segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Pés no chão e fé em Dost

Depois de três jogos com nota artística elevada, a equipa não foi capaz de dar sequência às boas exibições na estreia de Keizer em Alvalade. O resultado pode ter sido folgado, a segunda parte pode ter sido (inesperadamente) tranquila face à inferioridade numérica, mas os números alcançados não traduzem as dificuldades que o Aves nos causou na primeira parte, em que, durante largos períodos de tempo, dominou a partida e impediu que o Sporting conseguisse ligar o seu jogo.

Um bom e oportuno aviso para todos mantermos os pés no chão: não fosse um erro do adversário a provocar um penálti desnecessário que acabou por virar o rumo dos acontecimentos, e a história do jogo poderia ter sido bem diferente... para pior. Valeu-nos o suspeito do costume.



Os números - 4 jogos, 4 vitórias, 17 golos marcados e 4 sofridos. Hoje sem nota artística, mas os 4-1 representam a vitória mais volumosa do Sporting nesta edição da Liga, mantendo a equipa no segundo lugar no campeonato e passando a ter o segundo melhor ataque da prova. Ah, e Dost já é o melhor marcador do campeonato com 8 golos marcados em apenas 7 jogos.

Os golos e a eficácia - o Sporting apenas saiu para o intervalo em vantagem porque foi muito mais eficaz no aproveitamento das suas oportunidades do que o Aves. A eficácia manteve-se na segunda parte, e em dois momentos críticos: o golo de Dost logo a abrir, que trouxe outra tranquilidade à equipa, e o golo de Diaby que surgiu pouco depois da expulsão de Acuña, que matou o jogo. E, claro, há que fazer justiça à qualidade desses golos, que só por si justificam o preço do bilhete: o remate explosivo e inesperado de Nani; o cruzamento tirado com régua e esquadro que foi desviado por Dost com igual precisão matemática; e o remate em arco de Diaby após um passe em profundidade que rasgou a defesa do Aves.

As assistências de Bruno Fernandes - mais três para a sua conta pessoal. O passe para Nani conta apenas para a estatística porque não teve grande relevância para o golo, mas o cruzamento para Dost e o passe a rasgar para Diaby foram deliciosos. Números que se vão acumulando e que impressionam: Bruno Fernandes soma 4 golos e 4 assistências nos 4 jogos com Keizer.

A gestão da inferioridade numérica - o golo de Diaby foi fundamental para acabar com as dúvidas que a expulsão de Acuña pudesse trazer, e a partir daí o Sporting controlou bem o jogo, a ponto de fazer esquecer a situação de inferioridade numérica. Foi uma segunda parte totalmente tranquila.

Renan a marcar pontos - um punhado de boas intervenções, incluindo uma defesa fundamental na primeira parte, e teve várias ocasiões para demonstrar o seu excelente jogo de pés. A questão da baliza do Sporting não é pacífica - sobretudo devido ao mistério que envolve o afastamento de Viviano -, mas Renan tem vindo a justificar gradualmente a aposta que tanto Peseiro como Keizer têm feito em si.



A primeira parte - a incapacidade de o Sporting dominar o jogo deveu-se, a meu ver, a dois fatores: o mérito do Aves, que estudou bem os últimos jogos do Sporting e soube pressionar Wendel, Bruno Fernandes e Nani com rapidez - e muitas vezes em antecipação dos seus movimentos seguintes, que lhes valeu várias recuperações de bola -, e por algum comodismo dos jogadores do Sporting na entrada em jogo, que não pareciam com grande vontade em dar a aceleração e dinâmica necessárias para abrir linhas de passe que contrariassem o pouco espaço disponível em dois terços do terreno. Depois de sofrido o golo, houve vontade imediata dos jogadores do Sporting em dar maior velocidade ao jogo, mas fizeram-no com pouca precisão. Foi muito mais o acaso do que a qualidade do nosso jogo a ditar a reviravolta ainda na primeira parte. 

A expulsão de Acuña - não o crítico pelo segundo amarelo, mas tem de ser responsabilizado pelo primeiro cartão - que viu por se envolver numa escaramuça com adversários por causa de uma falta que nem sequer foi cometida sobre si. Mais uma vez, o seu temperamento deixou-o condicionado demasiado cedo e acabou por prejudicar a equipa ao deixá-la com menos um jogador durante mais de meia-hora. E não consigo concordar com os aplausos que recebeu de muitos adeptos enquanto abandonava o relvado: sendo recorrente nestas situações, não pode haver lugar para pancadinhas nas costas.



Nota artística - 3

MVP - Bas Dost

Arbitragem - Vítor Ferreira teve uma arbitragem algo irregular. Esteve bem nos lances capitais (os amarelos a Acuña e o penálti sobre Diaby), mas teve um critério irregular do ponto de vista técnico e disciplinar - podia, por exemplo, ter mostrado o segundo amarelo a Vìtor Costa no lance do penálti. Os 4 minutos de descontos na primeira parte foram demasiado escassos - só o penálti implicou esse tempo de paragem.



Com esta vitória já vamos com uma série de cinco triunfos consecutivos. Que venha a sexta contra o Vorskla já na próxima quinta-feira.

8 comentários:

  1. O que não se compreende são os protestos à arbitragem, constantes e exacerbados, vindos do banco do Aves durante todo o jogo, e as declarações de José Mota no final.
    Há certo clubes, que só contra certos adversários é que se indignam com as arbitragens, noutras ocasiões podem ser espoliados à força toda, que não se houve uma palavra de queixa.

