Keizer parece estar a adaptar-se bem à realidade nacional após alguns erros iniciais, e houve um bom trabalho no mercado de inverno que abre boas perspetivas para o que se poderá fazer na preparação da próxima época. Há motivos para que os sportinguistas sintam satisfação pelo que foi conquistado nesta temporada, e há também motivos para reforçarmos a esperança naquilo que 2019/20 - uma época em que a ambição terá de ser necessariamente mais elevada - nos poderá proporcionar.
E analisar a época num todo (Sporting clube de Portugal)? é assim que eu analiso o SPORTING..
ResponderEliminarO descalabro das modalidades?
Cada coisa de sua vez, daí ter colocado "Balanço da época, nº 1".
EliminarDescalabro das modalidades? Fomos campeões europeus em duas modalidades........... wtf? Se se refere ao volei e andebol, ficámos em segundo, mas prefiro mil vezes ser campeão europeu em duas modalidades e ficar em segundo nas outras, do que ser campeão em todas e não ganhar nenhum título europeu. Acho que isto é óbvio...
EliminarConcordo, não faz sentido falar-se em descalabro numa época em que fomos campeões europeus em duas modalidades, uma das quais inédita no nosso clube.
EliminarDeveria ter escrito análise da época futebolística. E o Sporting, felizmente, não é só andebol. Embora neste país, de visão curta e pequena, só isso interesse
ResponderEliminarAs modalidades terão um post próprio.
EliminarUma questão:
ResponderEliminarna altura, quando Paulo Bento ficou em 2º e ganhou a taça, foi visto como uma época de sucesso?
Nessa época, Paulo Bento pegou na equipa desde o início, não havia a diferença de orçamento que tivemos esta época face aos dois rivais, e, sobretudo, não houve a instabilidade que houve em 2018.
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