sábado, 3 de dezembro de 2016

Uma bonita homenagem e um jogo importantíssimo para ganhar


Será com esta camisola que os jogadores do Sporting entrarão logo em campo contra o V. Setúbal. Uma bonita homenagem a todos os afetados pela tragédia que vitimou a comitiva do Chapecoense na semana que passou.

Excelente iniciativa do Sporting, e uma palavra de apreço à NOS por ter disponibilizado um espaço que é seu.

Em relação ao jogo em si, o Sporting não pode perder a oportunidade de se aproximar do Benfica na classificação. Reduzindo a distância para dois pontos, vamos à Luz com a possibilidade de passar para a frente da tabela, e uma eventual derrota não nos condena na luta pelo título. Um teste ao caráter da equipa e dos jogadores, que não poderão facilitar em nenhum momento - basta lembrar que o V. Setúbal já roubou pontos ao Benfica e ao Porto.

Disciplina sui generis

O Pawn_pt fez um quadro bastante interessante com as estatísticas de disciplina de cada um dos árbitros até à jornada passada (inclui todos os jogos da 1ª à 11ª jornada, inclusive, exceto o Braga - Feirense). Acima da linha horizontal mais carregada estão os árbitros internacionais, e abaixo estão os árbitros não internacionais.

O quadro está dividido em duas partes. Do lado esquerdo, podemos ver os dados globais de cada um dos árbitros: o número de jogos que arbitraram, a média de faltas por jogo, a média de amarelos exibidos por jogo, a média de faltas necessárias para mostrar um amarelo, como cada árbitro se situa em relação à média (mais ou menos disciplinador), e a consistência revelada entre jogos. Árbitros com células a vermelho são os mais disciplinadores, e os que têm células a verde são os mais permissivos.

Na metade direita estão os dados relativos a cada jogo arbitrado, com a indicação do número de faltas cometidas por cada amarelo, para a equipa e o seu adversário. As células a vermelho indicam os jogos em que os árbitros foram mais significativamente mais disciplinadores para a equipa no topo do quadro em relação ao adversário. As células a verde indicam os jogos em que os árbitros foram significativamente menos disciplinadores para a equipa no topo do quadro em relação ao adversário. A laranja estão os jogos em que pelo menos uma das equipas não viu nenhum cartão. As células a branco significam que houve algum equilíbrio na cadência de exibição de cartões entre as duas equipas.


Olhando para os jogos do Sporting, deteta-se de imediato uma mancha vermelha. 7 dos 10 árbitros foram significativamente mais disciplinadores com o Sporting do que com a equipa adversária. Nenhum outro clube tem um registo tão penalizador.

O padrão é claro. É mais fácil o cartão sair quando são os jogadores do Sporting a fazer as faltas. Isso foi perfeitamente evidente, como todos nos lembramos, no jogo do Bessa.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

As contas do Sporting (1º trimestre)

Foi sem grandes surpresas que o Sporting anunciou, na passada quarta-feira, um lucro de 62,9 milhões de euros. Sem surpresas, porque, conforme tinha escrito na análise às contas da época passada (daqui),
"Fazendo uma projeção para as contas de 2016/17 do Sporting, o apuramento para a Liga dos Campeões, a recuperação do patrocínio das camisolas (que estimo valer entre 7,5 e 8 milhões anuais) e as vendas de Slimani e João Mário (que deram mais-valias de 54 milhões de euros) deverão contribuir para um lucro recorde da SAD, que superará largamente o prejuízo da época que terminou."
mas não deixa de ser um resultado notável. Obviamente que devemos enquadrá-lo devidamente: da mesma forma que o prejuízo de 31,9 milhões da temporada passada não era preocupante - por já se saber que as vendas de Slimani e João Mário e a subida consistente das receitas operacionais iriam tapar esse buraco no trimestre seguinte -, não podemos pensar neste lucro de 62,9 milhões como um fenómeno descolado do passado. Estes relatórios apresentam uma imagem estática do estado das contas num dado momento, mas a vida de uma SAD decorre de forma ininterrupta e contínua, pelo que, ao analisarmos as contas, devemos sempre levar em linha de conta os acontecimentos anteriores e as expetativas futuras.

Independentemente disso, é ridículo que se tente colocar reservas a estes resultados, pois representam uma melhoria, significativa e inquestionável, da saúde financeira do Sporting.


