domingo, 19 de agosto de 2018

À falta de quem jogue, haja quem seja decisivo

Costuma dizer-se que quando se mantém determinada fórmula, é irrealista esperar resultados diferentes. A frase nem sempre se pode aplicar ao futebol devido às muitas variáveis que existem (nível do adversário, incidências do jogo, local da partida) mas, no caso de ontem, serviu que nem uma luva. Peseiro apostou num onze muito semelhante ao de Moreira de Cónegos e, mais uma vez, arrancou uma vitória suada apresentando uma qualidade de jogo paupérrima.

Foto: José Cruz / Jornal Sporting




À falta de quem jogue, haja quem seja decisivo - num jogo tão fraquinho, em que é difícil destacar qualquer exibição individual, a figura tem de ser, inevitavelmente, o jogador que marcou os dois golos. O primeiro num remate venenoso de fora da área, o segundo num cabeceamente fulminante a concluir uma excelente jogada coletiva que envolveu também Acuña, Bruno Fernandes e Jovane. Por falar em Jovane, mais uma vez entrou e não tardou a ser decisivo (mais uma vez). O cruzamento que fez para Nani saiu com o nível de tensão certo para ser só encostar a cabeça e apontar a direção. Mais uma vez, aproveitou muito bem a oportunidade que teve.

Pau para toda a obra - perante os equívocos na formação do onze (ver mais à frente), Mathieu e Coates têm de ser centrais e médios de construção. Em ataque organizado (ok, se calhar organizado é termo que não se aplica) chegaram à área mais vezes do que o par de médios que está estacionado à sua frente. Que se mantenham saudáveis ao longo da época, porque está visto que a sua atitude e compostura serão fundamentais para a equipa.

O ambiente em Alvalade - a assistência foi melhor do que esperava, considerando a queda das vendas de Gameboxes, e não houve episódios relevantes de divisão, o que era sempre um receio justificável sendo o primeiro jogo oficial em casa. Tirando alguns assobios de impaciência em determinados momentos pelo mau futebol praticado, foi uma noite com um excelente ambiente de apoio à equipa.




Equívocos e mais equívocos no onze - temos um miolo (seja com Petrovic, Battaglia ou Misic) que não constrói, sem capacidade de passe e sem capacidade de transportar bola perante um adversário próximo, acabando por ser os centrais a tentar compensar essa lacuna; faltam-nos extremos velozes e desequilibradores, encostando um Nani que pode render muito mais no meio e um Acuña (que está no bom caminho para se transformar no Bruno César do Sporting 2018/19) que muita falta nos faz como lateral; por falar em lateral esquerdo, Jefferson fez mais um jogo pavoroso. Nada que não se tivesse visto na jornada anterior mas, ainda assim, perante o nosso público e um adversário teoricamente inferior, Peseiro decidiu avançar com a mesma abordagem conservadora, que se aceita num jogo como o da próxima jornada, mas é incompreensível em casa contra o V. Setúbal. Mas o pior é que essa abordagem conservadora se enquadra num cenário de anarquia tática em que pouca gente parece saber aquilo que tem para fazer. Ganhámos na semana passada e ganhámos ontem porque temos melhores jogadores. Mas ou as coisas melhoram muito, ou não tardará que comecemos a perder pontos com demasiada frequência. 

O erro de Salin - esteve mal no golo do V. Setúbal, ao largar uma bola fácil que acabaria por ir parar aos pés de Zequinha, complicando um jogo que até tinha começado bem. Será importante que Viviano recupere para o jogo da Luz.

A lesão de Dost - que não seja grave e que regresse rapidamente. Montero não entrou mal (pelo menos ajudou a ligar setores), mas pode ser muito problemático se perdermos o único finalizador que temos no plantel.



MVP - Nani

Nota artística - 2

Arbitragem - Os jogadores não complicaram e Manuel Oliveira também não. Sem erros graves e sem influência no resultado. Fosse sempre assim.



Essencial: seis pontos em seis possíveis. A corrigir ASAP: zero exibições decentes em duas possíveis, contra adversários de nível inferior. Preocupação: visita à Luz na próxima semana; a jogar assim, vamos precisar de ter a mesma sorte que tivemos na época passada... caso contrário arriscamo-nos a passar uma noite muito complicada.

