segunda-feira, 5 de março de 2018

Os pecados de Jesus

Coisa tão certa quanto a morte e os impostos, é aparecerem as análises monocromáticas de muitos dos nossos comentadores da bola após um desaire do Sporting. Análises monocromáticas no sentido em que são, invariavelmente, incapazes de encontrar aspetos positivos - ou sequer atenuantes - no rumo que as coisas tomaram. É o chamado totobola de segunda-feira, em que as opiniões são debitadas exclusivamente em função dos gostos pessoais e do facto de a bola, após bater no poste, se ter dirigido para dentro da baliza ou para fora de campo. Não têm capacidade (ou vontade) para perceber ou referir, em simultâneo, aspetos positivos e negativos. Ou preto, ou branco. Monocromáticas.

Está mais que visto que um dos alvos a abater será Jorge Jesus, e não tardarão a surgir os debates em que se discutirá se o treinador deverá ou não continuar à frente da equipa técnica do Sporting na próxima época. É fácil bater em Jesus num momento destes, apesar de, sinceramente, me parecer prematuro, pois ainda há muitos objetivos para atingir: a Taça de Portugal está em aberto, veremos até onde conseguiremos chegar na Liga Europa, e há um segundo lugar do campeonato - com consequente acesso à pré-qualificação da Liga dos Campeões - por disputar. Como tal, as contas definitivas devem ser feitas apenas quando a época acabar.

No entanto, isso não quer dizer que não se possam apontar críticas às opções de Jesus, da mesma forma que é conveniente recordarmo-nos dos aspetos bons do trabalho que desenvolveu esta época. Nesse sentido, aqui ficam os meus dois tostões sobre o que me parece que não tem estado a correr bem de janeiro para cá - convém relembrar que, até dezembro, era difícil exigir melhor a uma equipa que se manteve na corrida em todas as competições em que estava inserida.

Para mim, os principais pecados de Jesus têm sido os seguintes:

O reforços do plantel em janeiro
Se perguntassem à maioria dos adeptos que posições queriam ver reforçadas durante o mês de janeiro, a maior parte responderia, de caras, da seguinte forma: um defesa-esquerdo, um box-to-box, um extremo desequilibrador e um ponta-de-lança. De certa forma, todas essas posições foram reforçadas, mas a generalidade dos nomes encontrados ficaram aquém das expectativas. 
Dois vieram numa lógica de rendimento imediato: Rúben Ribeiro e Montero. Rúben Ribeiro, até ver, não tem demonstrado ter o perfil de que necessitávamos - eu via maior necessidade de um jogador mais à Gelson, capaz de acelerar o jogo e com facilidade de arranjar espaços onde eles não existem. Montero, por sua vez, não me está a desiludir porque está a fazer exatamente aquilo que eu esperava - porque me lembrava bem daquilo que era o seu rendimento antes de ter ido para a China -, ou seja, por cada jogo bom que faz, há outros dois ou três que lhe passam completamente ao lado. 
Os outros reforços, Lumor, Misic e Wendel, vieram numa perspetiva de futuro. Misic veio reforçar uma posição excedentária num plantel onde já existem William, Battaglia, Palhinha e Petrovic, e, como se tem visto, tem tido dificuldades em arranjar espaço para jogar. Está visto que Lumor só cheirará a bola quando Coentrão e Acuña não estiverem disponíveis, ou seja, nesta época não contará para o totobola. Wendel é o caso mais complicado de compreender, porque, em teoria, era o grande reforço de inverno do Sporting. Mesmo sabendo que o futebol brasileiro é, taticamente, muito mais relaxado que o português, esperava que tivesse havido muito mais oportunidades de utilização em função do seu elevado potencial. Sinceramente, não vejo que fosse um risco assim tão grande a sua utilização contra adversários de meio e fundo da tabela, e assim dar-se-ia descanso a um Bruno Fernandes que tem sido espremido até à exaustão de quatro em quatro dias.


As inscrições na Liga Europa
Numa altura em que a prioridade principal era o campeonato, parecia-me lógico que se aproveitasse a Liga Europa - pelo menos nestas eliminatórias iniciais - para dar uso à profundidade do plantel, resguardando os principais jogadores para as competições internas (campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga em fases decisivas). Jesus só podia fazer três alterações na lista e decidiu inscrever Bryan Ruiz, Montero e Rúben Ribeiro. Percebo Rúben, até consigo aceitar a escolha de Montero, mas a inclusão de Bryan pareceu-me totalmente despropositada, considerando só termos um lateral esquerdo. E lá está, numa ótica de preparar o futuro, pareciam-me jogos ideais para ir lançando Misic e Wendel.
Nota posterior: Misic não podia ser inscrito porque jogou na Liga Europa pelo Rijeka.