Resultados operacionais

O Sporting apresentou um lucro operacional superior a 64 milhões de euros, que se devem, sobretudo, às mais-valias conseguidas com a venda de jogadores. No entanto, mesmo que não se tivessem registado essas vendas, os resultados operacionais do Sporting seriam positivos.



O lucro operacional de 7,7 milhões deve-se, em grande parte, ao crescimento de rubricas de receitas dos direitos de TV, bilheteira e patrocínios (que continuarão a refletir-se positivamente nos próximos trimestres), mas também ao prémio de participação na Liga dos Campeões (que não se vai repetir nos próximos trimestres). Por este motivo, os resultados operacionais (sem transações de jogadores) irão decair bastante ao longo da época, a ponto de serem negativos, mas essa descida não irá colocar em causa um lucro histórico da SAD no final da temporada.

De registar também a subida dos custos com pessoal. O Sporting gastou, no último trimestre de 2015/16, 13,1 milhões de euros em salários. No 1º trimestre de 2016/17, esse valor subiu para 15,1 milhões. Não é possível ainda determinar com rigor quanto irá aumentar o gasto com salários na totalidade da época, já que a janela de transferências fecha com dois terços do 1º trimestre cumprido - ou seja, foi influenciado pelos salários de Teo, Aquilani ou Slimani, e não suportou na totalidade os salários de jogadores que chegaram ao clube já com o trimestre em andamento, como  Dost, Markovic, Castaignos, Elias ou Campbell. Olhando para o investimento feito no plantel, parece-me que os custos com pessoal irão subir - resta saber qual o nível desse aumento. 


O passivo, ai, o passivo

As primeira análises de proveniências mais escarlates não hesitaram logo a apontar, de forma alarmista, para o aumento do passivo do Sporting. Sim, é verdade, o passivo do Sporting aumentou cerca de 27,5 milhões de euros.


No entanto, este aumento deve-se, sobretudo, ao investimento na equipa de futebol (o Sporting, como qualquer clube, acorda pagamentos faseados dos jogadores que adquire a outros emblemas) e ao reconhecimento de que 25% do valor da transferência da João Mário é devido à QFIL.

Nada disto é preocupante: se é verdade que a rubrica de fornecedores aumentou 11 milhões e o Sporting deve 9,3 milhões à QFIL, temos também de olhar para o que se passa no lado dos ativos:



Como se pode ver, a rubrica de clientes (ou seja, os valores que o Sporting ainda tem a receber dos clubes a quem vendeu jogadores) cresceu 36 milhões de euros, e a rubrica de caixa (o dinheiro que o Sporting tem em sua posse, seja em numerário, seja em depósitos bancários) aumentou 23,4 milhões de euros. Perante isto, o crescimento do passivo em 27,5 milhões nada tem de preocupante, pois o dinheiro que entrou (e ainda vai entrar) chegará para saldar esse valor, mesmo considerando a parcela que o Sporting será obrigado, na altura devida, para reembolsar empréstimos bancários e para colocar na conta de reserva.

Voltando ainda ao passivo, há boas notícias que convém assinalar: os empréstimos bancários e obrigacionistas foram reduzidos em 4 milhões de euros, estando agora no valor mais baixo desde que Bruno de Carvalho tomou posse.


O gráfico está incompleto porque Benfica e Porto ainda não apresentaram as suas contas relativas ao 1º trimestre. A CMVM desobrigou as SAD's de apresentarem as contas trimestrais, ou seja, passou a ser um documento opcional - e, obviamente que, não sendo bons os números que há para mostrar, Benfica e Porto não os deverão divulgar (por esta altura, no ano passado, ambas as SAD's já tinham publicado os resultados trimestrais).

De notar, também, que o Sporting apenas terá de usar 30% das mais-valias das vendas de Slimani, João Mário e Naldo para o reembolso de empréstimos bancários em julho de 2017:


O mesmo se aplica para os 20% que serão colocados em contas de reserva.


Outros comentários

Penso ser relevante repor a verdade em relação a certas coisas que têm sido escritas sobre as contas do Sporting:

1) 


É verdade que o Sporting só registou 59,5 milhões de mais-valias de um total de 74,5 milhões de vendas, mas a explicação é simples:
  • 25% do passe de João Mário pertencia à QFIL, ou seja, o Sporting só teve direito a cerca de 75% do valor líquido da transferência (sensivelmente 30 milhões);
  • 20% das mais-valias de Slimani pertenciam ao empresário, mas, poucos dias antes da venda ao Leicester, o Sporting chegou a um acordo com o empresário que limitou os direitos deste último a um máximo de 4 milhões; ou seja, o Sporting teve direito a cerca de 26 milhões.

