Um dos pontos que me causaram maior preocupação no jogo com o Moreirense foi as notórias dificuldades do Sporting no momento da construção. Isso, a meu ver, explica-se sobretudo por dois fatores: o duplo pivot que Peseiro coloca à frente dos centrais não tem capacidade para organizar e transportar jogo ou dar apoio em zonas mais adiantadas (Coates e Mathieu foram mais participativos do que Petrovic e Battaglia); e também a desinspiração de Nani e Acuña, sendo que no caso do argentino há a agravante de se ter alheado do jogo durante demasiado tempo (Jefferson foi mais extremo do que Acuña, que raramente teve intervenções úteis junto à área adversária).
Intervir muito no jogo não é sinónimo de intervir bem, mas intervir pouco não costuma ser bom sinal para a exibição de um jogador - nomeadamente se tiver responsabilidades na construção. E olhando para o número de toques por 90 minutos (o número de toques corrigido em função do tempo de utilização de cada jogador), vê-se claramente que os números confirmam essa perceção:
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| Toques na bola por 90 minutos vs Moreirense (Fonte: whoscored.com) |
Por um lado, salta à vista o fraco nível de participação de Acuña em comparação com os outros jogadores de vocação mais ofensiva (deve excluir-se Dost desta comparação, pelas suas características específicas). É verdade que os número de toques de Raphinha e Jovane é empolado por terem sido muito mais solicitados no pouco tempo que estiveram em campo, mas, ainda assim, Acuña tocou na bola pouco mais de metade das vezes que os seus companheiros.
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| Heatmap vs Moreirense (Fonte: whoscored.com) |
Petrovic raramente tocou na bola no meio-campo adversário. Battaglia jogou mais adiantado do que o sérvio, mas poucas vezes se aproximou da área do Moreirense. Jefferson, Bruno Fernandes e até Raphinha tiveram muito mais presença junto à linha de fundo do nosso flanco esquerdo do que Acuña.
E nem vale a pena falar na presença de jogadores na área. Foram poucas as ocasiões, bolas paradas excluídas, em que tivemos mais do que um homem em posição de finalização.
Parece-me evidente que a nossa produção ofensiva continuará a estar furos abaixo do necessário se não tivermos mais jogadores de apetência atacante. Contra o V. Setúbal, entre Raphinha, Jovane ou Matheus, pelo menos um terá de ser titular (no lugar de Acuña). E não me chocaria absolutamente nada se Peseiro apostasse de início em dois deles nos lugares de Acuña e Nani.
Vamos ver o que decidirá o treinador no próximo sábado.


Acuña não é nem nunca será jogador para jogar na posição de extremo. Simplesmente não tem características para isso. Ele poderia ser aproveitado na posição de 8.
ResponderEliminarEu usaria o Acuña como lateral... o Jefferson a defender não dá segurança nenhuma.
EliminarNão esquecer que no 3o jogo vai-se à Luz, e ai parece-me que a experiencia vai sempre pesar... Não me admirava que ele repetisse o 11.
ResponderEliminarContra o V. Setúbal não há nada que justifique tantas cautelas. E na Luz poderá jogar em contra-ataque. Eu colocaria o Raphinha de caras na esquerda já no próximo sábado.
EliminarEm minha opinião a equipa base seria esta: Viviano, Acuña (LE) Mathieu, Coates e Bruno Gaspar, Bruno Fernandes, Raphinha e Dost.
ResponderEliminarAs restantes posições seriam ocupadas por três destes jogadores: Battaglia, Wendel, Nani e Matheus Pereira, consoante as características do adversário e o grau de dificuldade do jogo.
Caso Acuña esteja mesmo a atravessar uma má fase, Bruno Gaspar pode jogar a LE passando Ristovky a ocupar o lado direito.
Jefferson e Petrovic (ou mesmo Misiç) de início, só mesmo na cabeça do Peseiro.
Incluiria a posição de lateral direito na rotatividade em função do tipo de jogo. De resto, estou de acordo.
EliminarConcordo consigo, apenas optei por Bruno Gaspar porque notei algumas lacunas no Ristovky, nomeadamente no golo, mas sinceramente não conheço o suficiente de Bruno Gaspar para poder afirmar com certeza que é melhor opção. SL
EliminarCaro MdC,
ResponderEliminarPelos dados que nos traz, a pergunta é: o que é que andou o Acuña a fazer em campo?
Concordo também e em parte com o que expõe do duplo pivot. Em parte porque o nosso estilo de jogo sem william terá de ser diferente, não tendo agora nenhum jogador que desça aos centrais para vir buscar a bola como ele o fazia. Quando tentamos ver em Petrovic ou Bata o que eles não são... normalmente não dá bom resultado. Bataglia é um jogador físico de preenchimento de espaços e o Petrovic, os melhores jogos que vi dele, para mim, foram a central.
