domingo, 14 de abril de 2019

Há Dias difíceis

Qualquer prognóstico feito pelos adeptos ao Aves - Sporting ficou obsoleto ao fim de quatro minutos. Artur Soares Dias decidiu fazer história aos 4' mostrando um cartão vermelho a Renan - nunca um jogador do Sporting tinha sido expulso, em qualquer competição, com tão pouco tempo decorrido - da forma mais artursoaresca possível: recorrendo aos mais finos limites da interpretação, como sempre parece acontecer quando o Sporting está envolvido. É indiscutível que Renan derruba o adversário e é indiscutível que era uma jogada de perigo, mas é discutível que o jogador do Aves estivesse numa posição assim tão clara para marcar - corria na direção da linha de fundo e não em direção à baliza, e o ângulo em que se encontrava não era propriamente favorável para uma situação de concretização. Ainda assim, vermelho mostrado, e o Sporting viu-se condenado a jogar em desvantagem numérica durante os restantes 94' de jogo que se disputaram.

Fonte: zerozero.pt
Verdade seja dita que tal desvantagem numérica não se notou no decurso do jogo. O Sporting controlou a partida do princípio ao fim, sabendo gerir os ritmos de jogo e sendo inteligente e acutilante nos momentos ofensivos. Chegou à vantagem no marcador com naturalidade através de Luiz Phellype (quarto golo nos últimos cinco jogos) e, após o único lance de verdadeiro perigo do Aves que resultou em penálti (bem assinalado) e no empate, não tardou a recolocar-se na frente através de Mathieu, num lance que ficará lembrado sobretudo pelo medo que Bruno Fernandes provoca às defesas adversárias: a dúvida de que, apesar da distância, o livre pudesse ser batido direto pelo capitão, levou a que um defesa do Aves descesse para junto do poste - movimento aproveitado de imediato por Coates e Mathieu, que se adiantaram e ajudaram a que se criasse o decisivo desequilíbrio para fazer abanar as redes. Mas o marcador não ficaria fechado sem que Bruno Fernandes apontasse o 28º golo da época de cabeça (!), encerrando em definitivo as dúvidas sobre quem seria o vencedor. Vale também a pena referir que, pelo meio, Soares Dias ainda transformou uma obstrução de Diego Galo sobre Acuña que deveria valer o 2º amarelo ao defesa do Aves num amarelo ao argentino do Sporting. Há Dias mais difíceis que outros, mas felizmente o Sporting soube contornar os obstáculos colocados e arrecadou os três pontos com inteira justiça.

A equipa parece estar a atravessar o melhor momento da época, tendo alcançado ontem a 7ª vitória consecutiva. Não surpreende que este período coincida com o espaço de tempo em que se voltou ao ritmo de um jogo por semana. Isto demonstra que, havendo um plantel tão desequilibrado e carente de alternativas, uma boa condição física dos titulares é fator fundamental para que se consiga manter um nível de regularidade compatível com a luta pela vitória no campeonato. O desgaste causado pelo ritmo frenético de jogos entre outubro e fevereiro acabou por matar essa pretensão. Espero que, pelo menos, se aprenda com esta experiência e que a estrutura de futebol saiba estabelecer as prioridades certas para a época de 2019/20.

2 comentários:

  1. Bom dia, prezado MdC.
    A equipa foi brava, Soares Dias igual
    a si próprio aos 4 minutos...
    Sobre as queixas de Augusto Inácio...
    não lhe ficam bem.
    Bom domingo.

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    1. Augusto Inácio é também um profissional e o que disse sobre uma jogada que aconteceu, foi correcto, uma vez se tivesse acontecido com um jogador do Sporting, eu estaria aqui a acusar o árbitro e o VAR.

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