segunda-feira, 29 de julho de 2019

Sinais da pré-temporada

Terminada a pré-temporada, é altura de fazer um pequeno balanço dos sinais que foram dados ao longo das quatro semanas de trabalho e, sobretudo, dos cinco jogos de preparação que o Sporting realizou. Cinco jogos que terminaram em três empates e duas derrotas, o que, por si só, não tem grande problema - nesta fase os resultados são o que menos interessa -, mas as exibições revelam sintomas de que existe muito para fazer até a equipa estar oleada e existirem soluções com quantidade e qualidade que nos permitam disputar o título com os rivais.


SINAIS POSITIVOS

Centrais: Neto foi uma das principais figuras da pré-época, demonstrando qualidade para ser titular. Mesmo havendo Coates e Mathieu, a gestão física do francês obrigará a uma utilização frequente do terceiro central. Problema muito bem resolvido. 

Miolo: Dois dos jogadores que mostraram maior evolução em relação à época passada são Doumbia e Wendel. O marfinense tem estado muito mais em jogo, conseguindo tirar melhor partido do físico e da técnica que tem - importantes para fazer o papel de médio defensivo -, ainda que tenha bastante para aprender ao nível do posicionamento e das manhas que a posição exige. Wendel conseguiu ampliar a sua zona de ação, pisando mais frequentemente zonas avançadas. Juntando Bruno Fernandes à equação - ou mesmo Vietto, mais confortável quando posicionado no meio -, o setor parece mais capacitado para a construção pelo centro do que na época passada.

Espaço para evoluir: Thierry, Doumbia, Eduardo, Plata, Camacho, Vietto. Seis jogadores de idades e posições diversas que vejo que poderão crescer muito ao longo da época e transportar a equipa para outro patamar exibicional. Nem todos terão muitos minutos ao início, mas creio que há condições para se irem impondo gradualmente, caso o treinador assim o permita: não há milagres se forem sistematicamente tapados por Iloris ou Diabys. Nuno Mendes e Eduardo Quaresma têm demasiada concorrência para poderem ganhar já o seu espaço.


SINAIS NEGATIVOS

O sistema de Keizer: não sei ao certo se Keizer usou a pré-época para preparar o embate com o Benfica para a Supertaça ou se é mesmo isto que tenciona implementar em 2019/20, mas este sistema dificilmente terá sucesso num campeonato repleto de equipas cuja ideia de jogo se resume a fechar-se à volta da sua área para tentar sacar um empatezinho. O Sporting precisa de apresentar um futebol rápido, envolvente e com capacidade de verticalizar quando existe espaço, mas não foi isso que se viu: a pré-época foi feita maioritariamente com dois laterais que pouco ou nada arriscam em subidas pelo flanco, e com um ponta-de-lança e um ala (Vietto) que raramente têm bola e que precisam de recuar ao meio-campo para terem oportunidade de participar no jogo. O resultado é um futebol mastigado, previsível, que gera poucas ocasiões de golo para os poucos jogadores que aparecem na área ou nas imediações para tentarem a finalização - a antítese do que temos de ser se quisermos lutar pelo título.

Extremos inexperientes: fica tudo dito quando olhamos para a lista de extremos e observamos que o único jogador com alguma experiência é Raphinha... e o segundo é Jovane. Camacho e Plata têm muito potencial mas, juntos, têm meia dúzia de jogos no escalão sénior. Não conto com Diaby que, para mim, nem sequer é jogador de futebol. Estamos a correr grandes riscos numa posição fundamental pelos desequilíbrios que deve gerar - ainda mais sem haver laterais que os apoiem ofensivamente.

O futuro de Bruno Fernandes: a probabilidade de o capitão sair é grande, e não foi feito um único jogo sem a sua participação. Sendo vendido, o Sporting ficará com recursos financeiros para atacar o mercado e contratar jogadores que elevem a valia do coletivo, mas chegarão já com a época oficial em andamento e precisarão de tempo para se integrarem. Diria que, no curto prazo, a solução mais lógica será a utilização do trio Doumbia - Eduardo - Wendel, com o Wendel a pisar terrenos mais adiantados... mas é só uma suposição, porque não houve nenhuma preocupação em testar um plano B.

Laterais: não havendo um extremo puro na esquerda, exige-se ao lateral que faça todo o corredor. Acuña pode ser esse jogador na esquerda, mas é o único - a pré-época deixou bem claro que Borja não tem confiança para subir no flanco. Na direita, as dúvidas são maiores: ainda não sabemos o que Rosier pode fazer; Ristovski cumpre mas nunca será o lateral de que precisamos; Thierry deixou boas indicações; por que raio deu Keizer tantos minutos a Ilori?