Eu acho que a ideia do Peseiro pode passar por um jogo a partir do central para o espaço entre linhas, na lateral ou no meio. Nas laterais temos jogadores com bom toque de bola e inteligentes e no meio temos, na minha opinião, o melhor jogador a jogar em Portugal que é o BFernandes. O nosso primeiro golo foi muito assim.
Deixe-me salientar outro pormaior dos seus dados. Fico agradado de ver que o BFernandes jogou mais perto da baliza e, mais importante ainda, da esquerda para a direita.
Se conseguirmos mais 2 reforços (avançado e médio) podemos melhorar o jogo e ao mesmo tempo ter mais opções para variar o jogo.
Abraço,
Pedro
Nani traz algo de positivo à equipa?
ResponderEliminarperde-se em fintas e jogadas individuais.
veremos se está mais maduro e menos indisciplinado.
e veremos se a experiência será um trunfo nos jogos importantes.
falta na equipa um jogador cerebral - podia ser francisco geraldes (ah foi dispensado pelo treinador, pois...que ideia genial)
é por isso que eu digo que o Xico encaixa que nem uma luva na equipa, pelo menos nestes jogos em que é suposto dominarmos 80% do tempo.
ResponderEliminarUm médio defensivo como o Battaglia a destruir e a controlar o meio campo, com o Geraldes ao lado iniciar o ataque e a segurar quando fosse necessário. Acho que foi o maior disparate que fizemos.
Agora quando precisarmos de um médio centro mais criativo a única hipótese é descer o Bruno Fernandes e meter um avançado.
São tantas as asneiras neste esquema do Peseiro:
ResponderEliminar- petrovic e Jefferson dificilmente teriam lugar no plantel do Sporting, quanto mais no 11.
- a lateral esquerda seria do Lumor, sempre que entrou deu boas indicações e n percebo pq nunca é aposta. Até B.Cesar ou Acuna fariam melhor
- um duplo pivot com dois medios que n sabem construir, quando apenas um central (mathieu) sabe sair a jogar... nem na luz ou no dragao, quanto mais em moreira.
- Nani e Acuna nao sao extremos. O nani ja n tem velocidade e o acuna nunca teve (pelo menos com bola no pé). Aliás o Acuna ainda n justificou o investimento e recusar qq proposta acima de 15M é crime.
-Assim, para mim seria: Salin ou Viviano (ainda n percebi qual sera melhor e n conheço Renan); Ristovski, Coates, Mathieu e Lumor; Batta (ou Misic) a trinco; uma linha de 3 medios com BF no meio com liberdade, B Gaspar na direita e na esquerda um medio com capacidade de jogo interior que podia ser Wendel (mas podiam ser muitos outros - Acuna, B Cesar, F Geraldes se tivesse sido emprestado); na frente Nani no apoio a Dost.
- o ideal seria uma dupla com Dost e R. Leao, mas o Cintra foi suficientemente perspicaz para perceber que, junto com BF, o R. Leao era o regresso mais importante.
*Cintra NÃO foi suficientemente perspicaz
EliminarContra o Setubal em casa.
ResponderEliminarTem de ser ago parecido com isto.
Coates Mathieu
Risto Acuna
Batta
Wendell(defende e faz a ligação ofensiva)
B. Fernandes
M. Pereira Raphinha
B. Dost
Nani confirmou o que eu esperava dele: zero. A sua última passagem pelo Sporting, há 3 anos, já me tirava do sério, pois a bola chegava aos seus pés e parava. É um jogador que já não parte para cima do adversário porque não tem velocidade. Resumindo, perdemos um Gelson que dava velocidade e ganhámos um jogador que joga parado.
ResponderEliminarNão compreendo as críticas a Jefferson, esteve bem melhor que Acuna. Se criticam porque não defende, é porque esteve muitas vezes no ataque a fazer o que o Acuna não fez. Sinceramente em termos de laterais não me preocupa. Lumor e Jefferson, Ristovski e Gaspar chegam perfeitamente. Agora se as instruções de Peseiro são para os laterais atacarem porque como joga com 4 centrais(bataglia e Petrovic são quase 2 centrais à frente de 2 centrais), não tem problema, é necessário que depois a equipa saiba defender as alas.
Peseiro nunca soube defender bem. Sempre teve este problema.
Eu preferia que os laterais não subissem tanto e jogar apenas com um trinco como bataglia e outro médio mais construtivo, tipo Wendel, Misic ou Geraldes/Gauld. E extremos rápidos como o Raphinha, Jovane e Matheus. Para mim dois destes jogariam sempre e o outro estaria no banco. Ter o Nani a tapar o crescimento de um destes três parece-me quase criminoso. E se trouxerem o Quaresma então.. puff..