A gestão de plantel
Ao longo das últimas semanas, tenho tido muita dificuldade em compreender algumas das escolhas de Jesus na gestão do plantel. Deixo aqui um par de exemplos.  
Primeiro quando, a ganhar por 3-1 em Astana - com a eliminatória praticamente decidida -, não aproveitou para amarelar vários jogadores que estavam em risco de suspensão, como Bruno Fernandes, Gelson, Coentrão e Gelson. Espero que, se tudo correr da melhor forma na receção ao Plzen, haja espaço para corrigir esse erro. 
Depois, na segunda mão contra o Astana, ao decidir levar a jogo Dost - quando me parecia um bom jogo para Doumbia ou até Montero (nenhum dos dois foi a jogo) - e Bruno Fernandes. Aceitaria, no entanto, que colocasse Bruno Fernandes a titular caso fosse para o deixar de fora no jogo seguinte contra o Moreirense (pois estava em risco de suspensão para o Dragão), mas, como sabemos, acabou por ser titular nos dois encontros. Ainda assim, é justo referir que Jesus rodou bastante a equipa nessa partida, deixando de fora Piccini, Coates, Acuña e Gelson.
Apesar disso, não acho que Jesus tenha tido responsabilidade na lesão de Dost - não parece que tenha sido uma lesão ligada a uma carga excessiva de jogos, e que poderia perfeitamente ter acontecido num treino.

Refém das suas próprias ideias de jogo
O Sporting atual está muito longe da versão rolo compressor de há duas épocas. A explicação para isto está, a meu ver, intimamente ligada ao fracasso rotundo de 2016/17: Jesus tomou como prioridade para 2017/18 não ter os mesmos problemas defensivos, que ditaram o afastamento prematuro do Sporting da luta por todas as competições na época passada. Justiça seja feita, o Sporting está muito mais sólido defensivamente, mas a que custo? Olhando para o onze, temos dois laterais pouco ofensivos (mesmo Coentrão - que tem feito uma excelente época - sobe muito menos do que quando estava no seu auge), dois alas/extremos com um enorme índice de trabalho defensivo (o que acaba, de uma forma ou de outra, por condicionar a disponibilidade para gerar desequilíbrios na frente) e dois médios centro que, neste sistema de jogo, não têm qualquer margem para facilitar quando não temos a bola em nosso poder.
Quase que parece que os nossos jogadores de cariz ofensivo são escolhidos, em primeiro lugar, em função do que podem oferecer no momento defensivo. Os reflexos disso são óbvios: o Sporting costuma dominar os jogos, mas em grande parte do tempo os adversários parecem demasiado confortáveis defendendo na expectativa, porque falta repentismo ao nosso futebol. Por outras palavras, o Sporting é uma equipa demasiado previsível quando tem a bola.
Perante isto, Jesus não tem conseguido estabelecer um nível de dinamismo superior na equipa. Parece colocar sempre uma importância superior no potencial desequilíbrio defensivo da equipa do que na potencial capacidade adicional de desequilibrar na frente. Parece estar refém das suas próprias ideias de jogo, mesmo que estas não estejam a ser suficientemente adequadas para o tipo de oposição que a equipa encontra.

Os pecados de Jesus que referi atrás devem, no entanto, serem enquadrados no panorama global das coisas. Em primeiro lugar, as condicionantes
  • O desgaste. De entre os grandes, o Sporting é a equipa que tem mais jogos oficiais disputados: 45, contra 41 de Porto e 38 de Benfica. Ou seja, o fator desgaste tem tido, nos últimos dois meses, um peso que não se pode ser negligenciado.
  • O Sporting não tem a mesma margem de erros que os rivais. O Benfica tem os seus Tondelas, o Porto tem os seus Portimonenses, o Sporting tem constantemente adversários dispostos a morrer em campo. Há quem parta para o início da época sabendo que tem, pelo menos, 18 pontos garantidos. E depois ainda há os Césares da vida, que, mesmo sem jogarem, conseguem forçar uma série de lapsos não forçados nos setores mais recuados de algumas equipas em certos jogos. É a podridão do futebol português no seu máximo esplendor.
  • As arbitragens. Desde janeiro que não temos uma única arbitragem que não tenha inclinado o campo contra nós. O VAR vai inibindo os árbitros de fazerem a sua magia habitual em lances demasiado óbvios - quer dizer, nem isso, basta lembrar o golo anulado a Doumbia frente ao Feirense -, mas os homens do apito não nos dão uma abébia quando lhes cheira a vulnerabilidade. Mathieu foi expulso por fazer o mesmo que Filipe e Rúben Dias fazem repetidamente sem punição. A expulsão de Petrovic foi uma vergonha. Ao invés, os adversários podem bater o que quiserem nos nossos jogadores, já sabem que o cartão custa mais a sair. É muito mais complicado jogar contra 14 do que contra 11.

