quinta-feira, 10 de abril de 2014

A verdade desportiva segundo João Querido Manha

Ontem, no Record, João Querido Manha escreveu o seguinte texto a propósito da mudança de recinto do Arouca - Benfica para Aveiro:

in Record, 9 de abril de 2014

João Querido Manha decidiu inovar nas suas análises ao fenómeno futebolístico vestindo a pele de adepto nº 1 do Arouca, proporcionando-nos uma listagem exaustiva dos argumentos a favor da mudança de estádio para Aveiro, um dos quais parte do absurdo pressuposto de um boicote dos adeptos portistas ao jogo em casa com o Benfica.

É pena que nestas suas considerações, João Querido Manha tenha esquecido completamente o outro lado da história. Não se lê nem uma palavra sobre o facto de o Benfica obter uma vantagem competitiva em relação aos adversários diretos, ao disputar um jogo em campo neutro (por motivos puramente económicos), numa altura crucial do campeonato em que o título não está matematicamente decidido, à semelhança do que já tinha acontecido em 2004/05.

Alguém parou para pensar que existe a possibilidade de o Benfica despertar fantasmas recentes se perder pontos (é pouco provável, admito, mas possível) nesta fase do campeonato? João Querido Manha não, certamente.

Para estas situações que se assemelham à alteração das regras a meio do jogo, que criam artificialmente uma vantagem competitiva para determinados clubes, gosto sempre de citar um parágrafo que um conhecido jornalista da nossa praça escreveu há precisamente um ano:
"A mudança das regras a meio do jogo é um sacrilégio para qualquer atividade e especialmente grave no que respeita aos princípios desportivos, tão inaceitável como o doping fisiológico. Os clubes que vencerem a derradeira etapa com este acréscimo de energia estão para o campeonato como os ciclistas que tomam doping para o último sprint. Estão a violar a verdade desportiva."

Este texto foi escrito num contexto diferente (sobre a decisão da Liga em 2012/13 em concretizar o alargamento para 18 clubes, com efeitos imediatos, o que implicaria que só desceria um clube na época que estava em curso -- e que seria revogada posteriormente pela FPF), mas assenta que nem uma luva ao caso do Arouca - Benfica. Ambas as situações têm em comum o benefício de clube(s) face a outros por causa de uma decisão extra-desportiva que altera a meio as condições de disputa da competição, sem que houvesse qualquer motivo de força maior para a tomar. 

É possível que muitos de vocês conheçam o senhor que escreveu este belo texto.

in Correio da Manhã, 9 de abril de 2013

Exatamente, foi escrito também por João Querido Manha. 

É caso para perguntar onde se meteu a poética indignação do diretor do jornal Record sobre os acréscimos de energia que ajudam os clubes a vencerem as derradeiras etapas. Suponho que a tenha guardadinha na gaveta juntamente com os seus princípios éticos e deontológicos. Infelizmente isso não é nenhuma novidade nesta personagem.


P.S.: só mais umas observações em relação à "dependência do sucesso do principal emblema": tanto quanto sei o futebol português passou uma década com o Benfica a andar nas ruas da amargura, e sobreviveu. Tal como sobreviveria o Arouca se não tivesse esta receita adicional. 

E, só por acaso, é um facto indesmentível que o Sporting tem levado este ano mais adeptos nos jogos fora de casa que o Benfica. Para além disso, nos anos em que o Sporting foi campeão, os sportinguistas também se mobilizaram em força por esse país fora, proporcionando receitas recorde aos felizardos anfitriões que nos receberam nas últimas jornadas da época. O Salgueiros que o diga, ao impor preços absolutamente obscenos no jogo do título de 1999/2000, que se realizou no pequeno Vidal Pinheiro. E como sabemos não foi essa receita extraordinária que acabou por assegurar a sua sobrevivência.

João Querido Manha além de ser intelectualmente desonesto também gosta de provocar. Fica-lhe mal a ele, e ao jornal que lidera.


