segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Entrada com o pé direito

A nota artística não foi famosa, mas o Sporting entrou na temporada 2017/18 de forma segura, vencendo com inteira justiça na deslocação ao estádio do Aves.

Fica evidente, apesar dos três pontos conquistados, que há muito trabalho pela frente para entrosar este conjunto de jogadores na fase de construção. No entanto, também há que dizer que o desempenho defensivo da equipa foi bastante satisfatório - o que é, provavelmente, a maior urgência face ao que se viu no ano passado: basta lembrar que, em toda a 2ª volta, o Sporting não sofreu golos em apenas 5 jogos.

Uma vitória tranquila num jogo fora, tendo cinco alterações no onze em relação à época passada, e sem golos sofridos? Não me parece nada mal para começar.




A exibição de Acuña - correspondeu totalmente às expetativas que construiu na pré-época: é um jogador raçudo que sabe jogar de forma inteligente no limite da agressividade; tem um excelente sentido coletivo, que se nota bem pela forma como defende e como aparece no meio quando a bola está no flanco contrário; fez uso do seu pontapé com um remate de meia distância que embateu com estrondo na barra; mas, sobretudo, foi o jogador que foi conseguindo criar maiores desequilíbrios com destaque, obviamente, para a assistência que fez para o primeiro golo de Gelson Martins. A única mancha na exibição acabou por ser uma oportunidade que desperdiçou à entrada da pequena área. Excelente estreia.

Gelson finalizador - não teve um jogo inspirado, poucas das suas iniciativas foram consequentes, mas não se pode deixar de destacar pela positiva um jogador que marca os únicos dois tentos da partida. Defensivamente esteve bem. Começou a época na sequência daquilo que foi na temporada anterior: decisivo.

As substituições - a ação dos dois treinadores mexeu, indiscutivelmente, com a partida. Jesus leu bem aquilo que o jogo estava a dar e a equipa ganhou em definitivo o controlo das operações com as entradas de Podence e, principalmente, de Battaglia. Claro que também ajudou a decisão de Ricardo Soares em assumir maiores riscos, mas a verdade é que o Sporting começou a chegar com maior facilidade á área adversária e o segundo golo acabou por aparecer com naturalidade.

Solidez defensiva - o comportamento defensivo da equipa foi positivo, principalmente na segunda parte - onde não se concedeu qualquer oportunidade ao Aves -, com destaque para as boas atuações de Coates e William. Rui Patrício também foi importante pelas duas boas intervenções na primeira parte, que garantiram um registo limpo na defesa.


Ausência de oportunidades enquanto o adversário jogou fechado - a vitória foi confortável, mas a qualidade do futebol praticado deixou bastante a desejar. Foi evidente a falta de dinâmica em posse, havendo sempre velocidade e criatividade a menos para encontrar espaços enquanto o Aves não arriscou um pouco mais. Há que dizer que o onze escolhido por Jesus não ajudou.

O onze inicial - Jesus optou por um onze bastante conservador, colocando William e Adrien no onze, atrás de Bruno Fernandes. Em teoria, é um meio-campo que pode funcionar, mas necessita de um nível de entrosamento muito acima do existente, o que facilmente se entende pelo facto de nunca ter sido testado na pré-época. Chegou para controlar a partida na primeira parte, mas é preciso mais.

A exibição de Adrien - foi, provavelmente, a grande surpresa no onze inicial, mas não justificou a oportunidade. Mal com a bola nos pés e pouco eficaz defensivamente, não surpreendeu quando foi substituído por Battaglia. Compreende-se que esteja uns furos abaixo do seu normal face à pouca rodagem que teve na pré-época, mas neste momento, a meu ver, o lugar devia ser de Bruno Fernandes.



MVP: Acuña

Nota artística (1 a 5): 2

Arbitragem: Tiago Martins fez, na generalidade, uma boa arbitragem. Faltaram alguns amarelos de parte a parte, mas pelo menos soube manter o critério durante toda a partida. Absurdo o tempo de desconto (2') dado na primeira parte: só a assistência a Adriano Facchini demorou 3 minutos e 55 segundos.



Objetivo principal alcançado. A exibição não foi convincente, mas é legítimo que se dê tempo para a que a equipa se comece a entender melhor - desde que se vá ganhando, claro.