As contas são um pouco mais complexas, porque as percentagens dos terceiros diziam respeito a mais-valias, ou seja, com os dados que são públicos não é possível calcular valores exatos. De qualquer forma, por alto, são estas: 30 + 26 + Naldo + outras transferências = 59,5. Como diria o outro, é só fazer as contas. Não faz qualquer sentido fazer passar aquilo que são direitos de terceiros como comissões. Até porque, conforme o Sporting anunciou em devido tempo, não houve quaisquer encargos com comissões nas vendas de Slimani e João Mário.

2) 


O relatório e contas do Sporting identifica, efetivamente estes valores, mas, mais uma vez, está a confundir-se algo de básico: nem todos os encargos com transferências têm a ver com comissões. Parte dos encargos diz respeito, de facto, a comissões, mas outra parte explica-se com outro tipo de despesas, como prémios de assinatura.

Um exemplo: o Sporting comunicou oportunamente à CMVM que pagou um prémio de assinatura de 2,2 milhões a Alan Ruiz. As comissões também foram detalhadas em comunicado à CMVM e publicadas no Jornal Sporting, como, aliás, tem sido hábito desde que esta direção tomou posse.



3)


O Sporting assinou um acordo com a banca que reduziu significativamente os juros a pagar sobre certas tranches de empréstimos, no entanto, não falamos de um perdão. O Sporting teve que ceder contrapartidas várias: desde o saneamento das contas, que obrigaram a enormes cortes com a despesa - que tiveram um profundo impacto no funcionamento da SAD -, até à obrigação do reembolso de empréstimos e reforço de contas de reservas com parte das receitas de transferências de jogadores e da participação nas competições europeias. Ou seja, a banca abdicou de parte dos juros para passar a ter mecanismos que lhe garantem um reembolso acelerado dos empréstimos que concedeu ao Sporting, à medida que determinados tipos de receitas vão sendo assegurados. Portanto, faz tanto sentido designar-se isto de perdão de juros como dizer que o Sporting está a "dar" dinheiro das transferências à banca.

Quer o Sporting, quer BES e BCP (entidades privadas), assinaram o acordo quadro de reestruturação financeira por considerarem que os direitos e obrigações atribuídos a ambas as partes seriam a melhor forma de defender os interesses de cada um. Chama-se a isto negociação. É lidar.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Suficiente para os padrões da Taça da Liga

Competição pouco atrativa, horário impossível para a maior parte das pessoas que gosta de ir ao estádio (eu incluído) e o temporal na região de Lisboa, três fatores que contribuíram para que Alvalade registasse um ambiente bem menos caloroso do que tem sido habitual. No relvado, os dois treinadores apostaram em formações que pouco ou nada tem a ver com os onzes normalmente utilizados no campeonato - como é hábito nesta competição -, proporcionando um jogo pouco interessante entre duas equipas desligadas, pouco capazes de construir jogadas com cabeça, tronco e membros.

No entanto, dentro dos poucos motivos de interesse e das condicionantes já referidas, há que dizer que o Sporting fez um jogo suficientemente competente, controlando o jogo praticamente por completo e dispondo de algumas oportunidades para avolumar a vantagem no marcador. Não seria realista esperar muito mais, face à pouca rodagem da maior parte dos jogadores utilizados, mas, ainda assim, houve algumas exibições positivas que ajudaram a atenuar um pouco as (más) impressões deixadas em oportunidades anteriores.



O golo de Alan Ruiz - surgiu através de uma bela jogada que começou num passe vertical de Petrovic para André, que tocou de primeira, de calcanhar, para o argentino. Alan Ruiz deu dois passos, ajeitou o esférico e rematou colocado de fora da área. Valeu três pontos e coloca o Sporting em boa situação para passar para a fase seguinte da competição.


Prazer em conhecer-te, Radosav - foi de Petrovic a exibição que mais me surpreendeu. Não teve problemas em assumir o início de construção das jogadas de ataque do Sporting, constantemente à procura de colegas mais adiantados, fazendo-o com bastante competência. Perdeu uma ou outra bola por medir mal o posicionamento dos adversários, mas parece-me natural face à falta de ritmo competitivo. Também esteve bem defensivamente, com algumas boas recuperações. Fico com curiosidade em vê-lo novamente em ação, apesar de continuar a ter dúvidas se será capaz de repetir uma exibição destas se o jogo tiver um ritmo mais elevado. De qualquer forma, há que dizer que Petrovic aproveitou bem a oportunidade.