Depois, só um cego é que não consegue ver que Jesus trouxe um nível de maturidade ao nosso futebol que há muito não se via. Para mim, a forma mais fácil de explicar a diferença pré-Jesus e pós-Jesus é a forma como encarava e encaro os desafios europeus. Há três anos, temia que qualquer jogo com uma equipa europeia de topo acabasse em goleada (ainda consequência do desastre com o Bayern). Agora, essa ideia nem me passa pela cabeça porque sei que o Sporting será capaz de discutir o jogo com qualquer adversário.

O Sporting de Jesus está construído para ser uma equipa capaz de disputar jogos contra qualquer adversário, e tem demonstrado constantemente que o consegue fazer: em toda a época, houve apenas dois jogos em que estávamos "derrotados" a 10 minutos do fim: nas deslocações a Barcelona e ao Estoril. Claro que está sujeito a que nem sempre consiga vencer, quer na Europa, quer internamente. O título nacional está perdido, mas até à jornada passada estávamos apenas com dois pontos a menos do que em 2015/16, uma época em que apenas não nos sagrámos campeões porque houve o desvirtuamento mais escandaloso de um campeonato de que há memória. Em relação a esta época, não me parece anormal que tenhamos empatado cinco jogos e perdido dois, em 25 jornadas. O que me parece anormal é como é que os nossos rivais empatam e perdem tão pouco. As condicionantes acima listadas explicam o porquê de tamanha eficácia pontual. E, num dos casos, também se pode olhar para a diferença de rendimento interno para o nulo rendimento contra adversários europeus. 

Em função de tudo aquilo que referi anteriormente, parece-me absurdo que se equacione a saída de Jesus agora ou na próxima época, assim como também acho prematuro que se fale já em renovação de contrato. Independentemente do que aconteça daqui para a frente, Jesus deve cumprir a sua quarta época ao serviço do Sporting. Isto para mim é uma evidência, mas também não deve ser interpretado como um Jorge Jesus forever, porque todos os ciclos têm o seu fim. Simplesmente, neste momento, e neste ecossistema viciado que é o futebol português, não me parece que exista outro treinador (daqueles que estão ao nosso alcance) que ofereça melhores garantias de sucesso.

25 comentários :

  1. Há outro ponto positivo com a vinda do JJ para o Sporting CP: passar-se de uma pequeníssima fresta para uma abertura completa da tampa da fossa que é o futebol português. Se o JJ tem cedido em ser desterrado para as arábias nunca mais se saberia da missa a metade. A vinda do JJ para o SCP significa o início da limpeza e desinfecção do futebol nacional. Vai ser, (ou já é) provavelmente, um marco histórico e prova de que acaba por ser o SCP que continua a prestar serviços fundamentais ao país "desportivo" mas também a pagar as respectivas facturas por meter as mãos na trampa.

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  2. Sou um seguidor deste blog, no entanto, a defesa intransigente de certos players do sporting deixa-me um pouco preocupado. A ver:

    Ponto 1 - "ainda há muitos objetivos para atingir: a Taça de Portugal está em aberto, veremos até onde conseguiremos chegar na Liga Europa, e há um segundo lugar do campeonato" - Isto parece que foi escrito por alguém que tem ganho muitos campeonatos. Para mim, a única salvação do Jesus é ganhar a Liga Europa;

    Ponto 2 - Concordo com os pontos negativos enumerados, no entanto, acho que pecam pelo elevado eufemismo, a ver: "Reforços, Inscrições e Gestão do Plantel" vs Falta de Inteligência, falta de liderança e Excesso de Arrogância; Refém das Próprias Ideias de Jogo vs Futebol Fraquíssimo! A arrogância do homem perante os críticos e adeptos, e o caso particular da lesão do Bas Dost não têm perdão! Não nos podemos também esquecer que o curriculum do Jesus foi bastante bafejado pelos anos dourados do colinho da luz, em conjunto com equipas de valores astronómicos..