10 comentários:

  1. SINAIS NEGATIVOS:

    A ausência de Matheus Pereira, um jogador, que para mim é titular absoluto, neste Sporting medíocre.

    Laterais: Falta claramente um lateral esquerdo.

    O sistema de Keizer: Temos 5 centrais (ainda não despachámos André Pinto, e tínhamos Domingos Duarte, e temos Quaresma), porque não apostar num esquema táctico de 3 centrais, com alas subidos, e aí sim faria sentido no corredor esquerdo Acuña e no direito Raphinha, ou Rosier, jogando com 2 avançados moveis, Matheus Pereira, Vieto e Luiz Phillype, Diaby sendo Bas Dost útil também mas em desespero de causa, mas se aparecer uma boa oferta, podendo ser vendido!!

    SL

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    1. Em relação ao Matheus, concordo que tem valor para ficar no plantel e poderia claramente ser uma opção para o onze... mas alguma coisa se deverá ter passado do ponto de vista disciplinar.

      A opção dos 3 centrais, a meu ver, podia ser muito mais explorada - não só contra equipas de maior valor, mas também contra adversários mais fechados. Infelizmente não foi um sistema ensaiado nesta pré-época...

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  2. O Vietto não mostrou nada de nada na pré-época. Foi uma nulidade. Um avançado de 7,5M parece ser mais fraco que um PL que veio da Liga II. Mas vamos ver.

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    1. Encostado à linha, sem dúvida que foi uma nulidade. Jogando no meio, procurando o espaço entre-linhas, deu alguns bons indicadores. Tenho esperança que renda mais nos próximos jogos.

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  3. Benvindo, Mestre. Os seus posts fazem-nos muita falta,
    SL

    # DEIXEM JOGAR O THIERRY CORREIA

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  4. Acrescento à sua última pergunta: porque raio deu tantos minutos a um Diaby acabado de regressar de férias, em vez de a Plata, que tem dado boas indicações e merecia jogar mais minutos?

    Receio que Keizer é aquele tipo de treinador que tem os seus favoritos e vai recorrer sempre a eles, independentemente da sua performance em campo. Era assim com Diaby e Gudelj. Vai continuar a ser com Diaby. Espero que não com o Ilori.

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    1. Completamente de acordo em relação ao primeiro parágrafo (tanto que ontem twittei isto no final do jogo: LINK.

      Em relação ao segundo parágrafo, também me parece verdade, infelizmente.

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  5. Keizer ganhou 2 trofeus nos penalties e esse é o motivo de estar (ainda) hoje no banco. A verdade é que depois da (fácil) melhoria inicial face ao Peseiro, a equipa não evoluiu quase nada. Provavelmente o problema não será o sistema de Keizer, será o próprio Keizer.
    A falta de verticalidade e de velocidade é notória, como bem refere o Mestre. Os nossos laterais e extremos raramente conseguem ir à linha e quando têm condições de cruzar fazem-no quase sempre mal, com uma taxa de insucesso inaceitável. Já não peço que cada um deles seja um Alex Telles, mas francamente, é demasiado mau.
    Falando em Alex Telles, devo dizer que vi o jogo do Porto e eles ainda jogam pior que nós. Contudo, vão ultrapassando isso com arrancadas velozes e bons cruzamentos, acabando por ter inevitavelmente algumas ocasiões de golo, mesmo sem jogar nada.
    Já para não falar nas bolas paradas, defensivas e ofensivas, parece que não treinamos.
    Estamos longe de estar preparados, temos de melhorar bastante e esperar que os reforços assentem e justifiquem as apostas.
    Duas notas finais;
    - Baixa assistência – mas então não batemos os records de venda de gamebox?
    - João Pinheiro já nem tenta disfarçar. Até na nossa apresentação temos de levar com os padres!

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    1. Podemos dizer que o teste só foi bom ao nível da arbitragem, porque já apanhámos com aquilo que teremos de aguentar o ano todo. :)

      Em relação à baixa assistência, pareceram estar no estádio bem mais que 32.000 espectadores. Não terá havido um problema com torniquetes das novas portas?

      O Porto tb está a jogar pouco, é verdade, mas têm um estilo de jogo mais adequado para defrontar as tais equipas fechadas. Esticam o jogo, e mesmo com avançados pouco "jeitosos" acabam por abrir brechas graças à sua capacidade física. Precisamente o oposto do nosso jogo, apesar de termos (na minha opinião) executantes mais habilidosos.

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