segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

A prioridade nº 1 do mercado

Não é preciso ser-se particularmente perspicaz para entender a importância do ponta-de-lança numa equipa de futebol, não só pelos golos que marca, mas também pelos que dá a marcar por ação direta ou indireta, seja através de passes para os colegas, abrindo espaço na frente arrastando os defesas adversários ou fixando-os pela sua mera presença em determinado ponto no campo. A importância do ponta-de-lança é particularmente relevante num campeonato como o português para uma equipa que quer lutar pelo título. As defesas adversárias baseiam-se causam dificuldades sobretudo pela quantidade de jogadores que colocam em tarefas defensivas, mas a fraca qualidade individual dos jogadores que têm ao seu dispor faz com que sejam presa fácil para qualquer ponta-de-lança de qualidade média/média-superior para os padrões europeus.

Foto: zerozero.pt
Infelizmente, aquilo que é uma evidência óbvia para qualquer indivíduo que acompanhe o futebol... não o foi para quem teve a responsabilidade de montar o plantel do Sporting. Atacar uma época com um único ponta-de-lança de raiz já de si é uma decisão incompreensível, mas a isso ainda temos de somar o facto de esse ponta-de-lança - Luiz Phellype - não ter o nível necessário para uma equipa que, supostamente, queria disputar os primeiros lugares com os rivais de sempre. A narrativa do ataque móvel de quem manda no futebol no Sporting não tardou a desmoronar-se face à insuficiente qualidade dos reforços de última hora, ao ponto de deixar os adeptos a suspirar pela alternativa que existe nos sub-23 que não pode ser utilizada nas competições internas por não ter sido inscrito.

Mas mesmo sendo Luiz Phellype o jogador que é - com as suas qualidades e defeitos -, o efeito positivo de utilizar um ponta-de-lança de raiz é indesmentível. E não me refiro apenas ao 9 golos e 2 assistências registadas em 1207 minutos de utilização (que dá uma média de um golo/assistência a cada 110 minutos). Existem outros números ainda mais elucidativos.


Quando joga com Luiz Phellype, um ponta-de-lança de raiz, o Sporting demora em média 43 minutos a marcar um golo. Sem Luiz Phellype, o tempo necessário para marcar dispara para 72 minutos. A discrepância ainda seria superior se contássemos com a prestação de Pedro Mendes. Não a coloquei aqui porque a utilização do jovem sub-23 a extremo na Áustria desvirtuaria a análise.

Essa diferença também se reflete nos resultados dos jogos. Em jogos em que Luiz Phellype participou, o Sporting conquistou 63% dos pontos em disputa (para efeitos de simplificação da análise, incluí as derrotas da Taça de Portugal e da Supertaça, apesar de não haver pontos em jogo), perto do dobro do aproveitamento que existiu em jogos em que Luiz Phellype ficou de fora. Quando Luiz Phellype foi titular, esse aproveitamento foi ainda mais alto: 69%.


Por todos e motivos e mais algum, é completamente óbvio que a prioridade número um do Sporting para o mercado de janeiro terá de ser a contratação de pelo menos mais um ponta-de-lança, de preferência para entrar no onze de caras. Não é preciso inventar a roda: daqueles que conhecem a posição como a palma da mão e sabem meter a bola na baliza. Têm a palavra Varandas e Hugo Viana.

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