    Ponto 3 - Em relação às condicionantes, é mais conversa da mesma, sempre a olhar para o que os outros fazem! é nojento, são todos um valente monte de esterco, sim! todos sabemos isso, e o que é que o Jesus faz em relação a isso? Lesiona o Bas Dost na véspera de ir ao Dragão num jogo que já estava ganho, são sempre os mesmos a jogar desde o início do campeonato, ideias e qualidade de futebol são zero! Empate em Setúbal, derrota no Estoril, etc.. é difícil ganhar com a teia mafiosa instalada, mas também perdemos muitos pontos há custa de actos de má gestão do treinador!

    Ponto 4 - Na minha opinião, a avaliação do desempenho do Jesus tem que ser factual e tendo sempre em conta o investimento efectuado (!!!!!), e não com conceitos subjectivos tal como a "maturidade do futebol".. Lembro-me do jogo com a Juventus em Alvalade em que julgo que poderíamos ter ganho se não fosse a burrice e arrogância do treinador! Sei que tendo em conta o nosso passado recente nas competições europeias, um empate contra a Juventus, ou uma derrota por 1 golo com o Barcelona são "bons" resultados, mas para mim, não bastam para fazer uma boa avaliação de desempenho do Jesus.

    Ponto 5 - Como defensor e apoiante do Bruno de Carvalho, receio que a continuidade do Jesus no Sporting possa vir a ser um novo motivo de instabilidade na Direção, pois não acredito que a situação melhore, aliás, se há coisa que me enerva é a expressão "Nós acreditamos em vocês". já são muitos anos a cantar isto...

    Resolvi escrever isto pois considero que a defesa cega de assuntos do Sporting não traz qualquer valor acrescentado. Uma das diferenças para os nossos rivais é que temos olhos na cara, dois dedos de testa e sabemos pensar pela própria cabeça! Neste momento, vejo o Jesus como uma peça dispensável (no final da época se não conseguir o campeonato ou a Liga Europa), pois não trouxe resultados desportivos significantes face ao investimento efectuado! é a minha maneira de ver e gosto de pensar assim! Repugna-me ver estádios cheios numa equipa em que o seu presidente é arguido em 3 processos de corrupção. Fico feliz por sermos diferentes! Saudações Leoninas

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    1. Mas dão a mãozinha a mafia de contumil eheheh

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  3. uma análise interessante:
    http://influenciaarbitral.blogspot.pt/2018/03/bruno-carvalho-e-coligacao-azul-eou.html

    É só constatar a vossa semana passada... a irem jogar contra o Filipe Vale Tudo e vêm com umas pseudo agressões do Ruben Dias... A saber se dos pagamentos do porto ao Estoril e nem um ai...

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  4. Está mais que visto que tentaram abater BdC e não conseguiram, antes o estão a tornar mais forte. Agora viraram-se para o JJ... Já ontem começou, nos primeiros 40 minutos do Play-Off. Na 3ª Feira, no Tempo Extra, já deverá aparecer o contador de dias até o JJ se ir embora.

    Eu tenho defendido a renovação do contrato do JJ. Acho que é muito importante dar este sinal ao Treinador e assegurar o nosso futuro.
    O trabalho de um treinador não se poderá ver só nos resultados. O Sporting vem de anos de atraso em relação aos rivais e não é em pouco tempo que os conseguirá igualar. Se achamos que o JJ está a fazer um bom trabalho,com uma subida constante do Sporting a vários níveis, então devemos manter a aposta nele. As escolhas não podem estar condicionadas com a bola bater no poste e entrar ou não na baliza. Se acreditamos no trabalho que o JJ tem vindo a fazer, então vamos dar um sinal importante e renovar-lhe o contrato.


    Em relação aos reforços de Janeiro, acho que o Rúben Ribeiro não tem a velocidade que necessitamos. O Montero também penso que deixa algo a desejar, já antes deixava.
    Wendel é uma opção para o próximo ano. Aqui faz-me lembrar os tempos áureos do FCP, quando comprava brasileiros em Janeiro para na época seguinte entrarem em pleno e não estarem à espera da necessária habituação aos campeonatos europeus. Acho que foi uma excelente medida, a ver à frente claramente, e isto é um upgrade em relação ao que estávamos habituados. Isto revela a pró-atividade desta Direção.
    Estamos a ganhar cada vez mais o Bryan Ruiz, que também foi um reforço que entrou praticamente em Janeiro e que está já a ter um rendimento cada vez melhor. Se tivesse começado a época com a equipa, de certo teria ajudado muito mais.

