sábado, 16 de março de 2019

Soporífero

Depois das justificações que Keizer foi dando entre dezembro e fevereiro - apontando a falta de frescura física como fator principal para a queda exibicional -, seria de esperar que, a partir do momento em que voltámos a jogar uma vez por semana, se fosse registando uma melhoria gradual no desempenho da equipa. O que vimos ontem, frente ao Santa Clara, foi precisamente o oposto. 

A primeira parte que o Sporting realizou é inconcebível. Foram 45 minutos de apatia generalizada, com jogadores pouco mais que plantados em campo e executando de forma previsível e angustiantemente lenta. A segunda parte valeu pelos primeiros quinze minutos. Foi o único período em que a equipa procurou a bola e o golo de forma insistente, culminando no remate de Raphinha que acabaria por determinar o resultado final. Pelo meio, os açorianos podiam ter marcado num penálti de bola corrida que, felizmente, embateu nas costas de Ristovski e saiu pela linha final. Depois do golo, o Sporting entregou a iniciativa ao Santa Clara e as oportunidades de golo rarearam de parte a parte até final. 

Do ponto de vista individual, Raphinha foi o jogador que mais se destacou pelas situações de desequilíbrio que conseguiu ir gerando - o problema é que esteve quase sempre mal acompanhado. Bruno Fernandes não sabe jogar mal e Acuña voltou a estar num nível aceitável. Doumbia cumpriu nesta chamada à titularidade, justificando novas oportunidades. No plano negativo, é impossível ignorar o momento de total falta de confiança por que passa Dost - uma sombra do enorme ponta-de-lança que é - e voltámos a ser obrigados a ver Diaby a envergar a nossa camisola. O maliano é um desastre tático, técnico e mental com duas pernas. 

Valeu exclusivamente pelos três pontos, numa noite que foi um suplício para os resistentes que ainda vão marcando presença nas bancadas e que, apesar de desiludidos com mais uma temporada fracassada, encontrariam algum conforto se se observassem sinais de melhoria que deixassem antever um 2019/20 mais promissor.

E é essa a grande questão do momento e que se arrastará até maio: é fundamental que Keizer demonstre JÁ capacidade de subir o rendimento da equipa se quiser continuar como treinador na próxima época. Compreendo que não foi o holandês que escolheu o plantel com que tem de trabalhar, mas, no contexto de um jogo disputado por semana, tem matéria-prima mais que suficiente para vencer confortavelmente 75% dos jogos. Em 2019, dos 18 jogos disputados, apenas em 3 ocasiões vencemos de forma tranquila - em todos os outros, a incerteza do resultado manteve-se até ao apito final do árbitro ou até muito perto do fim. Não havendo melhorias significativas nos 9/10 jogos que restam, entrará na próxima época imensamente pressionado e sem qualquer margem para errar.

4 comentários:

  1. Os sportinguistas sempre encontram um patinho feio. Se estivermos a jogar bem é algum que nao joga, se estivermos a jogar mal ainda pior. O Diaby, que nao é nenhum jogador de especial, no primeiro ano no clube ja fez 7 golos e 6 assistencias. É um grande jogador? Nao. Mas de certeza que nao é por ele quejogamos tao mal e temos tao maus resultados.

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    1. Bruno, obviamente que ele não é o principal culpado de a equipa não jogar melhor, mas não tem nível para jogar no Sporting. Ontem entrou e andou quase todo o tempo sem se preocupar em tarefas defensivas, recuperando devagar, não fazendo compensações, a fazer de conta como se não tivesse nada a ver com o jogo. Com bola é o desastre que sabemos.

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    2. Diaby é péssimo, qualquer que seja o critério.
      Mesmo pegando nos números:
      1- Diaby não tem 6 assistências, tem 3. Esse número do transfermarkt está errado (conta ultimo toque na bola como assistência ou penaltis sofridos). Forumscp tem contagem mais correta.
      2- Dos 7 golos, 3 são na Taça de Portugal (2 contra Rio Ave, 1 contra Lusitano) e 2 contra Qarabag na LE (no final do jogo).
      3- Se tirarmos esses 3 jogos (Rio Ave, Lusitano e Qarabag), Diaby fica com 2 golos / 3 assistências em 32 jogos. 5 contribuições diretas para golo em 32 jogos. Impressionante?


      Mesmo usando números para todos os jogos (que enganam), podemos comparar contribuições / minutos de jogo:
      - Diaby: 7+3 cont / 2072 mins = 1 cont a cada 200 mins
      - Jovane: 4+4 cont / 1046 mins = 1 cont a cada 131 mins
      - Nani: 9+7 cont / 2235 mins = 1 cont a cada 139 mins
      - Acuna: 1+6 cont / 2966 mins = 1 cont a cada 423 mins [jogou a DE várias vezes]
      - Raphinha: 5+1 cont / 1718 mins = 1 cont a cada 286 mins
      - Montero: 4+4 / 1050 mins = 1 cont a cada 131 mins

      Portanto, Diaby está acima de Raphinha (péssima época para nível dele) e Acuna (muitas vezes DE).
      De resto, é pior que alternativas para o seu lugar, a extremo ou 2o avançado.

      E joga mal neste modelo. Decide mal, não sabe posicionar-se, não sabe receber uma bola com pouco espaço, etc.
      É claramente um jogador talhado para jogar em transição, com muito espaço para correr. Todos perceberam isso, até porque ninguém (!) usa qualquer argumento além dos "números" dele para o defender. E tão bons que eles são, como se pode ver acima. Não é "O" culpado, mas é um dos culpados, tal como Gudelj por ex. E quem os pôs a jogar...

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  2. Será o K treinador para o Sporting clube de Portugal?

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