Campbell a querer mostrar serviço - notou-se bem que tem um andamento diferente em relação aos outros jogadores que ontem estiveram em campo. Mais uma vez, parece-me evidente que o seu rendimento desce se for encostado ao flanco esquerdo, mas tem vontade e velocidadade para fazer coisas acontecer. Faltou-lhe entendimento com os colegas - um mal que, ontem, afligiu toda a gente.

Douglas autoritário - não teve muito para fazer, mas quando foi obrigado a intervir, fê-lo sempre bem e com segurança. Voltou a demonstrar facilidade em ganhar os duelos aéreos nas bolas paradas ofensivas.



O que se passa? - são dois casos semelhantes, no sentido em que já os vimos render muito, muito mais, mas a quem, atualmente, poucas coisas lhes saem bem. Falo de Jefferson e Markovic. O brasileiro está num momento psicológico tenebroso, sendo uma sombra do lateral confiante que foi durante a primeira época e meia ao serviço do Sporting. Markovic demonstra vontade em campo, está a participar mais no processo defensivo, mas as coisas estão a correr-lhe mal com a bola nos pés. O melhor momento do sérvio aconteceu quando desmarcou Elias para uma das melhores ocasiões de golo da segunda parte, mas foi insuficiente para os noventa minutos que esteve em campo.

Jogo para esquecer de Castaignos - participação infeliz do holandês. No escasso tempo em que esteve em campo, falhou um golo feito - a passe de Matheus - e lesionou-se nesse mesmo lance, sendo obrigado a sair poucos minutos depois. Precisa de golos para ganhar confiança.



Os meninos - Esgaio foi titular, mas teve uma exibição pouco conseguida, com algumas dificuldades para defender o seu flanco. Matheus deu pouco nas vistas, mas ainda deu um golo a marcar a Castaignos. Não convenceram, mas não se pode exigir mais a jogadores que, sendo jovens, necessitam de ser utilizados de uma forma mais consistente.



O essencial foi conseguido. Considerando que a competição apenas ganha algum interesse a partir das meias-finais, ninguém estava à espera de muito melhor. Foi bom para dar oportunidades aos jogadores menos utilizados e deu-se um passo importante para garantir o apuramento. O próximo jogo é no dia 29 de dezembro, em Alvalade, frente ao Varzim, que derrotou o V. Setúbal por 1-0.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Convocados para a Taça da Liga


Considerando a convocatória, eu iria assim a jogo:


Mais claro do que isto é impossível - parte 3

Todos se lembram o que aconteceu quando o Sporting começou a estabelecer cláusulas de rescisão de 45 e 60 milhões de euros. Caiu o Carmo e a Trindade. Muitos jornalistas sentiram-se incomodados com esta loucura: ou era porque os salários dos jogadores não eram proporcionais ao valor da cláusula - como se a cláusula tivesse que ser, necessariamente, uma avaliação realista do valor atual de um jogador -,  ou porque os jogadores ficavam reféns do clube.

Não lhes ocorreu, na altura, que o clube estivesse, pura e simplesmente, a defender os seus interesses. E nenhum mal daí adveio para as carreiras dos jogadores. Não foi por terem uma cláusula astronómica que lhes cortaram as pernas. João Mário, jogador que se valorizou imenso, foi vendido abaixo da cláusula de 60 milhões. Montero, jogador que se valorizou menos, foi vendido por um valor muito, muito inferior ao da cláusula. William e Gelson (infelizmente) não acabarão a carreira no Sporting, pois, numa altura que o clube considerar apropriada, terão a sua oportunidade de brilhar em campeonatos mais competitivos do que o nosso.

Mas, entretanto, os outros clubes passaram também a estabelecer cláusulas de rescisão elevadas. Não me lembro, porém, de ler críticas idênticas às que foram dirigidas ao Sporting quando, por exemplo, Taarabt assinou com uma cláusula de 45 milhões, ou quando Gonçalo Guedes renovou com uma cláusula de 60 milhões.