    Tenho pena que o Bruno Fernandes não jogue sempre no apoio a Bas Dost pois penso que é onde rende mais. Mas como temos muitos jogadores para jogar nesta posição (Rúben Ribeiro, Bryan Ruiz, Montero, Podence, Doumbia), o Bruno vai para o meio campo. É uma enorme jogador, grande contratação. Pagar 10M€ por um jogador destes, não custa.

    O Acuña também já está a chegar ao rendimento que nos habituou no início da época e pode ajudar mais a equipa.

    Para a frente é o caminho, não vale a pena estarmo-nos a lamentar, mas sim corrigir o que não correu bem, para o futuro ser de uma Glória continuada.

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  5. Gostando eu de futebol, nasci com os 5 violinos, não posso deixar de constatar que o futebol é o eucalipto do desporto; seca todas as outras modalidades, quer na cs quer em muitos adeptos.

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  6. O que não é referido neste post é que, tendo em conta o ordenado que recebe, JJ deveria fazer muito, mas muito mais. Uma supertaça e uma taça da liga em 3 anos e com milhões de investimento no plantel, é manifestamente pouco. Se a isto acrescentarmos os rotundos fracassos na primeira liga, mais absurdo se torna o ratio investimento/retorno. Se é para ficar em 3º lugar (ou 4º pois até o braguilha joga mais que nós) então qualquer Marco Silva desta vida serve... Depois há a questão da bazófia: o que é que JJ já conseguiu no Sporting para se permitir a conversas como "o Sporting não estava habituado a lutar nas frentes todas"... é preciso lembrar-lhe que até José Peseiro nos levou à Final da Taça UEFA e perdeu o campeonato nas últimas? Este fim-de-semana o Braga foi ao Estoril espetar 6 e nós viemos de lá com uma derrota! Já nem falo do futebol sofrível que praticamos contra equipas bastante inferiores (e.g Setúbal, Moreirense, etc...) e com um orçamento que ao pé do nosso dá vontade de rir.
    Se o Sporting não ganhar pelo menos a taça esta época, então sou da opinião que é de rescindir com JJ. Um treinador que ganhe 1/4 por época do que ele ganha, não fará certamente pior...

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    1. O retorno em termos de investimento também se analisa em termos de retorno financeiro. E a conversa do treinador que custa um dinheirão e "não justifica porque não ganha nada! desportivamente, é a que mais ouço nos lampiões. Mas vejamos o retorno financeiro desde Jesus. Potenciação das qualidades de jogadores que contribuíu (mais o aumento da qualidade negocial do clube) para vendas como João Mário, Slimani, Adrien e Ruben Semedo (cerca de 120M€); os valores do acesso e disputa da fase de grupos da Liga dos Campeões (nas 2 últimas épocas quase 30M€); a maior competitividade internacional (jogos c/ Real, Dortmund, Barcelona e Juventus) deram mais visibilidade e melhoraram a valorização da equipa, dos jogadores e da marca.
      Julgo que tudo isso, são factores objectivos e quantificáveis que deveriam também pesar na suposta "análise custo/benefício da contratação e/ou manutenção de Jesus.

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    2. O que os Marcos Silva desta vida não fazem é potencializar e desenvolver os ativos da forma que o JJ faz. Nem o Mourinho o consegue fazer. Temos vários exemplos de jogadores que com o JJ rendem muito e que chegam às mãos do Mourinho e perdem potencial (ex: Fábio Coentrão, David Luiz, ...).

