sábado, 26 de janeiro de 2019

Uma conquista improvável

Depois de ter realizado uns bons primeiros 45 minutos, a segunda parte do Sporting foi semelhante ao que tem acontecido nas últimas partidas: uma equipa em falência física, incapaz de contrariar o domínio do adversário, e tendo de lidar com dificuldades adicionais provocadas pelas fraturas dos narizes (!) de André Pinto e Petrovic - que obrigou à substituição do primeiro e minutos finais de sacrifício do segundo. Perante este cenário, a estratégia passou a ser, compreensivelmente, aguentar para tentar levar o jogo a penáltis. Keizer metamorfoseou-se em Keizé Mota e mandou baixar o bloco, reduzir o ritmo de jogo e perder o tempo que fosse possível perder.

O jogo passou a ter um único sentido mas, verdade seja dita, a equipa manteve-se coesa, concentrada e não concedeu grandes oportunidades a um Porto que carregava cada vez mais mas não conseguia criar grandes situações de golo. Acabou por ser uma das poucas situações de desconcentração - Herrera foi deixado à vontade à entrada da área e pôde rematar sem oposição para uma má abordagem de Renan, que deixou a bola sobrar para o toque de Fernando Andrade - que o Porto marcou, e nesse momento, a apenas 10 minutos do final, a Taça parecia entregue.

Keizer lançou Diaby, mas durante 7 ou 8 minutos o Sporting continuou a não ter bola. O improvável, no entanto, acabaria mesmo por acontecer: Óliver tem uma entrada tardia e desnecessária sobre Diaby e faz um penálti claríssimo que Dost não desperdiçou. No pouco tempo que restou, o Porto acusou o golo e Raphinha teve nos pés a hipótese de conseguir a reviravolta e resolver a questão ainda dentro do tempo regulamentar.

Apesar de o Porto ter sido superior nos 90 minutos, o troféu acabou mesmo por ir ao desempate por penáltis. E, felizmente para nós, teve um desfecho que nos começa a ser agradavelmente familiar - foi assim que, em duas final four, o Sporting venceu os quatro jogos que disputou numa lotaria em que a sorte se faz por conquistar.

Sendo a menor das quatro competições nacionais, é uma conquista muito saborosa - não só por ser mais um troféu para o nosso museu, mas também pela azia que provoca em muito boa gente. Uma conquista improvável, concedo, mas que nos foi vendida durante dias como uma conquista impossível por certos especialistas da nossa praça. Mas a verdade é que o Sporting que se arriscava a ser goleado, o Sporting que era o menos favorito das quatro a conquistar o título, o Sporting que cometeu o pecado de ter decisões corretas a seu favor graças ao VAR, foi quem acabou mesmo por sair vencedor.

P.S.: Numa altura em que se bate tanto no VAR, convém realçar que foi o vídeoárbitro que permitiu que se assinalasse o penálti que nos deu o empate e que levou a final para a decisão por grandes penalidades. Algo que, aliás, já tinha acontecido na época passada na final com o V. Setúbal, também perto do final dos 90 minutos. Sem VAR, seriam dois penáltis que não nos teriam sido atribuídos, seriam duas Taças da Liga que o Sporting não teria conquistado. Ganhou a verdade desportiva, pelo impacto direto que teve na atribuição dos títulos. Se calhar é por isso que há por aí tanta gente revoltada com a malfadada ferramenta...


9 comentários:

  1. VAR que não existiu na final do Lucilio Batista, com uma peitaça do Pedro Silva fora da área deu penalty ...

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    1. E que também faltou em tantas eliminatórias de taça, e em tantos jogos do campeonato...

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  2. Discordo totalmente da importância que estás a dar a esta taça. Então depois de toda esta algazarra, então depois de todos jogarem com os melhores jogadores, e sobretudo por toda a algazarra.

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    1. Não tem importância nenhuma, mas no entanto os nossos rivais directos debitaram em público todo o seu cheiro a "Azia", q nem uma caixa inteiro de remédio consegueria Kompensan...

      Que espectáculo deprimente!... imaginem se fosse o Presidente do Sporting, e este fosse BdC, o que a JORNALIXEIRADA imunda não diria e escreveria!..

      Se calhar este troféu para alguns Sportinguistas não tem muita importância... mas se calhar pòs rivais tem... por ter sido o Sporting a ganhar (não esperam justiça clareza e ímparcialidade sempre, como se viu hoje com o Cashball em Pantins! ) ...

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  3. A Taça da liga, como está agora já é melhor do que a supertaça.

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  4. Há um ponto que não concordo Mestre, o Sporting só conquistou o troféu porque reconheceu que o Porto é superior no aspecto de "capacidade física", o que foi notório na 2ª parte (e não é só por causa dum dia a menos de descanso) ... e nunca desistiu porque reconheceu que é superior tecnicamente e pode ser facilmente também superior tacticamente (a melhor equipa em Portugal na minha opinião, e as derrotas que sofreu deveu-se de sobremaneira ao aspecto "fisico" ).

    Saber as nossas limitações e jogar com isso, é muito importante (há soluções como mais rotação e melhores treinos físicos e de recuperação).

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    1. Sem dúvida que vencemos graças à capacidade de conhecer as nossas limitações e pontos fortes, Mário.

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  5. uma vitoria que serviu para dar várias "chapadas"

    primeir, a vários adeptos que pareciam não acreditar nesta equipa, e quando assim é partimos sempre em desvantagem.
    depois, aos pseudo comentadores que diziam que éramos a pior equipa na final 4, que estávamos a anos luz do porto e benfica e que já nem ao braga conseguíamos ganhar.
    depois ao Abel e ao salvador que deviam estar a fazer figas para perdermos e no final ficaram com mais um melão.

    não concordo contigo quando dizes que o Porto foi superior no 90 min.
    no global podemos dizer que sim, mas depois de uma nova entrada em falso, conseguimos sempre fazer pressão alta, controlámos o adversário, circulávamos a bola e só por uma vez consentimos perigo, além disso críamos algumas boas oportunidades.
    na segunda parte rebentámos, e isso aliado à maior pressão do Porto quase que nos era fatal.
    agora, o Porto dominou a segunda parte, mas e oportunidades? quase nenhuma. mas nós além do penalti ainda podíamos ter marcado.
    apesar do sufoco, fomos sempre capazes de fechar bem os espaços fazendo também boa pressão, pena que num bloco muito baixo.

    alguns jogadores em destaque, na primeira parte todos quase muito bem, com o BF e o Wendel a trabalharem muito bem no meio e com um Nani sempre lúcido e com um Coates sempre muito bem
    na segunda, palavra para o Jeferson, que ao contrario do que eu esperava tem jogado melhor do que o esperado, ele e o Petro, deve ser o efeito Keizer.

    eu teria colocado o Jovane em vez do Diaby, mas em boa hora Keizer o fez

    por falar em Nani, não tem a velocidade de outros tempos, mas a forma como agora temporiza o jogo é muito boa e eu continuo a não perceber os assobios que lhe são enviados.. a malta não entende que nem sempre se pode jogar para a frente, que por vezes temos que parar, pensar e quem sabe, jogar para trás de forma a organizar nova jogada ou a não perder a bola..acho bastante injusto a forma como ele é quase constantemente assobiado, principalmente em Alvalade

    mas a equipa está a rebentar e parece que o Keizer tem que fazer mudanças em setubal para depois estarmos bem com o slb..

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