Outros exemplos da parcialidade e incoerência de João Querido Manha:
  • analisando lances polémicos de arbitragem --> LINK
  • ignorando erros de Duarte Gomes no Benfica - Sporting para a Taça de Portugal --> LINK
  • ignorando erros de João Capela no Benfica - Sporting, preferindo escrever uma crónica a falar exclusivamente dos erros de arbitragem a beneficiar o Porto --> LINK

27 comentários :

  1. Incrível como este pateta defende esta mudança de estádio! Ou não, ou não. A máscara já lhe caiu há muito! Já nem tem vergonha na cara. Ai essa coluna Manha...

    Posso orgulhar-me de nunca mais ter comprado o Record, desde que este individuo está à frente dessa marca de acendalhas.

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    1. E eu até posso orgulhar-me de "roubar" o jornal do manhoso e lê-lo á pala graças ao jailbreak!

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  2. O nome deste filho da .....diz tudo. E para além disso é nojento como pessoa. Admiram me ainda não lhe terem partido os cornos.... facioso como poucos!

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  3. Espero que o nosso clube no próximo ano , também tenha esta EXRAORDINARIA visão e comece desde logo a ajudar os clubes pequenos da zona Norte, e proponha jogos em Leiria ou Coimbra. Especialmente durante o Inverno, porque jogar em Barcelos ou em Arouca com aqueles pântanos, não é fácil, Mas acho que se isso acontecesse caia o Carmo e a Trindade acusando desde logo o Sporting de falsear as regras do jogo...isso só ao Benfica e ao Porto é permitido...e aplaudido. Mas com os exemplos deste ano, o futebol em Portugal nunca mais será igual....e não melhora. Só piora......

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    1. Caro anónimo, já agora também podemos propôr aos clubes mais pequenos para passarem a fazer os seus jogos em casa com os grandes em Alvalade, no Dragão ou na Luz? Se é para terem mais receitas, que façam os jogos no sítio em que terão melhores condições para as maximizar... Se vale tudo por causa das finanças, então que se faça tudo ao alcance.

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    2. Mestre, o estádio de Aveiro nem sequer é um campo neutro, é uma casa emprestada do Benfica. O Benfica na prática vai jogar três jogos seguidos em casa. Mesmo que estejam tantos adeptos do Arouca em Aveiro quanto estariam em Arouca (que não estarão, de certeza), o seu efeito prático é totalmente diferente num campo com lotação de 30 mil, em que 95% serão lampiões, do que num campo com capacidade para 5 mil espectadores, em que 1500 a 2000 poderiam torcer pelo Arouca.

      A direcção do Arouca abdicou do apoio à sua equipa para ser o bobo na festa do Benfica. Só falta a equipa do Pedro Emanuel colaborar e levar uma goleada. Lamentável.

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    3. É verdade. Normalmente um campo neutro representa uma situação em que os bilhetes são distribuídos de forma equitativa pelos dois clubes em disputa. Neste caso vai haver nas bancadas uma enorme mancha vermelha com pintalgada de amarelo num ou noutro local do estádio. O Arouca deu de mão beijada um estádio aos benfiquistas, contra o interesse dos próprios sócios.

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  4. Este animal é tão faccioso que que no ultimo paragrafo não se coíbe de pôr em bicos de pés....
    mas pelos vistos os números contradizem no!!!! AQUI : http://comandoc.com/facam-o-favor-de-meter-os-seis-milhoes-nos-entrefolhos/

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  5. Este manhoso é um tarefeiro do enfique, não é um jornalista. Tudo dito.

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  6. Já não há palavras para descrever estes gajos... Usam e abusam da vantagem de puderem escrever num jornal e terem visibilidade... São incompetentes e tendenciosos quando, por nada, o deveriam ser.

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    1. Karl, este homem é uma vergonha para a classe dos jornalistas.

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  7. Excelente trabalho Mestre, continua a desmascarar estes Canalhas.