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    3. O JJ veio para o Sporting com o objetivo de interromper um longo jejum no campeonato, tendo sido um ás-de-trunfo de Bruno de Carvalho. Tirando o primeiro ano em que efetivamente jogámos à bola e não fomos campeões por "artes mágicas obscuras", a verdade é que esta é a segunda época consecutiva em que falha esse objetivo clamorosamente e por culpa própria. Mais uma vez se vê que não há capacidade dele para gerir um plantel... parece que jogar à bola numa equipa do JJ é como tirar um doutoramento; as táticas são sempre tão evoluídas que demora meses a um jogador interiorizar tão elaborados conceitos... enquanto isso jogam sempre os mesmos 11 que se vão arrastando a custo pelos campos da primeira liga. Já nem vou falar do desastre que foi a preparação da última época com o Marrekovic recebido em ombros pela Juve Leo no aeroporto; Este mercado de Janeiro, não acrescentou nada à equipa: Montero continua a mesma mosca morta de sempre (nunca o vi festejar um golo... olhe-se para a diferença das celebrações de Bas Dost); fomos buscar um defesa esquerdo a quem o JJ apelidou de manco numa flash-interview; o Wendel ainda anda às aranhas com o doutoramento nas táticas da bola... enfim se isto vale 4 milhões por época para vocês tudo bem. Eu acho que sem resultados práticos (taça e mais utopicamente a Liga Europa) não justifica.

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    4. Estamos mais perto da Glória e isso nota-se a olhos vistos.

      JJ é o melhor treinador português e é do Sporting.

      O falhanço da conquista do campeonato deste ano não se deve exclusivamente ao JJ. Os Jogadores, Direção e Adeptos também têm a sua quota parte.

      Em relação aos adeptos refiro-me aos sportinguistas aziados que estão sempre a aparecer para dizer mal. Ainda não vi nenhum a aparecer para dizer bem. Deviam ter vergonha na cara e respeitar o Sporting e a escolha da maioria dos adeptos por esta Direção.

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  7. Outro dos momentos-chave foi quando, em Setúbal, com a equipa em poupança para o jogo seguinte contra o Porto na Taça da Liga, JJ faz a primeira substituição aos 83 minutos...

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  8. Excelente análise Mestre, como habitual.
    Concordando com tudo, acho que onde temos falhado cronicamente é nos jogos internos com equipas pequenas e, especialmente, na forma como desperdiçamos sistematicamente 45m (péssimas entradas) e muitos golos nesses jogos (fraca eficácia).
    Independentemente do "campo inclinado", a verdade é que os nossos adversários imprimem outro ritmo e abordam esses jogos de forma diferente, para muito melhor... as faltas a favor não marcadas e contra em excesso, os respectivos cartões, penalties e até VARs ajudam, mas não explicam tudo, na minha opinião.
    O diferencial de golos é elucidativo a este respeito... até o braguinha já está melhor do que nós em golos marcados.
    E, olhando para os pontos perdidos, lá estão 7 esbanjados com os últimos da tabela (Estoril 3, Moreirense 2 e Setúbal 2) a afastar-nos mais uma vez dos nossos objectivos... além de muitos conquistados em esforço contra adversários idênticos.
    Parece-me que o ciclo do Jesus já não levará a resultados diferentes e melhor seria terminar, embora a sucessão seja sempre difícil... independentemente de ganharmos a TP, porque a LE acho impossível vencermos.
    Enfim, para o ano é que é!
    SL
    Lanterna Verde

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  9. Quando ele se mudar aqui para o Norte logo veremos qual é a verdadeira opinião que tens acerca dele.
    JJ têm tanto de gênio como de medíocre, esse sempre foi o seu calcanhar de Aquiles. Na sexta, toda a gente que o segue com atenção desde á 7 anos atrás, percebeu que ele estava aliviado por não ter saído do Dragão cilindrado e goleado. Nós momentos de sim ou sim já se sabe como é JJ

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    1. "Na sexta, toda a gente que o segue com atenção desde á 7 anos atrás, percebeu que ele estava aliviado por não ter saído do Dragão cilindrado e goleado"(cit.). Gostava de saber porquê? O SC foi, no global a melhor equipa em campo, em TODOS os factores contabilizáveis do jogo, excepto, infelizmente, na eficácia. Mas mesmo esta é prejudicada por não se ter assinalado um penalti claro e por se ter inclinado o campo (nos amarelos então foi notório; até os que mostrou ao Porto foi interrompendo a 1ª fase de construção ofensiva em contra ataque, em claro benefício do infractor; logo no início do jogo foi vê-lo a mandar vir com o Bryan Ruiz - "fala baixo" - ou a forma ríspida como o mandou afastar da bola para se marcar um livre em contraste com a "meiguice" que usou 3 ou 4 minutos depois para com Brahimi, exactamente pêlos mesmos motivos; os jogadores, em campo, percebem logo esses sinais; uns e outros). Por tudo isso, falar de "alívio por não ter sido cilindrado no Dragão", exactamente no único jogo da época em que o SCP foi manifestamente superior ao FCP é de bradar aos céus.