7 comentários:

  1. Eu fui jogador de futebol durante 20 anos,aprendi a ler o jogo de forma diferente de um qualquer espectador comum.Não discordo da tua opinião,mas há coisas que é bom realçar,a equipa não treme,a equipa está mais solta e confiante comparativamente a suposta fase de estabilidade do distutuido e mestre da táctica.Perdeu organização que é boa para a vista,mas só serviu para cansar os jogadores até à exaustão,mas ganhou-se expontaniedade.Por fim,quero dizer que jogam sempre os que estão melhor,nos não estamos nós treinos,apenas opinamos,mas seguramente jogam os melhores.Salin esteve muito bem,o lance do golo,aconteceu-me muitas vezes,quando o guarda redes fala,todos têm de sair da frente,se o central tivesse saído,ele não largava a bola.

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  2. "perante os equívocos na formação do onze (ver mais à frente)" - não sabia que o MdC tinha o curso de treinador. De que nível? Desnivelado?
    Em que é que baseia essa afirmação, nos treinos diários, na opinião que o departamento médico lhe transmite, na táctica delineada com os seus adjuntos para esse jogo, na visualização de vídeos sobre o jogo do adversário ou no curso de bancada que tirou? É que é uma opinião tão perentória e afirmativa que parece que trabalha com eles todos os dias.
    Mas num aspecto concordo, a jogarem assim tudo o que seja perderem por menos de 2 na próxima jornada já é uma vitória.
    Cumprimentos ao Carvalho.

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    1. pois é verdade,com o primor de futebol que vocês estão a jogar,é de meter medo ir a jogo,acho que mais valia fazer falta de comparência que dá derrota de 3-0 do que arriscar uma goleada das velha e sobretudo com a cacetada que alguns pés de chumbo que tens na tua equipa,andam a distribuir com a protecção dos bois do apito,não indo a jogo evitar-se-iam umas lesões!

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  3. Já deu para perceber que nos jogos em casa contra adversários teoricamente mais fracos a escolha recai em Misiç, quando é preciso defender, Petrovic.
    Não vamos esperar por milagres porque Peseiro e restante equipa técnica não dá para mais. Podemos ver, por exemplo, o currículo de Vitor Peseiro, antes de começar a trabalhar com o pai, foi treinador adjunto do Alcananense e do Bucelense, Tiago Fernandes também não foi promovido por competência mas por ser filho de quem é... Resumindo, depois do Mestre da Tática (de má memória) um monte de entulho enviado pelo "amigo" Mendes da lavandaria.
    É pena, pois este plantel do Sporting, apesar de ter poucas soluções, bem orientado, podia lutar de igual para igual com qualquer um dos rivais.
    Estou curioso para saber qual a equipa para a Luz, será que vamos jogar com três trincos?

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  4. Nota artística 2? 1 e já estamos a ser simpaticos. Talvez desde 2012 que n via o Sporting jogar tão pouco. Estou quase tentado a votar no PMR só para me ver livre do Peseiro (estou a brincar...). Do pouco que vi do Lumor, acho-o muito melhor q Jefferson. Nao percebo a insistência no brasileiro... terrível a defender e a atacar. Acuna a jogar assim nao pode ser titular. Esta cansado porque qs n teve ferias? Vai descansar. Medo do que aí vem...

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  5. Eh Pá no ano passado na Luz estivemos a ganhar por 0-1 até ao fim, não fosse o penalty tínhamos saído com os 3 pontos!!
    Sábado é para ganhar, com ou sem nota artística!!!
    SL

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  6. Concordo em geral com o texto. Só não posso estar entusiasmo com o Nani. Não é jogador moderno e ocupa mal o espaço a defender. É daqueles que passam jogos sem uma recuperação de bola ( sem falta claro ). O Wendell é um puto e por muito que ele não (?) faça nos treinos tem muito mais auto-confiança e técnica que a dupla Misic - Petrovic. O meu onze para a Luz seria :
    Viviano, Bruno Gaspar Matthiew, Coates, Acuna
    Wendell e Battaglia,
    Jovane, B. Fernandes, Rafinha,
    Montero. ( Para o resto da época B. Dost mas dada a nossa fragilidade é preciso um ponta de lança mais movel para contra ataques e ligação de sectores ). Incrível como um dos jogadores revelação da época passada Rafinha nem na pré epoca era aposta. Só isso faz levantar dúvidas porque também não joga o Wendell. Em Moreira de Cónegos Rafinha mostrou muita raça no tempo que teve em campo.
    É com muita pena que tenhamos bons jogadores no banco e jogadores completamente em baixo ( pela falta de confiança ) como Jefferson ou os Jugoslavos em campo.
    A uniao dos sportinguistas também passaria por um treinador que não inventasse. Não é o caso. Muita anarquia e onze mal escolhido.

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