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  8. OFF-TOPIC

    http://www.abola.pt/nnh/ver.aspx?id=471132

    «Temos muita expectativa por Wallyson» – Bruno de Carvalho

    O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, reconheceu que a Direção está satisfeita por ter garantido em definitivo o passe da jovem promessa brasileira Wallyson.

    «Resolvemos mais uma questão que queríamos. Concretizámos um negócio que estava fechado e é um jogador em que temos muito expectativa, mas o grande reforço é o espírito de equipa, a estrutura criada, a capacidade e filosofia, com quem já renovámos por 30 anos», disse Bruno de Carvalho.

    Wallyson, de 20 anos, é um médio brasileiro que tem integrado a equipa B.
    10:51 - 10-04-2014


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    Wallyson é mais um jogador que não brinca nas selecções que se valoriza.

    Este é mais um exemplo/argumento que se enquadra na minha teoria.

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    1. Superleão, é chato é que no meio de tanta valorização o Elias tenha desvalorizado mesmo não tendo ido à seleção... :)

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    2. Mas o Wallyson promete muito. Não costumo seguir os jogos da equipa B, mas dos que vi o rapaz impressionou-me. Um abraço.

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    3. O Elias desvalorizou-se porque o Sporting meteu-o à parte.

      Além disso, o Sporting não conseguia pagar-lhe os salários.

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    4. Não concordo, o Elias desvalorizou-se o seu nível de futebol jogado nunca correspondeu ao que o Sporting pagou por ele. O Sporting só o meteu à parte quando voltou do Brasil.

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    5. Desculpai lá, mas um jogador que só joga quando lhe apetece é um jogador valorizado?
      Elias é, claramente, mais um caso de jogadores brasileiros que, mal chegados à Europa, já pensam no regresso.
      Já no Atlético de Madrid fora um flop e, no Sporting, convenceu a dupla Freitas/Godinho, já que Duque se pôs de fora da negociata.
      A dupla Flamengo/empresário estava afinada, só Bruno de Carvalho desafinou quando exigiu garantias bancárias...

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    6. Liondamaia, sem dúvida, Elias pareceu um jogador demasiado acomodado desde que chegou. Teve alguns bons momentos que coincidiram com o melhor período da equipa, mas pouco mais demonstrou. Claramente pouco para um dos jogadores mais caros da história do clube. Pior contratação por valores astronómicos só mesmo a do Pongolle. Curiosamente as duas foram feitas ao Atlético Madrid.

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    7. Xiiiii MC, não destes troco a este super balelas.
      É persistente, temos de admitir mas não há paciência.

      Era cliente habitual da tasca. O espeta secas!!

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    8. Lourenço, é de facto persistente na forma como procura defender a sua teoria... :)

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  9. Mestre, belíssimo texto. Contrariamente a opiniões diferentes, que devíamos de dar desprezo a estes senhores. Eu acho que não. Devemos, dentro das nossas possibilidades de desmascarar esta gentalha. Acabei de ver o Benfica, vale tudo, o Rodrigo agride a pontapé um adversário, não se passa nada. Os comentadores nas várias repetições que deram nem se pronunciaram.

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    1. F. Pais, temos que contestar este tipo de jornalistas. No caso de JQM é particularmente grave porque é o diretor de um dos principais órgãos de CS desportiva. Não tenho nada contra jornalistas que tenham opiniões contrárias à minha, mas devemos exigir que demonstrem isenção e coerência, que são dois atributos que JQM definitivamente não possui. Obrigado e um abraço.

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  10. Cada vez que vejo este sr. a faladrar dá-me nojo, é impressionante ouvir as suas análises desportivas, intelectualmente são jumentas, e a sua imparcialidade é de bradar aos céus, enfim o seu jornal passou de desportivo a PASQUIM de 1º grau.

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    1. O Record tem bons jornalistas, mas acabam por ser afetados pela falta de credibilidade do seu diretor. É pena.

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