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  10. Análise justa e bem medida, mas discordo da conclusão :) JJ deu-nos uma equipa competitiva como há muito não víamos, é certo, mas com atributos mais ajustados às competições europeias do que às internas, melhor a defender do que a atacar. Ora, se a prioridade sempre foi a Liga, algo não bate certo e precisa de ser reconsiderado.

    Creio que todos concordamos que é preciso mais rapidez e talento para furar defesas fechadas e agressivas. Como sabemos, nenhuma equipa de meio ou fundo da tabela se lembra de jogar «olhos nos olhos», «o jogo pelo jogo», «de forma aberta» etc. contra o Sporting. Essas fantasias guardam-nas para os nossos rivais. Mas se a larga maioria dos jogos que compõem a nossa Liga são precisamente jogos disputados contra equipas encerradas no seu meio-campo, é para autocarros que a nossa equipa tem de estar preparada.

    Isto significa que é preciso mudar algo e é aqui que discordo com o Artista: será JJ capaz ou terá sequer vontade de o fazer? Um treinador que parece cada vez mais cauteloso e conservador? Nesse sentido, não tem feito um trajecto muito diferente do de Mourinho, por exemplo. Vejo-o desconfiado do talento duma equipa que ele próprio montou. Se isto não muda, o Sporting tem de pensar num futuro sem ele.

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    1. Em primeiro lugar, não é despiciendo que nas competições internas há outros factores que ajudam a explicar a diferença de resultado exibicional para as competições europeias. Desde logo, a maior "laicização" das competições uefeiras (não há tantos padres e tantas missas); mas também a diferenciação das "políticas de transportes" certos clubes colocam os seus autocarros estacionados frente à sua grande área em jogos contra o SCP e desimpedem a via circulatória face aos rivais. Mas depois também há que ter em conta que é normal que, nos jogos "a eliminar" ou com objectivos mais apertados (fases de grupos curtas), a intensidade das vertentes ofensivas sejam diferentes. E isso nem sequer tem de ver com a atitude; é assim com quase todas as equipas e tem de ver com a interiorização da situação que o Scolari chamava de mata-mata.
      De qualquer modo, é mais recorrente as equipas serem construídas de trás para a frente e mais usual começarem por carburar melhor nos processos defensivos para conseguirem ser mais desenvoltos, menos presos , nos processos ofensivos.
      Saudações leoninas

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  11. A realidade é esta Mestre.

    Pelo o 2º ano consecutivo ficas fora da luta pelo campeonato, muuuuito cedo.
    Ninguém fala em ser "campeão", mas sim dar luta, aproximar o Sporting dos rivais e isso não aconteceu.
    A única aproximação é que este ano aguentas-te até Março na luta, já que o ano passado em Janeiro já não andavas.

    O Sporting não pode empatar com Braga em casa, quando esta a ganhar e ainda permitiu virar o resultado...e a equipa de Abel vem de uma Quinta Europeia a jogar FORA.
    Ir a Setúbal empatar, aos 90 minutos, num chutão para a frente que nos apanha em contra-pé, fica difícil.
    Dou o exemplo destes dois jogos, em vez de ir ao Dragão com a corda no pescoço ias sem ela e mesmo com a derrota podias continuar na luta até ao fim.

    Outra coisa é os golos sofridos, a facilidade com que qualquer adversário faz nos frente e não precisa de ser esforçar muuuito, só se safa Piccini (uma achado) e Mathieu...e claro São Patricio que não dá para salvar tudo.

    E claro a Gestão do plantel, a malta fala do 1º ano, não se podem esquecer que andamos a jogar uma 2º metade só no campeonato, ou seja jogavam sempre os mesmos com uma 1 semana de descansado, não havia necessidade de rotação.
    Este ano chegas a esta fase com uma equipa de "rastos", quantos jogos rodou Bruno Fernandes? Para quê veio o Wendel?
    Epa á tanta coisa para pegar, que nem vale a pena nesta fase da época.

    Salvar a época? Vencer a Liga Europa e é onde o Sporting vai apostar.
    2º lugar? Não sei se vai haver foco para isso, espero estar enganado.
    A Taça de Portugal é apenas mais um jogo até á final, diria que um Sporting focado vence o Porto em Alvalade.
    Renovar com JJ? Não tem mostrado trabalho para isso, mesmo para ficar mais um ano até ao momento é curto.