Quando as cláusulas elevadas passaram a ser praticadas noutros emblemas que não o Sporting, a doutrina divide-se entre aqueles que, há uns tempos, não se pouparam nas criticas: temos os que se abstêm de voltar a expressar a sua discordância, e temos os que as celebram. Para estes últimos, é uma forma de o clube passar uma mensagem para o mercado, de demonstrar confiança nos jogadores, e uma fonte de inspiração para os colegas. O único risco? Os jogadores poderão deslumbrar-se. Esqueçam os reféns e a desproporcionalidade entre o salário e o valor da cláusula... são apenas "pérolas seguras".

As cláusulas que não se entendem




As cláusulas que se entendem



Foi bom o Benfica ter chegado às cláusulas de 80 milhões. Pode ser que o Sporting tenha agora alguma liberdade para poder determinar as suas cláusulas, sem ter que se sujeitar ao habitual coro dos indignados.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Mais claro do que isto é impossível - parte 2

No essencial, não vejo grandes diferenças entre o jogo que o Sporting fez em Guimarães e o jogo que o Benfica fez em Istambul. O Besiktas é uma equipa mais forte, como é evidente, mas nem num caso nem noutro se pode, de forma alguma, desperdiçar uma vantagem de 3-0. Consequências: o Sporting perdeu 2 pontos num campeonato que ainda tinha, na altura, 27 jornadas por disputar; o Benfica perdeu 2 pontos que teriam garantido o apuramento para a fase seguinte, tendo agora que se sujeitar a uma autêntica final frente ao Nápoles, que ditará o seu destino na competição. 

Seria de esperar, portanto, que as reações aos dois jogos, na perspetiva das equipas que perderam a vantagem, fossem semelhantes. Certo? Errado. Apesar de estarem apenas separados no tempo por cinco semanas, há quem consiga fazer análises e conclusões bem diferentes.

Como não posso conceber que essas diferenças de opinião se explicam por determinadas preferências clubísticas do escriba - que tem o dever da imparcialidade -, só posso assumir que teve a ver com o dia da semana em que os desaires sucederam: deve ser mais grave estourar uma vantagem de 3 golos num sábado do que numa quarta-feira.

Aos sábados: "As duas caras do leão - o filme de Guimarães é um pesadelo que o Sporting terá muita dificuldade em gerir"


Às quartas: "Há empates que vêm por bem - a primeira parte foi tão impressionante que deveria ser mostrada nas escolas de futebol"


"Às vezes é bom voltar a sentir o chão"... isto devia passar a fazer parte da letra do "Always look on the bright side of life".

#ForçaChape


Mais claro do que isto é impossível - parte 1

Há cerca de um ano e meio, a seleção portuguesa esteve presente no Europeu sub-21. A participação foi muito meritória, tendo a seleção acabado por cair na final, frente à Suécia. O futebol praticado pela equipa de Rui Jorge foi de luxo, e, como consequência natural, vários jogadores portugueses foram incluídos no onze ideal do torneio. Um deles, inclusivamente, foi considerado o melhor jogador da competição (William Carvalho, para quem não se lembra).

Entretanto, esses jovens jogadores portugueses continuaram a evoluir, afirmando ou consolidando a sua importância nos clubes que representam. Ontem, a UEFA publicou uma análise à evolução dos jogadores que participaram nessa competição, formando um onze com os atletas que, ao longo desse ano e meio, mais deram nas vistas. Nesse onze, a UEFA elegeu quatro jogadores que representaram a seleção portuguesa, e um jogador estrangeiro que joga em Portugal. 

Agora a pergunta: se trabalhassem num jornal desportivo português, como dariam a notícia?

Pois bem, o jornal A Bola decidiu dá-la desta forma:


Destacaram Lindelof, pois claro. Os quatro portugueses não tiveram direito a serem mencionados pelo nome. Mais tarde, percebendo a magnitude do título escolhido, corrigiram.


É uma coisa sem importância, mas, precisamente por ser uma coisa sem importância, revela bem como estão formatadas aquelas mentes. Benfica über alles, mesmo que no alles esteja a seleção do seu próprio país.

Tenham vergonha.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Tanque

Outra das boas exibições da noite de sábado foi a de William Carvalho. Está num bom momento de forma: fisicamente muito forte e muito seguro na condução, teve 100% de sucesso nos 6 dribles que tentou (apenas Gelson conseguiu mais, 7 em 8 tentados) e ganhou todos os duelos aéreos em que esteve envolvido.

Depois de ter sido o jogador do Sporting que mais correu contra o Real Madrid, mais uma partida em que demonstrou elevada disponibilidade física. E ainda deu para fazer um sprint de um lado ao outro do campo aos 94 minutos...