11 comentários :

  1. Ontem foi jogo para darmos 5 ou 6 ..O Aves naõ joga nada mas nós não estamos muito melhor nesta fase apesar dos grandes jogadores que temos.Temos meia equipa nova,desde a pre epoca nunca jogamos com o mesmo 11,os automatismos permitem maior dinamica e intensidade e é isso que faltou ao jogo do SCP mas tambem nao se pode pedir milagres devido ás condicionantes que mencionei.
    Nesta próxima 6f,contra o Setubal,acho que JJ irá mais uma vez mudar o 11, porque na 3f temos o jogo contra o Steau de Bucareste e há que gerir a condição fisica dos "titulares".
    SL

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    1. Aceito gestão de esforço só para casos de jogadores cuja condição física desperte mais dúvidas, como o Coentrão. De resto, tem de ser com a carne toda metida no assador, quer na 6ª, quer na 3ª feira.

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    2. Tal e qual como pensei. E a gestão a haver seria durante o próximo jogo e se ja estivesse resolvido aos 70minutos. Mas nunca fiando.

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  2. Mestre,

    Battaglia é titular no Sporting, quer seja a 6 ou a 8. É só escolherem!

    O número 6:
    William é o melhor 6 com a bola nós pés do futebol português, mas a posição de 6 é essencialmente o momento defensivo, e quando a acão não decorre junto de William, ele assiste de camarote.

    O Sporting em 2016-17 teve a defesa como o seu calcanhar de Aquiles. Será que não deveríamos ser mais exigentes com William? Bem sei que muita gente irá discordar desta minha opinião.

    O número 8:
    Adrien é o pulmão da equipa, o melhor 8 no momento da recuperação de bola, mas no momento ofensivo é um jogador que pouco oferece à equipa, e além disso parece-me psicologicamente desgastado.

    Vejam a evolução que o Battaglia teve durante a pré-época e vejam o que ele ontem conseguiu trazer ao jogo do Sporting.

    SL

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    1. Concordo, mas acho que o William, em boa forma, cumpre perfeitamente o papel defensivo. Começou bem a época, se continuar assim, para mim chega. :)

      Mas também gostei do Battaglia.

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  3. Mestre,

    Outro tema importante é o rendimento (nulo) de Bas Dost em determinados jogos.

    Jogos fora de casa, em que temos mais dificuldades em flanquear o jogo, o Bas Dost torna-se uma nulidade. Este foi um problema na época passada, e será um problema também este ano.

    Chamo a atenção para o facto de termos no banco dos suplentes um jogador que se chama Doumbia.

    SL

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    1. Caro Tiago,

      Respondo ao seus 2 comentários num, com a mesma tónica: desacordo.

      O Bataglia pode ser muito importante nestes jogos do campeonato pois é um jogador intenso a jogar a 8, isto enquanto não tivermos o melhor Adrien. Dizer que o Adrien empresta pouco no momento ofensivo é olhar para o momento e esquecer o jogador que é Adrien. O William é um jogador importantíssimo no momento ofensivo do Sporting ao conseguir colocar a bola onde ela desiquilibra. É meu entendimento que o momento defensivo de um 6 é enquadrado no movimento colectivo e um 6 não é um carregador de pianos/arranca pinheiros.

      O Bas ontem só fez 2 quase 3 assistências para golo que foram desaproveitadas. Só soube abrir espaços, ora subindo para receber, ora fixando a defesa para o remate de outros... Não concordo que o Doumbia nos faça mais falta... fará quando jogarmos em transição mais rápida (que não era o caso de ontem).

      Abraço,
      Pedro

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    2. O problema da epoca passada esteve na defesa, com a media de um golo sofrido em cada jogo e o dobro dos golos sofridos pelos rivais directos.

      Culpar Dost, O SEGUNDO MELHOR MARCADOR EUROPEU pela má classificação da epoca passada é injusto, e meter o melhor marcador da equipa no banco seria uma imbecilidade.

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    3. Estás a tentar fazer do Dost um Jonas. Mas a verdade é que logo no primeiro derby, o Dost marcou e o Jonas ainda está a seco.

      Dost esteve a zeros em vários jogos mais complicados porque não tem um companheiro como o Gutierrez, que era um aluado mas que sabia muito bem o que fazer em campo. Depois claro, fica sozinho lá na frente e não há milagres.

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  4. Por favor Sr Tiago Rodrigues, eu entendo que em determinadas situações podemos e devemos ser críticos, mas para o Sr já vi que nada nunca está bem! É assim que pretende dar moral à equipa que representa o clube do qual o se diz adepto??

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