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  12. Os maiores problemas estão a meu ver na feitura do plantel e na sua gestão. No primeiro campo, existem claras lacunas de planeamento que estamos a pagar caro pois as contratações não são tão cirúrgicas e lógicas como à partida poderiam parecer. E vejamos: não abundam na equipa jogadores ofensivos que possam fazer a diferença de um para um, o que num campeonato onde se joga num bloco baixo é para mim um erro crasso. Temos apenas Gelson e ainda assim não é um jogador que precisa de algum espaço e tem um drible algo pobre. Todos os outros não servem para jogar nos extremos, sendo que o caso de Acuna é flagrante no sentido de não ser nem um defesa nem um extremo, é uma ala. É verdade que no primeiro ano de JJ também não tínhamos jogadores com estas características, mas a táctica era outra e pressupunha avançados a jogar entre linhas, que por acaso era algo que possuíamos, quer no caso do Teo, que no caso do próprio Bryan (não percebo como é há tanta gente a dizer mal dele, quando basta jogar uns minutos na posição dele e a clarividência da equipa é outra). Ora, este ano, tendo em conta que Bryan pouco conta, não temos ninguém para o 2.º avançado que possa desonerar a equipa da necessidade de extremos desequilibradores. O que nos leva para a contratação falhada de Doumbia. Para não falar no mercado de inverno, que enfim, me faz alguma confusão como é que contratam jogadores para o miolo e nem se olha por exemplo para o Francisco Geraldes. Olharam para o Rio Ave mas foi para o Bruno Ribeiro....o que por amor de deus. Contratam jogadores a paletes e depois aparece um miúdo de 18 anos que vê-se logo que pelo menos tem mais pedalada do que a maioria dos que lá andam. Por fim....a gestão....é imbecil. Basta olhar para os números da equipa em comparação com os adversários e até em comparação com muitas equipas europeias que planeiam os seus plantéis para várias frentes. Jogam sempre os mesmos até rebentar. E porquê? Será que é a tal "estória" de que não sendo contratação de Jesus, não contam? Eu continuo a apoiar o presidente e o treinador, mas em alguns dias assolam-me dúvidas sobre os mesmos, pois por vezes parece que no Sporting não há estratégia. São todos ministros da propaganda mas falta estratégia. Talvez sim, talvez não.

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  13. Não te focaste no foco na formação. Há uns tempos, seria quase obrigação num treinador do Sporting. Como mudou o paradigma...

    Depois, um treinador que ganha 8 milhões por época e o que consegue fazer é ficar em 3 lugar, não parece, de todo, que mereça todos estes pontos de situação. Enfrenta grandes nas competições europeias olhos nos olhos... com que resultados? Diz-me os resultados nas competições europeias nestes 3 anos. Temos que ser práticos nas avaliações. O futebol são resultados, amigo Artista.

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  14. É q também só faltava essa, o Sporting sair goleado sempre que jogasse com os ditos gigantes. É que só faltava essa. Até parece que Jesus é que é o grande, e o SPorting o clube mediano guiado por um treinador de topo...
    É um problema. Pensar que o clube pelo passado de menos glória, já não é tão grande como outrora. Falta-vos mentalidade.

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  15. Ó MdC, e qual é a sua opinião sobre a continuidade de JJ para 2018/19 se, como todos esperamos, forem afastados da Taça, se ficarem pela próxima ronda da liga europa e ficarem ainda em 3º/4º no campeonato?
    É que do Bruno e do seu lacaio já nós sabemos, continuidade e aumento de vencimento.

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  16. O pecado de Jorge Jesus é ter vindo para o Sporting. Foi assassinado pela imprensa,o erro de JJ foi não se ter apercebido disso. Já não é só Sporting que tem de ser abatido, hoje mais do que nunca jorge jesus não pode vencer em Portugal

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  17. Aconselharia apenas a falar dos pontos positivos no inicio e não no fim. Mas de resto, tenho que dar te os parabéns pelo artigo. É que realmente as pessoas não percebem que o campeonato é uma luta desigual. Já trocamos muitas vezes de treinadores. Já trocámos de Presidente para um finalmente bom.
    E continuamos a não ganhar o campeonato.

    Mas o Sporting começa o campeonato com 0 pontos, o Benfica começa com uns 18 ou 24, o Porto tem uns quantos também, e nos outros jogos, é mais fácil prejudicar o Sporting que outros e beneficiar o Benfica em particular...

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