    A imprensa deu eco a estas declarações, e quem não tiver visto o jogo, ficará a pensar que foi mais um jogo como os dos outros dois grandes desta semana, em que a equipa pequena foi escandalosamente roubada. Nos resumos do jogo, cavalgaram nesta onda, por exemplo no da RTP foi dito sobre o penalty que "O árbitro entendeu marcar uma falta sobre Diaby", palavras muito habilidosas e com uma intenção clara.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. é mesmo .. no nossos jogos há sempre malabarismos na linguagem dos comentadores é impressionante a parcialidade desta gente.

      Eliminar
  2. MC, sei que ainda é algo cedo para dedicar um post ao tema, mas vai-se começando a notar um nojento corporativismo a roçar a xenofobia, da parte dos trolhas treinadores do Tugão, em relação ao Keizer. Fica a ideia para um post futuro, pois parece-me que é "narrativa", como se diz agora, para continuar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Treinadores, paineleiros e toda a parasitagem que vive à conta do futebol e nada faz pela sua elevação.

      Eliminar
  3. O Aves pressionou mas o que aconteceu é que jogámos muito afastados. Arriscavamos em passes de primeira, quando estavamos de costas para o jogo, obrigando os centrais a subirem... se perdiam a bola estavam os avançados do Aves de frente para a nossa baliza... Ainda temos de ter mais trabalho para saber quando passar e quando segurar (a não ser que sejamos o Bruno Fernandes que sabe sempre o que fazer e quando). O Aves entrou na pressão e à bruta, com a lição bem estudada até no pormaior de "picar" o Acuña... resultou!

    Acabámos a primeira parte a ganhar sem grande mérito... mas quantos jogos chegamos ao intervalo depois de um massacre na primeira parte? O que contam são os golos e esses marcámos mais 1.

    Segunda parte entramos bem e marcamos logo após uma boa jogada do Aves. Quase game over não fosse o Acuña ter de fazer falta para amarelo, aqui sim bem justificado. Claro que tudo seria normal se não tivesse já levado um amarelo estupidamente. O livre não deu nada e na resposta marcamos o 4º e o jogo acaba.

    O Bruno César entra e re equilibra, não havendo mais dúvidas.

    Boa vitória pelos número e atititude. E temos de fazer alguma coisa ao Acuña... trerapia não sei... já toda a gente sabe que picar o argentino é ouro!

    Abraço,
    Pedro

    ResponderEliminar
  4. Duas notas:

    1- não percebi porque Keizer não fez a ultima substituição. O jogo estava tão tranquilo que teria dado para dar minutos a Montero (para recuperar forma) e fazer descansar Dost por exemplo.

    2- pela primeira vez percebi (porque foi o primeiro jogo de Keizer que vi no estádio) que só um jogador estava no aquecimento. Quando Acuña foi expulso o unico que estava a aquecer era o Bruno Cesar, o que fez com que Jefferson tivesse de entrar frio. Isto para dizer que não vejo grande vantagem em ter apenas um jogador a aquecer pois se acontece algum imprevisto (lesão ou expulsão) a probabilidade de ter de entrar alguém a frio é muito maior.

    Mas pronto, interessa a vitoria mesmo sem a nota artistica dos ultimos jogos! Agora, pés bem assentes no chão que isto não vão ser goleadas atrás de goleadas até final do campeonato.

    ResponderEliminar
  5. Concordo com a generalidade, menos com o "excelente jogo de pés do Renan". Acho mesmo que é um dos seus pontos fracos. Quanto muito, aparenta uma calma a jogar com os pés que depois não tem resultado prático. Um género de Patrício nos primórdios.

    O jogo de ontem foi demasiado estranho e até atípico. Não me lembro de alguma vez ter visto o Sporting golear a jogar tão mal. Se já era estranho termos ido para o intervalo a ganhar com tão pouco futebol, termos chegado à goleada ainda é mais impensável, mesmo reconhecendo que melhorámos na segunda parte, ainda que com a mesma tremideira na defesa.

    Espero é que tiremos ilações das dificuldades que poderemos enfrentar contra equipas que lidam bem com a entrega da iniciativa ao adversário.

    ResponderEliminar
  6. Dois detalhes.

    Primeiro, não, o árbitro não podia mostrar o amarelo no lance do penalti.
    As regras foram alteradas há pouco tempo para evitar as tripla penalização, ou seja, penalti, expulsão, e suspensão do jogador.
    Numa situação grave em que o jogador poderia levar um vermelho, passou-se a apresentar apenas o cartão amarelo, com o penalty de seguida.
    No caso em que um jogador normalmente levava amarelo, seja numa entrada em que o jogador não teve intenção de fazer a falta, como é o caso visto que o jogador do Aves está com os olhos na bola e em momento algum olha para o Diaby, esse amarelo simplesmente desaparece.

    Trata-se de uma questão de regras, e da sua actualização. Recomendo uma leitura atenta às alterações que, salvo erro, entraram em vigor esta época.

    O segundo pormenor é a ausência da coisa mais negativa, de longe, da noite de ontem, que foi a lesão de Wendel. É incompreensível como nem sequer é referida em parte alguma do texto.

    ResponderEliminar